brevidade

O ‘breve’ de toda história

de uma pausa

 ‘Brevidade’

Não se trata aqui daquele biscoitinho de polvilho, que lembra os deliciosos quitutes das vovós (hoje dos chefs). E que neste inverno pode ir tão bem com uma caneca fumegando com sua bebida quentinha predileta. Trata-se, sim, do que provavelmente você está imaginando: o tempo. E toda sua velocidade, sua relatividade. Ok. Já sabemos de como os fatos podem mudar de uma hora pra outra, com uma rapidez assombrosa. E de como é vigoroso valorizar a própria história, agora. Mas, nunca (nunca mesmo) é demais relembrar. Porque, muitas vezes, relembrando é que aprendemos de verdade.
(*ah.. qualquer semelhança a fatos reais da ficção abaixo pode (ou não!) ser mera coincidência)

“- Já posso aumentar?
– Opa! Tá tranquilo – respondeu ao médico que subiu a velocidade da esteira e o fez se sentir o atleta que um dia já quis ser.

Dias. Voaram sem ele perceber.
– Cara, você tá com o coração de um garoto! Tá cuidando bem dele, hein? – garantiu brincando o cardiologista que, em seguida, franziu a testa. – Mas se eu fosse você procuraria um endocrinologia pra ver direito sua tireoide. – e fechando a cara, o que faz as marcas da sua testa ficarem ainda mais salientes, continua direto. – No ultrassom apareceram alguns nódulos. Melhor ver isso.

Semanas. Passaram mais lentas.
– Então, doutor, o cardiologista me mandou aqui …
BLÁBLÁBLÁ. Palavras nervosas. Frases confusas. Até o silêncio claustrofóbico.
Ele que não sentia nada. Saiu de um exame de rotina e foi parar na sala de ressonância pra fazer uma punção em nódulos maiores do que o padrão. Logo ‘ele’ que corria do trabalho pra escola das crianças. Da academia pra sacada com a mulher. Do futebol pra casa de amigos. De repente, estava em uma sala branca com agulhas enfiadas no seu pescoço. E elas poderiam furar tudo. Tudo mesmo! Inclusive sua rotina. Que, agora, lhe parecia um sonho.

1 Mês. Estranhamente arrastado.
O resultado. Laudo pronto. Mas ele não vai buscar. Sua mulher já está na porta do laboratório. Um instante e o barulho das crianças no carro, sem o menor contato com essa história, vai embora. Ela suspira. Olha pra cima e entre os galhos cortando o azul enxerga que poderia ficar escuro e mudo, pra sempre.
Não ficou. Essa história teve um final feliz. Por enquanto. No papel, a palavra benigno.”        

Em certas circunstâncias, a vida estende uma brevidade calorosa à você. Como uma oportunidade daquelas que ninguém pode deixar escapar! Um bilhete premiado. Dias e dias das melhores chances para usarmos nossa força na potência máxima. Porque podemos não ser os culpados pela nossa brevidade, mas somos responsáveis por tudo o que botamos dentro dela. Ah, isso somos!

Texto: Irmãs de Palavra

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.