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Ler ficção, pra quê? por Dany Fran

“A literatura não permite andar, permite respirar”. (Roland Barthes)

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A jovem não queria nada, a não ser conquistar o mundo e deixá-lo a seus pés por mais uma noite. O senhor era velho o suficiente para saber que não tinha tempo a perder, por isso demorava no que lhe fosse precioso. Em um fim de tarde, acabado o expediente, já era quase escuro quando a jovem esbarrou no senhor, que empurrava com cuidado o trinco da porta. Pesada. Assim que a madeira se abriu (…)

As histórias lidas, e de alguma forma vividas, nos oferecem um conhecimento de mundo a partir de outros que não são iguais ao nosso. O universo ficcional da literatura dá ao leitor o acesso a um labirinto de ‘saber’. “O romance é realmente um dos poucos lugares no mundo onde dois estranhos podem se encontrar em uma intimidade absoluta”. Paul Auster sabia o que dizia ao se referir a dualidade entre leitor e escritor.

Isto porque juntos multiplicam ‘saberes’, revelam realidades, despertam consciências e aguçam a imaginação. Esse, um elemento poderoso para acabar com as certezas e enunciar ambiguidades, possibilidades para você, leitor, tornar-se quem puder e, de fato, quiser ser. Alguém com longas passadas que não segue rastros, mas toma fôlego com as histórias elegidas!

“Não precisamos de magia para mudar o mundo, já carregamos todo o poder que precisamos dentro de nós mesmos: temos o poder de imaginar o melhor…” J.K Rowling

E é imaginando que um livro pode mudar nossa vida, sem ao menos uma razão própria para isto. Simplesmente porque nos liberta de um jeito convencional de enxergar a vida. Atribui valores à detalhes viscerais que, talvez, não se tornariam nossos cúmplices sem a ficção. E ainda, provoca o risco, se a leitura for constante, de desenvolver um ‘eu’ seguramente mais autônomo.

Será ainda pertinente perguntar se a literatura tem validade como fonte de conhecimento e não apenas de diversão? A romancista franco-irariana, Marjane Satrapi, já alertava: “nada é mais assustador do que pessoas que tentam encontrar respostas fáceis para questões complicadas”.

Pois bem, não pretendo resumir o complexo ou receitar o que nega as fórmulas. Mas reforçar o quanto a literatura é viva porque nos permite sair de nós mesmos para respirar prazeres e conhecimentos alheios.

           (…) O que será que, além da porta, abriu quando a jovem encontrou o senhor? O que revela quando suas horas passam devorando páginas? O que fazer com uma mente sem rédeas, mais sensível longe do senso comum?

Você não vai ler, aqui, suas respostas. Porque assim como a literatura, as palavras jamais concluem os sentidos, que não têm limites! Desse jeito também pode ficar sua imaginação! Sem fronteiras! Afinal, a leitura pode não ter uma finalidade exata para sua sobrevivência, mas é uma experimentação dos ‘possíveis’ para sua existência! Agora!

Tá esperando o quê… pra quê? Oras… pra ler e ter não uma, mas várias vidas!

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.