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DÊ UMA PAUSA – Chegou O Sorriso das Mulheres

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Chegou a nossa vez de sorrir

“Nós sorrimos em Paris. Sorrimos porque Paris não é deste mundo. Não, não é. Pertence a outra galáxia, ninguém sabe, mas é verdade. Tem que ser verdade. Todo mundo volta diferente de Paris, sem conseguir explicar muito bem o porquê. Inventam todas aquelas desculpas: o Sena, o Louvre, os cafés e os croassants (ah, estes sem dúvida despertam sorrisos neste mundo), as igrejas, o Arco do Triunfo, a Champse-Elysée, as ruelas, as pequenas livrarias, a culinária francesa, os jardins, os castelos, os cabarés, o vinho, a moda, a Torre, as luzes; e acabam se convencendo que Paris é a cidade mais charmosa do mundo todo. Mais romântica. Boêmia. Retrô. A cidade LUZ. Bem… Nós sorrimos em Paris, na verdade, não apenas por todas essas coisas; mas porque descobrimos seu segredo. Paris não existe! É um sonho deslumbrante. E quando você vai pra lá, você descobre que sonhos são muito parecidos com a realidade, chegamos mesmo a confundir tudo. Mas sonhos são muito melhores, muito, muito melhores (nem se comparam!). Paris é uma prova. E sabe, se você quiser, você pode ser uma prova também. O resto é história (e nós adoramos)!”

Texto das Irmãs de Palavra

Livro da Semana: O sorriso das mulheres, Nicolas Barreau. Verus, 2013. «No ano passado, em novembro, houve um livro que me salvou a vida.» Assim como ‘coincidências não existem’ para os personagens Aurélie Bredin e Robert Miller, acasos não fazem parte da história das Irmãs de Palavra. Nós lemos este livro em 2017 no clube do livro Amigos de Palavra de Maringá. E depois, este ano neste mês, ele veio pra nós mais uma vez no book secreto dos Amigos de Palavra de Londrina. (!!)  E quando a sorte bate duas vezes, nós sorrimos de novo! Porque não pode ser verdade, trata-se de um sonho. (e as Irmãs de Palavra adoram sonhos!)

o sorriso em paris

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Dê uma Pausa – O mundo acabou. Não o seu nem o nosso. Mas acabou.

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O mundo acabou. Não o sou nem o nosso. Mas acabou.

“Aline abriu os olhos antes do despertador tocar. Pegou o Iphone de cima de ‘Minha vida fora de série’, em seu criado mudo, e encarou o visor sem nenhum retorno do Dani. Apenas o registro 06:57, sexta-feira, 30 de novembro de 2018.  Hesitou alguns segundos. Jogou o celular no edredom macio e pulou da cama. Com a boca cheia de espuma da pasta de dente sorriu pro espelho ao ver sua barriga, ainda esbelta. Três bochechos. E ducha ligada. Enquanto o banheiro virava sauna, Aline pensou novamente em Dani antes da descarga. Meu Deus, como ela precisava falar com ele! Quando foi jogar o papel higiênico, e encarou a fitinha com as duas listas absurdamente vermelha no fundo do lixo, deu outro pulo. Vestiu seu jeans (sem tomar banho) e a primeira blusinha branca na pilha de muitas outras. Passou pela sala de visita, de estar, de TV, pela cozinha, até chegar ao hall despercebida. O pai falava ao celular na mesa do café. A mãe também. Em quinze minutos Aline estava, sozinha, na estação. Apesar dos 15 anos recém completados; loira, de olhos verdes, com dinheiro na carteira e peitos grandes, ninguém barrou Aline, que embarcou às 8h55 pra Barbacena. Ao sentar na poltrona 7, sorriu para o homem que estava ao lado enquanto tentou mais uma vez falar com Dani, antes de bater na porta da casa do pai do filho que esperava.  

“Rafael acionou a soneca do maldito despertador que o chamava pro inferno do trabalho que pagava seu aluguel. Mais cinco minutos antes de levantar o esqueleto. Toda sexta-feira o mesmo dia, em Barbacena. Toda vez o mesmo desejo, não ir. Rafael se arrastou bocejando pra estação. Bilhete seis. Tanto faz, obrigado! Os olhos baixos não notaram o sorriso da loira que sentou bem ao seu lado. Calado virou pra janela, fitou o cerrado mas não enxergou nenhuma Magnolia bem diante do seu nariz”.

Aline, uma adolescente grávida, e Rafael, um quarentão depressivo; são personagens fictícios e atuais. Mas se fossem reais e vivessem em um passado recente, poderiam – de verdade – serem embarcados no trem para Barbacena, com parada no Colônia. E nunca mais voltarem para suas casas. Colônia foi um hospital criado pelo Governo mineiro no início do século passado para atender pessoas que sofriam com doença mental. Acabou como depósito de gente. Jovens solteiras grávidas. Depressivos. Viciados. Crianças portadoras de síndromes. Mendigos. Os desviados do padrão de excelência de uma cultura excludente e cruel. Muitos que incomodaram, foram condenados a uma vida desumana.

