BEM-VINDO

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BEM-VINDO

Nossas histórias já começaram cruzadas. Somos irmãs. De palavra. Kelly Shimohiro e Dany Fran. Apaixonadas por literatura. Publicamos nossos primeiros romances. ‘O Estranho Contato’ (Kelly Shimohiro), uma trilogia fantástica. E ‘Dias Nublados’ (Dany Fran), uma ficção inspirada em fatos reais. Agora, seguimos nos aventurando com as palavras. Afinal, do verbo toda a vida é criada. Venha com as Irmãs de Palavra!

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Manadas, histórias e o tempo

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“Não é, exatamente, sobre tecnologia. Sim, ela ‘galopa’ com uma rapidez meteórica, nos abarrota de informação e rompe fronteiras. Agora, transformar conhecimento e não criar barreiras é com você, meu bem!

Nem se trata de avanços épicos. O jeito de ‘viver’ histórias, desde sempre, molda-se a roupagem atual, ainda que em uma esfera coletiva. A propósito, aldeia global e comunicação de massa não foram ‘proclamadas’ hoje.

Refere-se sobretudo à ‘gente’. Que segue, mas também cria – suas verdades. Se assim aprofundar sua leitura de mundo. Consome, mas também produz – ideias. Porque apesar das opiniões contrárias, à frente (ou onde você quiser) dos avanços tecnológicos, é gente que ‘escreve’ a história”. Moderna. Retrógrada. Desajustada. Padronizada. Bestializada. Crítica. Copiada. Autêntica. Ou ainda, nenhuma dessas. Até mesmo a que está por vir, é gente que vai vivenciá-la”.  (Dany Fran)

“Nós lemos histórias alheias. Desde sempre. Nos ouvimos histórias alheias. Desde o início. Mas há um mundo oculto de histórias sendo contadas dentro de você, na sua mente. Um mundo escuro, que nunca tocamos. Um mundo submerso, que nunca enxergamos. Um mundo de sussurros, que nunca escutamos claramente. Como se existisse um narrador invisível dentro da sua mente. E escondido do resto do mundo, ele inventasse personagens, criasse enredos, concebesse aventuras, escrevesse conquistas, produzisse perdas, tecesse tramas, arquitetasse planos, fabricasse uma vida paralela. De sonhos e fantasias. Um outro eu de você. Como se esse narrador invisível pudesse, às vezes, confundir sua mente. E fizesse você habitar um mundo, que só existe ali, dentro de você. E se você conseguir se desprender dessa história, viria pra cá, para o mundo de todos, muito mais criativo e intenso. Mas se não, cairia no abismo de viver achando que o mundo de todos nunca é o bastante.” (Kelly Shimohiro) 

 

“Somos todos loucos por histórias, porque todos nós somos história”

                                                                                           (Irmãs de Palavra)

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Retalhos da voz feminina

“Eva sussurrou para Afrodite que o mundo estava perdido. Afrodite clamou que Iemanjá intervisse. Iemanjá convidou as mulheres-focas para resolverem a situação. As mulheres-focas recorreram às bruxas, que voavam alto, muito ocupadas. As bruxas mergulharam nas camadas mais profundas da Terra e resgataram as almas femininas, que vagavam sem rumo. As almas femininas se puseram em marcha e espalharam-se nos quatro cantos da Terra, permitindo que as vozes femininas se desprendessem delas. E as vozes femininas, todas juntas, cantaram e rogaram. E flores brotaram. E crianças nasceram. E cores inundaram tudo. E o amor tocou a todos. E a dança nunca mais parou. E o trabalho vingou. E a esperança deu frutos. E a luta toda da criação recomeçou, costurando os buracos que encontravam no caminho.  E desde então, as vozes femininas nunca mais se calaram, na tentativa abençoada de dar um jeito no mundo. ” (Kelly Shimohiro)

“Tecidos novos, usados, sobras. Cresci aquecida pelas colchas de retalhos feitas por minha nona. Já gostei. Já desejei cobertas peludas. Já troquei, guardei e até reutilizei, quase todas. Das que ainda restam, apenas uma não está em uso. A última costurada pela dona Rita (minha nona) e dada pra sua afilhada. Mantenho protegida (do tempo? do uso? do quê?) no maleiro. Talvez, ela precise ser vista. Desprotegida. E hoje, mesmo no verão, quem sabe  minha cama ganhe um novo colorido.

