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Despedida – o que ela faz com você? – por Kelly Shimohiro

Aconteceu semana passada uma despedida que eu presenciei. O filho de uma grande amiga, que eu conheci – literalmente – no século passado, Cristiana Skraba, foi para Alemanha, onde vai ficar um ano em intercâmbio.

Aconteceu há 10 anos uma despedida que eu vivi. Minha irmã mais velha sofreu um acidente e morreu.

Aconteceu este ano uma despedida em minha casa. Meu filho mais velho começou a anda de ônibus pela cidade. Mamãe-chofer, tchau, tchau!

Aconteceu um tempo atrás uma despedida orçamentária. Quitamos nosso apartamento.

Acontece todo dia. Acontece pra todo mundo. E fica sempre um espaço. O que você faz com ele?

Acontece em faces diferentes. Boas, tristes, desesperadoras… Como você fica depois disso?

Acontece consigo mesmo. Seu sonho mudou. Seu prazo acabou. Seu pensamento voou. O que você transforma, então?

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Depoimentos… despedidas…

“Alguém já parou para pensar que as despedidas fazem parte da vida do ser humano e não há quem fique de fora? Todos os dias tem alguém se despedindo de outro alguém, ou de algo… talvez. Sim, nos despedimos de roupas, calçados, brinquedos, livros e outros objetos que um dia tiveram grande importância em nossas vidas, mas deixaram de ter, “deu o que tinha que dar”, ou talvez não, ainda continuam sendo importantes, mas simplesmente chegou o momento de dar o “basta!”Despedidas acontecem a todo momento, mas são bem mais difíceis quando envolvem pessoas, como quando um ente querido “parte desta para melhor”… será que é para melhor mesmo? Despedidas acontecem quando um filho deixa seu “lar doce lar”, talvez de mudança para outro tão doce quanto, ou mais doce ainda (quando ele se casa, por exemplo), ou quando este filho viaja, muda de emprego em busca de novos horizontes e novos desafios e, nestes casos, as despedidas não podem simbolizar a tristeza, definitivamente NÃO! Filhos são como frutos, amadurecem e chega o momento de deixarem suas árvores para constituírem outras, é um etapa que se encerra para dar início a um novo ciclo”. (Elaine Gomes Shimohiro, falando, entre outras, da despedida de seu filho – Rafael –  que saiu de casa para estudar em outra cidade)

“Dor profunda. Gratidão por tudo que vivemos juntos.. Incrível essa sensação de só conseguir lembrar os bons momentos. A escolha de viver no agora. E dentro deste agora, ser forte, corajosa e amorosa…e com tudo isso, meu maior desejo é envelhecer com serenidade. Vou escolher e batalhar pelos melhores sentimentos, porque sei que é a melhor maneira de seguir em frente….” (Solange S. Furtado, falando da despedida do seu marido, Osmar Furtado, que faleceu há um ano)

“Sabe… Já faz tempo que eu preciso lhe falar coisas que vêm daqui do coração. Tristeza não é mais a palavra. Saudades?! Não serve, nem mesmo pra resumir. Mas a vida não foi mesmo feita pra ser um resumo. Por isso, escreva sua história com carinho, sem pressa e com devoção. Quando tudo acaba, a gente fica com o silêncio, mas sente o que está no ar. E quando algo vai embora, o novo chega com suas possibilidades, que continuam guardando aquilo que ficou pairando no ar… Sua história, minha história. Aqui ou aí, o essencial é o amor! Com imenso e eterno carinho, Izadora” (Izadora, personagem do livro Dias Nublados, de Dany Fran, falando da despedida de sua irmã, que faleceu)

“A despedida sempre é triste, que seja até mesmo de cidade. Vou embora, deixo amigos e boas recordações aqui de Londrina. Mas é assim a vida, com muitas mudanças e desafios”. (Maria Joreni da S. Bóss, falando da despedida de ter mudado de cidade – de Londrina-PR para Passo Fundo-RS)

“A despedida dói, dói muito… e deixa saudades. Mas, também deixa uma experiência de vida e muitas coisas boas em você. Ela continua presente na minha vida e nos ajudando sempre. Agora, de uma outra maneira”. (Lúcia Lopes Favoreto, falando da despedida de sua filha – Mary –  que faleceu há mais de dez anos)

Venho há tempos refletindo sobre saudade e sobre despedida, ambas andam juntinhas, a saudade vem quando há despedida. Mas que tipo de saudade sentimos?Fico pensando que a verdadeira saudade, a mais sofrida e dolorosa é a saudade quando despedimos de alguém que amamos e sabemos que nunca mais a veremos, esse tipo de saudade é como uma espada de dois gumes que transpassa nosso coração, corta no mais profundo e quando essa espada é arrancada sempre vem junto um pedaço de nós, e fica uma lacuna, um buraco, uma ferida que sangra. Fica de tudo isso muitas e boas lições para a vida toda, fica uma saudade imensa, uma dor profunda que só é amenizada com o tempo, mas a saudade será para sempre, pois houve uma despedida e mesmo com Fé na ressurreição a gente sofre, pois somos gente e amamos demais, até Jesus chorou e sofreu a morte de Lázaro seu amigo querido, imagine nós criaturas frágeis”. (Tryssia Carmo, falando da saudade que a despedida traz, e, também da despedida de sua avó – Alice G. Paulino –  que faleceu semana passada)

“Partida pode ser um projeto de vida, um sonho, uma conquista. Uma partida pra quem vai e pra quem fica, tem significados diferentes. Um choro pode representar uma dor de alegria (se é que dor pode representar alegria!). No fim, tudo representa um crescimento”. (Cristiana Skraba, falando da despedida do seu filho mais velho – Lucas – que, acabou de ir para Alemanha, onde vai fazer o último ano do Ensino Médio)

 E agora, é a hora da nossa despedida… Obrigada, você!

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Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".

  • Tryssia Carmo

    Muito lindo esse post, parabéns mais uma vez. Beijos

  • E que nesse movimento, ir e vir, entre nossas ‘cavernas’ e nossas rotas os contatos verdadeiros acendam nossas relações, com vigor!!! Obrigada, Tryssia, por ser um contato que nos ‘acorda’, assim como as palavras deste post!!!