Mais de 60 mil pessoas morreram neste hospício. Mais de 1800 corpos foram negociados com faculdades de Medicina, por pelo menos 600 mil reais. Mais de 70% dos internos não tinha diagnóstico de doença mental. Mais que números, um verdadeiro holocausto, que a jornalista Daniela Arbex deu voz no livro-reportagem ‘Holocausto Brasileiro’ (Geração Editorial, 2013) e depois continuou dizendo em um filme da HBO e Vagalume Filmes (2016), baseado na obra.

Claro que o final do ano de 2018 está chegando e queremos falar das henas, de chaminés de onde caem presentes mágicos, do bom velhinho e das luzes nas cidades encantadas. Das compras de Natal e dos perus. Assuntos interessantíssimos! Mas o mundo acabou. Não o seu nem o meu. Mas acabou para os prisioneiros do Colônia, pelo menos para a maioria deles. E a gente sabe que as histórias gostam de se repetir, até que o mundo não precise mais delas. E talvez, só talvez, ainda sejamos os mesmos. Aqueles que jogam a “sujeira” para baixo do tapete, para ninguém ver. A casa arrumada, perfeita. A família tradicional e do bem, sagrada. Os cidadãos exemplares, em fila. Todos juntos cantando velhos hinos de Natal, mas que surpresa se abrirmos seus porões, mas que surpresa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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DÊ UMA PAUSA – e vá encontrar essa tal de ‘verve’

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Pare tudo que está fazendo e leia Julia Child – Minha vida na França (Seoman, 2009)

Sem verve não há vida, divertida. Há crítica, resmungos, pessoas vivendo feito franguinhos de granja. Aquela ‘meia-vida’ regada à ração e água tomada aos golinhos. Com verve arrebenta-se a droga da porta do galinheiro. Bate-se as asas e cai-se no mundo.

– Verve é um substantivo feminino que indica: entusiasmo, inspiração, graça e vivacidade. –

Tem livro que nos injeta uma dose cavalar de verve. Julia Child, Minha vida na França é um deles. Uma espécie de biografia, onde o que menos importa são datas, nomes de lugares e coisas desse tipo. Depois de um ano ou dois (ou até menos que isso), todos esses detalhes – geralmente – são esquecidos. E o que fica, então?

A verve. A verve fica. A verve se espalha. A verve cresce feito praga que não pode ser contida. (Graças a Deus!) A verve é extraordinária! Pensando melhor, essa ‘danada’ de verve  é muito perigosa. Vai que ela toma o mundo, é loucura na certa! Pessoas gargalhando, cheias de novas ideias, se divertindo à beça, topando o trabalho duro e cheio de sentido, pessoas animando umas às outras e não podando umas às outras. Criaturas com verve deveriam ser proibidas, desafiam a ordem! Iam tirar tudo do prumo. Revolucionárias, entusiásticas, honestas, imperiosas feito Julia Child. Uma americana que depois dos 40 desafiou-se com novas aventuras, abandonando um trabalho burocrático para descobrir os prazeres da culinária francesa. (deu no que deu!)

Bem, as Irmãs de Palavra leram ‘Minha vida na França’ e agora são um caso perdido. Todo dia, uma boa dose de verve na vida, nada de água aos golinhos. O resto é história (e a gente adora!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa – sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

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Sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

“O pai queria os dias da mulher e dos filhos sem muros. Livres. A filha, pequena, queria o conforto de um endereço fixo. Ele queria que os filhos aprendessem vivendo aventuras na estrada. Os filhos queriam ir para uma sala de aula com roupas limpas. O pai sabia, e gostava, de não ser como todo mundo. Os filhos tinham vergonha de viver tão diferente do resto.  A mãe sonhava com o pai. Sobravam livros. Faltava comida. Tinham muitos risos e todas as estrelas do céu. Mas dívidas também. E perigos reais. Enquanto ele sonhou com um castelo de vidro, os filhos acordaram para outra vida. E foram embora. A mãe ficou. E depois, sobrou.”

O Castelo de Vidro,  Jeannette Walls, editora Nova Fronteira, 2007. Um livro de memórias (também tem o filme baseado na história da família da jornalista e escritora norte-americana Jeannette Walls) fala do perigo de uma história ‘só’. A história nunca é mesmo uma só. Nem a direção certa. Nem a da Jeannette nem a sua. Esse é um livro que acorda você, te faz desejar criar um lugar no mundo. O seu lugar. Não o do seu pai ou da sua mãe, não o dos filhos ou irmãos. Nem dos amigos, vizinhos, príncipes ou princesas. O seu lugar. Seu.

