Devaneios – por Dany Fran

devaneio

Devaneio I

Ele amaldiçoa a semana. Disputa com os ponteiros.

Às vezes não sabe o que quer. Mas sempre sabe o que não quer.

Será que um dia vai dar ouvidos à Frida? E não demorar onde não amar?

 

Devaneio II

Um mergulho no escuro. Viver não vem com garantias. Jogue os manuais. Cace seus próprios rituais. Siga. Os pulsos. Ouça. Os instintos. E solte. A voz que berra no teu coração.

 

Devaneio III

Café. Barulho na sala. Histórias na parede. Imagens na porta. Escancarada. Para os risos passarem. E o silêncio deitar. Se acomodar. Com o batuque dos corações. Aos quatro. Lendo. Um ao outro. Assim. Quando a noite cai o sol levanta. Todo dia. Neste movimento a gente faz um lar.

 

Devaneio IV

Tudo de pior eu abominava nele. Quanta ânsia por ganhar dele!

O pior de tudo eu enxergava nele. Quanto era parecido com ele.

 

Devaneio V

– Por que não me pediu pra ficar?

– Oras! Não se pode contar pra alguém que ela te ama!

 

Devaneio VI

Se começar a transformação depende de você, a sua permanência necessita do outro. Porque aqui, ou aí, o que não muda é que estamos, alienavelmente, todos conectados.

 

Devaneio 7 (MEU NÚMERO SAGRADO)

O problema não é, definitivamente, tornar-se um adulto. Mas crescer e esquecer, do essencial! De que quando somos cativados corremos risco de chorar! De que ainda que sua rosa desidrate, perca todas as suas pétalas, morra; ela continua única pra você! De que partir em busca de respostas pode ser o caminho mais curto para voltar ao que te é precioso! De que o medo não é rastro de fracasso, mas quem sabe um impulso pra morder… suas conquistas!

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.