BEM-VINDO

dany final

BEM-VINDO

Nossas histórias já começaram cruzadas. Somos irmãs. De palavra. Kelly Shimohiro e Dany Fran. Apaixonadas por literatura. Publicamos nossos primeiros romances. ‘O Estranho Contato’ (Kelly Shimohiro), uma trilogia fantástica. E ‘Dias Nublados’ (Dany Fran), uma ficção inspirada em fatos reais. Agora, seguimos nos aventurando com as palavras. Afinal, do verbo toda a vida é criada. Venha com as Irmãs de Palavra!

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Ressaca Literária

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Após um consumo exagerado ficamos em estado ‘alterado’. Êxtase! Frenesi. E assim estamos, Irmãs de Palavras, chacoalhadas por tantos encontros plurais, depois da Flim, em Maringá, e da Semana Literária do Sesc Cadeião, em Londrina. Porque se afinal de contas, inventamos uma história todos os dias, nestes últimos reinventamos realidades fantásticas! E renovamos o desejo vibrante de viver de contar histórias. “Sim, acho que AINDA hoje tem muita gente produzindo literatura de qualidade no Brasil. Acompanho e tenho prazer em conhecer novos autores. Não aprovo generalizações! Se eu prefiro falar com criança ou adulto? Você prefere entrevistar jovem ou velho? Gosta mais de um filho ou de outro? Eu gosto de falar, escrever. A minha língua!” (Ana Maria Machado)

literatura 6 literatura 5 literatura 13E a nossa, linguagem, começa, assim como os dias iniciam, por um respeito (profundo) ao protagonista, personagem da história. Seja em primeira ou terceira pessoa. “Penso qual vai ser o privilégio da vez, quem vai me receber, quem vou conhecer pra qual narrativa contar”. (Caco Barcellos) Criar mundos a partir do nosso olhar sobre o outro (imaginado ou real) é mesmo um baita privilégio! Gigante!! Como a caça para encontrar o tom certo ao seu enredo. “O lugar que você habita é o mais importante para tomar posse de suas tantas identidades e ser capaz até de avançar escrevendo comédia do trágico”. (Juan Pablo Villalobos)

literatura 17 literatura 18 literatura 14Já que o ponto de partida da sua escrita é particularmente transitório. “O estranhamento pra mim é a estranheza que as pessoas têm de que um escritor pode vir de tantas formações distintas.”(José Eduardo Agualusa). Caríssimos, não há viés que te salve ou te condene quando você cai de amores pelo que te cerca. De verdade. Obras. Palavras. Ditas. Ouvidas. Imaginadas. Escritas. E até, caladas. “O silêncio dói muito mais na pele do inimigo do que o grito… Desconcerta… Desmancha certezas… Toque lancinante… Linguagem dos Deuses.” (Karén Debértolis – a mulher das palavras) Linguagem que mais do que consumida, mas também assumida, é capaz de estraçalhar os mais ingrimes ‘fortes’, inclusive os que você próprio levantou enquanto (quem sabe) censurou. “Senhor cidadão, eu quero saber.. com quantos quilos de MEDO de faz um muro bem alto.” (Tom Zé).

E de repente, um pulo bem elevado, e à vista gente aos sessenta, gente aos dezenove, gente que ‘agora’ está criando, ‘bebendo’ as suas histórias. Espalhando seus contos. Atravessando em busca da sua verdade ‘feliz’. ‘Dislexando’ seus olhares. Escrevendo Irmandade. Espalhando sua melhor literatura. Hoje. Consagrada pela sua leitura. Agora.

