BEM-VINDO

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BEM-VINDO

Nossas histórias já começaram cruzadas. Somos irmãs. De palavra. Kelly Shimohiro e Dany Fran. Apaixonadas por literatura. Publicamos nossos primeiros romances. ‘O Estranho Contato’ (Kelly Shimohiro), uma trilogia fantástica. E ‘Dias Nublados’ (Dany Fran), uma ficção inspirada em fatos reais. Agora, seguimos nos aventurando com as palavras. Afinal, do verbo toda a vida é criada. Venha com as Irmãs de Palavra!

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Expectativas – esperando, esperando…

“A expectativa de vida aumentou no Brasil, segundo IBGE. Maria lê na manchete do jornal e vê de relance no início da matéria, que tem a ver com a melhora na saúde e na qualidade de vida. Mas a expectativa dela caiu esse ano. Depois que perdeu o emprego e descobriu uma doença crônica, Maria continua na mesma realidade em que os números subiram mas vivencia outra. Como uma espectro. Uma sombra do reflexo alheio.”

Quantas Marias, como essa existem por aí? Elas nos mostram que a realidade não pode mesmo ser uma só  e nem as expectativas. O espaço. Tempo. A Cultura.  O Status social e econômico. Até nossa genética. Todos interpelam nossa percepção do real e influenciam o que esperamos da vida, da nossa história. E dos nossos mundos, tão plurais. Afinal, como afirma Ricardo Piglia, ‘a realidade é tecida por ficções’.

A expectativa é sempre uma antecipação. É um pedaço do futuro que se traz para o presente. E um pedaço do futuro que você I M A G I N A. É como um jogo de adivinhação. “Eu acho que quando eu lhe der este presente, ele vai amar e sorrir e me agradecer para sempre.” “Eu acho que ela vai chegar amanhã, cheia de desejo.”  “Eu acho que ela é melhor”. “Eu acho que vou passar no concurso.”

E se as expectativas são boas quando te dão um gás para correr atrás de alguma coisa, elas são como veneno, quando você coloca no outro, expectativas que são suas. Porque, como diz Sartre, ninguém nasce para suprir as expectativas de ninguém. E nem você nasce para suprir as expectativas dos outros. O que pode acontecer entre as pessoas é um encontro, onde cada um pode mostrar-se como realmente é; onde as pessoas se aceitam e criam uma realidade de convivência.  Fora disso, as expectativas que colocamos em cima do outro, sobre nós mesmos e até as que os outros colocam em nós, são sempre mordaças. Nesses momentos, mata-se a liberdade, mata-se o outro e vivemos todos em uma realidade feita de espelhos imaginários.

Esperar, esperar, esperar… de tanto fantasiar o que poderia ser, de tanto sonhar como as coisas poderiam acontecer, você simplesmente pode deixar a vida escapar. No agora não existe expectativa, só existe a vida acontecendo.

“Eu queria que minha mãe me enxergasse além das expectativas e projeções dela. Era isso o que eu queria da minha mãe.” (Ágatha Guiller, em O estranho contato)

” Gostaria de dizer que você voltou de viagem e continuou reclamando de não almoçarmos juntas. Mas não foi o que aconteceu.  Gostaria de dizer que depois da sua partida sempre almoçamos juntos lá em casa. Mas isso também nem sempre acontece. Gostaria de dizer que você morreu e todas as inutilidades foram embora. Mas , às vezes, ainda nos prendemos às idiotices”. (Izadora Morgan Luchetta, em Dias Nublados)

  • texto: Dany Fran e Kelly Shimohiro

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Provocações femininas – as histórias das mulheres

A vida de toda mulher é contada por suas muitas vozes. Porque não somos uma. Somos tantos personagens (ou personas) quanto conseguimos expressar. O fio da nossa individualidade une a todos. E somos essa mulher. Agora, porque daqui a pouco podemos bem nos transformar, compreender, crescer, se expandir… Assim é feito o mundo. Das nossas vozes. Das nossas histórias.

