Paixões engarrafadas

paixões engarrafadas 2

Era outono. A brisa soprava mais forte nas areias quentes de Arraial D´Ajuda. Pisar nas praias baianas pela primeira vez mexeu com Malu. De uma forma que, naquele instante, ela jamais seria capaz de sequer imaginar. Curvas firmes de quem tinha recém completado dezoito anos. Pele dourada. Longos cabelos castanhos. Fios de mel e olhos de jabuticaba. Grandes. Negros. Boca carnuda. Sempre um tom rosado acima do seu natural. Distraída, passou sem perceber Ruan na barraca do “Capeta”. Mas não despercebida.

– Dois pra mim, por favor!

– Acompanhada? – Ruan perguntou na lata assim que pegou das mãos de Malu os tickets.

E ela devolveu com menos educação que de costume. – Pra você, meu bem, basta à informação: dois capetas!

Ruan arqueou curiosamente as sobrancelhas, ainda mais interessado. E sem tirar a vista dos olhos de Malu jogou no liquidificador um pedaço de abacaxi, quatro morangos e duas colheres de pó de guaraná. Mordendo o canto do lábio inferior despejou uma dose de vodka, um tanto generoso de vinho barato. E quando finalizava com leite condensado cortou o riso malicioso que estampava naquele rosto bonito queimado de sol. Atrevido, arriscou.

– Eu bem que adoraria ser o sortudo e dono de um destes copos. – e enquanto batia a mistura no liquidificador continuou sem parar de olhar direto para os olhos de Malu que agora o enxergavam. – Mas, mesmo assim, pelo menos tenho o prazer de ser o dono do melhor capeta que você vai experimentar na sua vida!

paixões engarrafadasEla achou graça, mas não deu um sinal de aprovação. Até que deixou as bochechas ficarem levemente avermelhadas. Não pela cantada barata, mas porque estava gostando daquelas duas burcas azuis a devorando. Sem falar mais nada recebeu daqueles fortes braços dois capetas. Quando os dedos dele tocaram, de leve, os longos e finos de Malu, um arrepio incendiou todo o seu rosto. Virou as costas com a estranha sensação de querer exatamente o contrário. Mas, mesmo assim, ela seguiu em direção a sua amiga e beberam aquele capeta como se fosse água.

– Acho que quero outro. – adiantou Malu.

– Deixa que desta vez vou buscar. Pode ficar aí curtindo o show.

– Nãooo! – berrou Malu quase mais alto que a cantora do palco montado na areia e virou as costas para a amiga. Era exatamente o que queria fazer. Aassim que se debruçou na bancada da barraca do capeta as burcas azuis a encontraram e ela ouviu.

– Um ou dois capetas?

– Um!

– Pode deixar que agora é por minha conta! – e em seguida Ruan gritou para os outros meninos da barraca. – Façam dois capetas! – voltou atenção para Malu e sussurrou. – Eu espero que pra eles bastem esta informação!

Pulou a bancada e se encaixou ao lado de Malu, do lado de fora. Ficaram ali, dentro um do outro, a noite toda. Malu mal tocou o capeta. Não lembrou mais da amiga. E conheceu seu primeiro amor. Aquelas férias foram as mais incríveis que já tinha sequer chegado perto. Foi fácil se apaixonar. Difícil foi voltar pra Curitiba, onde começaria a cursar Engenharia Civil. Logo agora, que a vida encontrara tanta imensidão, mergulhar na exatidão.

Ainda era outono. Arthur ansioso procurava seu nome na sétima chamada do curso de Direito na parede, pra ele estéril, da Universidade Federal do Paraná. Parecia quase impossível encontrar alguma fertilidade por ali. Olhos atentos. Não relaxaram nem quando sentiu o calor de Amanda se apoderando de suas costas. Foi na hora que o queixo dela se encaixou no ombro direito de Arthur que ele arregalou todos os poros vendo em letras minúsculas o seu nome. Completo. Arthur Pompeu da Silva. Virou para frente de Amanda. Agora era todo o seu peito que ela aquecia. Amanda pode sentir o pulsar de Arthur enquanto pulava no mesmo compasso que o namorado.

– Eu passei!

– Meu lindo advogado! Eu te amo, meu amor. Eu sabia que você conseguiria.

– Sou o cara mais feliz do mundo. Terei a carreira que tanto sonhei. E já tenho a mulher que sonho. Todos os dias!

E foi ali, no meio de tanta gente, à luz do dia, diante de uma parede branca, suja, manchada com fita adesiva, tantas listas coladas e descoladas; que eles deram o beijo mais efervescente que já tinham dado. Pelo menos até então. Neste dia, ficaram um dentro do outro, a tarde toda. E Arthur conquistou, de verdade, seu primeiro amor.

