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Quem é você, Izadora?

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“Quem é você? Eu… bem… Eu, no momento, não sei minha senhora. Pelo menos sei quem eu era pela manhã quando acordei e me levantei, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então.” Essa resposta de uma garotinha perdida em um país das maravilhas a uma lagarta, poderia ser a minha a você. Mas eu não sou Alice. Muito menos você uma lagarta. Ainda assim, talvez, essa seja uma boa definição para mim. Na verdade, acho que pra muita gente. Pelo menos pra quase todo mundo que eu conheço e julgo interessante.

Essa coisa de enquadrar é mesmo complicada. Melhor que saber, vai sempre ser sentir. Inclusive a mudança. Então vamos lá… Meu nome é Izadora. Até ele, se for pensar bem, já mudou. As pessoas me chamam mesmo de Iza. Bela. ‘Prof’. Este nome, graças a Deus, eu não tenho mais. Sou artista plástica. Gosto de criar, tocar, trocar; inclusive de ‘pele’. Para continuar, um dia depois do outro, sentindo as nuvens me assombrando ou me estimulando. Nasci no dia 7 de julho de 1981 na capital do Paraná. Curitibana. Ou curitiboca. Como preferir. Pra mim, não faz a menor diferença. Sim. Sou do século passado. Balzaquiana. Nada mais atual, meu bem. Já passei dos trinta, mas saiba que a crise existencial não veio com a idade. Não com essa. Chegou antes. E foi bem pior.

Ela começou no dia 7 de fevereiro de 2005. Carnaval. Uma estrada. Um segundo. Um acidente. E nada mais do que eu conhecia poderia ser o mesmo. Logo eu, tão acostumada com as mudanças; depois de estudar no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, fazer intercâmbio em Barcelona e Londres (terra de meus bisavôs) e morar em Florença; fiquei sem saber pra onde ir. Completamente sem identidade. E só depois de Paolo me tomar em seus braços e dois pares de olhinhos azuis como o céu nascerem, e insistirem em me encarar, voltei a acordar e sentir algumas ‘novas’ mudanças. Como a que cresce em mim, agora. Mais uma vez.

A morte pode ser uma grande mentira, porque não mata, de verdade, quem sentimos. Mas ela fere, dilacera e estrangula nossos sonhos que podem se perder. Pra não deixá-los irem embora, de vez, um dia eu escrevi uma carta e contei essa história que você vai ler, em DIAS NUBLADOS. Obra de Dany Fran que será publicada em setembro deste ano (2015). A gente pode se ver. Eu vou te procurar.

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.

  • Irmãs de Palavra

    História boa é assim… Fisga a gente de uma vez!!