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Porque a palavra está mesmo SEMPRE moldando a nossa realidade. Há uma década foi criada uma lei que tem mudado (mesmo ainda tendo muitas páginas pra virar) a vida de mulheres brasileiras, a lei Maria da Penha. Mas essa história começou há mais décadas. Depois de 23 anos de agressões, um novo capítulo. A protagonista desse enredo, Maria da Penha Maia Fernandes, quase morreu, levou um tiro quando dormia e ficou paraplégica. O agressor, era outro protagonista, o personagem que um dia já foi seu príncipe ‘encantado’. Como em uma ficção policial a realidade não parou por aí, e após uma nova tentativa de assassinato, quando quase foi eletrocutada no banho, Maria da Penha denunciou o parceiro. Mas a batalha para ele ser condenado, por incrível que pareça, foi longa e árdua. E mesmo depois de muito tempo, ele ficou preso apenas por dois anos. Essa história está em um livro. Sobrevivi, posso contar (1994). Em 2006 a personagem dessa obra foi responsável pela criação da Lei Maria da Penha, que há 10 anos tem modificado a vida de muitas outras mulheres que sofrem violência doméstica. Física, moral e sexual. Ainda há muitas realidade pra sacudir, histórias pra contar, mulheres pra não calar e, ainda bem, palavras pra gente soltar e até ‘quebrar’.

O que diria, a ‘escutadeira’, jornalista e escritora Eliane Brum. Que acolhe a realidade com profundidade, rasga seu olhar e nos abre labirintos para seguir chacoalhando o nosso ‘piscar’. “O que eu poderia dizer a você, Catarina? A verdade? A verdade você já sabia, você tinha acabado de descobrir. As pessoas quebram. Até as meninas quebram. E, se as meninas quebram, você também pode quebrar. E vai, Catarina. Vai quebrar. Talvez não a perna, mas outras partes de você. Membros invisíveis podem fraturar em tantos pedaços quanto uma perna ou um braço. E doer muito mais. E doem mais quando são outros que quebram você, às vezes pelas suas costas, em outras fazendo um afago, em geral contando mentiras ou inventando verdades. Gente cheia de medo, Catarina, que tem tanto pavor de quebrar que quebram outros para manter a ilusão de que são indestrutíveis e podem controlar o curso da vida. E dão nomes mais palatáveis para a inveja e para o ódio que os queima. Mas à noite, Catarina, à noite, eles sabem”. (trecho do livro A Menina Quebrada)

Em Mulheres que correm com os lobos (Clarissa Pinkóla Estés), a Mulher Selvagem grita por aquela nossa parte que não se deixa acossar. A nossa parte que respeita os ciclos das nossas vidas. A nossa parte que usa a intuição como um guia.

Em O Estranho Contato (Kelly Shimohiro), Ágatha enfrenta as angústias que fazem parte do crescimento de toda mulher e segue, mesmo sem se dar conta, o seu radar. E vê sua vida desabar com uma paixão de outro mundo. Nós já vivemos isso, ou desejamos uma paixão assim.

Anne Frank, em seu Diário, conta ao mundo dos nossos dramas adolescentes. De recusa em se calar frente aos conflitos e imposições familiares. Nossa descoberta da sexualidade. E nossa dor, quando vemos o mundo morrer a nossa volta.

J.K. Rowlling na saga Harry Potter conduz a personagem Hermione a testar seus limites de coragem, de solidariedade, de amizade e da capacidade de transformar-se. Toda mulher sabe que é assim que se cria uma vida mais significativa, para si e para o outro.

Kate, personagem de Eu Vejo Kate (Cláudia Lemes), é uma escritora que relata a história de 12 mulheres que sofreram abuso, vítimas de um serial killer. Porque não podemos nos calar frente à violência que uma mulher vive (sejamos ou não esta mulher). Não podemos virar as costas para os dramas que acontecem a nossa volta. Nunca saberemos quando estes serão nossos próprios dramas.