Sim, sonhamos com castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

(Ah, sobre a nossa foto, é que estivemos num castelo este ano e, bem, é mesmo encantador. Mas não, obrigada. Foi só de passagem!)

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DÊ UMA PAUSA – A culpa é das estrelas!

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A culpa é das estrelas!

A culpa deixou o mundo. Ela cansou. Disse que iria sair de férias (mas era mentira). Ela já não aguentava mais. Tinha que ficar se dividindo em tantos pedaços, atendendo milhões de chamados pelo mundo inteiro! Ah, não dava mais! – Chega! Me demito! Vou embora. O problema é que não deixaram. Alguém tem sempre que levar a culpa, melhor que seja a dona Culpa, oras bolas! Chama a Dona Culpa de volta, ela não pode ir saindo assim de fininho, não. – Volta, culpa! (o mundo inteiro exigiu). A dona Culpa voltou, assim meio a contragosto, com aquela cara emburrada. Só que o que ninguém sabia, era que ela tinha um plano. Um plano secreto. Ia se escafeder do mundo, mas não ia contar pra ninguém. Porque do jeito que as coisas andam, tudo corre muito rápido hoje em dia. Tem fake news, twitter, Stories, whatsApp (aff, era melhor não contar pra viva alma). Ela botou foto no Instagram: #partiuferias. Recebeu mensagem do mundo inteiro:”Tá certo, Dona Culpa, férias merecidas!” “Volta logo, já estamos com saudade!” “Ah, traz um chaveirinho pra mim, dona Culpa!”. Ela gastou horas, mas respondeu tudinho, tudinho. Fez uma mala bem grande e chamou o Uber. Despediram-se até com um abraço e o coitado do motorista derrubou uma lágrima, ia ser difícil o mundo ficar sem a culpa por uma semana inteirinha. Dona Culpa caminhou decidida pelo saguão do aeroporto, foi direto pro checkin, despachou a mala pra Pequim. Só ia dar uma passadinha no toilette. Chamaram Dona Culpa pelos auto-falantes, a aeronave ia decolar, última chamada. E voaram sem a dona Culpa. Todos aliviados. A notícia logo se espalhou. Dona Culpa tinha criado juízo e desistido das férias, o mundo não ia aguentar uma semana inteira sem ela! Glórias! E, no mesmo instante, começaram a chamar por dona Culpa. Mas o que todos não sabiam é que ela tinha um plano. Um plano secreto. Dona Culpa descobriu, por acaso, um buraco de minhoca no banheiro do aeroporto uma vez. E então… agora ela estava longe, muito longe, em outro planeta. Chegando lá, mudou de nome e se apresentou: – Sou a dona Consciência Limpa! E viveu assim, para sempre, tão sossegada. Quase não chamavam a dona Culpa lá no outro planeta. Nunca descobriram seu verdadeiro nome. (Só na Terra, o mundo endoidou. Ninguém queria levar a culpa! Dizem que até hoje, ninguém mais se entendeu.) Mas isso pode ser só um boato, né? Afinal, a culpa é das estrelas! O resto é história (e nós adoramos!)

Adoramos tanto, que até encontramos a dona Culpa em outra história. A encontramos longe daqui do Brasil, mas não em outro planeta. Em Amsterdã. A dona Culpa se meteu no meio de um jantar à luz de velas, onde um jovem casal apaixonado fazia tim tim com as taças cheias de champanhe. ‘– O.K. – ele disse. – O.K. – falei. Tomei um gole. As bolinhas se desmancharam na minha boca e viajaram em direção ao norte, para dentro da cabeça. Doce. Frisante. Delicioso – Isso é muito bom. –  falei. – Nunca tinha bebido champanhe. Um jovem garçom, os cabelos loiros e ondulados , apareceu. Acho que era ainda mais algo que Augustos. – Vocês sabem o que Dom Pérignon disse depois de inventar o champanhe.  – ele perguntou com um sotaque delicioso. – Não – falei. – Ele chamou os outros monges e disse: venham depressa! Estou bebendo estrelas”. Bem- vindos a Amsterdã’.  (trecho do livro de John Green, A culpa é das estrelas, Editora Intrínseca, 2012)

Hazel e Gus, personagens principais da obra literária – que conta a descoberta do amor adolescente por jovens portadores de câncer, realmente foram muito bem-vindos e passaram dias (e uma noite bem especial) de risos, choros, amor e grandes emoções na capital holandesa. Tudo culpa das ‘estrelas’! As Irmãs de Palavra também viveram dias (e uma noite) de fortes sensações pelas margens do rio Arno. Culpa de quem… é o que menos importa.

Texto das Irmãs de Palavra

a culpa é das estrelas

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