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Bem… se a ressaca passar, a gente não quer mais parar é da ‘sede’ saciar. Isto porque achamos que as pessoas criam as próprias narrativas. Se embrenham na história inventada e, assim, vivem suas vidas. “Uma merda de vida”, como dizem no musical O Despertar da Primavera  (adaptação da peça e musical estadunidense Spring Awakening, versão do projeto Desperte, de Maringá, em 2016). Uma merda de vida é viver da palavra alheia. Uma merda de vida é recitar o poema que o outro tem que encenar. Uma merda de vida é ler e não se transformar. Uma merda de vida é saber das teorias, das crases e das métricas e não ter o coração batendo enquanto veste o uniforme de todos os dias. Uma merda de vida é a celebração dos nomes consagrados por escapismo da sua própria mediocridade. Uma merda  de vida é escrever pra aprisionar. Uma merda de vida é a linha frouxa que imposta  verdades. Uma merda de vida é ter tantas oportunidades (como a Flim, a Semana Literária do Sesc de Londrina e os momentos das Irmãs de Palavra em tudo isso) e deixar escapar. E uma merda de vida é o que as Irmãs de Palavra NÃO QUEREM!! Nem pra elas, nem pra você. E uma bela de uma vida foram nossos dias de ressaca literária. Foram todos nossos encontros com palavras, com falas, com gente. Uma bela de uma vida são todas as nossas tentativas por superação. E compreensão. E libertação. E aceitação. E, sempre, uma bela de uma vida é inventar uma história das boas. Agora, people!

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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Sua assinatura no mundo

Um pequeno diálogo sobre ‘assinaturas’:

“- Me fale de você. Qual a sua assinatura no mundo, hein?

– Bem… eu me chamo…

– Não se trata de um registro. Nem mesmo de um batismo. Eu quero saber pelo quê você luta?

– Éhh…sou da paz!

– Pra viver em paz você precisa ‘assinar’, se colocar. Afinal, em que você está, de fato, interessado?

– Hum…

– É, enxergar com os próprios olhos, sem consultar expectativas alheias, pode ser mais difícil do se imaginava. Mais do que isso, exige coragem. Quer tentar?”

 

 

Sua assinatura no mundo

Uma questão de coragem assinar seu nome no mundo.

Assinar sem copiar, sem usar tinta emprestada, sem ser resultado de tanto exercício de caligrafia.

Descobrir o desenho das próprias letras, saber onde quer escrever seu nome.

Riscar ou apagar, se precisar.

Assinar sem hesitar, mesmo que não agradar.

Sua assinatura no mundo

Uma questão de vida ou morte assinar seu nome no mundo.

Assinar pra ter um lugar, pra ser gente, pra nascer toda vez que o seu nome  você escrever.

Não se contentar com os que lhe foram dados, criar um Sujeito Próprio.

Abreviar ou ser longo, se desejar.

Assinar sem precisar, só pra lembrar.

Sua assinatura no mundo

Uma questão linguística. Uma questão genealógica. Uma questão, com toda razão, de definição.

Sua assinatura no mundo. A assinatura do mundo.

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Texto e foto de Dany Fran e Kelly Shimohiro

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As Irmãs em Sampa – trilhando pela Bienal

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“Já havia lido muito a respeito. Passarelas apertadas por livros e gente. Continuo lendo. Em 2016 corredores mais amplos proporcionaram mais conforto aos milhares de visitantes. Já havia desejado. Estar na Bienal do Livro, perto de tantas obras, autores e leitores. O desejo saciado, continua crescendo Uau, caramba… É tudo over mesmo, gente demais apaixonada por aventuras lidas e escritas partilhando o mesmo espaço. E isto.. bem, em qualquer tempo vai ser surreal. Pelo menos pra mim!

bienal bem menorPisar no Anhembi pela primeira vez e esbarrar em autores que admiro, outros que passei a gostar; estar com editores que cutucam minhas ideias, conhecer leitores apaixonantes, rever amigos que abraçam minha memória afetiva e adquirir novas páginas (que já estão sendo devoradas); claro que foi incrível!!! Um tempo pra sorrir abestalhada, com gostinho de ‘sim, quero voltar’ pra isso. Agora, ter toda essa experiência também como ‘escutadora’, escritora… Putz, foi mesmo um momento épico! Mais uma vez meus dias foram iluminados por ‘Dias Nublados’, que definitivamente cavou outros enredos ao meu. E tudo isso ao lado da minha Irmã de Palavra, uma soma incalculável, um ‘contato’ fenomenal, um pulso que vibra e aumenta o ritmo do nosso encantamento pelas histórias”. (olhares de Dany Fran)
binela bem menor 2Bem, se eu pudesse diria idem às palavras da minha irmã de palavra. Porque concordo. Porque para mim também foi épico. Foi fantástico. O Estranho Contato no mar de histórias da Bienal. Dias Nublados bem ali. Mas como não posso simplesmente dizer idem, tem uma palavra para a Bienal 2016: trilho. Trilho porque é caminho, para histórias, para escrita, para o leitor. Trilho porque também se refere à trilhar, que é o verbo da busca e da atitude. A Bienal foi isso para mim também. Trilho porque é o ponto que liga mundos, leitor e escritor, escritor e editor, Irmãs de Palavra uma a outra. Trilho porque marca fronteiras entre o seu estilo de escrita e tantos outros. Trilho porque permite passagem. A passagem da história (da minha e de milhares) até as mentes, e as mentes animam o mundo. Trilho porque leva e traz. Saídas criativas, diversão, ponto de parada e expansão. Trilho porque não para nunca. As histórias, as chances todas, a loucura que gruda você num livro e a vontade de escrever mais. E mais. E mais.” (percepções de Kelly Shimohiro)
bienal 2