O ano correu. Malu conheceu tanta gente interessante no primeiro ano da universidade que quase não se incomodou com sua bronquite severamente atacada pelo clima úmido e cinza da capital paranaense. Incômodo foi a saudade de casa e do moço bonito dono do melhor capeta que já tinha provado na vida. Ela até experimentou outras bebidas naquele ano. Dezenas de garrafas. Só que o bendito não saia de sua cabeça. Fantasia. Paixão. Os dois mantiveram contato. E as próximas férias de Malu já tinham roteiro definido. Arraial D´Ajuda.

Seis horas da manhã. Café preto e tubo. Articulado direto pro trabalho. Com três meses de curso Arthur já conseguiu um estágio no Ministério do Trabalho. Aplicado. Interessante. A bela professora de Filosofia, bem articulada, conseguiu uma vaga para seu aluno predileto. Dom da palavra. Arthur tinha futuro. No mercado. Delas. Seis horas da tarde. Banho. Mais café preto e outro tubo. Sala de aula. Onze da noite. A melhor parte do dia. Ou seria da noite? É quando Arthur entrava na república de Amanda. Ela também tinha passado no vestibular. E naquele ano quase todas as noites Arthur encontrou na cama de Amanda sua melhor versão.

De novo. Um novo outono.

– Eu bem que adoraria ser o dono de um destes copos!

Malu nunca poderia pensar que ouvir novamente o que tanto esperou pudesse ser tão amargo.

– Pois ele é todo seu, meu bem. – respondeu a morena de um traseiro monumental que faria qualquer homem babar e uma mulher facilmente desdenhar. Malu fez muito mais que isto. Permaneceu invisível até o fim daquele diálogo que já conhecia mas que, desta vez, não passava de uma mera ouvinte.

– Pode deixar que o capeta é por minha conta. – Ruan cantarolou e pulou a bancada da barraca. Encaixou-se ao lado da morena. Só que se desequilibrou ao ver Malu do outro lado. E com as burcas azuis arregaladas, gaguejou frustrado. – Você não chegaria só amanhã?

Continua. Um outono atrás do outro.

– Arthur, fim de semana passado eu fui à festa da sua turma. E por que não quer ir hoje à festa da minha? A promoção é pra arrecadar verba pra formatura. Além do mais eu adoro aquela boate. Você sabe muito bem disto. Já fomos juntos tantas vezes!

– Porque hoje eu simplesmente tô cansado. Trabalhei o dia inteiro. Além do mais, tá pensando que direito é a moleza que é publicidade?

– O que? Tá falando que o que faz é melhor do que o que eu faço? É isto mesmo que eu ouvi? Cara, você tá virando um ‘advogadozinho’ soberbo. Não é o mesmo Arthur que me apaixonei!

– E alguém por acaso é exatamente o mesmo hoje que foi ontem? Acorda, ‘Alice’!

– Petulante. Quer saber?!  Cansei!

– Tá querendo dizer o que? Toda vez fala a mesma coisa, eu já ouvi esta ladai…

Amanda interrompe Arthur e rasga direta.

– Eu quero um tempo!

A festa foi de arromba. Ficou pra história da Federal. Bar lotado. Rock and roll. Garrafas e mais garrafas abertas. Esvaziadas. Degustadas. Malu chegou da Bahia arrasada, bem antes do previsto. E a amiga, quase publicitária, a arrastou pra balada. Nesta noite Malu ainda não esqueceu Raul. Mas conheceu o Paulo que, por várias outras noites, deu conta de provocar risos e despertar quase uma paixonite na futura engenheira. Amanda se divertiu horrores na festa da sua turma e quase não prestou atenção em Arthur que se arrastou a madrugada inteira atrás da sombra da quase ex-namorada.

Como toda boa sombra que se preze, não demorou muito para Arthur pesar sobre Amanda. O primeiro amor. Pode um dia ser, literalmente, o primeiro amor da sua vida. E ela entendeu isto primeiro que Arthur. Um mês depois da festa Amanda disse para Arthur que estava indo para Londres ser trainee de uma multinacional por um ano. Ele ficou desolado com a notícia. Mas também sabia que não era o oceano Atlântico que os separava. Soube ali que amar podia ser uma escolha. Mas o desamor não. Absolutamente o desamor era uma aceitação. Uma difícil aceitação. Ao menos para um.

Depois do Paulo, veio o Sandro, o Carlos, o João, o Rafael, o fulano e o ciclano. Amanda ficou boa nas contas. Só tinha um problema. Ela desejava com a mesma facilidade que enjoava. Da menina distraída, sobrou a beleza para a mulher sedutora. Aberta pra um novo amor. Fechada pro mesmo amor. Assim como colecionava vinhos, enumerava paixões.

