de uma pausa

Dê uma pausa – sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

de-uma-pausa-300x153

Sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

“O pai queria os dias da mulher e dos filhos sem muros. Livres. A filha, pequena, queria o conforto de um endereço fixo. Ele queria que os filhos aprendessem vivendo aventuras na estrada. Os filhos queriam ir para uma sala de aula com roupas limpas. O pai sabia, e gostava, de não ser como todo mundo. Os filhos tinham vergonha de viver tão diferente do resto.  A mãe sonhava com o pai. Sobravam livros. Faltava comida. Tinham muitos risos e todas as estrelas do céu. Mas dívidas também. E perigos reais. Enquanto ele sonhou com um castelo de vidro, os filhos acordaram para outra vida. E foram embora. A mãe ficou. E depois, sobrou.”

O Castelo de Vidro,  Jeannette Walls, editora Nova Fronteira, 2007. Um livro de memórias (também tem o filme baseado na história da família da jornalista e escritora norte-americana Jeannette Walls) fala do perigo de uma história ‘só’. A história nunca é mesmo uma só. Nem a direção certa. Nem a da Jeannette nem a sua. Esse é um livro que acorda você, te faz desejar criar um lugar no mundo. O seu lugar. Não o do seu pai ou da sua mãe, não o dos filhos ou irmãos. Nem dos amigos, vizinhos, príncipes ou princesas. O seu lugar. Seu.

Sim, sonhamos com castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

(Ah, sobre a nossa foto, é que estivemos num castelo este ano e, bem, é mesmo encantador. Mas não, obrigada. Foi só de passagem!)

irmas castelo

Leia Mais

20160513_180409

DÊ UMA PAUSA – A culpa é das estrelas!

de-uma-pausa-300x153

A culpa é das estrelas!

A culpa deixou o mundo. Ela cansou. Disse que iria sair de férias (mas era mentira). Ela já não aguentava mais. Tinha que ficar se dividindo em tantos pedaços, atendendo milhões de chamados pelo mundo inteiro! Ah, não dava mais! – Chega! Me demito! Vou embora. O problema é que não deixaram. Alguém tem sempre que levar a culpa, melhor que seja a dona Culpa, oras bolas! Chama a Dona Culpa de volta, ela não pode ir saindo assim de fininho, não. – Volta, culpa! (o mundo inteiro exigiu). A dona Culpa voltou, assim meio a contragosto, com aquela cara emburrada. Só que o que ninguém sabia, era que ela tinha um plano. Um plano secreto. Ia se escafeder do mundo, mas não ia contar pra ninguém. Porque do jeito que as coisas andam, tudo corre muito rápido hoje em dia. Tem fake news, twitter, Stories, whatsApp (aff, era melhor não contar pra viva alma). Ela botou foto no Instagram: #partiuferias. Recebeu mensagem do mundo inteiro:”Tá certo, Dona Culpa, férias merecidas!” “Volta logo, já estamos com saudade!” “Ah, traz um chaveirinho pra mim, dona Culpa!”. Ela gastou horas, mas respondeu tudinho, tudinho. Fez uma mala bem grande e chamou o Uber. Despediram-se até com um abraço e o coitado do motorista derrubou uma lágrima, ia ser difícil o mundo ficar sem a culpa por uma semana inteirinha. Dona Culpa caminhou decidida pelo saguão do aeroporto, foi direto pro checkin, despachou a mala pra Pequim. Só ia dar uma passadinha no toilette. Chamaram Dona Culpa pelos auto-falantes, a aeronave ia decolar, última chamada. E voaram sem a dona Culpa. Todos aliviados. A notícia logo se espalhou. Dona Culpa tinha criado juízo e desistido das férias, o mundo não ia aguentar uma semana inteira sem ela! Glórias! E, no mesmo instante, começaram a chamar por dona Culpa. Mas o que todos não sabiam é que ela tinha um plano. Um plano secreto. Dona Culpa descobriu, por acaso, um buraco de minhoca no banheiro do aeroporto uma vez. E então… agora ela estava longe, muito longe, em outro planeta. Chegando lá, mudou de nome e se apresentou: – Sou a dona Consciência Limpa! E viveu assim, para sempre, tão sossegada. Quase não chamavam a dona Culpa lá no outro planeta. Nunca descobriram seu verdadeiro nome. (Só na Terra, o mundo endoidou. Ninguém queria levar a culpa! Dizem que até hoje, ninguém mais se entendeu.) Mas isso pode ser só um boato, né? Afinal, a culpa é das estrelas! O resto é história (e nós adoramos!)

