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Seu ‘Terroir’ e a sua ‘Páscoa’

IRMÃS

Terroir é uma palavra francesa sem correspondente em nenhuma outra língua do mundo. Os aficcionados por vinho estão mais familiarizados com seu conceito. Para facilitar, o Guia Larousse esclarece: Terroir significa a relação mais íntima entre uma fatia de solo e o micro-clima particular, que concebe o nascimento de um tipo de uva que expressa livremente a qualidade, tipicidade e identidade em um grande vinho, sem que ninguém consiga explicar o porquê.

Assim, todo terroir tem suas particularidades (se o terreno é inclinado ou não, se está próximo ou perto do mar, a que horas o sol ilumina diretamente o terreno, etc) e por causa dessas frágeis nuances, cada terroir produz uma uva com respectivo sabor e, consequentemente, uma qualidade de vinho.

É o que somos. Todos Terroir. Similares ou não, nunca vai ser a mesma coisa. Nunca seremos iguais uns aos outros. Nós também temos nossas particularidades (nosso código genético, o local onde crescemos e vivemos, o tipo de alimento que consumimos, o que lemos, o que assistimos, com quem convivemos, a época em que estamos, o que escolhemos viver agora, etc) e portanto, cada um de nós produz um tipo – todo específico – de vida. Não buscamos as mesmas satisfações, não temos o mesmo potencial, não seguimos um mesmo ritmo. Como os vinhos, temos notas diferentes. Sabores únicos, ainda que parecidos. Ok até aqui!

Mas aceitamos isso? Ou nos comparamos o tempo todo, querendo sempre chegar aos mesmos ‘bons’ resultados dos outros? Impedindo, quase secretamente, de renascer a verdade em nós. Talvez, nossa melhor qualidade. Nota. Sabor.

Este post surgiu assim. Devaneios, postergados, ruminados. Torturantemente desejados, porém, atrasados para nascer. Por que? BEM… Por que eu ainda não consegui isso? Por que eu devia estar lá, e tô atolada aqui?

Nem sempre as perguntas nos movem. Uma pausa. Não pra pensar, mas pra sentir. O seu terreno. A proximidade do sol ou a beleza da lua. Mais que um fôlego. É passo para seguir onde, instintivamente, é o seu lugar. Não do outro. Nem o seu no do outro. É o’ seu ‘terroir’!

Por isso, às vezes, o que nos faz sentido pode atrasar. Mas não deve deixar de (re)nascer. Aí, ‘sentido’ o verbo querer (na primeira pessoa) é como Eduardo Spohr simplesmente diz, ‘é sentar e fazer’!! Fazer do seu jeito, a sua vida, seu terroir ressurgir, todos os dias. Então, as Irmãs de Palavra, conjugando e conjecturando o que faz sentido para elas, desejam boas ‘diferenças’ à sua, a nossa Páscoa!

 

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran
  • fotos: Sofia Shimohiro

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.