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Near Space photography - 20km above ground / real photo

Expectativas – esperando, esperando…

“A expectativa de vida aumentou no Brasil, segundo IBGE. Maria lê na manchete do jornal e vê de relance no início da matéria, que tem a ver com a melhora na saúde e na qualidade de vida. Mas a expectativa dela caiu esse ano. Depois que perdeu o emprego e descobriu uma doença crônica, Maria continua na mesma realidade em que os números subiram mas vivencia outra. Como uma espectro. Uma sombra do reflexo alheio.”

Quantas Marias, como essa existem por aí? Elas nos mostram que a realidade não pode mesmo ser uma só  e nem as expectativas. O espaço. Tempo. A Cultura.  O Status social e econômico. Até nossa genética. Todos interpelam nossa percepção do real e influenciam o que esperamos da vida, da nossa história. E dos nossos mundos, tão plurais. Afinal, como afirma Ricardo Piglia, ‘a realidade é tecida por ficções’.

A expectativa é sempre uma antecipação. É um pedaço do futuro que se traz para o presente. E um pedaço do futuro que você I M A G I N A. É como um jogo de adivinhação. “Eu acho que quando eu lhe der este presente, ele vai amar e sorrir e me agradecer para sempre.” “Eu acho que ela vai chegar amanhã, cheia de desejo.”  “Eu acho que ela é melhor”. “Eu acho que vou passar no concurso.”

E se as expectativas são boas quando te dão um gás para correr atrás de alguma coisa, elas são como veneno, quando você coloca no outro, expectativas que são suas. Porque, como diz Sartre, ninguém nasce para suprir as expectativas de ninguém. E nem você nasce para suprir as expectativas dos outros. O que pode acontecer entre as pessoas é um encontro, onde cada um pode mostrar-se como realmente é; onde as pessoas se aceitam e criam uma realidade de convivência.  Fora disso, as expectativas que colocamos em cima do outro, sobre nós mesmos e até as que os outros colocam em nós, são sempre mordaças. Nesses momentos, mata-se a liberdade, mata-se o outro e vivemos todos em uma realidade feita de espelhos imaginários.

Esperar, esperar, esperar… de tanto fantasiar o que poderia ser, de tanto sonhar como as coisas poderiam acontecer, você simplesmente pode deixar a vida escapar. No agora não existe expectativa, só existe a vida acontecendo.

“Eu queria que minha mãe me enxergasse além das expectativas e projeções dela. Era isso o que eu queria da minha mãe.” (Ágatha Guiller, em O estranho contato)

” Gostaria de dizer que você voltou de viagem e continuou reclamando de não almoçarmos juntas. Mas não foi o que aconteceu.  Gostaria de dizer que depois da sua partida sempre almoçamos juntos lá em casa. Mas isso também nem sempre acontece. Gostaria de dizer que você morreu e todas as inutilidades foram embora. Mas , às vezes, ainda nos prendemos às idiotices”. (Izadora Morgan Luchetta, em Dias Nublados)

  • texto: Dany Fran e Kelly Shimohiro

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Provocações femininas – as histórias das mulheres

A vida de toda mulher é contada por suas muitas vozes. Porque não somos uma. Somos tantos personagens (ou personas) quanto conseguimos expressar. O fio da nossa individualidade une a todos. E somos essa mulher. Agora, porque daqui a pouco podemos bem nos transformar, compreender, crescer, se expandir… Assim é feito o mundo. Das nossas vozes. Das nossas histórias.

