BEM-VINDO

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BEM-VINDO

Irmãs doidas – pelas palavras! E pelas coisas que se inventam com elas. Publicamos nossos primeiros livros: Dias Nublados (Dany Fran), ficção inspirada em fatos reais; O Estranho Contato (Kelly Shimohiro), literatura fantástica. E seguimos com elas… as Palavras, sempre, toda hora, por toda parte! Porque o que vale, mesmo, são as histórias. As nossas, as suas, as do mundo todo.

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DÊ UMA PAUSA SOB O SOL DA TOSCANA. NÃO HÁ COMO RESISTIR.

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SOB O SOL DA TOSCANA. NÃO HÁ COMO RESISTIR.

A placa indicava Roma. Mas não iríamos para lá, não naquela tarde. Precisávamos pegar sentido contrário, sentido Arezzo. Uma mísera distração entre oliveiras e a autoestrada italiana e pronto! Nossa aventura ganhou alguns quilômetros a mais. Ok, foram também risos a mais. Até que, enfim, acertamos o caminho. Caímos da ficção para uma realidade fantástica. Tem coisa melhor?

Há muitos e muitos anos, vimos o filme “Sob o sol da Toscana” (lançado  no Brasil em 2004) e, depois disso, nunca mais as Irmãs de Palavra pararam de repetir: Toscana-Toscana-Toscana. Seria nosso destino. Mais dia, menos dia. Se você já assistiu, vai entender o porquê. Depois lemos o livro que deu origem ao filme, escrito pela americana Frances Mayes (publicado no Brasil pela editora Rocco, em 2002) e não restaram mais dúvidas: Toscana-Toscana-Toscana. E do desejo nasceu o sonho. E depois, a palavra exata tomou o mundo: vamos! A palavra exata criou oportunidade e abriu espaço: a nossa ‘viagem de palavra’.

Há pouco mais de um mês, estivemos lá. E, como acontece com muitas das nossas experiências, não foi bem como esperávamos. Foi muito melhor! A paisagem – uma pintura por todos os lados – deixa você cheio de vida (Frances Mayes estava certa). As uvas são uma experiência à parte. Chupamos algumas ali, direto da parreira e não houve palavra. Só rimos, sorrimos, ah, esse sol da Toscana… A Vila de Filicaja, uma vinícola, teve Sofia – a típica italiana charmosa e sorridente – a nos oferecer vinhos, todos Chiantis. Frances Mayes acertou novamente. Os vinhos de lá têm magia. E, como no filme, em nossos dias na Toscana, aconteceu um casamento (e foi num castelo!). Casamento de um primo. Claro que Frances Mayes não errou desta vez. O amor na Toscana é todo iluminado. Culpa do bendito sol da Toscana. Não deve existir  crepúsculo mais bonito. Não, não deve.

Então, pisamos no acelerador novamente e, entre idas e vindas, paramos em Cortona. Da autoestrada para ruelas apertadas e tão íngremes que, por alguns instantes, paramos de sorrir. Mas novamente foram míseros instantes, porque é impossível não abrir sorrisos na cidadezinha italiana que fissurou a autora americana, a ponto dela comprar uma casa lá: na Villa Bramasole. Do alto das montanhas você fica maior. Não, é a batida do seu coração que cresce. Nem se importa em não poder entrar com o carro na rua principal, aberta apenas para os carros dos moradores. É a cada passo, devagar, que novos raios iluminam a sua vista e te convidam para uma taça de vinho rosé diante das escadarias da Igreja matriz – literalmente cenário de filme. Até que, de mais ruelas, surge a imensa, coral e florida, casa de Frances Mayes. E ali, diante de um silêncio quente, é impossível  não querer ficar mais um pouco.

Sob o sol da Toscana é um livro. Não, é um filme. Não, é uma experiência que muda você. Talvez nem seja o sol. Ou a uva, o azeite, a paisagem, o vinho, a alegria da “la nostra gente“. Talvez não seja nada disso. Talvez seja você, que num cenário daquele, não pode negar: a vida é mesmo muito boa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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DÊ UMA PAUSA – Precisamos de Paz e Tolerância, acima de qualquer coisa.

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Precisamos de paz e tolerância, acima de qualquer coisa.

