BEM-VINDO

dany final

BEM-VINDO

Nossas histórias já começaram cruzadas. Somos irmãs. De palavra. Kelly Shimohiro e Dany Fran. Apaixonadas por literatura. Publicamos nossos primeiros romances. ‘O Estranho Contato’ (Kelly Shimohiro), uma trilogia fantástica. E ‘Dias Nublados’ (Dany Fran), uma ficção inspirada em fatos reais. Agora, seguimos nos aventurando com as palavras. Afinal, do verbo toda a vida é criada. Venha com as Irmãs de Palavra!

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Como arruinar a sua vida – 13 passos

Baleia Azul. 13 reasons why. As Irmãs de Palavra também estão de olho nessas histórias. E nessa loucura, de pensamentos acelerados – sentimentos amarrados e caminhos perturbados, chegamos aos 13 PASSOS PRA ARRUINAR A SUA VIDA.

Passo 1 – Guarde segredo sobre seus problemas. NUNCA fale sobre eles com ninguém, nem mesmo um sussurro, NUNCA. (nem com amigo, com nenhum profissional, muito menos com a sua família) Jamais procure ajuda. Tranque todos na sua cabeça e deixe que eles façam uma festa na sua mente. Vai ficar cada vez mais quente!!

Passo 2 – Estenda um tapete vermelho para TODAS as opiniões que as pessoas tenham a seu respeito. São leis para você, de agora em diante. Todas as coisas ruins que dizem sobre você, É VERDADE. Todas as vezes que te fizeram desistir de um sonho, eles estavam certo. Você não iria conseguir mesmo!!

Passo 3 – Você PRECISA alcançar TODAS as expectativas. Das mais exageradas até as impossíveis. Você TEM que conseguir chegar até lá. Você DEVE suprir TODAS as expectativas que os outros têm de você. Se esforce, se esforce MUITO, o tempo todo. E se, mesmo assim, não conseguir, é porque você ainda não tentou o suficiente!!

Passo 4 – Viva de ilusões. Alimente suas mais loucas fantasias, dê linha para elas. O melhor de tudo, é quando sua cabeça começa a fundir realidade e fantasia. Aí as coisas começam a ficar boas pra você. Não se preocupe se tentarem te convencer a colocar o pés no chão ou usar a razão. Isso é para os otários. Ilusão é o melhor elixir, SEMPRE!!

Passo 5 – Sonhe os sonhos das outras pessoas. Não importa o que seja. Sonhe junto. Sonhe todos. E dê todos os dias da sua vida para correr atrás dos sonhos alheios. ISSO É O QUÊ MAIS IMPORTA pra você! Não perca tempo criando um sonho só seu, isso é BOBAGEM. Cole em alguém e vá atrás. O sonho do outro é SEMPRE MELHOR QUE O SEU. Nunca se esqueça!!

Passo 6 – Brigue com o relógio, o tempo todo. Um dia você vai vencer! Acorde e já pela manhã, comece a correr. Mais rápido, mais rápido, mais rápido! Não vai dar tempo!!!!! Tem muitas coisas para fazer! O dia devia ter 30 horas! Não, não relaxe, NÃO DESCANSE, não seja mole! Você pode muito mais! Nunca cancele um compromisso, arranje mais espaço na sua agenda, nunca faça uma pequena pausa. Você é uma MÁQUINA. Go ahead! Você consegue!!

Passo 7 – Seja IMPLACÁVEL com você sempre. Mantenha nas mãos um chicotinho imaginário e nem pense duas vezes! Um pequeno deslize, chibatada! Não admita erros, fraquezas, dificuldades, NEM PENSAR! Sua frase de cabeceira: NUNCA É O SUFICIENTE. Use o mesmo critério para todos a sua volta.

Passo 8 – Diga SIM a todos. Se te pedem um favor, ATENDA. Se te convidam para o cinema, VÁ. Se abusam da sua boa vontade, SORRIA. Se oferecem para você comprar, COMPRE DOIS. Se perguntam se você pode, responda sempre: CLARO. Você quer? SIM, SIM, SIM. Não vai te atrapalhar fazer esse favor? CLARO QUE NÃO, NÃO É TRABALHO NENHUM. Seu mantra: SIM, SIM, SIM.

Passo 9 – Na dúvida, escolha o CAMINHO MAIS FÁCIL. Essa é a sua melhor opção! É uma lei da física: o menor esforço, sempre!