PicCollage

Porque a palavra está mesmo SEMPRE moldando a nossa realidade. Há uma década foi criada uma lei que tem mudado (mesmo ainda tendo muitas páginas pra virar) a vida de mulheres brasileiras, a lei Maria da Penha. Mas essa história começou há mais décadas. Depois de 23 anos de agressões, um novo capítulo. A protagonista desse enredo, Maria da Penha Maia Fernandes, quase morreu, levou um tiro quando dormia e ficou paraplégica. O agressor, era outro protagonista, o personagem que um dia já foi seu príncipe ‘encantado’. Como em uma ficção policial a realidade não parou por aí, e após uma nova tentativa de assassinato, quando quase foi eletrocutada no banho, Maria da Penha denunciou o parceiro. Mas a batalha para ele ser condenado, por incrível que pareça, foi longa e árdua. E mesmo depois de muito tempo, ele ficou preso apenas por dois anos. Essa história está em um livro. Sobrevivi, posso contar (1994). Em 2006 a personagem dessa obra foi responsável pela criação da Lei Maria da Penha, que há 10 anos tem modificado a vida de muitas outras mulheres que sofrem violência doméstica. Física, moral e sexual. Ainda há muitas realidade pra sacudir, histórias pra contar, mulheres pra não calar e, ainda bem, palavras pra gente soltar e até ‘quebrar’.

O que diria, a ‘escutadeira’, jornalista e escritora Eliane Brum. Que acolhe a realidade com profundidade, rasga seu olhar e nos abre labirintos para seguir chacoalhando o nosso ‘piscar’. “O que eu poderia dizer a você, Catarina? A verdade? A verdade você já sabia, você tinha acabado de descobrir. As pessoas quebram. Até as meninas quebram. E, se as meninas quebram, você também pode quebrar. E vai, Catarina. Vai quebrar. Talvez não a perna, mas outras partes de você. Membros invisíveis podem fraturar em tantos pedaços quanto uma perna ou um braço. E doer muito mais. E doem mais quando são outros que quebram você, às vezes pelas suas costas, em outras fazendo um afago, em geral contando mentiras ou inventando verdades. Gente cheia de medo, Catarina, que tem tanto pavor de quebrar que quebram outros para manter a ilusão de que são indestrutíveis e podem controlar o curso da vida. E dão nomes mais palatáveis para a inveja e para o ódio que os queima. Mas à noite, Catarina, à noite, eles sabem”. (trecho do livro A Menina Quebrada)

Em Mulheres que correm com os lobos (Clarissa Pinkóla Estés), a Mulher Selvagem grita por aquela nossa parte que não se deixa acossar. A nossa parte que respeita os ciclos das nossas vidas. A nossa parte que usa a intuição como um guia.

Em O Estranho Contato (Kelly Shimohiro), Ágatha enfrenta as angústias que fazem parte do crescimento de toda mulher e segue, mesmo sem se dar conta, o seu radar. E vê sua vida desabar com uma paixão de outro mundo. Nós já vivemos isso, ou desejamos uma paixão assim.

Anne Frank, em seu Diário, conta ao mundo dos nossos dramas adolescentes. De recusa em se calar frente aos conflitos e imposições familiares. Nossa descoberta da sexualidade. E nossa dor, quando vemos o mundo morrer a nossa volta.

J.K. Rowlling na saga Harry Potter conduz a personagem Hermione a testar seus limites de coragem, de solidariedade, de amizade e da capacidade de transformar-se. Toda mulher sabe que é assim que se cria uma vida mais significativa, para si e para o outro.

Kate, personagem de Eu Vejo Kate (Cláudia Lemes), é uma escritora que relata a história de 12 mulheres que sofreram abuso, vítimas de um serial killer. Porque não podemos nos calar frente à violência que uma mulher vive (sejamos ou não esta mulher). Não podemos virar as costas para os dramas que acontecem a nossa volta. Nunca saberemos quando estes serão nossos próprios dramas.

Em Dias Nublados (Dany Fran), Izadora dá voz à nossa mais sonhada conquista: transgredir os obstáculos que o destino nos impõe, tentando construir um sentido mais verdadeiro para nossa própria vida, mesmo com nossas dores, mesmo com nossas perdas…

Catherine M. (Em A vida sexual de Catherine M., de Catherine Millet), choca o mundo em suas revelações sexuais. E traz temas moralmente condenáveis à tona. E nós mulheres sabemos que o diálogo é mesmo a única alternativa para se construir uma vida. E diálogo também fala de coisas estranhas, que não aceitamos, da diferença do outro, do que muitas vezes, repudiamos. Se não assim, seria monólogo.

