BEM-VINDO

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BEM-VINDO

Irmãs doidas – pelas palavras! E pelas coisas que se inventam com elas. Publicamos nossos primeiros livros: Dias Nublados (Dany Fran), ficção inspirada em fatos reais; O Estranho Contato (Kelly Shimohiro), literatura fantástica. E seguimos com elas… as Palavras, sempre, toda hora, por toda parte! Porque o que vale, mesmo, são as histórias. As nossas, as suas, as do mundo todo.

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Dê uma pausa, para suas certezas

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A história hoje é sobre certezas. Certeza absoluta. Sem sombra de dúvida!

Do que as Irmãs de Palavra têm certeza?

De que o melhor parto é o natural, óbvio! Fala-se tanto, campanhas e mais campanhas para aumentar o índice no Brasil de filhos paridos assim. Até que 41 semanas de gestação e a urgência necessária pra uma cesárea já! O melhor parto então…

De que os bons livros são os clássicos. Certeza absoluta! Obras aclamadas, sustentadas pelo tempo e pelo renome dos autores. A crítica delira! Muitos são chatos. Livros cansativos, entediados. Clássico ou não, onde mora a história boa, então? Meu Deus, que confusão! Cada um vai ter que criar sua própria opinião.

Temos certeza de que a primeira impressão é a que fica, até que a segunda apareça e mude tudo. Após amistoso Neymar é o melhor jogador. Após primeiro jogo da Copa Cristiano Ronaldo é o melhor. Até que venham as próximas partidas. Então… Certeza total é de que a palavra dita não se apaga. Claro, hoje se deleta! De que o mundo é dos espertos, até que ele seja pego e pegue 130 anos  de prisão. De que lugar de mulher é… onde ela bem entender! De que pau que nasce torto morre torto. Se assim ele quiser!

Afinal, do que as Irmãs de Palavra têm certeza, então?

A gente fica muito tempo buscando significados exatos e, às vezes, perdendo experiências que poderiam nos tornar mais vivos, se conseguíssemos escapar de tantos conceitos e pré-conceitos. 

Foi na dificuldade em responder exatamente a esta pergunta, ‘Do que você tem certeza?’, feita por um entrevistado à americana Oprah Winfrey, que em 1998 a jornalista e apresentadora de TV (capaz de manter no ar um programa por 25 anos!) começou a divagar sobre as próprias certezas – e inúmeras dúvidas. Dessa inquietude nasceu o livro ‘O que eu sei de verdade‘, publicado em 2014 pela editora Sextante. Uma reunião de crônicas despidas de doutrinas, que mais se parecem com uma conversa (sem censura) sobre prazeres, tombos, porradas da vida; e, principalmente, vontades,  sonhos e conquistas. E é exatamente com uma louca vontade de viver, que nós, Irmãs de Palavra, fomos arrebatadas ao ler a obra de Oprah. Wal Dantas, amiga de palavra que “chegou-chegando” ao clube do livro AMIGOS DE PALAVRA de Maringá, presenteou uma das Irmãs de Palavra com esse livro, que ela por sua vez, com certeza, não compraria. E acabaria perdendo o prazer de ler e aproveitar as experiências da autora. Talvez algumas certezas tenham esse poder: restringir sua vida de experiências transformadoras. Ainda bem que uma Irmã ganhou esse livro, que derrubou algumas de suas certezas. Depois passou a Oprah para a outra Irmã, então para a mãe, a amiga, o vizinho, e o seu Clóvis, o padeiro da esquina.

“Dificilmente passo um dia inteiro sem falar com minha melhor amiga, quase todas as noites entro em uma banheira de água quente e acendo muitas velas, mantenho um diário de gratidão, baixo a bola lendo um bom livro e mando o resto pastar.” (Oprah).

Depois dessa, as Irmãs de Palavra – finalmente – chegaram a uma certeza (sem sombra de dúvida!): às vezes, o melhor é ir pastar. Não, não, é mandar pastar! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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harry potter e as irmãs de palavra

DÊ UMA PAUSA – a história hoje é uma viagem

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A história hoje é uma viagem

E não é uma viagem qualquer, é A VIAGEM DE THÉO. E para quem não sabe, Théo é o nome do filho mais velho de uma das Irmãs de Palavra. Um garoto que hoje tem dezesseis anos. Mas essa viagem começou antes, não foi aqui e nem foi feita só por nós.

