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De morte sobrevivida

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“Por que o amor não morre, também?”

Se são as perguntas, mais que as respostas, culpadas por nossos passos à frente; esta é uma capaz não apenas de te revirar, mas de selecionar a (melhor) parte. As Irmãs de Palavra conhecem o sombrio chamado da morte. Não foram seus nomes que a morte pronunciou, até agora, mas o de pessoas que elas amam muito. E isso perturbou o mundo. O mundo delas… Tão surreal como nas páginas de um romance. “Primeiro foi aguentar. Depois dar conta de conviver com uma ausência gigantesca e cicatrizar uma dor monstruosa. E aí o tempo, que não usa muletas para nos arrastar, chegou como um amigo. É estranho como não deixamos de sentir a tristeza, mas com o tempo essa tentação acaba se tornando parte da gente. Até que conseguimos parar de empurrar o dia só com lembranças, mas acompanha-lo a partir de nossas novas próprias escolhas”. (diálogo de Izadora, em Dias Nublados)

IMG_8494E assim foi. Depois a vida se impôs à dor cega e a resistência brotou por dentro e fez as Irmãs de Palavra continuarem… e de novo, vicejarem! A morte é assim, pode não chamar você, mas berra o nome de alguém próximo demais e, então, marca, destrói sua vida também. Essa morte sombria não leva só as pessoas, leva a esperança, a alegria, os sonhos, a confiança e a vontade de viver.

Misteriosamente, um dia, seus solhos voltarão a brilhar. Porque em tudo que há vida, há resistência. E mesmo sem perceber, persistimos.  Julian Barnes alerta, “As pessoas dizem que você vai sair disso. E você sai. É verdade. Mas você não sai como um trem saindo de um túnel, entrando na luz do sol. Você sai como uma gaivota sai de uma mancha de óleo”. Ok. Também nos tornamos cada uma de nossas marcas.

Mas a morte não é só sombria, ela tem uma face iluminada. E através dessa face, ela leva à morte o que tem que morrer. Pode ser uma ilusão que lhe impeça de viver profundamente. Um emprego que se resume ao holerite. Uma relação que suga e destrói seu calendário. Uma característica, ingênua, que pode lhe colocar em perigo. Uma qualidade que perde a mão e vira seu pior defeito. E essa face iluminada da morte é grandiosa porque te faz maior. E melhor! Ela arrebata nossas vidas para deixa-las mais vigorosas. É a morte gerando vida!

IMG_8484Morte e vida. Irmãs que andam juntas. E como diz Gibran em O Profeta, quando uma senta à vossa mesa, a outra dorme em sua cama. E tudo se resume a esse precioso instante. Presente. Vivo. E cheio de possibilidades.

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.

  • Letícia D’Alécio da Silva

    Também sei do que a morte é capaz! Mas também sei que aprendemos a conviver com a presença de uma ausência! No entanto, o texto como posto, estende este infeliz dilema às coisas diárias, corriqueiras e ainda a situações que sem percebermos, traz a morte em vida! Adorei! Apropriadissimo! Parabéns! Vale uma larga e profunda reflexão.

    • Irmãs de Palavra

      Que coisa boa que o texto foi útil para você! Esse é todo o nosso desejo e nosso empenho! Beijos

  • Nadja Marques

    Lindo Dani! Velas juntas escrevendo e especialmente nesse texto sobre perda, sobre o abalo e a dor provocada pela morte me faz ter a certeza que vocês se reconstruíram após a dor da perda em muitas, morreram um pouco mas renasceram na delicadeza das palavras escritas juntas como um compromisso de apaziguar uma a outra a face dolorida daquilo que se foi!

    • Irmãs de Palavra

      Que bom suas palavras, continue com a gente! Beijos