As histórias das mulheres (e pra mim dos homens também) são como ‘colchas de retalhos’. Remendadas pra desnudarem nossas diferenças. E não escondidas pra cobrirem nossas desigualdades. Enquanto garotinhas aprendem na Síria matemática somando nos livros 3 bombas com 5 mísseis, não posso me contentar com o caderno da minha menina que soma bonecas com bolas. Enquanto o Ipea divulga que as mulheres trabalham pelo menos 7 horas e meia a mais que o sexo oposto pela dupla jornada, não dá pra ficar felizinha só lendo ou ouvindo sobre reivindicações femininas bem sucedidas.

Costurar hoje, e todo dia, palavras febris e férteis que vistam (ou pelo menos olhem) nossos verdadeiros desejos – de luta, sim! – de recriação, também! – podem não acabar com a devastação de muita injustiça; mas esfria o desnecessário e aquece o essencial!” (Dany Fran)

A voz feminina, retalhada e costurada, é a canção da criação. (Irmãs de Palavra)

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Fotos de Dany Fran, Biblioteca Pública Municipal Pioneiro Manoel Pereira Camacho Filho (Maringá-Pr)

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Sobre regras, deusas malignas, troca de ideias e embrulho de emoções

“Toda vida é uma invenção própria. Não que ela não seja feita de fatos, de dados concretos, de eventos incontroláveis. O que é absolutamente uma criação própria é a forma como cada um olha para a sua vida. De fato, há uma só existência. Mas são várias as possibilidades de narrativas desta mesma existência.” (Eliane Brum)

Eu já falei dela, já emprestei outras de suas palavras, mas vou novamente me apropriar de sua fala porque sou apaixonada por essa mulher, Eliane Brum, que quebra regras e vira minhas ideias do avesso. “Mais difícil do que resistir à necessidade de certezas de quem está ao nosso redor, é resistir à nossa própria necessidade de certezas – abrir mão de nossos clichês pessoais”.

Pois então, esses dias estava ignorando batuques carnavalescos, o que há mais de uma década virou regra pra mim, me surpreendi mais que ouvindo, sambando marchinhas no aniversário de uma amiga. Voltar a gostar, se permitir mudar e abandonar velhas ideias.  O jeito que você vai narrar sua história, muda ‘A’ história. E trocar o enredo, ainda que sobre um simples gosto a favor (ou não) das marchinhas até uma discussão mais elaborada sobre erguer muros ou ampliar fronteiras; pode não ser o fim ‘DA’ história, mas o início de outra. Que pode ser testada na sua vida diária. Como, por exemplo, a releitura de um livro que estou fazendo e a confirmação de que não gostei mesmo do tal livro. Ou ainda novas leituras que poderão (literalmente) chacoalhar o olhar. Como o Castelo de Vidro, biografia de Jeanette Walls (o próximo da lista, depois de anos de espera) onde a autora narra em sua biografia a filha que se depara com a mãe catando lixo na rua enquanto ela segue para uma festa e sente um embrulho de emoções. ‘Embrulho’ capaz de romper ideias, regras e estereótipos. Claro que não o mesmo, mas também um embrulho de emoções eu senti hoje cedo, tomando café confortavelmente na sacada antes de pegar no batente e vi um moço, aparentemente da mesma idade que eu, catando lixo bem na frente do meu prédio. Aqui ou ali. Rompendo fronteiras, quebrando estereótipos, na vida real ou na ficção, óculos para nossos miopias. (Dany Fran)