Em Dias Nublados (Dany Fran), Izadora dá voz à nossa mais sonhada conquista: transgredir os obstáculos que o destino nos impõe, tentando construir um sentido mais verdadeiro para nossa própria vida, mesmo com nossas dores, mesmo com nossas perdas…

Catherine M. (Em A vida sexual de Catherine M., de Catherine Millet), choca o mundo em suas revelações sexuais. E traz temas moralmente condenáveis à tona. E nós mulheres sabemos que o diálogo é mesmo a única alternativa para se construir uma vida. E diálogo também fala de coisas estranhas, que não aceitamos, da diferença do outro, do que muitas vezes, repudiamos. Se não assim, seria monólogo.

Diários de uma paixão (Nicholas Sparks) nos apresenta uma personagem – Allison – que não se deixa doutrinar pelo que é mais conveniente, pelas regras familiares, pelos falsos emblemas sociais. É aquela nossa voz rebelde que não permite ao mundo (nem a si mesma) afogar nossas paixões. Porque se deixássemos, viveríamos como mulheres espectrais.

E você quer viver como um fantoche do real ou prefere encarar nítidas visões de si, percebendo-se e reinventando-se…Pra isso é preciso debruçar sobre seus sentimentos e encarar seus reflexos como Clarice Lispector nos convidava em suas palavras. Afinal, “quanto ao futuro”, talvez, seja melhor não ser como a Macabea, protagonista de A hora da estrela, e fisgar o nosso presente, com toda a sua complexidade.

Carolina Maria de Jesus, autora nacional traduzida para mais de 10 idiomas, é uma inspiração para todas nós. Como um chamado para tudo o que importa. Esta autora, nascida em Minas Gerais e moradora de uma favela em São Paulo, produziu Quarto de Despejo (1960) em cadernos que pegava nos lixos. Ela era uma catadora de lixos. Em suas palavras, em Quarto de Despejo: “Eu deixo o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa a pensar nas misérias que nos rodeia. (…). Deixo o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades. (…) É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela. Fiz o café e fui carregar água. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama. As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginários.”

Já que os destinos são provocados ou sentenciados por nós próprias. Virginia Woolf diria “A Sra. Dalloway deveria inicialmente matar-se, ou talvez, simplesmente morrer no fim da festa”. No fim mesmo a Sra. Dalloway permaneceria viva e nos questionaria como, diante da nossa rotina, damos conta de mantê-la mais acesa. Onde e como for.

As Irmãs de Palavra ficariam aqui citando autoras e personagens femininas para sempre. Mas nem você, nem nós podemos com esta tarefa. Então, chegamos à parada.

Porque a parada é SEMPRE transitória. E um ‘bom’ livro é um ‘bom’ mundo pra caminhar. E que assim seja, como bem diz, e nos provoca, a bela escritora e jornalista Karen Debértolis em A estalagem da alma. “Aprendi, então, a captar a alma das coisas. Não aprisioná-las”.

E que seja esse o seu destino, o destino da mulher. Captar sua própria alma e expandir-se. Nunca aprisionar-se!

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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LEITURA – um vírus-hábito

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Olá, que prazer falar com você
Deixa eu me apresentar, meu nome é Leitura (ai, eu adooooro o meu nome!). 
Eu sou um vírus. Um vírus do tipo hábito. Bem, e como todo vírus-hábito, sou perigoso e posso contaminar o mundo inteiro. E ir assim, espalhando meus efeitos.
Meus efeitos mais comuns são: emoção e diversão. Conhecimento e consciência crítica são danos colaterais que acabo causando, meio sem querer.
Você precisa tomar cuidado comigo, eu sou letal. Mato a possibilidade de você ter uma única vida. É assim, não tem jeito.
O pior de tudo é que pra mim ainda não descobriram a cura. Mas sabe, eu desconfio que nunca vão descobrir. Depois que eu pego alguém, não largo nunca mais.
Tenho poder viciante e sou altamente contagioso. Não adianta nenhuma medida preventiva. Estou em todos os lugares, até nos mais improváveis. Você nem imagina onde eu posso pegar você!
Não tem idade para me contrair. Pode ser aos cinco, aos trinta ou aos oitenta. Antes e depois disso, pode também.
Ah, eu já ia me esquecendo. Tenho escondido em mim, um agente multiplicador altamente potente. Um perigo!
Minha ação começa sempre na mente. Aí, faço loucuras em você!
Dizem que quem avisa amigo é, então vou te avisando: não adianta tentar se proteger, eu vou pegar você! Agora ou qualquer outra hora, eu posso pegar você! Aliás, o que mesmo você está fazendo neste momento? Uau…
A gente volta a se ver!
 
