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Dê uma pausa – por escolha e não obrigação, de todo o coração

de uma pausa

por escolha e não obrigação, de todo o coração

Sete minutos. Mobile e dedos nervosos. Email conferido. Vários sem respostas, ainda. Elevador chega. Retoque no batom. Uma piscada no whats. Centenas de bolinhas verdes. Suspiro. A porta abre. Mais digitais. Manchetes atualizadas. Ideia para publicar um texto. Depois. Agora, bolsas de escolas. Guardadas. Portas fechadas. Partida. Interrompida. Por uma carta. Acomodada no lugar do controle remoto. Descontrole. Letra cursiva. Surpresa. O relógio atrasa. Mais sete minutos. Por amor.

Por amor, a gente fica! Porque ele chega para a mulher que lê a declaração do marido. Para o pai arrebentado pelas saudades do filho que não tem mais. Para quem fez as pazes com o espelho e gosta do que vê, acompanhado ou não. Chega até para quem não mais crê naquilo que vê. Ou lê.

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O amor é um clichê. Não, AMOR é um clássico. Daqueles que atravessam eras e, claro, qualquer data, sem deixar de te arrebatar. Por quê? Porque, como um elixir, ele inspira quem está acompanhado, quem está sozinho, uma multidão toda. É sempre o amor que resgata quem está com a vida despedaçada, ou acende ainda mais quem já está radiante. Ele anda colado com nossas escolhas.

Não precisa ser dramático como as tragédias shakespeareanas, nem do outro mundo, ‘a la’ Tom e Ágatha de O Estranho Contato. Tampouco insaciável, não é mesmo Madame Bovary?

É preciso ser SEU. O primeiro amor. O nome dele? Amor próprio. Herói da sua história. Quando está ferido, vira bicho e ataca todos que cruzarem seu caminho. Se vive magoado, é criança pirracenta e pede sempre mais – só mais um pouquinho, não para ainda, nunca está satisfeito o pirralho enjoadinho. Se não confia muito em si mesmo, o amor próprio insiste com o outro e implora elogios. Se é carente, faz-se de ofendido, veste o uniforme de injustiçado e cobra do mundo o que só pode ser oferecido, nunca requerido. Mas se o amor próprio cresce ‘direitinho’ e sabe pescar da vida as coisas que precisa, se consegue resistir aos vendavais e furacões que chegam com a pretensão de destruí-lo, se de vez em quando encontra boa companhia, se sabe ficar sozinho e aprecia a própria carinha, ah, então o Amor Próprio se espalha pela terra, pelo ar, pelo mar e toca tudo que existe, simplesmente porque sabe amar-se. E sabendo amar-se, pode amar tudo que tenha uma mísera gotinha de amor também.

Texto: Irmãs de Palavra

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.