Passo 10 – Coma tudo o que tem vontade! Gaste com tudo o que deseja! Durma muitas horas a mais! Siga todas as tendências de moda e de dieta. Saiba de tudo que está acontecendo no mundo. Mantenha-se plugado full time.

Passo 11APEGUE-SE ao passado. Não deixe nada para trás. Mantenha sua memória ativa: todas as decepções, brigas, fracassos, traições, insucessos PRECISAM ficar na sua cabeça. Não deixe nada escapar e jamais perdoe (nem a você, nem a ninguém). Cobre da vida, do outro e de você mesmo tostão por tostão de tudo o que deu errado. E lembre-se: NUNCA PAGARAM O SUFICIENTE.

Passo 12 – Seja o QUERIDO da turma. Na firma. No bairro. Em casa. AGRADE tudo e a todos. Mas se esforce pra valer, dê todo seu sangue pra ser o ‘cara’ mais legal do pedaço. Afinal, que máximo deve ser para o outro que pode ter um ‘fantoche’ que satisfaça a sua vontade!!!

Passo 13PERFEITO. Pra sentença final, claro, nunca, NEVER, em hipótese alguma, ERRE. Tenha todas as RESPOSTAS e JAMAIS mude de opinião. Cristalize conhecimentos, resguarde certezas. Afinal, você se esforça tanto pra ser tão COMPETENTE; como o outro pode te afetar?

(Irmãs de Palavra) – vire ao contrário!

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Quem é o vilão da história?

“Do inferno

Sr. Lusk,

Envio para o senhor metade do rim que tirei de uma *mulier *gardei para o *sinhor pois a outra parte eu fritei e comi estava muito *gostozo. Posso li mandar a faca suja de *sange com que tirei ele se o *sinhor esperar um pouquinho mais.

Mi prenda quando puder, Mister Lusk ” (De Jack, o estripador, para George Lusk – Cartas Extraordinárias – *a grafia foi conservada exatamente como na carta original)

Das ruas de Londres para as páginas literárias, um dos seriais killers mais misterioso da história é um vilão épico. Como uma profecia maldita, não mediu brutalidade, nem fantasias mórbidas, para matar pelo menos cinco mulheres com mutilações e remoção de órgãos. Sempre na sombra da noite, o mesmo alvo: prostitutas, como a Mary Jane Kelly. Sem nunca ter sido pego, aguçou teorias e até inspirou a criação de outros vilões, inclusive na  literatura. Com poderes sobrenaturais (Drácula), ou desumanos (Big Brother – 1984) eles enganam, nos manipulam e provocam do fascínio ao ódio. Porque, no fundo, gostamos de torcer contra eles  e quando nem percebemos, estamos acompanhando seus passos até o golpe fatal. Que pode acabar com a aventura ou estraçalhar seu dia. Do Angulimala (fábula do assassino colecionador de mil dedos descrita nos milenares sutras da tradição budista Teravada – Coleção Mundo Estranho) aos brasileiros que recentemente mataram um argentino em uma briga de bar, ou a ‘guerra santa’ que transformou a Síria em um campo de batalha, inclusive com ataque químico; o extremismo, o abuso ideológico ou a prática de injustiças cegam pela raiva. A escolha planejada, ou não, imortaliza um vilão. Até que o parem.  E aí, já era, coloca-se um ponto final na história. Nem que seja de interrogação, ou exclamação! “(Dany Fran)

 

Um lado sombrio cresce, tomando conta do Vilão. Qualquer esforço para controlá-lo é em vão: “As sombras estão me devorando, eu sei. Deixei que isso acontecesse. Eu simplesmente não pude evitarTalvez seja impossível lutar contra as próprias tendências. Dê o nome que quiser a elas: genética, doença, herança, carma, história familiar, perturbação mental, obsessão espiritual… Prefiro chamá-las de tendências. Isso eu posso compreender. Elas revelam você, quem é você de verdade. Eu não gosto  nada do que está acontecendo comigo. Eu não gosto de quem estou me tornando, só não consegui me desviar. Pra onde eu iria?” (Agatha Guiller em O Sombrio Chamado) 

