Tulips

CONTATO COM A NATUREZA

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É muito comum a expressão: Preciso de um contato com a natureza. E isso querendo dizer uma volta no parque, férias em um resort paradisíaco ou, para os mais ousados, se embrenhar mata adentro. Só que essas coisas são um engano. É legal, fazem bem, mas são um engano. Porque natureza não é só contexto. Natureza é você.

Isso mesmo! Não é lá fora, é aqui dentro e bem mais perto do que se imagina. O homem é natureza e não adianta botarmos pose de civilizados demais. Alguma coisa dentro da gente só se encaixa quando damos vazão à nossa própria natureza. Porque não somos fabricados em máquinas e simplesmente definhamos quando nos  deixamos domesticar demais.

O som do movimento urbano me agrada. Não tenho medo do quadrado. Apertado. E concretado. Tenho pavor é do horário. Apressado. Mal tratado. Ou do dia abreviado. Listado. Emplastificado. E aí, quando eu olho para fora do vidro e vejo o azul de cima, sinto cheiro de terra molhada caminhando no parque ou quase sorrio com as cócegas nos pés descalços pisando na grama, é que eu me pergunto: nessa cadeia alimentar, onde é mesmo o meu lugar? Ainda que na encruzilhada, sabendo que nossas escolhas nos tornam quem de fato somos, prefiro seguir por onde posso me conectar com meus verdadeiros instintos. E, de alguma forma, na seleção natural da vida, o encontro com a natureza que me cerca não adapta, mas desperta minha alma e toca meu coração. E é este barulho, quase selvagem, que no fundo, eu realmente gosto!  

Olhos naturais brilham, estão acesos. O corpo tem fôlego para agir no mundo, buscando seus rumos. A mente é desperta, ágil. O espírito selvagem é brincalhão, divertido, alegre. O poder da natureza é imenso, é espantoso. A vida natural não é superficial, viceja aos quatro cantos, criando sentido. O ser natural é forte e vigoroso.

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Mas, se você se sente sem forças para se colocar no mundo de maneira única e absolutamente viva, você está distante da sua natureza. E tem que fazer o caminho de volta. De volta para o seu estado natural. Comece perguntando,o que eu quero mesmo neste mundo”? E vá lá, vá buscar, vá criar, vá atrás.

Natural é ser livre, é ter vigor para correr atrás das suas necessidades. É fazer a vida florir ao seu redor. É ter um coração capaz de criar esperança. É resistir e progredir. É avançar.

Charles Darwin, estudando a seleção natural, já dizia que a natureza seleciona qualquer tipo de vida que tiver mais vigor. Porque natural, é ter vigor. E se você percebe que isso está escasso em você, alguma coisa está errada. Seu instinto natural pode estar domesticado demais. Você pode ter cedido demais. Concordado demais. Ter se tornado quase uma pessoa mecânica. E nesse lugar, não há vida vicejando, só segurança em demasia freando a vida.

Clarissa Pinkola Éstes disse: “Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem”.

Então, não fique polido demais, simpático demais, bonzinho demais… Seja alerta, consulte seus instintos, sinta-se vivo  e então, o mundo todo também se alegrará com a vida verdeira que você está sendo capaz de criar. Isso sim é contato com a natureza! Pulsa em todo lugar.

A literatura e o cinema estão recheados de personagens que são a expressão viva de uma pessoa natural, que mantêm-se bem próxima de sua natureza mais genuína. E se quiser se inspirar, assista Diário de uma paixão (2004) e veja o que uma pessoa assim é capaz de criar na sua própria vida e à sua volta…

paixão

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".

  • O barulho do nosso pulsar é ritmo que precisa vigorar. Esse texto, de 4 quatro mãos, fez eu ‘ouvir’ melhor a batida que faço ‘agora’!!!!