Domingo, 11 de julho de 1943 : “Querida Kitty, deixe-me dizer que estou fazendo ao máximo para ser útil, amável e gentil, e para fazer todo o possível na tentativa de transformar a chuva de censuras numa simples garoa. Não é fácil tentar se comportar como um modelo de criança com pessoas que a gente não suporta.”

Terça-feira, 8 de fevereiro de 1944 : “Não posso contar como me sinto. Num minuto desejo paz e silêncio, e no outro quero um pouco de diversão. Nós nos esquecemos de como se ri – falo de rir tanto a ponto de não conseguir parar. Hoje de manhã dei risinhos, você sabe, do tipo que dávamos na escola.”

Sábado, 25 de março : ” ‘Um dia vazio, mesmo claro e puro. Como qualquer noite, é escuro’. (escrevi isso há algumas semanas, e não acho que seja mais verdade, mas incluí porque meus poemas são poucos e espaçados)”

Terça-feira, 13 de junho de 1944 : “Será que me tornei tão encantada pela natureza porque estou trancada há tanto tempo? (…) uma das muitas perguntas que me incomodam é porque as mulheres eram vistas, e ainda são, como inferiores aos homens. (…) Acredito que, no correr, do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas!”

(trechos do Diário de Anne Frank)

Por trás da história, há sempre outra história. Em qualquer tempo, a tolerância existe porque resiste. Poder conversar, falar e ouvir, expressar o que pensa, mostrar o que sente é um ato político. Uma necessidade primária. A grande necessidade. Aquela que sustenta todas as outras. Universal e atemporal. A necessidade de ser LIVRE.

Como muitas adolescentes, Anne Frank (que era alemã e judia) descobriu cedo como sofre quem não tem essa necessidade atendida. Quem é impedido, por sua nacionalidade, religião, descendência, cor ou gênero; de exercer o mais humano de todos os direitos: viver em liberdade na sociedade. Anne, por causa da perseguição nazista, teve que se esconder com sua família e outras pessoas, em um cômodo secreto de um edifício comercial no centro de Amsterdã. Aos 13 anos começou a escrever em seu diário. Foi com ele, ou melhor, com sua amiga imaginária, Kitty (para quem ela contava tudo o que ocupava o seu coração) que encontrou um instrumento de liberdade para vivenciar suas histórias: a escrita. Nas primeiras páginas, ocupações de escola, coisas sobre amigos. Mas isso em meses mudou. Tempos de guerra. O diário ganhou relatos de sobrevivência de quem resistiu o silêncio e a opressão no Anexo Secreto.

O final da história desta talentosa garota, o mundo todo conhece. Morreu de tifo em um campo de concentração, poucos dias antes de ser decretado o fim da Segunda Guerra Mundial. Alguns anos depois, seu pai, Otto Frank (o único sobrevivente da família) editou e publicou o diário da filha: O diário de Anne Frank. Livro que já vendeu mais de 30 milhões de cópias.

É triste. É muito triste. Perseguições de todo tipo. Diferenças pela cor, pelo sexo. A crença absurda e medíocre de que uns sejam melhores que outros. Anne Frank é uma figura imortalizada por deixar ao mundo uma grande mensagem: Precisamos de Paz e Tolerância, acima de qualquer coisa.

O edifício onde a família Frank e outros judeus viveram escondidos é um museu, o museu Anne Frank. As Irmãs de Palavra estiveram recentemente lá. Milhares de pessoas, vindas dos mais diferentes países, visitam o local e se compadecem com a história dessa garotinha. Que toda essa empatia nos sirva não só para lamentações, mas – principalmente – para sermos no mundo a mensagem viva de Anne Frank: PRECISAMOS DE PAZ E TOLERÂNCIA, ACIMA DE QUALQUER COISA. O resto é história (e nós adoramos!).

texto Irmãs de Palavra

museu anne frank

 

 

 

 

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DÊ UMA PAUSA, é uma boa história!

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É uma boa história!

Uma boa história é a sua! Não tenha dúvidas disso, nunca. É a melhor de todas, porque é a única em que você é o protagonista (ou A protagonista). E não importa em que ponto você esteja da sua jornada. Se vive (ou não) a grande aventura que deseja. Se no turbilhão de tantas ocupações está (ou não) difícil encontrar a paz. Se no dia a dia sabe (ou não) o que realmente quer. Não importa como você está, o tempo é este! E é neste exato momento que você pode jogar a cartada decisiva: a virada da sua história.