O Vilão se vê como herói: “Eu sei de todas as justificativas deles. Eu sei que uma guerra não é um acordo diplomático. Eu sei que heróis condecorados são assassinos em série. Eu sei que um exército de defesa é tão cruel quanto seu inimigo. Às vezes até mais. Eu sei que quando a guerra é vencida, ninguém se importa com isso. Só com a paz imposta com o sangue alheio. Mas agora eu sou o outro lado. O lado escuro da guerra. O lado que não tem direito à defesa. O lado que não recebe perdão pelas atrocidades que cometeu. O lado ao qual não é concedido a benção do esquecimento de seus pecados. O lado que tem que pagar para sempre. Para sempre… Agora eu sou esse lado e eu sei que ele também é pisoteado.” “Não há heróis em uma guerra. Só existe o lado dos vencedores e o lado dos vencidos. A única diferença entre exércitos inimigos é essa.”(Ágatha Guiller em O Sombrio Chamado)

O Vilão , em algum ponto de sua história, foi abandonado e maltratado. Ele para sua vida nesse ponto. Para sempre abandonado e maltratado. Ele vive para a vingança, só para a vingança: “Eu sabia que  ninguém voltaria para me salvar. Eu estava sozinha, eu não tinha nada, não sobrou ninguém, todos foram embora… Só eu fiquei para trás. Eu passei fome, eu andei sem rumo por tanto tempo… Mas eu nunca vacilei, eu nunca duvidei. Eu sou a Grande Líder Invasora. Eu sempre soube disso. E agora, o meu tempo chegou. E todos eles vão morrer.” (Dan Goy em O Sombrio Chamado)” – Kelly Shimohiro

 

“O vilão da história pode estar mais perto do que você imagina. Ele poode ser você.”

                                                                             (Irmãs de Palavra) 

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harry potter e as irmãs de palavra

E quem disse que a vida não é um conto de fadas

‘- Espelho, espelho, meu, há no mundo alguém mais bela do que eu?

O espelho respondeu:

– Sois a mais bela aqui, reafirmo, mas a jovem rainha é mil vezes mais bela.

Então, a malvada soltou uma praga e ficou tão horrivelmente assustada que não soube o que fazer. Contudo não descansou: sentiu-se obrigada a ir ver a jovem rainha. E quando entrou e reconheceu Branca de Neve, ficou paralisada de apreensão e terror. Mas o príncipe mandou esquentar sapatos de ferro ao fogo, apanhá-los com pinças na brasa e colocá-los diante dela. A rainha foi obrigada a calçá-los e dançar até cair morta.”

Essa versão do conto de fadas, ‘A Branca de Neve’, recontada pelos irmãos  Grimm, pode não ser exatamente a versão que você conhece. Pode não ter o final ‘e viveram felizes para sempre’ da Diney. Afinal, castigar quem te castigou, e com tamanha brutalidade, não é lá um final ‘feliz’! Mas se saltarmos dos contos de fadas para os contos reais, que final feliz encontramos? Ficar satisfeito por pagar uma merreca mais barata pela carne enquanto funcionários de frigoríficos estão perdendo empregos, famílias ficando sem renda, criadores apreensivos em acumular prejuízos com redução de abates, importadores voltando a negociar mas ainda duvidosos em levar uma ‘carne fraca’; é um final feliz para o jogo de propina no agronegócio brasileiro? Na verdade, virar um capítulo, encerrar ou começar uma história – na literatura e também na vida real –  é pra gente que imagina um mundo, um conto seu. É pra quem já teve derrotas ou ainda vai sofrer fracassos. Também é pra quem se dá bem e encontra um amor. Ou pra quem encara um espelho e se depara com alguém que não admira. Pra quem rala, cansa, desiste, volta atrás. Pra quem abandona expectativas e adota a ‘prontidão’. É pra quem SENTE. Porque, meu bem, como diria Clarissa Pinkola Estés, “a emoção não é uma mercadoria de plástico”. Por isso as batidas da tua história não podem ser descartadas, e ainda que a sua vida esteja mais pra um conto de fadas dos Grimm que da Disney, a sua magia pode ser real!’ (Dany Fran)