Adoramos tanto, que até encontramos a dona Culpa em outra história. A encontramos longe daqui do Brasil, mas não em outro planeta. Em Amsterdã. A dona Culpa se meteu no meio de um jantar à luz de velas, onde um jovem casal apaixonado fazia tim tim com as taças cheias de champanhe. ‘– O.K. – ele disse. – O.K. – falei. Tomei um gole. As bolinhas se desmancharam na minha boca e viajaram em direção ao norte, para dentro da cabeça. Doce. Frisante. Delicioso – Isso é muito bom. –  falei. – Nunca tinha bebido champanhe. Um jovem garçom, os cabelos loiros e ondulados , apareceu. Acho que era ainda mais algo que Augustos. – Vocês sabem o que Dom Pérignon disse depois de inventar o champanhe.  – ele perguntou com um sotaque delicioso. – Não – falei. – Ele chamou os outros monges e disse: venham depressa! Estou bebendo estrelas”. Bem- vindos a Amsterdã’.  (trecho do livro de John Green, A culpa é das estrelas, Editora Intrínseca, 2012)

Hazel e Gus, personagens principais da obra literária – que conta a descoberta do amor adolescente por jovens portadores de câncer, realmente foram muito bem-vindos e passaram dias (e uma noite bem especial) de risos, choros, amor e grandes emoções na capital holandesa. Tudo culpa das ‘estrelas’! As Irmãs de Palavra também viveram dias (e uma noite) de fortes sensações pelas margens do rio Arno. Culpa de quem… é o que menos importa.

Texto das Irmãs de Palavra

a culpa é das estrelas

Leia Mais

DÊ UMA PAUSA – tempos sombrios estão chegando…

de-uma-pausa-300x153

Tempos sombrios estão chegando…

E estão vindo rápido. Cada vez mais rápido.

Pode ser através de uma manchete de jornal, uma mensagem de WhatsApp ou um sinal dos céus; um grito no escuro, ou mesmo um sonho devastador. Não importa, o lado sombrio dos contos de fadas nos persegue há milhares e milhares de anos. E em algum momento, eles, finalmente, irão nos alcançar. E então, você terá que enfrentar o mundo, o seu mundo. Você terá que tomar suas próprias decisões. Sem fantasiar ou se enganar.

É assim desde os tempos mais remotos. Os homens contam (e vivem) histórias assustadoras.

Humanos ou feras? Crianças perdidas ou abandonadas à própria sorte na ‘selva’? Garotinhas que não obedecem os pais ou criaturas canibais? Amantes irresistíveis que te salvam do ‘sono’ profundo ou príncipes encantados que estupram a bela enquanto ela dorme? Reis benevolentes ou tiranos insanos?

‘ERA UMA VEZ’… Karin Hueck tinha razão em ‘O lado sombrio dos contos de fadas’ – As origens sangrentas das histórias infantis (Super Interessante, 2016), basta estalar essa frase nos seus ouvidos para que o leitor passe a habitar um mundo fantástico. E a acreditar nele e a defendê-lo com unhas e garras. É assim que acontece. O ser humano tem uma propensa queda pela imaginação criativa desde o começo do mundo. O que é maravilhoso, histórias inacreditáveis nos enche de potência, de coragem, de força e de vontade. De fé. Seremos os mais bravos guerreiros! Mas como dizem por aí – e talvez seja até verdade – tudo tem o tal lado “B”. Nos contos de fadas, são os monstros de duas cabeças, feras sanguinolentas, o lobo mau, buracos que não têm fim, bruxas que comem criancinhas. Na vida real, temos as contas que não têm fim, fake news, ditadores, assassinos, gente sem escrúpulo espalhando o medo, o preconceito e o terror pelo mundo. Karin Hueck defende a utilidade disso nos contos de fadas: “Quando uma criança ouve ou conta uma história sombria, ela mergulha no mundo da fantasia. Os enredos violentos seriam, então, um treino para a vida futura. Em vez de ir para a floresta enfrentar lobos e bruxas, a criança simula o perigo dentro da sua cabeça, mas ainda em segurança. Segundo essas teorias, seria algo parecido com o simulador de voo usado pelos pilotos: em vez de correr o risco de se espatifar no chão, a aula é feita em um ambiente seguro”.  O problema é quando o perigo foge das páginas e assume o mundo real.

Ainda que o faz de conta seja mais sombrio que sua realidade; você é tentado e até gosta de imaginá-lo e, às vezes, de habitá-lo. Porque as versões mais obscuras das histórias nos colocam mais próximos de nossa própria humanidade, que sempre foi e sempre será, cercada de perigos por todos os lados.