Mãos à obra. A escrita é uma arte criativa que requer mais do que imaginação; exige empenho, foco, engenhosidade, paciência para inúmeras correções e mudanças no enredo. Além, é claro, de estudo e uma verdadeira vocação para suportar a si mesmo. É preciso horas de solidão para se escrever uma boa história. Por um simples motivo, escrever de forma verdadeira, como diria o escritor Hemingway, é inventar a partir do que está dentro do seu coração. Vale para os livros, e, principalmente, para a sua vida.

Então, vamos começar falando do protagonista: VOCÊ!  Esse personagem merece muita atenção, nos mínimos detalhes. O que veste, o que come, o que pensa, o que sente, o que quer… Para onde está indo, como está fazendo seu caminho, com quem? Do que precisa se livrar, em que precisa melhorar? Detenha-se a que horas seu protagonista acorda, com quem vai pra cama? Ele tem medo de fantasmas? Quais? Você – o grande protagonista – anda satisfeito consigo mesmo? Em que momentos você é de fato você? Quais são seus temores, seus desejos, suas crenças, suas dúvidas, suas perdas… Em que tipo de encrenca está metido? Há sempre uma saída e é nela que você deve se concentrar. Pense a respeito. Ouça a voz deste personagem principal. Compreenda e aceite o que ele diz. Este será sempre o ponto central da sua história e merece SEMPRE ser tratado como tal.

Bem, agora vamos às etapas de uma narrativa.

O início. Tudo tem que começar de algum ponto. A sua vida também. O princípio é o berço que torna possível você existir. É importante entender as razões e motivações do começo de tudo (entender não é aceitar, é só entender). Elas indicam o vetor impulsionador da história e nos fornece dados para conhecer melhor o protagonista. Afinal, ninguém surge do nada. Esse é o material que sustenta a jornada e nos liga a uma família, um país, uma meta, um objetivo, um passado. É necessário compreender o início até mesmo para se livrar de suas algemas. Pois, o ponto onde tudo começa não determina aonde vamos chegar. Temos asas e podemos voar alto, voar longe. Mas o ponto onde tudo começa, nos liga para sempre à origem de quem, verdadeiramente, somos. É o pontapé criador.

A principal fase da sua história – o desenvolvimento. É aqui que você está. O caminho, o percurso, onde residem as escolhas, os desafios, os problemas, as vitórias, os sacrifícios. É onde acontece a vida. É o que mais interessa. É ação! É nele que você deve concentrar toda sua energia. O nome desta etapa é PRESENTE e aqui surgem as possibilidades de mudança, de avanço, de superação, de conquista. Como também de queda, de crise, de danos sem tamanho. É aqui que o protagonista pode se tornar um personagem secundário em sua própria história. Perder seu rumo, desinteressar-se de si mesmo, atar-se a uma vida sem progresso, submeter-se a outros personagens, não evoluir, desistir de uma história incrível. Porque este é o nosso destino: uma história incrível! Toda pessoa é o personagem principal. Este lugar não pode ser cedido. Você, e ninguém mais, deve ser o narrador da sua própria história.

E, sem escapatória, chegamos ao fim. E o final da sua história, bem, não se preocupe tanto assim. O final é o último dos capítulos e, geralmente, ele se resolve sozinho.

Existem histórias de todos os gêneros: romance, conto, fábula, comédias, histórias de terror, existem as fantasias, os dramas. Também há a pura ficção. Histórias para adultos, mais pesadas ou sexy. Outras baseadas em fatos reais. Não podemos nos esquecer da poesia, a prosa poética, as tragédias, biografias. Histórias policiais e de suspense. Os contos de fadas. Ainda tem as notícias, as crônicas, os artigos, textos didáticos e científicos. Tudo é história! E todas merecem ser contadas, todas formam o mundo em que vivemos e todas têm sua importância para o grande drama Universal. Também devemos destacar o tempo e o lugar, o ambiente da história que estamos escrevendo. Eles influenciam os acontecimentos e, muitas vezes, limitam o poder de ação do protagonista. Aqui, precisamos usar ainda mais a nossa imaginação. E como última dica das Irmãs de Palavra, temos um elemento-chave para uma boa história: nós nos divertimos imensamente nela! O resto é ‘história’ (e nós adoramos)!

Texto das Irmãs de Palavra

 “Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar” (Vincent Van Gogh)         

 “O fim de uma história é um convite. Você pode escrever outra” (Irmãs de Palavra)

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Dê uma pausa, é Paris, Shakespeare, livraria, tudo junto!