‘Contos de fadas são frestas criadas para movimentar nosso imaginário. E nós sabemos que somente um imaginário ativo e afiado é capaz de criar uma vida real intensa. Não uma mesmice boçal sem fim em sua repetição tediosa. Nas versões antigas (originais?) dos contos de fadas não encontramos a “pílula dourada”. As histórias são brutais, escandalosas, mal cheirosas, exageradas e deliciosas. Um fascínio de fantasia. Um treinamento seguro para as armadilhas da vida. Ouvindo histórias assim, podemos ficar mais alertas ao que nos cerca. Podemos deixar nossas mentes escaparem pelos terrenos sobrenaturais e alimentar nossa criatividade. Vamos alargando a dimensão do nosso poder inovador. Mas, quando nos fartamos de contos de fadas em suas versões modernas e educadinhas, modernas e recatadas, modernas e cheias de moral, trancafiamos a assombrosa aventura de uma história. E o que sobra? A cartilha dos bons costumes para ser seguida. Não há nenhum problema em histórias que existam para divertir (a diversão é o pão sagrado do espírito). Não há nenhum problema em histórias inverossímeis (a fantasia é a vitamina da criatividade). Não há nenhum problema em histórias brutais (a violência de uma história pode ser o escudo para perigos reais). No entanto, há muitos problemas em histórias criadas, ou editadas, para suprimir nosso ímpeto questionador e nos acomodar em versões patéticas de nós mesmos. Contos de fadas, sim!! Contos de fadas, cada vez mais! Só, talvez, tenhamos que ter o trabalho de garimpar os tesouros entre tantas maçãs envenenadas que nos oferecem.’ (Kelly Shimohiro)

harry potter e as irmãs de palavra

“Contos de fadas são o brigadeiro do dia. Sempre queremos mais um!”

(Irmãs de Palavra)

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Manadas, histórias e o tempo

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“Não é, exatamente, sobre tecnologia. Sim, ela ‘galopa’ com uma rapidez meteórica, nos abarrota de informação e rompe fronteiras. Agora, transformar conhecimento e não criar barreiras é com você, meu bem!

Nem se trata de avanços épicos. O jeito de ‘viver’ histórias, desde sempre, molda-se a roupagem atual, ainda que em uma esfera coletiva. A propósito, aldeia global e comunicação de massa não foram ‘proclamadas’ hoje.

Refere-se sobretudo à ‘gente’. Que segue, mas também cria – suas verdades. Se assim aprofundar sua leitura de mundo. Consome, mas também produz – ideias. Porque apesar das opiniões contrárias, à frente (ou onde você quiser) dos avanços tecnológicos, é gente que ‘escreve’ a história”. Moderna. Retrógrada. Desajustada. Padronizada. Bestializada. Crítica. Copiada. Autêntica. Ou ainda, nenhuma dessas. Até mesmo a que está por vir, é gente que vai vivenciá-la”.  (Dany Fran)

“Nós lemos histórias alheias. Desde sempre. Nos ouvimos histórias alheias. Desde o início. Mas há um mundo oculto de histórias sendo contadas dentro de você, na sua mente. Um mundo escuro, que nunca tocamos. Um mundo submerso, que nunca enxergamos. Um mundo de sussurros, que nunca escutamos claramente. Como se existisse um narrador invisível dentro da sua mente. E escondido do resto do mundo, ele inventasse personagens, criasse enredos, concebesse aventuras, escrevesse conquistas, produzisse perdas, tecesse tramas, arquitetasse planos, fabricasse uma vida paralela. De sonhos e fantasias. Um outro eu de você. Como se esse narrador invisível pudesse, às vezes, confundir sua mente. E fizesse você habitar um mundo, que só existe ali, dentro de você. E se você conseguir se desprender dessa história, viria pra cá, para o mundo de todos, muito mais criativo e intenso. Mas se não, cairia no abismo de viver achando que o mundo de todos nunca é o bastante.” (Kelly Shimohiro) 

 

“Somos todos loucos por histórias, porque todos nós somos história”

                                                                                           (Irmãs de Palavra)

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Retalhos da voz feminina

“Eva sussurrou para Afrodite que o mundo estava perdido. Afrodite clamou que Iemanjá intervisse. Iemanjá convidou as mulheres-focas para resolverem a situação. As mulheres-focas recorreram às bruxas, que voavam alto, muito ocupadas. As bruxas mergulharam nas camadas mais profundas da Terra e resgataram as almas femininas, que vagavam sem rumo. As almas femininas se puseram em marcha e espalharam-se nos quatro cantos da Terra, permitindo que as vozes femininas se desprendessem delas. E as vozes femininas, todas juntas, cantaram e rogaram. E flores brotaram. E crianças nasceram. E cores inundaram tudo. E o amor tocou a todos. E a dança nunca mais parou. E o trabalho vingou. E a esperança deu frutos. E a luta toda da criação recomeçou, costurando os buracos que encontravam no caminho.  E desde então, as vozes femininas nunca mais se calaram, na tentativa abençoada de dar um jeito no mundo. ” (Kelly Shimohiro)

“Tecidos novos, usados, sobras. Cresci aquecida pelas colchas de retalhos feitas por minha nona. Já gostei. Já desejei cobertas peludas. Já troquei, guardei e até reutilizei, quase todas. Das que ainda restam, apenas uma não está em uso. A última costurada pela dona Rita (minha nona) e dada pra sua afilhada. Mantenho protegida (do tempo? do uso? do quê?) no maleiro. Talvez, ela precise ser vista. Desprotegida. E hoje, mesmo no verão, quem sabe  minha cama ganhe um novo colorido.