A VIAGEM DE THÉO é um livro escrito pela francesa Catherine Clément – filósofa, historiadora, teórica feminista e romancista. A obra, traduzida para várias línguas, foi publicada em 1997 e caiu como uma luva no destino das Irmãs de Palavra – você vai ver por quê. Acostumadas como somos a dar livros uma pra outra, muito antes de sequer imaginarmos escrever qualquer coisa à sério, nos demos este livro. Enquanto uma Irmã de Palavra esperava o seu primeiro filho, a outra lia e tagarelava seu encantamento sobre Théo, o personagem. Justamente numa viagem, a Irmã que estava grávida se viu num impasse: que nome dar ao filho? E na guerra com o marido, que não aceitava nenhuma sugestão, ela, com o livro da Irmã nas mãos, teve uma ideia inesperada: Théo! Sim, esse nome pode ser, Théo. Ficando então decidido, ia nascer o Théo ‘de verdade’. Pulou das páginas para o mundo. Aquele foi um momento glorioso.

A VIAGEM DE THÉO, também conhecido como romance das religiões, é uma história linda. Fala das religiões mais praticadas no mundo (curiosamente a autora é atéia e diz que só por ser atéia pôde escrever este livro). Em tempos de tanta intolerância e guerras civis, mostrar as diferentes crenças que nos movem já é uma jornada intrigante. O que dizer, então, da aventura de embarcar mundo afora no berço das religiões, com um paciente de câncer terminal, ao invés de interna-lo em um hospital? Judaísmo. Hinduísmo. Catolicismo. Candomblé. Sim, o Brasil está na história, com o personagem Théo em Salvador. Interessante, muito interessante! Mas não é sobre nada disso que queremos falar. Vamos falar da tia do Théo. Não a tia ‘de verdade’. Vamos falar da tia Marthe, a tia do livro. Até parecida com a tia ‘de verdade’, Marthe é uma mulher vigorosa, quente, cheia de vida. O sobrinho sofria uma doença sem cura, Marthe arranca o garoto dos tratamentos sem fim (que pouco podiam fazer por ele) e juntos – tia e sobrinho – fazem a tão famosa Viagem de Théo. A viagem não traria a cura, não mudaria o destino, não sopraria mais tempo de vida. A viagem não era um milagre. Era só uma chance de viver a vida de verdade, enquanto ela ainda existia.

Ficamos pensando, as Irmãs de Palavra, essa deve ser ‘a viagem’. A que liga todos os pontos do mundo a você. Liga o filho Théo para sempre a este livro. Liga as Irmãs de Palavra à audácia de Marthe. Não importa o que o mundo diga sobre qual caminho deveríamos seguir, nós queremos a chance de viver a vida de verdade. Enquanto a vida existe em nós.

E para terminar o texto – e não a vida, deixamos aqui as palavras que copiamos da dedicatória do livro, feita por uma Irmã de Palavra à outra: “Esperamos que a sua viagem seja, de todas, a mais perfeita para você.”  Esperamos mesmo. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa – dá um mergulho, vai!

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 Dá um mergulho, vai!

Lemos notícias. Falamos sobre tantos assuntos. Discorremos tratados, que depois são derrubados, refutados, rechaçados. Defendemos pontos de vista a ferro e fogo. Ouvimos sermões. Falamos palavrões. Ensinamos regras de etiqueta. Cumprimos protocolos. Assinamos contratos. Contamos casos. Nos calamos. Gritamos bobagens. Cantamos letras que nem entendemos. Damos lições de moral. Fofocamos. Fazemos juras de maldição. Promessas que nunca cumpriremos. Concordamos, discordamos. Temos tantos pontos de vista. Acumulamos artigos, resenhas de todo tipo. Escolhemos menus, é tanta coisa pra comer. Estudamos leis, biologia, matemática, até mesmo xadrez. Formamos e deformamos. Consumimos, produzimos conteúdos. Mandamos mensagens, e-mails, fotos, stories, selfies… Sorrindo, indo e vindo. Criamos manifestos, movimentos. Recebemos cartas. Sim, ainda existe carta, people! Sugerimos, concluímos. Gostamos de romances, thrillers, biografias, livros de fantasia. Teorizamos o mundo, a vida, a morte, as relações. Engolimos explicações. Desejamos tantas respostas.

