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Encontro – um jeito de ir e vir

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Idas e vindas. Não precisa correr mundos para saber que na vida, diariamente, precisamos de contatos. Mas, também, de distanciamentos. Você já deve ter percebido que uma relação plena, ganha vigor com o movimento conjunto. Mas já parou pra pensar que é, geralmente, com o afastamento,  provisório ou não, que ela  ganha mais fôlego?
A literatura  não apenas sabe, como faz muito bem uso deste ir e vir. O que dizer de uma garotinha que, literalmente, cai do seu mundo real em um surreal, onde gatos usam relógio e conversam com chapeleiros malucos? E quando volta, Alice está melhor com sua família! Porque ir embora também pode ser bom. Ainda mais quando se quer e pode voltar. Ou se precisa. Isto porque podemos retornar melhores para quem ou o que nos espera.

Talvez a gente se engane e imagine que quem ama quer ficar o tempo todo junto. Falar sobre todas as coisas que lhe acontecem. Participar da vida do outro em um espaço exclusivo e panorâmico. Bem, talvez de vez em quando, isto seja até propício. E bom. Só de vez em quando.

Parece que cada um de nós, precisa mesmo da sua caverna. Das suas experiências. Do seu distanciamento. De novos ares e diferentes altares. Como um fluxo, que transforma e renova.

Contos de fada sem separação não tem trama. Branca de Neve vai já para floresta!! Cinderela até pode passear com o príncipe no castelo, mas tem hora marcada para dar tchau. Ai de não se mandar às doze badaladas, vira abóbora! Bruxas, princesas ou sapos. Todos, o tempo inteiro, estão se perdendo para depois se encontrarem. Estão indo para voltarem, transformados, maiores, diferentes.  Existiria romance eterno, se o Romeu e a Julieta não fossem impedidos, o tempo todo, do desejo ardente de ficarem juntos? Bem, pelo menos a história não teria um clímax capaz de fisgar o mundo todo. O que dizer dos personagens Heathcliff e Cathy, de O Morro dos Ventos Uivantes? Quanto mais separados, mais querem estar juntos.

De forma alguma, estamos dizendo que seja um jogo. Que você deva se ausentar propositalmente, para que o outro sinta sua falta. Não, não é isso. Relações não funcionam de maneira plástica. É natural ir e vir. É natural fazer outras coisas. É natural ter outras experiências. Quem vai também faz outros contatos, e se voltar, vem maior, mais inteiro. Não adianta ter medo. Pessoas não servem para serem cerceadas, amarradas. Encontro bom é livre. Somos feitos de ritmo, de fluxo. E isto simplesmente não acontece quando não saímos do lugar.

“No contato com o meio ocorre a aprendizagem e a satisfação das nossas necessidades.  O reconhecimento do outro, é lidar com aquilo que não sou eu, com o novo: percebendo o que acontece em volta, tocando, enxergando, sorrindo ou chorando, acontece a vitalização do viver. Porém, a mesma função que sintetiza a necessidade de união entre o nosso encontro com o diferente, depende de um senso ampliado de separação, para que eu não me perca naquilo que não sou eu. Nos relacionamento, quando não ocorre esse limite, mesmo o outro estando no mesmo espaço físico, posso me sentir só”. Sueli A. Sperandio – psicoterapeuta

Para as Irmãs de Palavra, encontro é um jeito de ir e vir. Feito a Narizinho e a Emília, de Monteiro Lobato, que são inseparáveis e se amam de verdade. Mas que guardam uma distância, em que cada uma tem suas experiências. E depois, ah, como enriquecem uma à outra, só em partilhar…. Para as IRMÃS DE PALAVRA, é assim!

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Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".

  • Sueli A Sperandio

    Gostei muito, fiquei feliz em compartilhar um texto tão bom e gostoso de ler como tudo o que vocês escrevem. Beijos

  • Su… bom é ter você como nossa leitora, e muitas vezes, inspiradora! beijos das Irmãs de Palavra