Após Amanda veio a OAB de Arthur. O namoro com a colega de escritório. O affair com a promotora de Justiça. O noivado com a roqueira, sua cliente. Casos extraconjugais.  E um casamento com a amiga de uma amiga. Todos amores celebrados. Brindados. A vida ia bem. Até que Arthur conheceu Melissa e desta vez a escolha foi dele e a aceitação da esposa. Arthur se separou e viveu dois anos de lua de mel interrompidos por uma estrada. Um segundo e Mel se foi. Ele ficou. Mais uma aceitação pra sua coleção.

Réveillon 2015. Três anos se passaram desde a última vez que Arthur sentiu Melissa. Este ano novo decidiu não passar com a família. Nem com os amigos do escritório na praia. Ficou em Curitiba. Planejou não programar nada. E acabou indo com dois colegas advogados para Crossroads.

Malu tinha um anseio. Queria saborear um crossroads. Ultimamente vinha bebendo aquilo, cada vez com maior freqüência. E tomando o vinho, com espumante, suco de abacaxi e leite condensado que ela entrou o ano novo com o pé direito.

– Malu se este batom laranja não mudar a sua vida… Meu bem, nada mais neste mundo é capaz de mudar!

– Ai, amiga! Pirou de vez?! E quem te disse que eu quero mudar alguma coisa? Este negócio de ano novo é um troço esquisito. Meio maluco.  Contagia. E pelo jeito, você tá contaminada. O homem cria um calendário. Marca as datas. E de um dia pro outro simplesmente troca um número e as pessoas acreditam que tudo ao seu redor pode melhorar, se transformar. Elas atualizam listas. Renovam agendas. Fazem limpeza. Reciclam metas. Repetem pedidos. Aff, não entendo porque não podem fazer isto diariamente!

– Seria ótimo, Malu! Mas tudo bem se, às vezes, a gente se perder um pouco, né?! Afinal, quem não tem dificuldade em abrir os caminhos todo santo dia? Então, cai bem uma forcinha. Um estímulo. Uma data pra reforçar a necessidade de renovar nossos sonhos. Só de acreditar que podemos começar de novo. De repente, alguma coisa começa de novo! Seja lá o que for!  E, vai por mim, esse laranja tá arrasando!

E arrasou.

– Não sei onde deixei meu copo.

– Malu, já perdendo os sentidos? Não são nem onze horas!

– Não!! Só o copo mesmo! E olha que era dos maiores, hein?!

Respondendo em risos, Malu olhou pra trás com cara feia pra encarar o sujeito que havia derrubado generosas gotas de alguma bebida em suas costas. Desarmou assim que viu Rodolfo. Um cliente bonitão.

– Malu! Desculpe, perdi o equilíbrio com o aperto deste lugar. Não acredito que é você! Caiu alguma coisa em você?

– Imagina, Rodolfo! Você por aqui? Nunca te vejo aqui!

– Pois é, acho que é a segunda vez que venho. Eu e mais dois advogados resolvemos começar o ano de um jeito novo. Literalmente! Aliás, este é o Mário e o Arthur.

Nesta hora a amiga de Malu caiu na gargalhada. E cochichou em seus ouvidos.

– Malu se você estava procurando seu copo, acho que encontrou! Cuidado com seus desejos, o universo pode escutar. – e apontou para o copo que Arthur tinha na boca secando uma golada de crossroads. Ele tinha marcas de boca laranja por quase toda a borda.

Cumprimentando Arthur, Malu brincou:

– Mal somos apresentados e você já vai experimentando a minha boca?

Arthur retirou o copo dos lábios e franziu a testa. Do tipo ‘não entendi’!

– O copo! – falou Malu apontando pro drink. – Acho que trocou no balcão do bar.

– Meu Deus! Como não percebi o sabor mil vezes mais gostoso que o do meu crossroads? Mil perdões! Não cometerei mais esta infâmia. – dito, levou o copo mais uma vez a boca, com o cuidado de encaixar uma mancha laranja exatamente na sua boca.

E assim foi o início de um longo diálogo. Quando deram as doze badaladas anunciando o ano novo Malu passou a mão pelo pescoço de Arthur e como uma delicada e ardente benção fez ele se lembrar de seu indomável desejo por ter alguém. E ela teve a fabulosa sensação de estar fazendo exatamente aquilo que queria. Apaixonados entraram 2015.

Os três primeiros meses do ano foram absurdamente egoístas. O apartamento de Malu virou um casulo. Deles. Onde seus fetiches encontraram o mesmo colo. Acolhidos, um dentro do outro, geraram lembranças dignas de serem guardadas.

Malu só não sabia que, em breve, teria que empacotar muitas delas. Arthur recebeu uma proposta de trabalho quase irrecusável. Já que há sempre uma escolha possível. Ele escolheu. Mudou para São Paulo. Malu achou que os escuros dias curitibanos ficariam ainda mais fechados. Não foi bem o que aconteceu.