Então, temos a poesia. Despretensioso pássaro da mente. Só quer voar, ser livre. Sentir, people! E atende apenas uma missão:  LIBERTAR!

“O rio está sob nosso passo (…) São nossos olhos que desenham sentido”.  

“Nascente,

Da terra que brota por veneráveis bolhas de ar, suave vulcão extinto.

Desço absoluto, riscando pedras. “

Maria Helena de Moura Arias é escritora, é poeta, é nossa amiga de palavra. É uma artista tão profunda quanto os rios que a inspiraram em  Palavrio (Scortecci Editora, 2014). De alagados escuros, caminhos encharcados, a leitos tranquilos ou fluxos nervosos; a história segue sem retornar, uma vez sequer, ao mesmo ponto de partida. Mergulhar nas poesias de Moura, lubrifica o olhar  da gente. Que passa a percorrer também por ‘terras mais moles’, caminhos não descobertos.

“Junto o passado em minhas profundezas. Refaço caminhos perdidos. Perco-me do horizonte estático.”

 Se até as águas turvas não fogem de si, como é que ‘eu’, correnteza limpa, vou escapar de mim? A vida merece poesia. O mundo precisa do poeta. Somos todos poemas. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa – a história hoje reivindica listas de desejos

de-uma-pausa-300x153A história hoje reivindica listas de desejos!

Agora não é o momento para lista de supermercado (produtos faltando, preços abusivos, filas!, etc, etc e tal). Nem para check list de qualquer viagem (a bomba voltou a encher de combustível, mas vai saber até quando, de qualquer forma tem mais  filas, preços abusivos e todo o alvoroço). Aí você pode dizer, tá, então é hora de cruzar os braços? Calma, temos uma surpresa pra você! O gênio da lâmpada apareceu  e deu seu poder mágico para as Irmãs de Palavra (afinal, hoje é feriado e o gênio anda esgotado, precisava de um dia de folga). Então, vamos lhe conceder três desejos! É só imaginar, pedir, que vai acontecer! Vamos logo com isso!

Pedido N. 1 – O topo da lista: Quem você quer ser? Opa, não responda tão rápido assim! Você até pode se arrepender. Melhor pensar sem olhar pro relógio, não se apresse. Quer ver? Faz de conta que você quer ser um grande escritor. Comece lendo muitos livros (muitos mesmo, não vale doze por ano, talvez seja essa cota por mês), depois, feche as portas, saiba ficar sozinho. Dedique longas horas a um único parágrafo. E no dia seguinte, delete tudo, recomece. Enfim, depois de meses ou anos, o livro está pronto! Ninguém quer publicar, e quando publica, vende pouco. Leia mais livros, escreva ainda mais, insista, persista, pesquise, use mídias, leia, escreva, reescreva. Segundo livro. Terceiro. Depois outro. Você está chegando perto. Pedido realizado! (Era isso mesmo o que você queria?)

Pedido N. 2 – Aonde você quer viver? – Neste momento, o brasileiro pode pensar em dar no pé. Outro país, outro continente, qualquer lugar menos aqui! PelAmordeDeus, desse jeito não dá! Mas como boas fadas’que somos, sabemos que não existe mágica fora de um lugar…  dentro de você! Na China, é você com você. No Brasil, é você com você. Na Europa toda, é você com você. Estados Unidos: você com você. Pode até mudar de nacionalidade; se não mudar a si mesmo, a paisagem, na real, não fará tanta diferença assim. Deseja um lugar melhor, comece por dentro.

Pedido N. 3 – Quanto dinheiro você quer ter? – Ah… esse talvez seja o desejo mais fácil de responder. Será mesmo? O que você faria se a oferta viesse de um esquema de contas fora da folha de pagamento? Uma mala, talvez? Claro que não! ‘Não sou desses aí’, diria você torcendo o nariz. Mas e se a oferta$ fosse uma pequena economia mensal de TV por assinatura com uma antena ‘pirata’? Vai pegar ou largar?