“Feche os olhos, ela está lá. É tão antiga quanto os dias sobre a terra. Uma sombra que passeia livremente entre as mentes. E tal qual uma soberana absoluta, impondo a todos uma mesma conduta. E nós, frágeis e débeis humanos, obedecemos essa deusa maligna. E como se não houvesse nenhuma escapatória, marchamos pesarosos uma vida repetida, quando poderíamos sambar uma existência mais criativa.” (Kelly Shimohiro)

“As histórias se repetem até o nascimento de uma alma mais ousada. Avante!” (Irmãs de Palavra)

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Quando você ainda não está pronto

“Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson não esperaram. A história delas foi resgatada no filme Estrelas Além do Tempo, EUA, 2016. Mulheres negras no cenário Americano da década de 60, não viveram no espaço ou no tempo ideal (e você vive?). Bem diferente disso, essas três mulheres estavam cercadas pela falta de oportunidade, pelo preconceito e pela humilhação. Um tempo sem chances. O mundo não estava pronto para elas e nem elas estavam prontas para lutarem por seus desejos. Mesmo assim fizeram. Não se desviaram. Puseram um pé diante do outro e continuaram. E realmente mudaram muitas coisas em torno delas por causa dessas atitudes-combinadas: coragem e ação. O mundo se move assim. São como habilidades mágicas, que fazem o impossível acontecer à luz do dia. São como mundos fantásticos criados em telas ou páginas, onde ao invés de dragões voadores, sonhos ganham asas e se realizam. Ousadia é nossa varinha mágica. É com ela que conjuramos os feitiços que podem transformar o mundo e, claro, a nós mesmos!” (Kelly Shimohiro)

 

– Está uma droga! Está uma droga! – Ela já quase não escreve mais e insiste na voz que repete. Ecoa. – Tudo uma droga!

– Quase todo mundo ouve essa voz, uma hora ou outra. Toda hora! – ele a rebate. – Mas muita gente continua. Escrevendo. E também ouvindo a voz dos personagens.

Esse diálogo do filme A Garota do Livro, poderia muito bem estar fora de um roteiro de ficção e dentro de uma conversa real entre duas pessoas. Uma, que tenta escrever e acha sua produção ruim e outra, que busca mostrar que continuar é o caminho para quem quer realizar. Quem não fantasia? Não se questiona? Não se ouve? Mas enquanto uns arrastam os dias, cada vez mais curtos, e se agarram aos fantasmas. Outros seguem, ainda que assombrados. E fazem. Refazem. Porque ao contrário do que se rumina por aí, a vida é longa. E, às vezes, pode ser reescrita.

A vó de uma amiga tomou gosto pela leitura após os 60 anos. Nyagonga Machul abraçou seus filhos em um acampamento da ONU no Sudão do Sul, após 3 anos de separação por causa da guerra civil que o país africano enfrenta. A minha mãe quis voltar a morar sozinha aos 73 anos após um tratamento de Guillan Barré. Minha irmã mais velha sonhava em cuidar de crianças e antes dos 30 anos salvava bebês em uma UTI Neonatal.

Putz, a vida pode ser longa em uma breve página. Plural.  Escrita. Uma palavra atrás da outra. Sendo uma droga, ou não! Quem está mesmo pronto pra isso?” (por Dany Fran)

Nós, IRMÃS DE PALAVRA não estamos prontas. Pra quê? Para nos autonominarmos como experts na escrita, na literatura, nas histórias. Será que um dia estaremos? E isso realmente importa? As IRMÃS DE PALAVRA continuam. Aprendendo, se reeditando, buscando, sonhando…  e, claro, escrevendo.