– Malu, vamos para Crossoroads este sábado?

– Não vai dar. Arthur vem pra cá.

Sem cobranças. Devagar. Sutilmente, Arthur foi quebrando amarras. E sem perceber Malu abrindo suas defesas. Ela, que sempre foi mais pra “uma” Don Juan, mesmo com sua “presa” fisicamente distante foi deixando de caprichosamente enumerar paixões. Ele, mais pra um Casanova, continuou com o prazer da conquista e o desafio de continuar levando Malu para seus lençóis sem a magoar. E o que para ela era improvável aconteceu. A ponte aérea os ligou ainda mais. Longe se esforçavam pra se ver. Por um ano, incrivelmente, deu certo.

Até que mais uma surpresa. Arthur voltou para Curitiba. Transferido. Era outono. Dias cinzentos. E os ventos trouxeram mais que Arthur para Malu. Perto deveriam se esforçar pra continuar se enxergando. Escolhas imprudentes. Ao alcance, o real poder ser surreal.

– Cora, ele está sempre cansado. Eu não tenho tempo pra dar conta de todos os meus projetos. Ontem cheguei em casa com um vinho. Enquanto tomei banho ele adormeceu no sofá. Tomei quase a garrafa toda sozinha. Como fazia quando ele estava em São Paulo. A diferença.  Enorme. É que agora eu o via. Apático. Do meu lado.

Cora era uma velha amiga. Separada. Amigada. Malu costumava dar peso às palavras “coralinas”.  Desde os palpites às profecias.

– Malu, Malu. Oito ou oitenta. Toma fôlego, menina. Uma noite por vez. Tem outra garrafa na adega? Se por acaso não tem, compre e tire, mais uma vez, as taças do armário.

– Ai… Não sei! Sentir um frio na barriga em dias claros é fácil. Quero ver no dia a dia nublado.

– Querida, não se nutra da luz alheia pra compensar a sua fraquejante.

Mas, desta vez, Malu não ouviu quase nenhuma palavra “coralina”. Sufocada pelos seus próprios discursos, assim que Arthur colocou os pés em casa pressionou.

– Pra onde vai me levar esta noite?

Apaixonado e cansado respondeu.

– Pra cama!

– Não! Você tem cinco minutos pra ficar pronto. – e depois de imperativa continuou mais agressiva.  – Já que você não me leva, levo eu você.

Exausto após um dia inteiro de audiência e desanimado depois de uma esmagadora derrota, Arthur não abre a boca e vai pro chuveiro.

Em cinco minutos está cheiroso na porta. Malu leva mais uns quinze minutos pra terminar a maquiagem. No caminho discutem para definir o destino. Discutem por qual música ouvir no carro. Discutem por estarem discutindo.

– Já sei, vamos voltar à ponte aérea.  – ironiza Arthur, no limite.

– Tenho certeza que não vai dar certo! – vomita Malu, com receios.

Arthur gargalha! E nem seu riso nervoso foi capaz de desorganizar a absoluta opinião sobre tudo de Malu.

– Isso é patético! – ele estoura. – Não se pode mesmo confiar em quem nunca muda de opinião!! Agora, tudo bem… O plano é ruim. Mas qual é o seu?

Da boca aberta de Malu apenas um suspiro. Oco. Frugal até mesmo na retomada do fôlego. Sem mais o que dizer Arthur estaciona. Sai do carro. Fica plantado no calçadão como uma velha araucária que já não produz mais pinhões e continua em pé, majestosa. É arrastado por Malu até o primeiro pub que aparece na frente.

Avançam por uma sala minúscula. Árida. Quase sombria. O som de Alabama Shakes estourando os tímpanos deixa o ar menos hostil. O garçom chega com uma garrafa. Tequila. Arthur esquenta o corpo pesado. Malu umedece a boca ressecada. Levanta a mão para pedir mais uma dose da melhor tequila que já tinha bebido na vida. O garçom não a enxerga. Seu braço cai, de leve, sob o pescoço de Arthur. E como uma provocante e ardente benção fez ele se lembrar de seu indomável desejo por ter alguém. Ele não pensa em mais nada. Sente tudo o que aquele desejo é capaz de queimar. Com seus olhos esverdeados encara os grandes e negros de Malu, que se fecham incendiados. Com as duas mãos agarra os longos finos dedos de Malu apertando-os contra sua nuca e atraindo, pra cada vez mais perto, o cálido ar que vinha daqueles lábios, um tom rosado acima do seu natural.

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.

  • Kelly Shimohiro

    Que delícia ler esse conto e viajar numa história de paixão! Escolhas… e avida rolando. Amei!!

  • Lúcia Lopes Favoreto

    Pra ler e não parar até a última linha… adorei!!

  • Maria Danielle Mendes

    Parabéns amiga! Narrativa envolvente e que faz a gente viajar no tempo.