E o que você faria se comprasse um bilhete premiado e ganhasse 18 milhões de euros? A Jo, personagem do livro ‘A lista dos meus desejos’ (Grégoire Delacourt, Alfaguara, 2013), – pasmem – titubeou e não soube o que fazer. Essa história entrou por acaso na vida das Irmãs de Palavra, as bibliotecárias Márcia Muller e Alessa Laureano Suave nos indicaram. A capa é singela, quase um filme de sessão da tarde. Poderíamos ter desistido aí, mas não, não somos julgadoras tão artificiais assim. Demos crédito à palavra das amigas bibliotecárias. E, pare tudo, vá atrás desse livro, porque ele pode não conceder todos os seus pedidos ou lhe tornar a pessoa mais sortuda do mundo, mas vai lhe fazer repensar os seus próprios desejos. Não é um papo místico, não é segredo, não vamos falar aqui do Universo se curvando ao seu bel prazer. Não é nada disso. Não acreditamos que o Universo é um serviço de entrega online. O Universo não é deliverie. Não somos pequenos deuses, potencialmente tiranos. Queremos fugir de ditadores, “Deus nos livre!” A lista dos meus desejos é uma ficção que nos apresenta alguém que questiona essa noção exata do que desejamos. Às vezes, nossos desejos não passam de equívocos. Desejamos justiça e cometamos delitos. Desejamos um país melhor e não estamos nem aí para a situação de ninguém, só para a nossa. Para o nosso tanque de combustível, nossa viagem, nossa ‘mala’.

A Jo, personagem do livro, caiu numa grande armadilha. Não era nada daquilo que ela queria. Mas aí, já era tarde, seus desejos já haviam sido satisfeitos. E sua história toda ruiu. Assim, pode acontecer com você, pode acontecer com o Brasil, pode acontecer com qualquer um. Ou não! Desejo é sonho. Mas sonhos, de uma hora pra outra, podem se tornar um pesadelo. O resto é história (e nós adoramos!)

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa – desligue o GPS, a história de hoje já tem destino

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Desligue o GPS. A história de hoje já tem destino!

Podemos ir pra Paris, para as Ilhas Maldivas, quem sabe Santorini ou ainda esquiar nas montanhas do Chile. Podemos nos embrenhar no velho mundo, tomando vinho e grandes goles de história e arte. Podemos surfar, se esticar em areias paradisíacas. Podemos sair de jipe, de moto ou num motorhome bem bacana e vasculhar nosso próprio país. Podemos ser peregrinos em Santiago de Compostela. Podemos andar de bicicleta e conhecer nosso bairro. Podemos atravessar o globo e ir parar do outro lado do mundo, lá no Japão. Podemos ir longe, muito longe e ter experiências magníficas. Mas existe um mapa, um mapa sutil, que não está desenhado em nenhum lugar. Cartografia secreta. Esse mapa esconde um tesouro e você terá que ter coragem para partir nessa viagem. Precisa desligar o GPS e qualquer aplicativo que mande virar à esquerda ou à direita, não dar atenção às placas que indicam o melhor caminho, o mais curto, o mais bonito ou mais certeiro. Nenhum roteiro pronto poderá levá-lo até lá.  A viagem dos seus sonhos conduz até um ponto minúsculo do globo terrestre, quase nem dá para ver. Não se engane, não adianta procurar por um país, uma cidade, nem uma ilha fantástica. O ponto minúsculo do seu bilhete premiado leva até você, onde quer que esteja. Essa é a viagem da sua vida, inteira! Em trânsito, desorientando sentidos, entrando e saindo da terra firme. Você pode ir para qualquer lugar do mundo (e pode se divertir muito!), mas se não embarcar no destino que leva a si mesmo, não passará de um ‘turista’ observando vidas alheias.

O mais recente livro da poeta, escritora, jornalista e amiga de palavra, Karen Debértolis, ‘Mapas Sutis’ (2018) injeta combustível pra um fluxo assim.

Sinaliza o que um ‘viajante’ precisa levar consigo.

‘um caderno em branco com capa de cor neutra, um coração, um chapéu para os dias frios, um chinelo para os dias de sol… um tanto de coragem, menos de si, espaços vazios entre as dobras do cérebro’

Desembrulha emoções.

‘Dilatar as pupilas, parar diante da pilha de pratos sujos e malvados, desarrumar a sala da grande janela indiscreta, rasgar papéis da caixa de memória, riscar os discos de vinil (…) silenciar a voz de Nina que ecoa melodiosa no antigo toca-discos, apagar os poemas de Ana C.,  sentar na velha poltrona de couro e esperar as flores secas recobrarem os sentidos’

Carimba histórias repetidas, rotas perdidas em um tempo circular.

