Quem quer ser um professor? (por Franciele Falavigna)

professor

Ao ler tal pergunta, creio que muitos tenham se recordado do longa metragem Quem quer ser milionário? De fato, as relações estabelecidas entre a questão proposta no título e no filme são bem distantes. Eu diria, inclusive, que o caso já é nem de ser milionário ou não, mas de ter o mínimo para trabalhar na licenciatura: respeito. Respeitar, em uma definição simplista, seria física e moralmente não atentar contra o outro, ou seja, oposição completa do lamentável fato ocorrido no Paraná no último dia 29 de abril.

Aos mestres, com carinho, foram endereçadas balas de borracha, bombas de efeito moral, uma tropa de choque inteira para abafar os gritos daqueles que, anos antes, quiseram ser professores, escolheram, entre tantas outras profissões (que os possibilitariam ser milionários, quem sabe?!), uma que os fizesse dignos, ao menos, de ter garantidos o salário e a aposentadoria. Escolhi ser professora. Aos 17 anos, muitas coisas passam pela cabeça de um jovem que tem que optar o caminho que o levará a ser um “adulto” respeitado, capaz de pagar suas próprias contas, criar sua própria história.

A licenciatura já não era o foco de muitos dos meus colegas, assustou minha família, trouxe pesar dos meus próprios professores, os quais diziam “Tão inteligente e vai fazer Letras?”. Eu não entendia muito bem o quanto esta reprovação era o sinal de que a situação dos cursos de licenciatura tenderia a piorar e que esses passariam, cada dia mais, a não ser opção de muitos estudantes, mas um meio de “ter um diploma”.  Cursei Letras em uma universidade pública, há muito tempo pago minhas contas e tento da melhor maneira possível construir uma história, mas nunca deixei de me inquietar sobre a quase aversão social diante da escolha de ser professora.

Uma pesquisa recente da USP apontou que

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.