 

de-uma-pausa-300x153é Paris, Shakespeare, livraria, tudo junto!

 

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Não, não estamos na Inglaterra.

“Há mais perigo em seus olhos do que em vinte espadas”. (William Shakespeare)

O que você vê é um canto épico (para os amantes literários), em homenagem ao poeta, ator e dramaturgo inglês. Essa é uma livraria famosa em Paris, fica numa ruazinha charmosa, bem pertinho da Notre Dame – a “Shakespeare and Company”. As Irmãs de Palavra não podiam deixar de ir! Cheia de livros e de gente envenenada por um amor que não mata. Cria histórias! Logo de cara, quando você ultrapassa o verde da porta, um colorido pastel de obras por todas as paredes, que sobem e descem num frenesi sem fim – de livros (livros e mais livros e mais livros). A poltrona larga de veludo é um convite para você chegar. Mas aí, ao lado, uma pequena e apertada escadaria de madeira te invoca à subir e encontrar ainda mais livros e, por fim, a réplica do quarto de Shakespeare, com sua cama e todo um cenário fascinante. Foi nesta ‘livraria mágica de Paris’ que as Irmãs de Palavra deixaram mais do que marcas (para falar a verdade, deixamos nossos marcadores!), esquecemos o cansaço de um dia todo ziguezagueando pela ‘cidade luz’ e seguimos com olhar revigorado.

Feito o romance “A livraria mágica de Paris” (Nina Georgi, 2013 – publicado no Brasil pela editora Record em 2016), a “Shakespeare and Company”, quer revelar ao mundo uma verdade universal: o poder dos livros. Mais precisamente, o poder das histórias. Na obra em questão, que lemos no clube do livro AMIGOS DE PALAVRA de Maringá, um livreiro amalucado, navega num barco-livraria pelo rio Sena até desembocar no mar, oferecendo histórias como se prescreve remédios, afim de curar as pessoas. Isto é, dependendo de qual mal você sofre, terá que ler um determinado livro para se livrar da doença (mal de amor, um belo e esperançoso romance, por exemplo). Essa é uma metáfora preciosa – e talvez a grande responsável pelo sucesso do livro – histórias têm poder de cura. Curam o tédio, a ignorância, a prepotência, a falta de criatividade e de ânimo. Depois de uma leitura incrível, você pode até ficar mais corajoso, mais amoroso, mais romântico. Pode inclusive se tornar um amante mais vigoroso. Lendo um livro cheio de aventuras, você quer sair por aí e conhecer novos mundos. Quer desafios. Ou pode ter vontade de aprender uma outra língua, fazer um curso, comprar uma moto ou uma casa na Toscana – que maravilha! É assim que os livros curam, as histórias pulam das páginas e tomam sua cabeça, fazendo um reboliço barulhento. Aí, quando você volta para o seu dia a dia, ah, já não é mais o mesmo! Quer mais beijos, mais conversas regadas a vinhos e risadas, quer andar a cavalo, esquiar, quer um salário melhor, quer justiça, quer dar sua opinião. Quer dar vazão. Porque no fundo, todo mundo é um personagem inesquecível. E os livros vão sempre te lembrar disso. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

“– Os livros podem fazer muitas coisas, mas não tudo. Às coisas mais importantes a gente deve viver”. (Nina Geoefi). 


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DÊ UMA PAUSA e bata suas asas!

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E bata suas asas!

Existe um mundo incrível à sua espera. Pode acreditar! Você pode alcançá-lo, com as suas próprias mãos! Não precisa esperar nada para isso. O tempo é esse.  É claro que, às  vezes, terá que ajustá-lo para seguir seu destino, siga em frente. E a melhor parte: a pessoa certa para essa viagem é você! Sim, todos nós podemos bater as asas.

É o que fizemos – as Irmãs de Palavra e a mãe. Não literalmente, óbvio! As asas foram do avião (e elas nem batem de verdade). Mas chegamos longe. Comune di Nervesa Della Battaglia. Uma cidadezinha “piccola” e adorável da Itália, província de Treviso, pertinho de Veneza, com cerca de 6.600 habitantes; que vivem naquelas ruas pacíficas, enfeitadas por oliveiras, pinheiros, flores e casas atemporais e majestosas. Tudo banhado por um lindo canal. Foi lá nosso destino, o encontro com  o passado – a origem dos Favoretos do Brasil – a família dos Favoritos. Na verdade, o nome era outro: Favaretto. A grafia mudou nos cartórios brasileiros, mas isso não importa tanto assim. Mexemos em nosso relógio e chegamos a um ponto de origem.