As histórias das mulheres (e pra mim dos homens também) são como ‘colchas de retalhos’. Remendadas pra desnudarem nossas diferenças. E não escondidas pra cobrirem nossas desigualdades. Enquanto garotinhas aprendem na Síria matemática somando nos livros 3 bombas com 5 mísseis, não posso me contentar com o caderno da minha menina que soma bonecas com bolas. Enquanto o Ipea divulga que as mulheres trabalham pelo menos 7 horas e meia a mais que o sexo oposto pela dupla jornada, não dá pra ficar felizinha só lendo ou ouvindo sobre reivindicações femininas bem sucedidas.

Costurar hoje, e todo dia, palavras febris e férteis que vistam (ou pelo menos olhem) nossos verdadeiros desejos – de luta, sim! – de recriação, também! – podem não acabar com a devastação de muita injustiça; mas esfria o desnecessário e aquece o essencial!” (Dany Fran)

A voz feminina, retalhada e costurada, é a canção da criação. (Irmãs de Palavra)

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Fotos de Dany Fran, Biblioteca Pública Municipal Pioneiro Manoel Pereira Camacho Filho (Maringá-Pr)

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Sobre regras, deusas malignas, troca de ideias e embrulho de emoções

“Toda vida é uma invenção própria. Não que ela não seja feita de fatos, de dados concretos, de eventos incontroláveis. O que é absolutamente uma criação própria é a forma como cada um olha para a sua vida. De fato, há uma só existência. Mas são várias as possibilidades de narrativas desta mesma existência.” (Eliane Brum)

Eu já falei dela, já emprestei outras de suas palavras, mas vou novamente me apropriar de sua fala porque sou apaixonada por essa mulher, Eliane Brum, que quebra regras e vira minhas ideias do avesso. “Mais difícil do que resistir à necessidade de certezas de quem está ao nosso redor, é resistir à nossa própria necessidade de certezas – abrir mão de nossos clichês pessoais”.

Pois então, esses dias estava ignorando batuques carnavalescos, o que há mais de uma década virou regra pra mim, me surpreendi mais que ouvindo, sambando marchinhas no aniversário de uma amiga. Voltar a gostar, se permitir mudar e abandonar velhas ideias.  O jeito que você vai narrar sua história, muda ‘A’ história. E trocar o enredo, ainda que sobre um simples gosto a favor (ou não) das marchinhas até uma discussão mais elaborada sobre erguer muros ou ampliar fronteiras; pode não ser o fim ‘DA’ história, mas o início de outra. Que pode ser testada na sua vida diária. Como, por exemplo, a releitura de um livro que estou fazendo e a confirmação de que não gostei mesmo do tal livro. Ou ainda novas leituras que poderão (literalmente) chacoalhar o olhar. Como o Castelo de Vidro, biografia de Jeanette Walls (o próximo da lista, depois de anos de espera) onde a autora narra em sua biografia a filha que se depara com a mãe catando lixo na rua enquanto ela segue para uma festa e sente um embrulho de emoções. ‘Embrulho’ capaz de romper ideias, regras e estereótipos. Claro que não o mesmo, mas também um embrulho de emoções eu senti hoje cedo, tomando café confortavelmente na sacada antes de pegar no batente e vi um moço, aparentemente da mesma idade que eu, catando lixo bem na frente do meu prédio. Aqui ou ali. Rompendo fronteiras, quebrando estereótipos, na vida real ou na ficção, óculos para nossos miopias. (Dany Fran)

“Feche os olhos, ela está lá. É tão antiga quanto os dias sobre a terra. Uma sombra que passeia livremente entre as mentes. E tal qual uma soberana absoluta, impondo a todos uma mesma conduta. E nós, frágeis e débeis humanos, obedecemos essa deusa maligna. E como se não houvesse nenhuma escapatória, marchamos pesarosos uma vida repetida, quando poderíamos sambar uma existência mais criativa.” (Kelly Shimohiro)

“As histórias se repetem até o nascimento de uma alma mais ousada. Avante!” (Irmãs de Palavra)

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