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‘Agora’ é que são elas!

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Pra vestir uma calça, encher uma mesa, nutrir uma casa, alimentar uma carreira, acender uma família ou um lar particular, exige-se mais do que força ou vontade. É preciso uma constante busca. A busca por um jeito próprio de se expressar, estar, dizer e se formular. No tempo. No mundo.

Já parou pra pensar que assim como ‘ela’ um dia não votava e não exercia cargos públicos, também não se publicava? As primeiras mulheres, dentro e fora do Brasil, que se lançaram na aventura da escrita rasgaram títulos como ‘monstros rebeldes’ e fugiram de terrenos seguros pelo preço de legitimar e compartilhar através de suas palavras, as preocupações e angústias do seu tempo. Porque quando se escreve é isso que se abre, caminhos por onde não se anda mais só.

Desde Maria Firmina dos Reis e Narcisa Amália, nunca mais paramos. Desde antes delas, na verdade. (Muito antes). Mas o mérito dessas escritoras precisa ser reconhecido. O romance Úrsula (de Maria Firmina) é tido como o primeiro livro de autoria feminina no Brasil. Já Narcisa Amália é considerada a primeira poetisa brasileira.

E então, o país virou terra fértil para as palavras das mulheres. O abolicionismo, as injustiças sociais, a profissão, a sexualidade. Cada tema ganhou mais que o olhar, mas também a alma feminina. Júlia Lopes de Almeida.  Lisboa dos Guimarães Peixoto Bastos. Raquel de Queiroz. Cecília Meireles. Lígia Fagundes Telles. Márcia Tiburi. Ana Cristina do Reis. Talita Rebouças. Karen Debértolis. Craolina Maria de Jesus. Conceição Evaristo. Ana Miranda. Carolina Munhoz. Mel Duarte. Hilda Hilst. Cláudia Sobreira Lemes. Maria Angélica Constantino. Anita Costa Prado. Adélia Prado. Mary del Priore. Helena Kolody. Alice Ruiz. Lígia A. Sharank Araújo. Daniela Arbex. Martha Medeiros. Adriana Falcão. Paula Pimenta. Maria Helena de Moura Arias. Camila Kaihatsu. Vera Lúcia de Oliveira. Letícia Wierzchowski. E as Irmãs de Palavra (claro!). E tantas, e tantas e tantas!

Todas em marcha. Em suas palavras, o grito  sobre a vida e sobre si mesmas. Oferecendo descobertas. Partilhando dores. Lapidando criatividade. Denunciando violência. Incitando lutas. Reivindicando espaços. Relatando amores. Despertando paixões. Escancarando mazelas, mas também as belezas do dia a dia. E assim, cavando novos postos em seu tempo, influenciam gerações e modificam culturas. Um danado de um legado! Só que no meio disso tudo tem outro poder, tão ou mais assombroso quanto mudar a história dos outros. Ao descortinarmos novas visões com as próprias palavras, nós, mulheres, desmascaramos mais que uma única possibilidade de seguir, desenformamos a nossa própria ‘forma’!

Agora é que são elas! Escritoras do Brasil, virilizando esta ação.

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.