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Um dia de cada vez

A vida é uma escolha. Um dia de cada vez. Uma escolha absurda. Muitas vezes impensada. Mesmo assim, sem desculpas. As atitudes são suas. E toda conexão que existe – dentro e fora de si mesmo – também é obra sua. Um dia de cada vez. Sim. Não há treguas na existência. Se você, por acaso, quiser sair pelas beiradas, vai ter que aceitar viver como um zumbi. Sem saber para quê. Sem saber para onde. Comandado, sem entender como. Todos os dias como se fossem o mesmo. Claro que nem sempre sabemos. Mas procuramos. Deixamos nossas células agirem férteis nas interminável busca pela nossa própria identidade. Um dia de cada vez criamos a nós mesmos.

Assim é Ana Paula Garcia da Silveira. Uma escritora de nossa conexão digital. Boa amiga das IRMÃS DE PALAVRA. Com sua escrita reflexiva, busca entender a vida e suas complexas esferas sentimentais. E pode abrir uma janela para quem a lê. Ampliar o mundo. Tarefa para um dia de cada vez.

 

 

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Alguns contos e outras palavras é o título do último livro da Ana Paula, que gentilmente presenteou as IRMÃS DE PALAVRA. Obrigada, Ana Paula! Que seu caminho literário seja longo e que suas palavras continuem acordando cérebros entorpecidos. A autora é Educadora Musical na cidade de Franca – SP, começou a escrever aos 17 anos, criou o blog Acorde Literário, onde publica seus textos sobre diversos temas.

E para você,  palavras de Ana Paula:

Um dia de cada vez (Para começar bem um ano novo…)

Sim, um novo ano começou. E começou pedindo a todos nós um pouco de alegria, afeto, amor e compaixão. O ano que passou teve a crise econômica refletida em todas as outras áreas de nossas vidas. Sentimo-nos machucados; quase não conseguimos nos levantar e enxergar o horizonte de um futuro melhor. Mas a graça da natureza nos prova que, após uma tempestade, sempre vem a calmaria. E depois da calmaria uma nova tempestade, e depois… Assim será para sempre. Como um grito de sobrevivência, prometemos “mundos e fundos”a cada início de ano. Prodígio será aquele que conseguir cumprir tudo o que prometeu aos outros e a si mesmo. Não existe aqui lugar para julgamentos; estabelecer metas é fundamental e determinar ciclos em nossas vidas é essencial para um crescimento saudável e maduro. Resolvi fazer diferente. Este ano não prometi e não estabeleci metas, nem a mim mesma e muito menos aos outros. Não escrevi na agenda nem em algum papel bonito, passo a passo, daqueles desejosos objetivos quase utópicos que ousamos faze mesmo sabendo que muitos deles não conseguiremos cumprir de jeito algum (não por falta de esforço, mas pela natureza da personalidade). Sendo assim, fiz uma proposta para mim. Um dia de cada vez, não que seja o último, mas singularmente único. Dia único para que eu o viva superando meus defeitos, analisando o que em mim julgo ser difícil de conviver, que machuca a mim e ao próximo, que me impede de avançar as barreiras das relações profundas e afetuosas. Um dia de cada vez, para aprender que não estou só, que estou cercada de pessoas maravilhosas, que não são perfeitas, mas dotadas de qualidades singulares, de sorrisos acolhedores e abraços companheiros. Um dia de cada vez, para entender que essas pessoas maravilhosas podem me ferir e não me atender em algum momento, mas, mesmo assim, isso não faz com que gostem menos de mim. Um dia de cada vez, para descobrir minhas potencialidades, para dedicar tempo às minhas habilidades afetivas e profissionais, para atingir o outro com meu afago e com a minha música, transmitindo a alegria de construir um mundo melhor. Um dia de cada vez, para olhar pela janela a paisagem que Deus me proporciona todos os dias, a cada dia de uma maneira diferente, uma oportunidade para Lhe agradecer pela vida que me é ofertada com simplicidade e complexidade. Um dia de cada vez, para cultivar novos amigos, para encontrar num sorriso a cumplicidade da descoberta de afinidades, que nos tira do medo terrível de estar só. Um dia de cada vez, para entender que amigos antigos serão sempre amigos se souberem aceitar o tempo e a mudança entre eles, se entenderam que os destinos mudam, mas que as lembranças podem ser um lugar de encontro se tiverem vivido momentos inesquecíveis. Um dia de cada vez, para parar, observar e refletir sobre a vida e entender que nunca será como queremos completamente, que algumas coisas serão como planejamos, mas a maioria será como o destino julgar melhor, mesmo que nossa visão não alcance essa melhora. Um dia de cada vez, para cultivar a vida dentro de mim, de fazer do meu interior uma pequena festa de celebração, das conquistas, dos aprendizados, do crescimento, do amadurecimento. Um dia de cada vez… Este ano não prometo “mundos”, não estabeleço “fundos”. Este ano me proponho cuidar do afeto, como se fosse o último abraço; amar como se fosse a última paixão; rir como se fosse a última piada; sorrir como se fosse a última beleza; cantar como se fosse a última canção; dançar como se fosse a última parceira; encantar-me com a vida a cada dia. Sei que amanhã existirá, o sol irá nascer e a vida continuará. Só não continuará aquilo que hoje eu não cultivar!”

Um dia de cada vez, Ana Paula! Um dia de cada vez, IRMÃS DE PALAVRA! Um dia de cada vez, Você!

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".