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Mais uma, e quantas vezes precisar – por Dany Fran

‘O papel do escritor, talvez, não é botar fogo. Mas acender uma luz!’

Estes dias quando ouvi o jornalista Marcelo Canellas repetir as palavras de Érico Veríssimo confesso que ‘queimei’ alguns fantasmas. Dar sentido a nossa voz nem sempre fala com multidões. Mas se pode tocar um coração, isto pode ser tudo. O que cria, de fato, sentidos. Só que pra isso é preciso de uma ‘bela’ persistência. Pra suportar recusas, aguentar ausências, superar faltas e continuar… fazendo sentido!

A premiada, e atual, série FOME do Canellas e sua equipe, que foi ao ar no JN, em 2001; de cara foi negada. Pauta batida! Quatros anos de insistência. Pesquisa. Procura. Fé. Labuta. E milhões de corações tocados. Um paralisado. Maria Rita, personagem, morreu, ironicamente de fome, duas semanas depois da visita da TV.  http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/telejornais/jornal-nacional/fome-no-brasil.htm

Às vezes, a palavra se adianta. Às vezes, a realidade atropela. Continua a ação. Ainda que você não tenha noção. Real.

Não faz tempo fiz contato, pela segunda vez, com uma carta de despedida. Ao menos era quando foi escrita em 2000. Vizinho, amigo do tempo da faculdade. Formatura e caminhos imprevistos. Realmente nunca mais nos vimos. E tanto tempo depois, rever suas palavras escritas, que eu nem mais lembrava de um dia tê-las lido, foi como iluminar memórias e ganhar fôlego para sim, quantas vezes precisar, persistir. Tada, você estava errado quando dizia que não conseguia se expressar. Fez tão bem, que mesmo sem saber, permanece ‘clareando’ sentidos!

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.