IMG_9151

A Crise “Amiga”

Falando em crise, já que “todo mundo” está falando nisso.

Na maioria das vezes, a crise vem dando sinais desde um longo tempo. Pequenos lembretes de que há algo nocivo crescendo e se proliferando. Um sinal aqui, outro ali. Inflação acima da média. Volta de antigos impostos. Queda no poder de consumo. Desânimo. Mais mensagens, menos contatos presenciais.  De tempos em tempos, os sinais vão se intensificando. E um dia, numa bela manhã ensolarada ou em uma noite chuvosa, a coisa toda estoura e uma bagunça bem grande pode acontecer.

Feito o Brasil de hoje, sem crédito e sem moral. Em um passado próximo, 2014, economistas  profetizavam a possibilidade de tempos (mais) sombrios. Agora, em 2015, dólar impacta na casa dos R$3,98, maior cotação desde outubro de 2002. Déficit das contas públicas pode chegar ao índice dos 8,7% do PIB, contra os 6,2% do ano passado. E se não bastasse, analistas acabaram de divulgar no relatório da Focus, divulgado pelo Banco Central, uma previsão que estima pior recuo do Produto Interno Bruto dos últimos 25 anos, beirando 2,70%. A volta dos arrastões no Rio de Janeiro, que nunca sumiram de verdade. Enxergamos a imagem trincada do país do futebol e do samba. Será que dormimos como um povo cordialmente alegre e acordamos uma nação “quebrada”?

Ou feito uma doença, que começa com pequenos desânimos, espalha-se em dores e acaba quase aniquilando você. Ou ainda feito uma crise no amor. Discussões mal resolvidas. Mágoas cristalizadas. Desatenção voluntária. Investimentos em declínio. E, por ora, perdeu-se a alegria em estar junto.

É o fim? Bem, crise não é derrota. Não é destino final. É um chamado de urgência, de que a hora chegou para você mudar, para você talvez trocar, para você quem sabe recuperar e voltar, mais uma vez de verdade, a crescer. Porque, agora, é a hora de mostrar tudo aquilo que se tem a oferecer.

Olhe ao seu redor, para si mesmo e não veja apenas números e fatos; mas enxergue os pequenos sinais. Não existe recontagem na vida. Mas pode ter transformação a partir da crise. Mudança de hábitos que não surgiriam sem o caos. Já pensou nos benefícios de finalmente começar a gastar menos do que se ganha? Ou permitir pequenos prazeres a sua rotina? É, a crise pode ser uma boa amiga. Não aquela que nos diz o que queremos ouvir, mas o que precisamos escutar.

Como disseram no seriado Grey’s Anatomy, o corpo humano foi projetado para sobreviver. Se você está às voltas com uma crise, resista, avance e aprenda. Um belo caminho pode se abrir pra você.

caminhos

Texto de Dany Fran e Kelly Shimohiro

Foto de André Shimohiro

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".