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Dê uma pausa – dá um mergulho, vai!

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 Dá um mergulho, vai!

Lemos notícias. Falamos sobre tantos assuntos. Discorremos tratados, que depois são derrubados, refutados, rechaçados. Defendemos pontos de vista a ferro e fogo. Ouvimos sermões. Falamos palavrões. Ensinamos regras de etiqueta. Cumprimos protocolos. Assinamos contratos. Contamos casos. Nos calamos. Gritamos bobagens. Cantamos letras que nem entendemos. Damos lições de moral. Fofocamos. Fazemos juras de maldição. Promessas que nunca cumpriremos. Concordamos, discordamos. Temos tantos pontos de vista. Acumulamos artigos, resenhas de todo tipo. Escolhemos menus, é tanta coisa pra comer. Estudamos leis, biologia, matemática, até mesmo xadrez. Formamos e deformamos. Consumimos, produzimos conteúdos. Mandamos mensagens, e-mails, fotos, stories, selfies… Sorrindo, indo e vindo. Criamos manifestos, movimentos. Recebemos cartas. Sim, ainda existe carta, people! Sugerimos, concluímos. Gostamos de romances, thrillers, biografias, livros de fantasia. Teorizamos o mundo, a vida, a morte, as relações. Engolimos explicações. Desejamos tantas respostas.

Então, temos a poesia. Despretensioso pássaro da mente. Só quer voar, ser livre. Sentir, people! E atende apenas uma missão:  LIBERTAR!

“O rio está sob nosso passo (…) São nossos olhos que desenham sentido”.  

“Nascente,

Da terra que brota por veneráveis bolhas de ar, suave vulcão extinto.

Desço absoluto, riscando pedras. “

Maria Helena de Moura Arias é escritora, é poeta, é nossa amiga de palavra. É uma artista tão profunda quanto os rios que a inspiraram em  Palavrio (Scortecci Editora, 2014). De alagados escuros, caminhos encharcados, a leitos tranquilos ou fluxos nervosos; a história segue sem retornar, uma vez sequer, ao mesmo ponto de partida. Mergulhar nas poesias de Moura, lubrifica o olhar  da gente. Que passa a percorrer também por ‘terras mais moles’, caminhos não descobertos.

“Junto o passado em minhas profundezas. Refaço caminhos perdidos. Perco-me do horizonte estático.”

 Se até as águas turvas não fogem de si, como é que ‘eu’, correnteza limpa, vou escapar de mim? A vida merece poesia. O mundo precisa do poeta. Somos todos poemas. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

foto poesia

 

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.