aaa vale

Dê uma pausa – tome coragem

de uma pausa

e TOME CORAGEM!

 

Tem personagem que nos compadece com tanto sofrimento. Coitado! Tem aquele que nos seduz com um magnetismo tão florescente, que chega a ser real. Existe o que nos irrita com todas suas lições de moral. Não, nada pior do que uma criatura perfeita até mesmo na ficção. Há tipos que nos botam medo, nos fazem imaginar terrores no meio da noite. E o que falar dos que nos fazem querer cair de paixão, só para viver a mesma emoção que lemos nas páginas?

Todos eles têm uma chave em comum. E o nome dessa chave é coragem. É ela que abre a porta de um mundo novo para o personagem. A partir desse ponto, o personagem se transforma. Literalmente  acontece, porque abandona o sofá da mesmice sem fim. Mesmo que doa, mesmo que receie, mesmo que dê muitas voltas até chegar ao ponto principal, o personagem avança tomado pela coragem que cresce dentro de si. Cumpre suas tarefas, seus desejos no mundo. E sua história se expande.

O oposto disso, é o personagem que empalidece, perde um pouco de viço a cada capítulo. Não tem coragem de arriscar, de sair do lugar, finge não ver as verdades, não troca de casa, não vence seus medos, repete-se, definha, encolhe-se todo em letras cada vez mais miúdas. Sem ponto de virada nessa história.

Cada livro tem seu tema principal e outros que o atravessam. Mas em todos eles, a coragem ou a sua falta costura a trama. Arremata os protagonistas. Talvez ela seja o amuleto mágico que tanto buscamos.

Anahita, protagonista do romance ‘A Rosa da Meia-Noite’, de Lucinda Riley (sim!! vamos falar deste livro, que lemos recentemente para o clube de leitura Amigos de Palavra de Maringá, mais uma vez porque ele é um fôlego profundo), é uma dessas personagens que nos mantêm acesos. Uma indiana que nos presenteia com muitas coisas, ou melhor, sentimentos. Dentre suas características, a coragem é a mais marcante. Precisa de muita coragem não apenas para correr atrás do que se quer, mas para esperar sem perder a fé quando se está no escuro. Para acreditar na vida com a certidão da morte em mãos. E essa personagem não desiste, ela não se quebra toda frente aos inúmeros desafios que acontecem. Um fio de coragem – consistente e insistente – a mantêm naturalmente progredindo.

Uma réstia de coragem mantêm vítimas de tragédias como de Las Vegas (EUA) sobrevivendo e alimentando novas esperanças. A realidade e a literatura estão cheias de ‘Anahitas’ que nos tornam ‘Marias’, ‘Joanas’, ‘Jaoquinas’ mais agarradas a nossa vivacidade, nossa vontade de fazer e refazer, ainda que com receios, nosso próprio destino. E o que é mesmo ter coragem? Vire a próxima página, por favor. Dê uma pausa e tome coragem.

* texto Irmãs de Palavra

aa valeaaa vale

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.