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SIM! Pela abertura das (minhas) cartas

Há 24 anos, guardo na memória uma janela à frente de uma carteira onde eu, uma garotinha com sardas, vi um bando de gente com cara pintada berrar gritos de ordem e levantar a bandeira do Brasil. Eu não sabia o que acontecia (como acho que muita gente naquela rua não fazia ideia), mas lembro que eu quis sair da sala de aula e me juntar aquela galera. Agora, acompanhei a votação de um possível novo impeachment, guardando uma consciência mais esclarecida pelo tempo e pelas escolhas. SIM! Talvez meus filhos também conservem a lembrança de um bando de gente votando, querendo (ou não) mudar o país que chamamos de lar. Eu espero que eles não apenas conservem, mas sejam um ‘bando’ que de fato mude o seu lar.

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E pra isso as histórias servem de pão, que alimenta a força de quem nos tornamos. Por isso leio com eles. Escrevo pra eles. Desde que meu caçula, Pedro, nasceu e aos 3 meses nos deu um susto danado com a possibilidade da pior das interrupções, narro aventuras de amor que não para de berrar SIM pelo meu caminho. ‘Cartas para meu Pequeno Príncipe’ e ‘Cartas para minha Rainha’ é um projeto literário particular. Sem data marcada, ou compromisso lavrado, escrevo um livro só para minha filha, Valentina; e outro só para o Pedro. Eles vão ganhar essas obras (em construção) quando crescidos, assim como eu, tiverem consciência do valor das lembranças. E também da importância da vida no agora. Pelo menos é o que eu desejo, ‘agora’.

Mas hoje, 18 de abril de 2016, dia Nacional do Livro Infantil quis abrir aqui pequenas páginas deste enredo que pode acordar, ou pelo menos acariciar, as nossas memórias.

(fragmentos de Cartas para minha Rainha)livro infantil 2

13 de junho de 2014

– Mãe, vó já foi criança?

– Claro, filha. Todo mundo um dia nasce. Todo mundo um dia é criança. Até Hitler, um dia foi criança. Buda foi criança. Eu fui criança. Só que aí, todo mundo, um dia, cresce e envelhece.

– A tia Mary não envelheceu.

Pequena pausa.

– É… nem todo mundo vira avó. Mas todo mundo que cresce um dia já foi criança.

– Não parece que avó um dia já foi criança!

Risos. E enquanto você pinta na mesa da sacada, eu volto os olhos para mais um capítulo de Mulheres que Correm com Lobo, e penso: “nem tudo que parece é. E nem tudo que é ‘aparece’!”

 

(fragmentos de Cartas para meu Pequeno Príncipe)livro infantil 3

17 de junho de 2013

Após o almoço, você, Pedro, e a mamãe conversamos enquanto escovamos os dentes no banheiro, apressados para irmos à escola e ao trabalho.

– Mãe, cadê o papai?

– Tá trabalhando, filho.

– Por que?

– Pra ganhar dinheiro?

– Por que?

– Pra comprar papá?

– Por que?

– Pra você comer.

– Mas, eu já comi!

E de tanto eu rir, você, um garotinho de 2 anos também cai na gargalhada. Você vai pra escola ainda sem saber porque diabos o pai não tava em casa! E eu, no trabalho, sei bem o que está sempre por perto!

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.