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Escolha às escuras

De um jeito ou de outro, a vida é uma escolha às escuras. Você pode se cercar de dados, você pode sondar as inúmeras possibilidades, você pode copiar exemplos que já tiveram êxito e nunca sair desta linha, você pode medir com uma fita métrica, você pode seguir a receita em seus mililitros… e tudo ainda sair fora do esperado. O bolo embatumou. O emprego não era assim tão assim. Os dias passam e você mal vê. Contra todas as especulações, a bolsa caiu. Choveu, mesmo a previsão indicando dia bom, sem nuvens no céu. Então… virar a esquina, ainda que com endereço marcado, pode reservar surpresas. Porque você pode até prever, se prevenir, mas viver é mesmo assombrosamente incerto. Arriscado. Sem garantias. Ou prazo de validade.
“Investir em outro negócio. Ter filhos. Construir. Vender. Gargalhar com alguém. Lotar ainda mais a agenda. Correr. Meditar. Escrever outras histórias. Mudar de país. Trocar  de profissão. Comprar um cachorro. Sair sem explicação. Assumir sua opção.”
As IRMÃS DE PALAVRA deram o tal pulo no escuro. Será que sabemos escrever? Será que é isso mesmo? Será que vai dar certo? Como saber? Como ter a certeza de onde se pisa? Mesmo com a cabeça dando voltas frenéticas, seguimos e cruzamos o caminho dos doidos. Daqueles que não têm a certeza, mas querem abrir a porta. Porque a mente está incendiada de não sei o quê e é preciso seguir. Estamos indo… e um mundo todo aconteceu para nós. Um mundo escuro, inatingível, antes não navegado, um mundo por nós intocado. Demos as mão e fomos em frente. E o coração acordou, e as células dançaram, e os olhos se abriram. O que vai acontecer? Vai saber!
Óbvio que checar, ver as experiências de quem fez, estudar, se preparar e se organizar acendem clarões no destino que você escolher. Apostar, errar, aprender e continuar também vão chacoalhar seus passos.  Mas, sobretudo, existe a fagulha mágica e inesperada, que cria uma outra realidade. Será que vale o risco? 
“… E descobri que não sou o tipo de pessoa que foge ou se esconde. Não sou o tipo de pessoa que precisa viver com o conhecido e o aceitável. Também não sou o tipo de pessoa que procura a segurança em vez de uma vida incrível, mesmo que perigosa e ameaçadora. Enfim, fui revelada…” (Ágatha Guiller, em O Estranho Contato)
“Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência das certezas. Mas é isso que tememos, o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.” (Os Irmãos Karamazov- Fiódo Dostoiévski)
“Às vezes ficamos desesperadamente tristes, enfadonhos. Agora viver triste é uma escolha. Fico me perguntando quais estou, de verdade, disposta a fazer! Ouvir a voz dos meus desejos quase sempre foi o melhor caminho. E existem tantos pra gente seguir. Escolher. E agora eu escolho não postergar mais os meus ‘projetos’, mesmo não enxergando direito quais são”. (Dias Nublados – Dany Fran)
 
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Texto de Dany Fran e Kelly Shimohiro.
Foto de André Shimohiro.
Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".