“Prolongue-se. Distribua-se. Reescreva-se. Edite-se. Transforme-se. Só não espere estar pronto para escrever sua história. Já não estamos no primeiro capítulo. Afinal, na real, o fantástico é ousar seguindo, ainda que, às vezes, sem ter sentido, mas sentindo. Uma batida atrás da outro. Sem parar! ” (IRMÃS DE PALAVRA)

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Por um bom romance

Um romance é alguma coisa do tipo:

  • INCONTROLÁVEL

“Pra quem acha que eu estou sendo o consolo. Saiba que está sendo meu melhor caminho e meu maior desejo. Eu quero você. Sempre quis. E vou continuar querendo. Feliz primeiro de todos os outros aniversários que passaremos juntos!” Ler aquilo foi tão inspirador quanto estava sendo passar meus dias nublados ao lado daquele homem. Coloquei  o CD que tinha acabado de ganhar com aquela dedicatória para tocar em seu carro e o beijei. Na entrada do bar, uma fila com vários rostos conhecidos. Ignoramos a todos. Paolo chegou bem perto do meu pescoço. Ficou quase insuportável não me jogar em cima dele bem ali.” (trecho do livro Dias Nublados)

 

  • PERIGOSA:

“O casamento mata.” (Garota Exemplar)

 

  • LIBERTADORA: 

“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.” (Clarice Lispector)

 

  • AZARADA:

“Tu me amavas… que direito tinhas então de me deixar?”(O Morro dos Ventos Uivantes)

 

  • HIPNOTIZANTE:

“Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância luminosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também.”(Clarissa Pinkola Éstes)

  • POLÊMICA:

““Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo o céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li.Ta.” (Vladimir Nabokov)

  • GOLPISTA:

“Precisa de quarenta minutos para me explicar que o que está acontecendo representa uma bênção e um infortúnio. Sou rica. Poderei comprar o que quiser. Poderei dar presentes. Mas atenção. Devo desconfiar. Porque, quando temos dinheiro, passamos a ser amadas de uma hora para outra. Desconhecidos apaixonam-se subitamente. Vão pedi-la em casamento. Enviar-lhe poemas. Cartas de amor.”(A lista dos meus desejos)

 

  • CLICHÊ:

“O Dia dos Namorados para mim é todo dia. Não tenho dias marcados para te amar noite e dia.”  (Carlos Drumomond de Andrade)

 

  • SOBRENATURAL:

“Um coração morto, gelado, podia bater de novo? Parecia que o meu podia.” (Crepúsculo)

 

  • QUASE UMA DROGA:

“O verdadeiro Amor como qualquer outra droga forte que cause dependência, não tem graça. Assim que a fase do encontro e descoberta se encerra, os beijos se tornam surrados e as carícias cansativas… exceto, é claro, para aqueles que compartilham os beijos, que dão e recebem as carícias enquanto cada som e cada cor do mundo parecem se aprofundar e brilhar em volta deles.
Como acontece com qualquer outra droga forte, o primeiro amor verdadeiro só é realmente interessante para aqueles que se tornam seus prisioneiros. E como acontece com qualquer outra droga forte que cause dependência, o primeiro amor verdadeiro é perigoso. Os que estão sob o domínio de uma droga forte – heroína, erva-do-diabo, verdadeiro amor – frequentemente se veem tentando manter um precário equilíbrio entre discrição e êxtase, enquanto avançam na corda bamba de suas vidas. Manter o equilíbrio numa corda bamba é difícil até mesmo no estado mais sóbrio; fazer isso num estado de delírio é praticamente impossível. A longo prazo, é completamente impossível.” (Stephen King)

 

  • NUTRITIVA:

“Dias de mel, dias de cebolas.”Provérbio árabe (Dias de Mel)

 

  • DUVIDOSA

“Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me”. (Bentinho sobre Capitu, Dom Casmurro, Machado de Assis)

Impossível é não querer experimentar alguma dessas sensações, assim como tantos personagens ficcionais: Amy Dunne, Izadora, Bentinho, Bela (e muitos outros). Um romance pode até não bater na sua porta, como fez Paolo (Dias Nublados); ou deixar você doente de ciúmes, assim como o Bentinho ( Dom Casmurro). Mas quem alguma vez, não sonhou com uma cena de romance?  Na literatura, ele amarra desde um trilher à uma trama fantástica, dos clássicos ao contemporâneos. Em nossa realidade, ele pode arrebatar seu coração.