Leitura – um vírus do tipo hábito.
Texto de Dany Fran e Kelly Shimohiro

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Devaneios – por Dany Fran

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Devaneio I

Ele amaldiçoa a semana. Disputa com os ponteiros.

Às vezes não sabe o que quer. Mas sempre sabe o que não quer.

Será que um dia vai dar ouvidos à Frida? E não demorar onde não amar?

 

Devaneio II

Um mergulho no escuro. Viver não vem com garantias. Jogue os manuais. Cace seus próprios rituais. Siga. Os pulsos. Ouça. Os instintos. E solte. A voz que berra no teu coração.

 

Devaneio III

Café. Barulho na sala. Histórias na parede. Imagens na porta. Escancarada. Para os risos passarem. E o silêncio deitar. Se acomodar. Com o batuque dos corações. Aos quatro. Lendo. Um ao outro. Assim. Quando a noite cai o sol levanta. Todo dia. Neste movimento a gente faz um lar.

 

Devaneio IV

Tudo de pior eu abominava nele. Quanta ânsia por ganhar dele!

O pior de tudo eu enxergava nele. Quanto era parecido com ele.

 

Devaneio V

– Por que não me pediu pra ficar?

– Oras! Não se pode contar pra alguém que ela te ama!

 

Devaneio VI

Se começar a transformação depende de você, a sua permanência necessita do outro. Porque aqui, ou aí, o que não muda é que estamos, alienavelmente, todos conectados.

 

Devaneio 7 (MEU NÚMERO SAGRADO)

O problema não é, definitivamente, tornar-se um adulto. Mas crescer e esquecer, do essencial! De que quando somos cativados corremos risco de chorar! De que ainda que sua rosa desidrate, perca todas as suas pétalas, morra; ela continua única pra você! De que partir em busca de respostas pode ser o caminho mais curto para voltar ao que te é precioso! De que o medo não é rastro de fracasso, mas quem sabe um impulso pra morder… suas conquistas!

 

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Estamos todos conectados

multidão

Porque parar, por alguns momentos, para pensar sobre alguma coisa, é uma boa! Boa, porque tira você da multidão que corre sem saber para onde. Boa, porque interrompe seu modo de pensar fácil e domesticado. Boa, porque atualiza o seu livre-arbítrio. Boa, porque chacoalha sua vontade (ou não) de continuar fazendo aquela coisa.

Foi essa parada ‘boa’ que as Irmãs de Palavra fizeram em um curso à distância sobre Mídias Digitais. Poderíamos repetir discursos pessimistas e críticos; ou desfiar o blábláblá sobre um mundo conectado. Ou até enaltecer as óbvias facilidades geradas pelo universo digital. Nada disso importa! Porque já existe aos montes por aí. Nada de formatar a subjetividade. Acreditar fielmente que se pode separar o público do privado ou achar que a web é a vilã, culpada pelo nosso suposto distanciamento social. Pior, aceitar inocentemente que as mídias digitais mudaram TUDO ao nosso redor. Sabemos que elas geraram novos comportamentos, abriram portas e possibilidades que não existiam. Mas também criaram novas condições de fazer o que já fazíamos, de alguma forma. Com outra velocidade. Mas também intensidade. E assim, claro, surgem novas realidades.
‘Hello’, este é um ponto importante. É preciso lembrar que atrás da tela, do insta, whats, face, seja lá qual for o aplicativo, tem um ser humano. O SEU uso dessas ferramentas tem apoderado ou anulado esse lado B disso tudo, hein? Não tem volta! Não existe mais offline.
O que as Irmãs de Palavra querem aqui é levantar algumas questões:
– “Eu estou mais livre e consciente no mundo por causa das mídias digitais?”
– “Meus relacionamentos pessoais estão mais próximos e profundos com as redes sociais?”
– “O uso da web beneficiou minhas habilidades de expressão fora das redes sociais?”
– “Como estou processando o acesso a rápidas e instantâneas informações pelas redes sociais?”
– Estou aproveitando melhor minhas horas conseguindo realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, através das mídias digitais?”
– “Na cobiça do ‘ser visto’, o que tenho ‘curtido’: fatos postados e compartilhados ou momentos literalmente sentidos e abstraídos ?” 
Nós sabemos que as respostas só podem ser dadas por VOCÊ. Afinal, a rede á uma uma coisa, mas você, não!