Diários de uma paixão (Nicholas Sparks) nos apresenta uma personagem – Allison – que não se deixa doutrinar pelo que é mais conveniente, pelas regras familiares, pelos falsos emblemas sociais. É aquela nossa voz rebelde que não permite ao mundo (nem a si mesma) afogar nossas paixões. Porque se deixássemos, viveríamos como mulheres espectrais.

E você quer viver como um fantoche do real ou prefere encarar nítidas visões de si, percebendo-se e reinventando-se…Pra isso é preciso debruçar sobre seus sentimentos e encarar seus reflexos como Clarice Lispector nos convidava em suas palavras. Afinal, “quanto ao futuro”, talvez, seja melhor não ser como a Macabea, protagonista de A hora da estrela, e fisgar o nosso presente, com toda a sua complexidade.

Carolina Maria de Jesus, autora nacional traduzida para mais de 10 idiomas, é uma inspiração para todas nós. Como um chamado para tudo o que importa. Esta autora, nascida em Minas Gerais e moradora de uma favela em São Paulo, produziu Quarto de Despejo (1960) em cadernos que pegava nos lixos. Ela era uma catadora de lixos. Em suas palavras, em Quarto de Despejo: “Eu deixo o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa a pensar nas misérias que nos rodeia. (…). Deixo o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades. (…) É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela. Fiz o café e fui carregar água. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama. As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginários.”

Já que os destinos são provocados ou sentenciados por nós próprias. Virginia Woolf diria “A Sra. Dalloway deveria inicialmente matar-se, ou talvez, simplesmente morrer no fim da festa”. No fim mesmo a Sra. Dalloway permaneceria viva e nos questionaria como, diante da nossa rotina, damos conta de mantê-la mais acesa. Onde e como for.

As Irmãs de Palavra ficariam aqui citando autoras e personagens femininas para sempre. Mas nem você, nem nós podemos com esta tarefa. Então, chegamos à parada.

Porque a parada é SEMPRE transitória. E um ‘bom’ livro é um ‘bom’ mundo pra caminhar. E que assim seja, como bem diz, e nos provoca, a bela escritora e jornalista Karen Debértolis em A estalagem da alma. “Aprendi, então, a captar a alma das coisas. Não aprisioná-las”.

E que seja esse o seu destino, o destino da mulher. Captar sua própria alma e expandir-se. Nunca aprisionar-se!

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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LEITURA – um vírus-hábito

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Olá, que prazer falar com você
Deixa eu me apresentar, meu nome é Leitura (ai, eu adooooro o meu nome!). 
Eu sou um vírus. Um vírus do tipo hábito. Bem, e como todo vírus-hábito, sou perigoso e posso contaminar o mundo inteiro. E ir assim, espalhando meus efeitos.
Meus efeitos mais comuns são: emoção e diversão. Conhecimento e consciência crítica são danos colaterais que acabo causando, meio sem querer.
Você precisa tomar cuidado comigo, eu sou letal. Mato a possibilidade de você ter uma única vida. É assim, não tem jeito.
O pior de tudo é que pra mim ainda não descobriram a cura. Mas sabe, eu desconfio que nunca vão descobrir. Depois que eu pego alguém, não largo nunca mais.
Tenho poder viciante e sou altamente contagioso. Não adianta nenhuma medida preventiva. Estou em todos os lugares, até nos mais improváveis. Você nem imagina onde eu posso pegar você!
Não tem idade para me contrair. Pode ser aos cinco, aos trinta ou aos oitenta. Antes e depois disso, pode também.
Ah, eu já ia me esquecendo. Tenho escondido em mim, um agente multiplicador altamente potente. Um perigo!
Minha ação começa sempre na mente. Aí, faço loucuras em você!
Dizem que quem avisa amigo é, então vou te avisando: não adianta tentar se proteger, eu vou pegar você! Agora ou qualquer outra hora, eu posso pegar você! Aliás, o que mesmo você está fazendo neste momento? Uau…
A gente volta a se ver!
 
Leitura – um vírus do tipo hábito.
Texto de Dany Fran e Kelly Shimohiro

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