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Lendo clássicos – Jane Austen (por Kelly Shimohiro)

Eu tenho raiva de uma coisa que acontece com os ditos “clássicos”. É como se fossem perfeitos e tudo que determinado autor escreve é, digamos, uma supremacia sagrada. Evidentemente existem pessoas geniais, que, visionárias em suas artes ou ciências, contemplam o mundo de forma tão própria e transpõem em seus trabalhos, todo esse olhar. E isso é um espetáculo. Uau!! Uau pra muita gente e para JANE AUSTEN, um grande UAU!!!

O que eu não gosto é quando ficam de quatro frente a determinados nomes. Exaltando o autor, o pintor, o músico, o teórico, o médico, o apresentador como um semideus acima de qualquer suspeita. Uma celebridade unânime.

Respeito. Admiração. Ser verdadeiramente fã. Homenagens. Reconhecimento. Valorizar. Tudo isto é mais que perfeito. OK. O que não dá para aguentar é quando vira uma chatice, um puxa-saquismo “idolatrário”. Não suporto isto nas relações pessoais, profissionais e nem quando tratamos de uma diva (ou um divo).

Amo absolutamente as músicas da Amy Whinehouse. Sou SUPER FÃ. Adoro todas. Acho brilhante as composições e todo o som. E a melodia. E a dor que a gente sente ouvindo tudo aquilo. Tem artista (independente do segmento) que é capaz de ser mestre. E isso é uma coisa e tanto. Só que prostrar-se feito um zumbi frente a tais ícones é, para mim, tão irritante. Os séquitos bajuladores…

Essas pessoas especiais conseguem mexer com o que há de mais visceral em você, acordando-o para uma vida mais fabulosa. E elevá-las a um pedestal inatingível, só massacra você. E será que é isso que os gênios querem fazer com o resto de nós?

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Ler JANE AUSTEN – RAZÃO E SENSIBILIDADE, foi uma das experiências que me fez tãooooooo bem. A história agarra você. Você percebe que é aquilo mesmo que sente em determinadas situações. A crítica da sociedade hipócrita e segmentária que existe na obra, lhe faz abrir os olhos para a hipocrisia que existe na sua própria sociedade. Você torce pelos personagens, a trama envolve você quase sem querer. Fala se isto é ou não é trabalho de mestre? Jane Austen tem um reconhecimento justíssimo. Mas será que alguém que faz uma coisa tão grande, aguentaria os séquitos bajuladores? Eu acho que não. Acho que o mundo pop gosta disso. Acho que os grandes estão longe dessa parafernália toda.

Tem um termo usado, em inglês, que se refere ao vinho, WINE SNOB. Uma chatice sem igual. E o WRITER SNOB? Tão chato quanto!

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".