E foram felizes para sempre”, como as histórias podem insistir nessa bobagem? Talvez seja só uma brincadeirinha, um jogo de palavras. Eles não foram felizes para sempre, foram fortes para sempre. Eles lutaram. Para sempre. Sem fraquejar. Para sempre. Resistiram. Para sempre. Não há brincadeirinha alguma nisso, nem jogo de palavras. O resto é história (e nós adoramos!)

Texto das Irmãs de Palavra

Nos despedimos com um “continho” inocente dos lendários  Irmãos Grimm, em ‘O pé de zimbro’.  Coisa de criança: “ERA UMA VEZ… um casal que queria muito ter filhos. Quando eles finalmente conseguiram gerar um menino, a mãe morreu. Logo o pai se casou novamente e teve uma filha com a nova mulher, que odiava o enteado. Um belo dia, quando o menininho voltou da escola, a madrasta perguntou se ele não queria uma maçã, e o mandou buscar a fruta de dentro de um pesado baú. O menino se ajoelhou, abriu o baú e – pimba! a madrasta fechou a tampa sobre sua cabeça, que saiu rolando pela casa. Desesperada, a mulher botou o corpinho do menino sobre uma cadeira, equilibrou a cabeça por cima e enrolou um cachecol ao redor do pescoço para disfarçar. Então ela chamou a filha. ‘Marlene, seu irmão não quer dividir a maçã com você. Dê-lhe um tapa na orelha’, disse. A menina obedeceu, e a cabecinha do irmão rolou pelo chão. ‘Marlene, o que foi que você fez?’, gritou a mulher. Então, a madrasta picou o corpo do filho e fez um cozido com ele. Quando o pai chegou, ela serviu o ensopado. ‘Mulher a comida está deliciosa’. “

tempos sombrios

Leia Mais

capa_youtube_irmas

DÊ UMA PAUSA SOB O SOL DA TOSCANA. NÃO HÁ COMO RESISTIR.

de-uma-pausa-300x153

SOB O SOL DA TOSCANA. NÃO HÁ COMO RESISTIR.

A placa indicava Roma. Mas não iríamos para lá, não naquela tarde. Precisávamos pegar sentido contrário, sentido Arezzo. Uma mísera distração entre oliveiras e a autoestrada italiana e pronto! Nossa aventura ganhou alguns quilômetros a mais. Ok, foram também risos a mais. Até que, enfim, acertamos o caminho. Caímos da ficção para uma realidade fantástica. Tem coisa melhor?

Há muitos e muitos anos, vimos o filme “Sob o sol da Toscana” (lançado  no Brasil em 2004) e, depois disso, nunca mais as Irmãs de Palavra pararam de repetir: Toscana-Toscana-Toscana. Seria nosso destino. Mais dia, menos dia. Se você já assistiu, vai entender o porquê. Depois lemos o livro que deu origem ao filme, escrito pela americana Frances Mayes (publicado no Brasil pela editora Rocco, em 2002) e não restaram mais dúvidas: Toscana-Toscana-Toscana. E do desejo nasceu o sonho. E depois, a palavra exata tomou o mundo: vamos! A palavra exata criou oportunidade e abriu espaço: a nossa ‘viagem de palavra’.

Há pouco mais de um mês, estivemos lá. E, como acontece com muitas das nossas experiências, não foi bem como esperávamos. Foi muito melhor! A paisagem – uma pintura por todos os lados – deixa você cheio de vida (Frances Mayes estava certa). As uvas são uma experiência à parte. Chupamos algumas ali, direto da parreira e não houve palavra. Só rimos, sorrimos, ah, esse sol da Toscana… A Vila de Filicaja, uma vinícola, teve Sofia – a típica italiana charmosa e sorridente – a nos oferecer vinhos, todos Chiantis. Frances Mayes acertou novamente. Os vinhos de lá têm magia. E, como no filme, em nossos dias na Toscana, aconteceu um casamento (e foi num castelo!). Casamento de um primo. Claro que Frances Mayes não errou desta vez. O amor na Toscana é todo iluminado. Culpa do bendito sol da Toscana. Não deve existir  crepúsculo mais bonito. Não, não deve.

Então, pisamos no acelerador novamente e, entre idas e vindas, paramos em Cortona. Da autoestrada para ruelas apertadas e tão íngremes que, por alguns instantes, paramos de sorrir. Mas novamente foram míseros instantes, porque é impossível não abrir sorrisos na cidadezinha italiana que fissurou a autora americana, a ponto dela comprar uma casa lá: na Villa Bramasole. Do alto das montanhas você fica maior. Não, é a batida do seu coração que cresce. Nem se importa em não poder entrar com o carro na rua principal, aberta apenas para os carros dos moradores. É a cada passo, devagar, que novos raios iluminam a sua vista e te convidam para uma taça de vinho rosé diante das escadarias da Igreja matriz – literalmente cenário de filme. Até que, de mais ruelas, surge a imensa, coral e florida, casa de Frances Mayes. E ali, diante de um silêncio quente, é impossível  não querer ficar mais um pouco.

