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Ressaca Literária

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Após um consumo exagerado ficamos em estado ‘alterado’. Êxtase! Frenesi. E assim estamos, Irmãs de Palavras, chacoalhadas por tantos encontros plurais, depois da Flim, em Maringá, e da Semana Literária do Sesc Cadeião, em Londrina. Porque se afinal de contas, inventamos uma história todos os dias, nestes últimos reinventamos realidades fantásticas! E renovamos o desejo vibrante de viver de contar histórias. “Sim, acho que AINDA hoje tem muita gente produzindo literatura de qualidade no Brasil. Acompanho e tenho prazer em conhecer novos autores. Não aprovo generalizações! Se eu prefiro falar com criança ou adulto? Você prefere entrevistar jovem ou velho? Gosta mais de um filho ou de outro? Eu gosto de falar, escrever. A minha língua!” (Ana Maria Machado)

literatura 6 literatura 5 literatura 13E a nossa, linguagem, começa, assim como os dias iniciam, por um respeito (profundo) ao protagonista, personagem da história. Seja em primeira ou terceira pessoa. “Penso qual vai ser o privilégio da vez, quem vai me receber, quem vou conhecer pra qual narrativa contar”. (Caco Barcellos) Criar mundos a partir do nosso olhar sobre o outro (imaginado ou real) é mesmo um baita privilégio! Gigante!! Como a caça para encontrar o tom certo ao seu enredo. “O lugar que você habita é o mais importante para tomar posse de suas tantas identidades e ser capaz até de avançar escrevendo comédia do trágico”. (Juan Pablo Villalobos)

literatura 17 literatura 18 literatura 14Já que o ponto de partida da sua escrita é particularmente transitório. “O estranhamento pra mim é a estranheza que as pessoas têm de que um escritor pode vir de tantas formações distintas.”(José Eduardo Agualusa). Caríssimos, não há viés que te salve ou te condene quando você cai de amores pelo que te cerca. De verdade. Obras. Palavras. Ditas. Ouvidas. Imaginadas. Escritas. E até, caladas. “O silêncio dói muito mais na pele do inimigo do que o grito… Desconcerta… Desmancha certezas… Toque lancinante… Linguagem dos Deuses.” (Karén Debértolis – a mulher das palavras) Linguagem que mais do que consumida, mas também assumida, é capaz de estraçalhar os mais ingrimes ‘fortes’, inclusive os que você próprio levantou enquanto (quem sabe) censurou. “Senhor cidadão, eu quero saber.. com quantos quilos de MEDO de faz um muro bem alto.” (Tom Zé).

E de repente, um pulo bem elevado, e à vista gente aos sessenta, gente aos dezenove, gente que ‘agora’ está criando, ‘bebendo’ as suas histórias. Espalhando seus contos. Atravessando em busca da sua verdade ‘feliz’. ‘Dislexando’ seus olhares. Escrevendo Irmandade. Espalhando sua melhor literatura. Hoje. Consagrada pela sua leitura. Agora.

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Bem… se a ressaca passar, a gente não quer mais parar é da ‘sede’ saciar. Isto porque achamos que as pessoas criam as próprias narrativas. Se embrenham na história inventada e, assim, vivem suas vidas. “Uma merda de vida”, como dizem no musical O Despertar da Primavera  (adaptação da peça e musical estadunidense Spring Awakening, versão do projeto Desperte, de Maringá, em 2016). Uma merda de vida é viver da palavra alheia. Uma merda de vida é recitar o poema que o outro tem que encenar. Uma merda de vida é ler e não se transformar. Uma merda de vida é saber das teorias, das crases e das métricas e não ter o coração batendo enquanto veste o uniforme de todos os dias. Uma merda de vida é a celebração dos nomes consagrados por escapismo da sua própria mediocridade. Uma merda  de vida é escrever pra aprisionar. Uma merda de vida é a linha frouxa que imposta  verdades. Uma merda de vida é ter tantas oportunidades (como a Flim, a Semana Literária do Sesc de Londrina e os momentos das Irmãs de Palavra em tudo isso) e deixar escapar. E uma merda de vida é o que as Irmãs de Palavra NÃO QUEREM!! Nem pra elas, nem pra você. E uma bela de uma vida foram nossos dias de ressaca literária. Foram todos nossos encontros com palavras, com falas, com gente. Uma bela de uma vida são todas as nossas tentativas por superação. E compreensão. E libertação. E aceitação. E, sempre, uma bela de uma vida é inventar uma história das boas. Agora, people!

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran
Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.