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Rastros da FLIP, pelas Irmãs de Palavra

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Às vezes é preciso planejar. Outras, decidir de uma só vez, sem pestanejar. Seguir. E seguir na vida é o mesmo que mudar-superar-progredir-aguentar-descobrir-realizar-sonhar-rever-acreditar-buscar. Bem… sair da zona de conforto, sempre. Transgredir o discurso em passos é o salto em queda livre que toda vida merece exercer. Porque valioso é o seu tempo, seu destino e tudo o que você faz entre uma coisa e outra. Agora.

flip 2Paraty e sua festa literária foi o destino das Irmãs de Palavra neste último fim de semana. Uma noite de viagem. Madrugada fria. Lugar desconhecido. Gentilezas pelo caminho.  É, o novo pode dar certo! Dia claro. Morros. Maré tranquila. Movimento em terra. Sapatilhas em compasso. Paisagens e sorrisos registrados. Filas. Souvenirs.

A conversa ocupou todos os espaços. E se tem mar que segue, então, o melhor é mergulhar. Fundo. Tanta gente! Grande, pequena, família, casais, amigos… IRMÃS! Leitores, autores, admiradores. Aí fica fácil… redimir-se ao amor vermelho ‘shakespereano’ ajoelhado na ‘casa sagrada’. Desacelerar os passos para ouvir um poeta cantar encantos no fim do beco ou dobrar a esquina pra se juntar à muvuca embalada ao ritmo de um violino eletrônico. Ou até voar sentado ouvindo as incríveis maluquices suicidas sobre Santos Dumond. Um mundo de amor às palavras.

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“Mas o meu tempo foi despertado, mesmo, neste dia épico, pelas vozes femininas. Um deslocamento a galope atravessado por uma nova referência, pra minha andança. Ler Ana Christina Cesar, poeta homenageada da Flip, foi como embaralhar confissão e ficção. Poemas, cartas… sim eu gostei de dialogar com sua voz. “é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço”. E, agora, bem, agora eu quero mais Ana. Mais Cora. Assistir à pré-estreia de Cora Coralina foi tomar um gole da vontade poderosa dessa grande mulher de, literalmente, fazer ‘história’. Com doces. Com os filhos. Com as palavras. Com o que se tem pela frente. “Penso no que faço com fé. Faço o que tenho que fazer com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor. Pois bondade também se aprende”. E se escolhe! E que bela escolha o encontro com Svetlana Aleksiévich, jornalista e escritora bielorussa que graças a tradução simultânea do seu dialeto eu pude ouvir relatos de quem escreve a história da alma. Uma conversa sobre vida que reforçou a minha vontade de ouvir e contar histórias. “A humanidade tomou lugares errados contra a natureza. Mas o ser humano tem a tendência de sobreviver. E no meio de uma guerra, quando uma mãe tem o ato corajosamente amoroso de afundar na água seu bebe cadáver desnutrido que chora em seu peito seco e desperta atenção de soldados para seu grupo de 30 sobreviventes, até o choro cessar, impossível não vislumbrar que a única saída é o amor”.  Thank you! Foi só o que pronunciei à Svetlana ao receber o livro “A guerra não tem rosto de mulher’, autografado, que é claro que eu já comecei a ler no caminho de volta. Pra casa. Para meus filhos bem nutridos. E meu amor, que é minha (melhor) entrada.

Caminhar por todos esses espaços, ao lado de minha irmã de Palavra, trazendo e levando café preto foi definitivamente uma escolha fabulosa. Assim como espalhar nosso projeto literário. E alimentar nosso desejo pelas histórias, com outras e pulsantes histórias. E quer saber, isso tudo não é, definitivamente, apenas sair na zona de conforto pra ir a um outro lugar. Porque no fundo, mesmo, não importa onde se chega. Mas o percurso que se faz. Já diria Ana Cristina César. E a Flip 2016, a primeira que eu espero de muitas das Irmãs de Palavra, foi um percurso de largas e ‘lindas’ passadas!”Dany Fran

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“Sair da minha zona de conforto. Aquele jeito emplastado que se vive sem querer. Bem, talvez não fosse assim tão boring… até que não. Mas faltava… faltava o chão. A terra de onde tudo que importa nasce e viceja e dá frutos e se embrenha na vida. Sem desculpas, sem mais pra depois, sem um dia quando tudo encaixar a coisa vai. Porque tudo – provavelmente – nunca se encaixa. Sair da minha zona de conforto é abandonar as desculpas, o viver para mostrar pra não-sei-quem-não-sei-o-que. Tem gente demais fazendo isso, por que mais eu, mais você? A Festa Literária de Paraty é como um retrato bonito, de muita gente diferente e maluca (as coisas boas são sempre malucas, ou quase sempre), que tem nas palmas das mãos não as linhas do destino, mas as palavras do destino. Sim. Plasma, oxigênio e dúzias e dúzias e dúzias de palavras. Pra toda essa tribo, tem que ter. Mundo bonito, Paraty. Cidade, mar, história, tradição, cultura, um óde à diversificação e inovação. E nós ali, as Irmãs de Palavra – loucura das melhores! Parceria de vida e de sonhos. De projeto. Sistema de apoio. Janelas que dão para o mar. E aí está, Kelly, dando pra si e para o mundo o que pode fazer com mais dedicação. Como diz a Prêmio Nobel Literatura 2015, “em qualquer situação, é o amor que me interessa”. O amor nas histórias, nas palavras, nas linhas escritas que criam o mundo. Todos eles. Todos eu.” – Kelly Shimohiro

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E cada um, à sua maneira tão sua, cumpre o que nosso querido leitor indica ser uma necessidade urgente: sair da zona de conforto. Porque só fora dela você pode descobrir do que realmente é capaz. E é pra isso todos os nossos dias, não é mesmo? Descobrir o que se quer ser capaz. Descobrir-se. Em Paraty. Aqui mesmo. Ou aí, bem onde você está. Agora.

  • texto e fotos: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.