Três de setembro de 1896. Às oito e meia  da manhã, veio ao mundo o filho de Luigi Favaretto e Onesta Dinale. Poucos meses depois que seu bebê, Antônio Benjamin Favaretto (o “nono” das Irmãs de Palavra) nasceu, o jovem casal se aventurou para uma terra distante. As famílias Dinale e Favaretto não aprovavam a união dos dois, então Luigi e Onesta decidiram deixar tudo para trás e viver esse amor, mesmo que isso significasse romper com todo o resto para sempre. A avó materna sofreu muito quando Onesta resolveu levar junto o pequeno Antônio, a princípio o casal deixaria o bebê na Itália. Mas não foi assim que fizeram, partiram os três numa longa viagem de navio, rumo às terras desconhecidas. A Itália ficou no passado. Os parentes nunca mais voltaram a se encontrar. No Brasil, o bebê cresceu pelo interior de São Paulo, vendo os pais trabalharem nas lavouras de café. Nasceram outros filhos de Luigi e Onesta:  Maria, Adolfo, mais um Antônio (o tio Nico), Ângelo, Bepe, Cipriano e João.  Todos aprenderam a cultivar a terra brasileira. E amá-la. Antônio, o filho mais velho, amou também Rita Lopes, com quem se casou. Foram 16 gestações, oito filhos sobreviveram: Aurélio, José, Maria, Estina, Irene, Mário, Irineu e Lúcia. A nona Rita guardou até morrer, com quase cem anos de idade, a foto do “Dorfinho”, o filho que faleceu aos quatro anos. Ela dizia que de todos, ele era o mais bonzinho. Quando os primeiros filhos de Antônio e Rita começaram a nascer, uma nova promessa de dias melhores. A família se mudou para o interior do Paraná, fincando raízes na cidade de Sertanópolis, na área rural, o sítio chamado Sete Ilhas. A caçula, Lúcia Lopes Favoreto (mãe das Irmãs de Palavra), nasceu nesta propriedade, no meio do cafezal. Cresceu ganhando doce do pai, Antônio (que todos chamavam de Toni), ganhando colo do pai, ganhando serenos sorrisos do pai, que falava em italiano e em português (também lia neste idioma, mesmo nunca tendo frequentado a escola). Um dia, quando a caçula já era professora e escrevia um trabalho, ele se aproximou e, preocupado, disse à filha que não conseguia mais ler. Lúcia riu e tranquilizou Toni, porque ela escrevia em gótico. Uma noite, o pai chamou Lúcia para que ela aprendesse a ajustar as horas no relógio da casa – o velho relógio de corda, pendurado na parede da sala. Nesta época já haviam se mudado das Sete Ilhas para a Vila Favoreto, em Sertanópolis. Era só o pai que mexia nesse ‘tempo’, então Lúcia respondeu aflita: “– Não, pai, pra quê? O senhor tá aqui!”  “– Porque você precisa aprender.”, foi sua resposta e também a última vez que Antônio mexeu naquele relógio. Na manhã seguinte, Toni foi trabalhar. Voltou porque tinha esquecido a enxada. E do outro lado da rua, gritou para a filha: “- Lúcia, traz a enxada pro pai não ter que atravessar”. Ele não atravessou mais. Neste dia, aos 68 anos, Antônio infartou e morreu no Brasil, sem nunca mais voltar para Nervesa Della Battaglia.

Mas a sua caçula, Lúcia, voltou com as filhas. Nós acabamos de conhecer, andar e tocar – com nossas próprias mãos – o mundo onde a história de nosso nono surgiu. Hoje, os descentes de Luigi e Onesta são muitos e estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo, tornaram-se tantos. O ponto onde tudo começa não determina aonde vamos chegar. Temos asas e podemos voar alto, voar longe. Mas o ponto onde tudo começa, nos liga para sempre à origem de quem, verdadeiramente, somos. E, na verdade, somos todos favoritos. Capite?!” O resto é história (e nós adoramos!).

