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DÊ UMA PAUSA – amanhã é tarde demais

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Amanhã é tarde demais.

Amanhã é tarde demais pra você. Você que brindou um novo ano, cheio de entusiasmo e planos. Você que fez promessas com uma determinação verdadeira desta vez. Você que varreu o desânimo e o cansaço, típicos de final de ano. Você que se encheu de esperança e disse SIM, é agora ou nunca, então é AGORA! Amanhã é tarde demais pra você.

Amanhã é o dia que se repete para sempre. É o dia que nunca chega. Amanhã é o dia ideal para cumprir promessas. É o dia perfeito para começar a reforma, a dieta, a economizar. Amanhã é o dia para pedir desculpa. É o dia para faxinar a casa e jogar fora tantas quinquilharias. É o dia que você vai começar a meditar, a parar de fumar. Amanhã, você jura, é o dia em vai se posicionar de verdade, falar tudo que precisa. É o dia para revelar-se. É o dia de tirar as vendas e ver a escuridão que se aproxima. É o dia que você vai enfrentar os grandes problemas da vida. Amanhã é o dia para mudar tudo que não deu certo, você repete mentalmente. Mesmo sabendo que amanhã é o dia que nunca chega. SIM, amanhã é tarde demais pra você.

Livro da semana: O livro do amanhã, Cecília Ahren (mesma autora de P.S Eu te amo), Novo Conceito, 2009. ‘Startamos’ 2019 com fantasia na veia. Na companhia de Tamara, uma adolescente que não precisava pensar no amanhã mas de repente perde tanta coisa (e pessoas) que se vê perturbada com o que pode (ou não) ser o seu amanhã. E aí uma biblioteca itinerante vira mais que diversão. Basta um livro para se ganhar muitos mistérios e ter diferentes futuros pela frente.

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa, somos muito importantes!

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Olavo Bilac e nós, somos muito importantes!

Não somos nome de rua nem de prédio algum, mas não se engane, nós somos muito importantes. Não convém confessar nosso segredo para tal proeza, só que vamos falar mesmo assim (não ligamos, nós queremos te contar). É que todos os dias, tomamos goles bem grandes de um tônico secreto. Dizem mesmo que ele devia ser proibido. Porque contamina seu sangue e então tudo está perdido. Você começa a ouvir as estrelas e a sonhar. E quem é capaz de sonhar, é sempre muito, muito, muito importante.

Olavo Bilac sabia disso.

“Ouvir estrelas! Certo, Perdeste o senso! (…)

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.” (Olavo Bilac)

(amor é o nome do tônico, mas para funcionar, é prescrito doses diárias, NÃO SE ESQUEÇA)

O aspirante ao bisturi e aos juris, que se apaixonou mesmo pela pena capaz de expressar sua habilidade com as palavras; o príncipe dos poetas brasileiros, rigoroso com a estética dos seus sonetos que virou cronista militante e cheio de humor, transitou – e se esbaldou – pelas contradições da vida. Olavo Bilac – nome de rua, prédio, conteúdo do Enem – contrariou a lógica do seu tempo. Amou muito as palavras e as espalhou com tanto afinco, que deu no que deu. Foi aclamado e amado em vida. Gente muito importante! Hoje comemoramos o centenário de sua morte e reconhecemos seu legado: feito com amor, todos somos muito, muito importantes. O resto é história (e nós adoramos!).

Livro da semana: Contos para velhos, Olavo Bilac.

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa, vamos decifrar o mistério do papai noel


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Vamos decifrar o mistério do Natal

Ninguém precisa acreditar, mas o papai noel existe de verdade. As Irmãs de Palavra já viram, há muitos e muitos anos. Aconteceu numa noite de dezembro, éramos pequenas e ainda dividíamos o  quarto com os nossos brinquedos preferidos: a pantera cor-de-rosa e o fusca amarelo. O papai noel usava as famosas botas pretas e deixava pegadas por onde passava. Não sabemos por onde ele entrou, nem como escapou. Mas deixou um bilhetinho, que nós guardamos até hoje, escondido numa caixinha antiga, bem no fundo do armário. Está escrito assim: “Meninas, para cada pessoa no mundo, existe uma palavra mágica que torna todo sonho possível. Um dia, vocês descobrirão a de vocês. E então, a vida será uma grande diversão”. Nós ficamos anos tentando. Procuramos em todos os dicionários que encontramos. Em todas as línguas que conhecemos. Só depois de muitas histórias, finalmente, descobrimos a nossa palavra mágica. Estava ali, o tempo todo. Ninguém precisa acreditar, mas o papai noel deixou esse bilhetinho para as Irmãs de Palavra. E nós duas, bem, nós sabemos que é verdade. O resto é história (e nós adoramos!).

