frio ok

Quando o Inverno chegar

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Dias frios podem ser lindos! De um céu azul tão bom quanto um colo de mãe. Mas também podem doer. Cobrir a lavoura com uma fina camada de gelo ou trincar os ossos de quem não tem onde se proteger. Agora, sentimentos congelados, cristalizados… esses sim, ocultam a vida! São lugares escuros onde sua história, seja ela de qual natureza for, perde-se ao vento.

As IRMÃS DE PALAVRA não resistem ao ato criativo que permite manter os sentimentos aquecidos. Quando uma pessoa para todo o resto e se dedica às palavras, alguma coisa a mais acontece no mundo. E dentro de você, pode ser que uma alegria se renove, que um caminho apareça ou que a vida, de fato, aconteça. Porque sabe, é mesmo juntos que criamos o mundo, as estações, o ‘frio’ e até as tristezas, ou qualquer outra coisa.

Antes do inverno chegar, oficialmente, mas já ‘sentindo’ o frio lhe arrebatar, Juliane Guzzoni, jornalista, mulher sensível, amiga das Irmãs de Palavra e companheira de trabalho, nos aconchegou com suas palavras que, a partir de agora, podem tocar você!

“Consigo perceber de longe!!!

Sinto a luz do dia se apagar e uma brisa gelada tocar meu rosto. Me recolho. Num ambiente fechado me sinto mais confortável, mais protegida. E lá dentro, pela janela, observo o movimento das árvores. Os galhos, as folhas, fazem uma dança nem sempre suave. O embalo do frio me incomoda, parece uma valsa triste.  Sei que vai gelar meu rosto, logo depois as mãos, os pés, o corpo inteiro. Tenho a impressão que o mundo vira uma enorme
geladeira. Me incomoda, me entristece, quase adoeço, meu coração padece no frio porque o que vejo é tristeza!! Os dias cinzentos, o povo encolhido, o nariz e os olhos reclamam. Não sinto o calor da vida, nem do mundo, da
natureza, que também se recolhe. Os bichos não gostam do frio. Quem tem o privilégio de morar num lugar onde ainda se encontra fragmentos da mata nativa percebe. Nesse  período não se vê os animais silvestres brincando
nas matas, os bichos somem, os pássaros não voam e nem cantam nas árvores. Todos se escondem.

Eu acho que sou meio bicho. Por isso moro e sou feliz numa terra quente, onde os dias de sol e calor prevalecem. Acho que por isso também desde que cheguei a Maringá, há 17 anos, não tive mais vontade de sair. Verdade que
acabei ficando mesmo porque aqui encontrei a paz, meu amor e com ele formei uma família. Mas o lugar convida a gente à ficar. Pelo menos aqueles que – como eu – são “bicho” de ambiente tropical.

Hoje, no primeiro dia gelado do ano, sinto uma dor nas costas. É a dor do frio. E uma lentidão quase me paralisa. Sei que não adianta reclamar, nem posso. Não vou e nem sou contra a natureza. Só faço aqui meu desabafo pra
expor meus sentimentos, porque talvez essa não seja a ‘minha natureza’. ” (por Juliane Guzzoni) 

 

  • fotos: André Shimohiro

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.