Texto: Irmãs de Palavra

Obs.: O livro da foto – SeTenta – levamos junto nesta viagem, porque foi escrito em comemoração aos setenta anos da mãe das Irmãs de Palavra (o que já aconteceu há alguns anos), e o que está escrito nele, os pedaços da vida de nossa mãe, foram todos transformados quando Lúcia chegou lá, na origem de si mesma.

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SeTenta

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DÊ UMA PAUSA, mande tudo à merda e vá para Paris

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mande tudo à merda e vá para Paris!

Sim, é isso mesmo que você acabou de ler, tudo à merda. As restrições de uma vida adulta correta, direita e limpinha – à merda. Traumas infantis, desajustes, rejeições, tapeações – à merda. Papéis sociais impostos goela abaixo por tantos séculos – à merda. Obediência cega, julgamentos alheios – à merda. Desejo por agradar sempre, ser aceito, admirado, ter certeza, dar a última palavra – à merda. Todos os ‘deverias’ (os que você direciona a si mesmo e às outras pessoas) – à merda. Porque nada disso cria uma história pessoal emocionante. E é só essa a nossa tarefa: que a nossa história desperte e ilumine a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor. Inspire vidas!

E pra começo de conversa, sua história tem que ter estrutura, vocabulário, argumentação, caracterização, enredo, tudo diferente do que já foi feito (não temos mais paciência para plágios) – você pode mandar tudo à merda e inventar sua própria assinatura – coragem! Quem sabe uma vida com estilo francês (menos jornada de trabalho, mais atenção à saúde e aos prazeres, mais leitura e muitas caminhadas) te inspire! Dizemos ‘inspire’ porque, na real, a jornada do herói (sua jornada) tem mesmo que seguir os seus desafios e não os dos personagens de ‘outros livros’ – à merda com a necessidade de fazer tudo igual, seguir o velho caminho. A (sua) vida merece um desfecho surpreendente. Só que pra isso, mon cher, não tem jeito; você precisa enfrentar seus medos e todas as ânsias que lhe colocaram num prato à mesa e você, bobinha, engoliu, porque se deixou ser levada a essa vidinha que está, agora, querendo mandar à merda. Que bom! E o final dessa história, bem, não se preocupe, o final é o último dos capítulos (e geralmente ele se resolve sozinho).

Preocupar-se menos com o que se espera da nossa história e deixar-se em paz com o presente é um desafio. Desafio que o filósofo francês e especialista em meditação, Fabrice Midal, nos faz com o seu livro ‘A arte francesa de mandar tudo à merda – chega de bobagens e viva a sua vida’ (Planeta, 2018). Sabe… Você está exatamente aonde se colocou. Então se pergunte: Você está vivendo uma grande aventura, agora? O que te faz perder tempo (de verdade)? Qual é o seu tempo? Por que se autocriticar, compreender tudo o tempo todo? Qual a sua maneira de abraçar a vida, de ser no mundo? Midal, com suas reflexões, em um texto leve capaz de rasgar risos e franzir sua testa, nos puxa para o grande salto que é viver mais amistoso conosco mesmo. Até a medicação ele descomplica. Frouxos do controle sufocante, do saber absoluto. E enlaçados a intuição e a criatividade. Para, então, deixar-nos em paz!

Se deixe em paz e vá para Paris, peça um vinho rose da Provence, uma bela salada com froisgras e admire o movimento parisiense através de uma cadeira de um bistrô na Boulevard Saint German, porque as garotas de Palavra são rivegouche girls. Se coloque na faixa da abundância, se coloque aonde quer estar e diga adeus aquele velho ‘eu’ e se reconstrua. É… Vá mesmo para Paris! Não deve ter melhor lugar no mundo do que a cidade Luz pra se reinventar. Já reparou que pensadores, artistas, músicos, escritores e a própria moda, todos tomam fôlego quando passam por essa cidade? Pura provocação. Total à merda com o mundo retrógrado.

Vá à merda toda essa cafonice de determinismo genético, ancestral e de gênero. Vá, seja feliz, ouvimos dizer que Paris é uma Festa! Aqui também pode ser. Afinal, escrever a sua própria história e querer que seja um sucesso, bem, precisa de muita ousadia e sonhos próprios aqui ou lá (em Paris). O resto é história (e nós adoramos!)

Direto de Paris, bem aqui, Irmãs de Palavra e Amiga de Palavra … (texto a seis mãos só pra VOCÊ).

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