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Sapatinhos Vermelhos, das Irmãs de Palavra

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Um passo. Quando começa, ou termina; a gente pode ver. Mas, ainda que despercebido, alguma coisa dentro da gente sabe quando encerram os suspiros ou iniciam os friozinhos na barriga. A direção, bem… subidas ou descidas… curvas ou retas… com ritmo controlado ou cansaço indisfarçável como da protagonista de Caio Fernando Abreu… vai, sempre, ser um trajeto próprio. Mesmo que seguido por tanta gente.

Porque um caminho precisa mais do que apenas uma rota, ele necessita de pés para segui-lo, escolhê-lo, traçá-lo. Os sapatos protegem o que é a nossa base, nossos pés. Pensar em sapatinhos vermelhos faz as IRMÃS DE PALAVRA pensarem que ser normal é uma grande cilada. Comer prato feito. Ler os indicados. Seguir roteiros turísticos. Lanches nos intervalos. Festas em dias marcados. Cumprir protocolos. Ser mais um, entre tantos. Passar a vida reprisando exemplos bem-sucedidos. Uma cópia. Uma ‘produção’ em série. Desse jeito, não há passos genuínos.

Na ilusão de avançar a caminhada, parado, só seguindo o que já fizeram, você está prostrado. O que acorda, de verdade, os seus poros? O que o faz insistir? O que lhe move para um passo a mais? O que levanta seu espírito, distinguindo-o do resto do mundo? Quem você é, de fato?

Clarissa Pinkola Éstes, ao falar do conto de fadas de Hans Christian Andersen, Sapatinhos Vermelhos, nos alerta para as armadilhas e ameaças que nos distanciam de nosso caminho autêntico, selvagem. E os riscos do ‘verniz’ alheio parecer, quase sempre, ofuscar a cor do que nos calça. No fim, responder o que queremos usar é uma resposta pessoal. Única.  Encontrar seu jeito de viver. Caso contrário,  toda tentativa de alguém (não um sujeito normal e fazer tudo igual, à ‘la Raul’) vai ser uma falha mental. Uma insegurança em decidir como guiar seu próprio destino.

Somos porção coletiva. Uma necessidade proeminente, de espécie. Mas isto não responde por tudo. Somos, sobretudo, uma fatia individual. E essa fatia só terá um sabor exclusivo se for criada com suas próprias mãos, suas próprias decisões, por conta e risco! Num movimento de ir para o mundo e voltar a si mesmo.

Em uma mobilidade libertária que só os sapatinhos vermelhos fabricados por suas próprias mãos poderão lhe dar. Porque aí, sabemos que temos o verdadeiro direito de calçá-los. Pra quê? Pra sair por aí. Indo, voltando, traçando o seu destino sem ter que usar o sapato alheio, nem ter que ‘sapatear’ o ritmo do outro até cortarem, pelos ‘pés’, os seus melhores desejos.

 

 

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* texto de Dany Fran e Kelly Shimohiro

* fotos de Pedro Favoreto Rosa (4 anos)

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.

  • Cleide Valadares

    Irmãs de Palavras, parabéns pela logomarca q é tão sugestiva. Acredito em vocês . Está evidenciado em suas palavras, aqui, através da escrita que o sucesso e uma vida próspera já estão em seus cotidiano. Com certeza as bençãos de Deus está brilhando seus caminhos.

    • Irmãs de Palavra

      Que palavras lindas!! Um super beijo das IRMÃS DE PALAVRA e muito obrigada! O melhor pra você!