 “Vem, noite! Vem, Romeu! tu, noite e dia, pois vais ficar nas asas desta noite mais branco do que neve sobre um corvo. Vem, gentil noite! vem, noite amorosa de escuras sobrancelhas! Restitui-me o meu Romeu, e quando, mais adiante, ele vier a morrer, em pedacinhos o corta, como estrelas bem pequenas, e ele a face do céu fará tão bela que apaixonado o mundo vai mostrar-se da morte, sem que o sol esplendoroso continue a cultuar”.

(William Shakeasper)

* texto: Irmãs de Palavra

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Personagem – chave da história

No mundo da ficção, buscamos imaginar a história como um todo: enredo, trama, conflitos, ambientação, núcleo principal, núcleos paralelos, cenário, etc… descrevendo cada detalhe de um jeito que a história ganhe vida e, com isso, que o leitor se emocione, se identifique ou se projete nela.

E não há elemento na construção de uma história boa que se compare à personagem. Tudo pode estar no lugar certo, feito de maneira quase perfeita, se a personagem não convencer, a história não funciona.

Se você pensar em como a vida acontece, vai perceber que é a mesma coisa. Quem interessa são sempre as pessoas. A atração principal é sempre você! O autor se debruça nas personagens e você se empenha em inventar uma vida que convença a si mesmo de que vale a pena.

” – Se eu quero e sei que é possível não dar….  não largo o osso até poder sentir algum sabor. Aposto que Amanda nem pega e não demora pra experimentar outro prato. Tanta persistência para aqueles aparelhos idiotas. Fitas. Arcos. Bolas. Cavalo. E nenhuma flexibilidade pra gente.”

“- Uma coisa é insistir no que te desafia, mas também te nutre. A ginástica posso agarrar, que ela vai me assumir. Não apenas com vontade, mas do jeito que eu sou. Agora, o Leo tá sempre sugando sua agenda cheia de holofotes e empresários engomadinhos e escapando da minha. Como é que vou persistir nessa relação?” (trechos de um diálogo ficcional)

Que tipo de pessoa é Leo, persuasivo e focado, que não é capaz de se dar conta da maleabilidade que a Amanda tem lhe cedido?

Que tipo de pessoa é Amanda, determinada e independente, acoada diante dos receios de avançar em um relacionamento com alguém por quem está completamente apaixonada?

Essas pessoas são personagens suficientemente humanas em suas qualidades e defeitos. Seres imaginários sutilmente criados com atributos físicos e comportamentais, passado e aspirações, temperamento e comportamento pra pegar na sua mão e te fazer encarar o conflito de uma trama,  que você vai seguir como se fosse sua. Porque vai ser, por algumas páginas, dias, realmente sua.

E como as personagens se parecem com a gente, todas elas têm:

Dados biográficos (data de nascimento, árvore genealógica, cidade natal, ocupação atual, histórico escolar, etc);

Perfil Psicológico (medos, defeitos, manias, traumas, conflitos internos, qualidades, idiossincrasias, etc);

Perfil Físico (idade, aparência, peso, altura, cor, etc);

Perfil Comportamental (jeito de olhar, maneira de falar, tiques, trejeitos, tom de voz, etc);

Conflito (obstáculo a ser superado, sonho a ser alcançado, objetivo para seguir – ou falta de objetivos, etc);

Preferências pessoais (comidas que gosta, músicas, cheiros, lugares, roupas que usa, cores… e tudo que não gosta também, que não suporta, etc)

Outras personagens em sua rede de contato (amigos, família, conhecidos, casos, acasos, etc);

Pensamentos (vai e vem mental, o tempo todo);

Sentimentos (tristeza, alegria, melancolia, tédio, entusiasmo, solidão, etc)

Também tem segredos, mentiras, crenças, lembranças, loucuras, vícios, doenças, dívidas, sonhos, pesadelos, insônia. Até unha encravada personagem tem.

As personagens têm tudo o que temos.

De qualquer maneira, em ficção ou na realidade, a personagem é a chave para se construir uma história (ou uma vida) que valha a pena. Bom investir!

Texto das Irmãs de Palavra

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