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Palavras amigas da FLIP

 

Alguns encontros são como vitaminas – potentes, revigorantes. Alimentos criativos. Despertadores.

As Irmãs de Palavra esbarraram em muita gente legal na Flip 2016.  Ana Cecília Porto Silva é um bom nome desses. Vive no mundo das palavras, como as Irmãs de Palavra. Publicou seus primeiros livros, como as Irmãs de Palavra. Estava ali, na Flip, vestindo-se de literatura, com as Irmãs de Palavra. Boa nossa conversa!

ana cecília - flipAna Cecília Porto Silva publicou, em 2014, ‘Nina a borboleta que tinha medo de voar’ e ‘O menino de dente mole’. Em 2015, publicou um livro de memórias ‘Lembranças de uma infância feliz’. Além de participações em antologias de poesias. Depois de Paraty, nos presenteou com algumas de suas poesias. Nosso próximo encontro, quem sabe, na Bienal de São Paulo. Onde Ana estará contando a história da Nina. E as Irmãs de palavra da Ágatha e da Izadora!

E pra você, leitor querido, um pouco da Ana. Porque somos feitos assim, um pouco de cada coisa, um pouco de cada pessoa. E se encontros são despertadores, palavras são como pó mágico, podem transformar tudo. Podem transformar VOCÊ!

“Sempre gostei de escrever, fazer redações na escola não era problema para mim. Mas nunca pensei em escrever um livro. Isto aconteceu recentemente quando mostrei uma história infantil que tinha no computador a um amigo e ele me perguntou porque eu não publicava. E eu disse: nem sei como fazer isto. Mas mostrei a uma professora de pós-graduação e ela me apresentou a uma aluna que havia publicado um romance e assim nasceu o meu infantil. Quando criança, meu pai contava muitas histórias que ele mesmo inventava e eu ficava encantada. Minha mãe é professora e comprou a coleção do Monteiro Lobato e assim comecei a me Interessar pelo mundo infantil, mas sempre lendo, nunca pensando em escrever”. (depoimento de Ana Cecília Porto Silva de como começou a escrever profissionalmente)

QUE CULPA EU TENHO

Que culpa eu tenho se sou emoção latente

Se sou sentimento que sai pelas mãos em versos

Se caminho no limiar das lágrimas por qualquer emoção que encontre

Se sou exagerada como se olhasse a vida por uma lupa

Se uma música me faz chorar

E uma frase toca meu coração

Se tenho afeto pelas almas que me cativam

Que culpa eu tenho se não sou como as pessoas que acordam, saem para trabalhar, voltam para casa e vão dormir sem notar o céu estrelado

Se só sei enfrentar a realidade com a alma sonhadora

E nem sempre sou compreendida

Fico à mercê da vida feita de dias corridos e noites silenciosas

Não ligo

Me aceito

Se acertar abro um sorriso

Se errar peço perdão

Fico feliz com meus acertos

Peso meus erros para aprender o que puder

E agradeço

Assim sou

Assim vou

Vivendo poesia

 

O FIM É O COMEÇO

Quando o fim é o começo

Quando o começo é o fim

Sigo a estrada das flores

Estão sorrindo para mim

Inspiro-me com o dia

Que começa de manhã

Aprendo também com a noite

Que prepara o amanhã

Venham dores! Venham flores!

Não importa o que há de vir

O que importa é o recomeço

Que virá depois do fim

Finalizo mais um dia

Que há bem pouco iniciei

E termino esta poesia

Que pelo fim comecei

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