Livro da semana: Mistério de Natal, do mesmo autor de O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder – Companhia das Letrinhas, 1998. Já ouviu falar em calendário de Natal?  Joaquim, protagonista desta história, ganhou um e a cada dia do mês de dezembro que abria uma portinha do seu calendário, vivia uma nova peregrinação no tempo e espaço. É uma grande diversão! Neste livro, a gente passeia com Joaquim por histórias mágicas, que fazem a nossa renascer.

Texto das Irmãs de Palavra

 


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DÊ UMA PAUSA – Vamos falar do livro da semana – é sobre amizade

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Vamos falar do livro da semana – é sobre amizade

A autora é nossa amiga desde o século passado (sim, isso é possível!). Nos conhecemos num mundo mais ou menos parecido ao da série Stranger Things, bem anos 80. Cidade pequena, all star colorido, Madonna, festinhas de garagem, Top Gun, a  série Vagalume e a melhor descoberta de todas: tínhamos amigos que faziam qualquer coisa valer a pena. Qualquer dia ser uma aventura. Qualquer problema ser derrotado. Qualquer sonho virar realidade. Éramos todos importantes!

Aquela época passou. A amizade não. E nem a certeza de que a velha descoberta continua sendo a melhor de todas: amigos fazem qualquer coisa valer a pena.

“Ela encheu a única taça da mesa e brindou. ‘Aos vínculos que perduram o tempo, aos novos encontros e qualquer outra mudança que se meta em nossa frente’.”

O dicionário diz que vínculo é aquilo que ata, liga, vincula (duas ou mais coisas). As Irmãs de Palavra preferem sua própria definição: vínculo liga duas ou mais histórias. Lendo Fragmentos de Pensamentos (Madrepérola, 2018), de Tryssia Carmo, você não vai compreender a etimologia de vínculo, mas pode sentir (o que é muito melhor!) a importância dessa palavra. A importância da família, da cidade em que você nasceu, a importância dos amigos de infância, dos sonhos que guardamos desde criança. Não importa que a vida mudou, que você se decepcionou e que agora saiba que é um pouco mais difícil do que imaginava. Dentro de nós, sabemos a verdade: amigos fazem qualquer coisa valer a pena! Qualquer dia ser uma aventura. Qualquer problema ser derrotado. Qualquer sonho virar realidade. Isso acontecia nos anos 80. E continuará assim até o FIM. O resto é história (e nós adoramos!)

Texto das Irmãs de Palavra

Tryssia

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DÊ UMA PAUSA – Chegou O Sorriso das Mulheres

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Chegou a nossa vez de sorrir

“Nós sorrimos em Paris. Sorrimos porque Paris não é deste mundo. Não, não é. Pertence a outra galáxia, ninguém sabe, mas é verdade. Tem que ser verdade. Todo mundo volta diferente de Paris, sem conseguir explicar muito bem o porquê. Inventam todas aquelas desculpas: o Sena, o Louvre, os cafés e os croassants (ah, estes sem dúvida despertam sorrisos neste mundo), as igrejas, o Arco do Triunfo, a Champse-Elysée, as ruelas, as pequenas livrarias, a culinária francesa, os jardins, os castelos, os cabarés, o vinho, a moda, a Torre, as luzes; e acabam se convencendo que Paris é a cidade mais charmosa do mundo todo. Mais romântica. Boêmia. Retrô. A cidade LUZ. Bem… Nós sorrimos em Paris, na verdade, não apenas por todas essas coisas; mas porque descobrimos seu segredo. Paris não existe! É um sonho deslumbrante. E quando você vai pra lá, você descobre que sonhos são muito parecidos com a realidade, chegamos mesmo a confundir tudo. Mas sonhos são muito melhores, muito, muito melhores (nem se comparam!). Paris é uma prova. E sabe, se você quiser, você pode ser uma prova também. O resto é história (e nós adoramos)!”

Texto das Irmãs de Palavra

Livro da Semana: O sorriso das mulheres, Nicolas Barreau. Verus, 2013. «No ano passado, em novembro, houve um livro que me salvou a vida.» Assim como ‘coincidências não existem’ para os personagens Aurélie Bredin e Robert Miller, acasos não fazem parte da história das Irmãs de Palavra. Nós lemos este livro em 2017 no clube do livro Amigos de Palavra de Maringá. E depois, este ano neste mês, ele veio pra nós mais uma vez no book secreto dos Amigos de Palavra de Londrina. (!!)  E quando a sorte bate duas vezes, nós sorrimos de novo! Porque não pode ser verdade, trata-se de um sonho. (e as Irmãs de Palavra adoram sonhos!)

o sorriso em paris

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Dê uma Pausa – O mundo acabou. Não o seu nem o nosso. Mas acabou.