‘novamente palavras brancas, quase invisíveis, em pedaços flutuando no cérebro eletrônico, repatriadas, desatinadas pelo universo inteiro’

E retrata paradas.

‘todo dia teus olhos castanhos, todo dia tua face serena (…) todo dia a tua presença, na tua ausência’

Até que marca (outros) enredos.

‘Homem cinza, olha apenas para seus passos e seus sapatos, dá de ombro para as noites de lua. (…) o céu não é mais aqui, transportou-se com seus elementos, mudou de casa, mudaram os roteiros (…) big bang.’

E no fim da viagem, nós sabemos que o mundo todo mora aqui. Aqui nesse ponto minúsculo bem dentro da gente. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

 

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Dê uma pausa – a história hoje é um grande prazer

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A história hoje é um grande prazer

“Quinta-feira, dez da noite. A água quente do chuveiro lava tudo o que fizemos durante o dia sem muita convicção. Não temos um motivo especial para brindar, mas nos servimos de vinho mesmo assim. No aparador, um vaso vermelho. Vazio. Amanhã traremos flores. Nós mesmas faremos isso. Flores sem cartão, dadas a si, por si mesma.  Calçamos nossos velhos chinelos. Amor antigo. Com eles, seguimos confortáveis. Rimos, nos lembrando do scarpin novinho em folha, ainda na caixa. Com ele, seguimos mais bonitas. Alegres, foi paixão à primeira vista. Talvez um livro ou um filme antigo, não decidimos ainda, só precisamos disso, uma trégua da marcha do dia a dia. Até que sentimos o aroma da cebola caramelando na cozinha. Hoje, alguém cozinha para nós. Pensando melhor, temos bons motivos para comemorar. E vamos brindar! Perdoem nossos pequenos prazeres, mas as Irmãs de Palavra merecem. E você, mais do que ninguém, também devia experimentar.”

Os prazeres da vida. Pequenos, tímidos, aqueles que quase passam despercebidos. Grandes, exuberantes, aqueles que quase arrasam com você. É disso que fala o livro ‘Perdoem Nossos Pequenos Prazeres’, de Sandra Russo (jornalista, escritora e editora argentina). E já começa assim, chamando as mulheres para um conversa entre amigas, deixando os homens um pouco de lado. Os filhos, o trabalho, as lutas, as amarguras, as contas, gavetas desarrumadas, dietas; tantos combates – todos de lado. Daqui a pouco teremos tudo de volta! Mas só por um momento, precisamos de uma pausa. DÊ UMA PAUSA. As mulheres merecem prazer. Bem, na verdade, todos merecem prazer. Crianças, homens, adolescentes, velhos. O mundo todo. Não importa muito quem seja você, seu sexo, idade, RG, nacionalidade; você sempre pode dar um trago de prazer no seu dia.

Sandra Russo fala especialmente dos prazeres femininos. Talvez porque nós, mulheres, nos coloquemos tanto no último lugar da fila: primeiro a família, o trabalho, os amigos, os pratos lavados e guardados, depois, só depois… daí o dia acabou. Quem sabe amanhã. Quem sabe Sandra Russo queira chamar a atenção das mulheres para um detalhe importante: só quem dá prazer a si mesmo é que pode oferecer ao outro o prazer verdadeiro. Ou Sandra Russo seja uma mulher cansada de tantas lutas alheias, e agora tenha tido um insight:  não se pode desperdiçar o tiquinho de prazer que o dia te dá, é gota de ouro. Sandra Russo pode ainda ser uma feminista e queira defender a bandeira do prazer feminino. Talvez não seja nada disso. Sandra Russo só tenha escolhido uma, entre tantas pautas importantes. De qualquer forma, agora é quinta-feira, meio do dia. E o que você já fez que te deu prazer, hoje? Mordeu um pão crocante? Rolou na cama com alguém? Deu uma gargalhada? Mergulhou de cabeça em algum romance? Tomou seu banho quente? Terminou um trabalho importante? Tem um happy hour divertido pela frente? Não importa qual seja o prazer, ele tem que servir pra você e pra mais ninguém. O que interessa é que ele tenha espaço na sua rotina entre as obrigações e os horários marcados e remarcados. Porque o prazer é o escudo que nos defende de uma vida desperdiçada e chata. Deus nos livre! Pensando bem, não nos perdoem por nossos pequenos prazeres. Vamos aplaudi-los! O resto é história (e nós adoramos!).

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