Sob o sol da Toscana é um livro. Não, é um filme. Não, é uma experiência que muda você. Talvez nem seja o sol. Ou a uva, o azeite, a paisagem, o vinho, a alegria da “la nostra gente“. Talvez não seja nada disso. Talvez seja você, que num cenário daquele, não pode negar: a vida é mesmo muito boa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

francesmayes

Leia Mais

IMG_20160318_175251

DÊ UMA PAUSA – Precisamos de Paz e Tolerância, acima de qualquer coisa.

de-uma-pausa-300x153

Precisamos de paz e tolerância, acima de qualquer coisa.

Domingo, 11 de julho de 1943 : “Querida Kitty, deixe-me dizer que estou fazendo ao máximo para ser útil, amável e gentil, e para fazer todo o possível na tentativa de transformar a chuva de censuras numa simples garoa. Não é fácil tentar se comportar como um modelo de criança com pessoas que a gente não suporta.”

Terça-feira, 8 de fevereiro de 1944 : “Não posso contar como me sinto. Num minuto desejo paz e silêncio, e no outro quero um pouco de diversão. Nós nos esquecemos de como se ri – falo de rir tanto a ponto de não conseguir parar. Hoje de manhã dei risinhos, você sabe, do tipo que dávamos na escola.”

Sábado, 25 de março : ” ‘Um dia vazio, mesmo claro e puro. Como qualquer noite, é escuro’. (escrevi isso há algumas semanas, e não acho que seja mais verdade, mas incluí porque meus poemas são poucos e espaçados)”

Terça-feira, 13 de junho de 1944 : “Será que me tornei tão encantada pela natureza porque estou trancada há tanto tempo? (…) uma das muitas perguntas que me incomodam é porque as mulheres eram vistas, e ainda são, como inferiores aos homens. (…) Acredito que, no correr, do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas!”

(trechos do Diário de Anne Frank)

Por trás da história, há sempre outra história. Em qualquer tempo, a tolerância existe porque resiste. Poder conversar, falar e ouvir, expressar o que pensa, mostrar o que sente é um ato político. Uma necessidade primária. A grande necessidade. Aquela que sustenta todas as outras. Universal e atemporal. A necessidade de ser LIVRE.

Como muitas adolescentes, Anne Frank (que era alemã e judia) descobriu cedo como sofre quem não tem essa necessidade atendida. Quem é impedido, por sua nacionalidade, religião, descendência, cor ou gênero; de exercer o mais humano de todos os direitos: viver em liberdade na sociedade. Anne, por causa da perseguição nazista, teve que se esconder com sua família e outras pessoas, em um cômodo secreto de um edifício comercial no centro de Amsterdã. Aos 13 anos começou a escrever em seu diário. Foi com ele, ou melhor, com sua amiga imaginária, Kitty (para quem ela contava tudo o que ocupava o seu coração) que encontrou um instrumento de liberdade para vivenciar suas histórias: a escrita. Nas primeiras páginas, ocupações de escola, coisas sobre amigos. Mas isso em meses mudou. Tempos de guerra. O diário ganhou relatos de sobrevivência de quem resistiu o silêncio e a opressão no Anexo Secreto.

O final da história desta talentosa garota, o mundo todo conhece. Morreu de tifo em um campo de concentração, poucos dias antes de ser decretado o fim da Segunda Guerra Mundial. Alguns anos depois, seu pai, Otto Frank (o único sobrevivente da família) editou e publicou o diário da filha: O diário de Anne Frank. Livro que já vendeu mais de 30 milhões de cópias.

É triste. É muito triste. Perseguições de todo tipo. Diferenças pela cor, pelo sexo. A crença absurda e medíocre de que uns sejam melhores que outros. Anne Frank é uma figura imortalizada por deixar ao mundo uma grande mensagem: Precisamos de Paz e Tolerância, acima de qualquer coisa.

O edifício onde a família Frank e outros judeus viveram escondidos é um museu, o museu Anne Frank. As Irmãs de Palavra estiveram recentemente lá. Milhares de pessoas, vindas dos mais diferentes países, visitam o local e se compadecem com a história dessa garotinha. Que toda essa empatia nos sirva não só para lamentações, mas – principalmente – para sermos no mundo a mensagem viva de Anne Frank: PRECISAMOS DE PAZ E TOLERÂNCIA, ACIMA DE QUALQUER COISA. O resto é história (e nós adoramos!).

texto Irmãs de Palavra

museu anne frank

 

 

 

 

Leia Mais