Reflexão sobre a CRÍTICA (por Cristiana Paula Skraba)

crítica

Num primeiro momento a palavra crítica traz a ideia de contestação controvérsia, normalmente uma impressão negativa sobre determinado assunto para a maioria das pessoas. Parece interessante observar o efeito da palavra crítica quando se refere a uma pessoa no nosso dia a dia: uma pessoa é muito crítica quando costuma julgar – mas julgar também traz uma conotação negativa. Pode insinuar que ela é “do contra”, discorda, põe defeito, contradiz, ou é muito exigente, muito criteriosa. Vamos à definição para esclarecer melhor essa palavra que possui, em sua essência, a dualidade positiva e negativa. O conceito de crítica, segundo o dicionário Aurélio (2009), traz as seguintes definições: “CRÍTICA: 1. Arte ou faculdade de julgar produções ou manifestações de caráter intelectual. …4. Ato de criticar, avaliar ou julgar. 5. Crítica desfavorável: censura.”

Então, criticar é de fato julgar algo, assim, a definição de julgar, segundo o mesmo dicionário: “JULGAR: …2. Setenciar. 3. Crer por indícios, suposição, etc., supor, presumir. 4. Formar opinião ou juízo crítico sobre, avaliar. 5. Considerar.”

E por fim, a definição de avaliar é “determinar valor”, segundo o mesmo dicionário. A crítica seria então formar valor sobre algo.

Na tarefa do crítico está descrever, comentar, analisar, interpretar, teorizar como ações contínuas, com graus ou enfoques diferentes, como maior ou menor evidência.

Há os que digam que a crítica “não serve para nada” (NOBRE, ZEIN, 2002). Mas traçar os objetivos da crítica pode ser um início para entender o tamanho da responsabilidade de quem a faz. Mais complexo do que parece ser, a boa crítica não pode ter a pré-disposição de ser positiva ou negativa, nem ser apenas descritiva.

A crítica só é possível com uma base de conhecimento fundamentada na teoria. Essa afirmação representa o pensamento da maioria dos autores que discorre sobre isso.

A forma como cada crítico faz a sua crítica é bastante pessoal e depende da sua formação cultural, intelectual, acadêmica (repertório), e do contexto ao qual está inserido.

O trabalho de um crítico (e não é para qualquer um!) exige dedicação e comprometimento, onde a dedicação representa a construção de todo repertório exigido para a aptidão do crítico e o comprometimento representa a seriedade com que será feita a crítica. Esta pode ser entendida como um processo que vai desde a construção da formação do crítico até a construção da crítica em si.

Dentre os vários objetivos da crítica, pode-se dizer o seu principal é fazer uma avaliação criteriosa do seu objeto, com base fundamentada na teoria, dentro do contexto histórico-social e é destinada aos especialistas, leigos, e ao próprio autor do objeto em questão.

Assim, pode-se concluir que fazer uma crítica, além de avaliar, interpretar, descrever, comentar, teorizar, entre outros, pode balizar o valor e a validade da obra. E além do mais, trata-se de uma opinião (criteriosa, mesmo assim, uma opinião).

*este texto foi escrito pela leitora e arquiteta Cristiana Paula Skraba

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.