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O mundo acabou. Não o sou nem o nosso. Mas acabou.

“Aline abriu os olhos antes do despertador tocar. Pegou o Iphone de cima de ‘Minha vida fora de série’, em seu criado mudo, e encarou o visor sem nenhum retorno do Dani. Apenas o registro 06:57, sexta-feira, 30 de novembro de 2018.  Hesitou alguns segundos. Jogou o celular no edredom macio e pulou da cama. Com a boca cheia de espuma da pasta de dente sorriu pro espelho ao ver sua barriga, ainda esbelta. Três bochechos. E ducha ligada. Enquanto o banheiro virava sauna, Aline pensou novamente em Dani antes da descarga. Meu Deus, como ela precisava falar com ele! Quando foi jogar o papel higiênico, e encarou a fitinha com as duas listas absurdamente vermelha no fundo do lixo, deu outro pulo. Vestiu seu jeans (sem tomar banho) e a primeira blusinha branca na pilha de muitas outras. Passou pela sala de visita, de estar, de TV, pela cozinha, até chegar ao hall despercebida. O pai falava ao celular na mesa do café. A mãe também. Em quinze minutos Aline estava, sozinha, na estação. Apesar dos 15 anos recém completados; loira, de olhos verdes, com dinheiro na carteira e peitos grandes, ninguém barrou Aline, que embarcou às 8h55 pra Barbacena. Ao sentar na poltrona 7, sorriu para o homem que estava ao lado enquanto tentou mais uma vez falar com Dani, antes de bater na porta da casa do pai do filho que esperava.  

“Rafael acionou a soneca do maldito despertador que o chamava pro inferno do trabalho que pagava seu aluguel. Mais cinco minutos antes de levantar o esqueleto. Toda sexta-feira o mesmo dia, em Barbacena. Toda vez o mesmo desejo, não ir. Rafael se arrastou bocejando pra estação. Bilhete seis. Tanto faz, obrigado! Os olhos baixos não notaram o sorriso da loira que sentou bem ao seu lado. Calado virou pra janela, fitou o cerrado mas não enxergou nenhuma Magnolia bem diante do seu nariz”.

Aline, uma adolescente grávida, e Rafael, um quarentão depressivo; são personagens fictícios e atuais. Mas se fossem reais e vivessem em um passado recente, poderiam – de verdade – serem embarcados no trem para Barbacena, com parada no Colônia. E nunca mais voltarem para suas casas. Colônia foi um hospital criado pelo Governo mineiro no início do século passado para atender pessoas que sofriam com doença mental. Acabou como depósito de gente. Jovens solteiras grávidas. Depressivos. Viciados. Crianças portadoras de síndromes. Mendigos. Os desviados do padrão de excelência de uma cultura excludente e cruel. Muitos que incomodaram, foram condenados a uma vida desumana.

Mais de 60 mil pessoas morreram neste hospício. Mais de 1800 corpos foram negociados com faculdades de Medicina, por pelo menos 600 mil reais. Mais de 70% dos internos não tinha diagnóstico de doença mental. Mais que números, um verdadeiro holocausto, que a jornalista Daniela Arbex deu voz no livro-reportagem ‘Holocausto Brasileiro’ (Geração Editorial, 2013) e depois continuou dizendo em um filme da HBO e Vagalume Filmes (2016), baseado na obra.

Claro que o final do ano de 2018 está chegando e queremos falar das henas, de chaminés de onde caem presentes mágicos, do bom velhinho e das luzes nas cidades encantadas. Das compras de Natal e dos perus. Assuntos interessantíssimos! Mas o mundo acabou. Não o seu nem o meu. Mas acabou para os prisioneiros do Colônia, pelo menos para a maioria deles. E a gente sabe que as histórias gostam de se repetir, até que o mundo não precise mais delas. E talvez, só talvez, ainda sejamos os mesmos. Aqueles que jogam a “sujeira” para baixo do tapete, para ninguém ver. A casa arrumada, perfeita. A família tradicional e do bem, sagrada. Os cidadãos exemplares, em fila. Todos juntos cantando velhos hinos de Natal, mas que surpresa se abrirmos seus porões, mas que surpresa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

holocausto

 

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