IMG_8471

Uma mudança assustadora – A MORTE

IMG_1037

Por muito tempo, as IRMÃS DE PALAVRA viveram sem conhecê-la. De verdade. Pelo menos, sem máscaras. Dos dois lados. Já tínhamos sido apresentadas, inúmeras vezes. Mas não de um jeito tão próximo. Tínhamos até nos esbarrado, quase diariamente. Os noticiários insistem em nos colocar em contato, com um “que” quase banal. E o mundo literário? Bem… ele nos convida a viajar com ela. Pensando melhor, sim, tínhamos viajado juntas. Muitas vezes. Mas nunca de mãos dadas, como fizemos depois do verão de 2005.

“A gente não faz ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido”. (Anne Frank)

E foi só após este encontro, em que a conhecemos perto demais, que selamos uma fiel e amarga cumplicidade. Em nosso caso, foi de uma vez. Arrebatador. Nunca mais as três irmãs sorririam, juntas.

“Nosso mundo acaba várias vezes no espaço de uma vida” (Eliane Brum)  

E assim seguimos colando nossos pedaços partidos, devagar.

“Se esse fosse meu último dia da vida, eu faria o que eu vou fazer hoje? De todas as ferramentas que eu criei, a possibilidade da morte foi a mais poderosa que eu já vi, porque foi sabendo que eu poderia morrer que eu vivi de verdade.” (Steve Jobs)

E a gente ainda nem sabe quantas vezes vamos nos encontrar com ela. Mas podemos saber quantas vezes queremos viver, nos encontrando ou não com ela!

“O que eu chamo de morte me atrai tanto que só posso chamar de valoroso o modo como, por solidariedade com os outros, eu ainda me agarro ao que chamo de vida”. (Clarice Lispector)

“A morte é um mistério que pode destruir você.” (Kelly Shimohiro – O Estranho Contato)  Ou não!

“… por que será que havia levado tanto tempo para perceber que, independente de nós, existem coisas que realmente são eternas. Foi quando meus pensamentos, mais uma vez, foram interrompidos” (Dany Fran – Dias Nublados)

A morte em poucas palavras…
A morte é uma certeza indecifrável. (opinião do nosso leitor)
A morte é uma necessidade da vida.

Quando a morte aponta, o tédio sai de cena. E as miudezas ordinárias que você gastou a vida se preocupando, simplesmente deixam de existir.

A morte é o mito humano universal.

A morte quase ninguém quer. Mas ela é absolutamente democrática. 

Cem sinos tocaram ao mesmo tempo na minha cabeça, quando eles morreram. (fragmentos de O ESTRANHO CONTATO)
A morte é uma rua sem saída.
Depois que você morreu, é tão estranho olhar para os lugares que íamos juntas, para os mesmos caminhos que você fazia, para as mesmas coisas que você tocava. É como se eles permanecessem iguais. Só que fora do lugar. (fragmentos de DIAS NUBLADOS)
“Por que o amor não morre também?” (fragmentos de DIAS NUBLADOS)
A morte é a irmã gêmea da vida. Se uma está, a outra também vai chegar.
A morte é um desperdício de potencialidades.
Depois da morte, tudo o que se seguiu foi como um sonho feio e irreal. A cerimônia. O enterro. Os consolos. Os amigos tão vivos. Como se fosse um pesadelo e a qualquer momento eu fosse acordar e tudo estaria certo novamente. Mas não acordei. E tudo continuou errado, para sempre. (fragmentos de O ESTRANHO CONTATO)
A morte tira o que lhe é precioso aos olhos, mas não ao coração. 
Depois de dias, semanas, meses, você não foge mais da dor que a morte provoca. Ela é você agora. Não importa onde vá ou o que faça para despistá-la. Ela sempre volta, volta e volta até te alcançar e ficar.  (fragmentos de O ESTRANHO CONTATO)
A morte é uma garota determinada. Difícil de ser enganada.
A morte é o biotônico da vida. Alguém duvida?
Quando morrer não basta, viva pra fazer pirraça.
A morte tem muitos nomes, mas não se engane com eles, todos tem o mesmo efeito: levam embora a sua vida. Outros nomes que a morte tem: TV por assinatura, macarrão instantâneo, facebook, etc, etc, etc…
Morrer é bom pra qualquer um. Menos pra mim.
Morto não paga imposto. Mas família de morto paga. Ah, se paga!
Quando a morte der somente um aceno, aceite o aviso. O próximo encontro costuma ser fatal.
A morte é a noite escura que nunca acaba.
Quando tudo acaba, a gente ouve o silêncio, quase ensurdecedor, mas ainda sente o que ficou no ar. E quando algo vai embora, o novo chega com suas possibilidades, que continuam guardando aquilo que restou pairando no ar. (fragmentos DIAS NUBLADOS)
E no fim, a morte talvez seja somente um aviso: nos encontraremos, logo ali…
IMG_1030
Texto de Dany Fran e Kelly Shimohiro
Fotos de André Shimohiro
Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".