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Dê uma Pausa – O mundo acabou. Não o seu nem o nosso. Mas acabou.

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O mundo acabou. Não o sou nem o nosso. Mas acabou.

“Aline abriu os olhos antes do despertador tocar. Pegou o Iphone de cima de ‘Minha vida fora de série’, em seu criado mudo, e encarou o visor sem nenhum retorno do Dani. Apenas o registro 06:57, sexta-feira, 30 de novembro de 2018.  Hesitou alguns segundos. Jogou o celular no edredom macio e pulou da cama. Com a boca cheia de espuma da pasta de dente sorriu pro espelho ao ver sua barriga, ainda esbelta. Três bochechos. E ducha ligada. Enquanto o banheiro virava sauna, Aline pensou novamente em Dani antes da descarga. Meu Deus, como ela precisava falar com ele! Quando foi jogar o papel higiênico, e encarou a fitinha com as duas listas absurdamente vermelha no fundo do lixo, deu outro pulo. Vestiu seu jeans (sem tomar banho) e a primeira blusinha branca na pilha de muitas outras. Passou pela sala de visita, de estar, de TV, pela cozinha, até chegar ao hall despercebida. O pai falava ao celular na mesa do café. A mãe também. Em quinze minutos Aline estava, sozinha, na estação. Apesar dos 15 anos recém completados; loira, de olhos verdes, com dinheiro na carteira e peitos grandes, ninguém barrou Aline, que embarcou às 8h55 pra Barbacena. Ao sentar na poltrona 7, sorriu para o homem que estava ao lado enquanto tentou mais uma vez falar com Dani, antes de bater na porta da casa do pai do filho que esperava.  

“Rafael acionou a soneca do maldito despertador que o chamava pro inferno do trabalho que pagava seu aluguel. Mais cinco minutos antes de levantar o esqueleto. Toda sexta-feira o mesmo dia, em Barbacena. Toda vez o mesmo desejo, não ir. Rafael se arrastou bocejando pra estação. Bilhete seis. Tanto faz, obrigado! Os olhos baixos não notaram o sorriso da loira que sentou bem ao seu lado. Calado virou pra janela, fitou o cerrado mas não enxergou nenhuma Magnolia bem diante do seu nariz”.

Aline, uma adolescente grávida, e Rafael, um quarentão depressivo; são personagens fictícios e atuais. Mas se fossem reais e vivessem em um passado recente, poderiam – de verdade – serem embarcados no trem para Barbacena, com parada no Colônia. E nunca mais voltarem para suas casas. Colônia foi um hospital criado pelo Governo mineiro no início do século passado para atender pessoas que sofriam com doença mental. Acabou como depósito de gente. Jovens solteiras grávidas. Depressivos. Viciados. Crianças portadoras de síndromes. Mendigos. Os desviados do padrão de excelência de uma cultura excludente e cruel. Muitos que incomodaram, foram condenados a uma vida desumana.

Mais de 60 mil pessoas morreram neste hospício. Mais de 1800 corpos foram negociados com faculdades de Medicina, por pelo menos 600 mil reais. Mais de 70% dos internos não tinha diagnóstico de doença mental. Mais que números, um verdadeiro holocausto, que a jornalista Daniela Arbex deu voz no livro-reportagem ‘Holocausto Brasileiro’ (Geração Editorial, 2013) e depois continuou dizendo em um filme da HBO e Vagalume Filmes (2016), baseado na obra.

Claro que o final do ano de 2018 está chegando e queremos falar das henas, de chaminés de onde caem presentes mágicos, do bom velhinho e das luzes nas cidades encantadas. Das compras de Natal e dos perus. Assuntos interessantíssimos! Mas o mundo acabou. Não o seu nem o meu. Mas acabou para os prisioneiros do Colônia, pelo menos para a maioria deles. E a gente sabe que as histórias gostam de se repetir, até que o mundo não precise mais delas. E talvez, só talvez, ainda sejamos os mesmos. Aqueles que jogam a “sujeira” para baixo do tapete, para ninguém ver. A casa arrumada, perfeita. A família tradicional e do bem, sagrada. Os cidadãos exemplares, em fila. Todos juntos cantando velhos hinos de Natal, mas que surpresa se abrirmos seus porões, mas que surpresa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

holocausto

 

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Dê uma pausa – sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

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Sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

“O pai queria os dias da mulher e dos filhos sem muros. Livres. A filha, pequena, queria o conforto de um endereço fixo. Ele queria que os filhos aprendessem vivendo aventuras na estrada. Os filhos queriam ir para uma sala de aula com roupas limpas. O pai sabia, e gostava, de não ser como todo mundo. Os filhos tinham vergonha de viver tão diferente do resto.  A mãe sonhava com o pai. Sobravam livros. Faltava comida. Tinham muitos risos e todas as estrelas do céu. Mas dívidas também. E perigos reais. Enquanto ele sonhou com um castelo de vidro, os filhos acordaram para outra vida. E foram embora. A mãe ficou. E depois, sobrou.”

O Castelo de Vidro,  Jeannette Walls, editora Nova Fronteira, 2007. Um livro de memórias (também tem o filme baseado na história da família da jornalista e escritora norte-americana Jeannette Walls) fala do perigo de uma história ‘só’. A história nunca é mesmo uma só. Nem a direção certa. Nem a da Jeannette nem a sua. Esse é um livro que acorda você, te faz desejar criar um lugar no mundo. O seu lugar. Não o do seu pai ou da sua mãe, não o dos filhos ou irmãos. Nem dos amigos, vizinhos, príncipes ou princesas. O seu lugar. Seu.

Sim, sonhamos com castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

(Ah, sobre a nossa foto, é que estivemos num castelo este ano e, bem, é mesmo encantador. Mas não, obrigada. Foi só de passagem!)

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DÊ UMA PAUSA – tempos sombrios estão chegando…

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Tempos sombrios estão chegando…

E estão vindo rápido. Cada vez mais rápido.

Pode ser através de uma manchete de jornal, uma mensagem de WhatsApp ou um sinal dos céus; um grito no escuro, ou mesmo um sonho devastador. Não importa, o lado sombrio dos contos de fadas nos persegue há milhares e milhares de anos. E em algum momento, eles, finalmente, irão nos alcançar. E então, você terá que enfrentar o mundo, o seu mundo. Você terá que tomar suas próprias decisões. Sem fantasiar ou se enganar.

É assim desde os tempos mais remotos. Os homens contam (e vivem) histórias assustadoras.

Humanos ou feras? Crianças perdidas ou abandonadas à própria sorte na ‘selva’? Garotinhas que não obedecem os pais ou criaturas canibais? Amantes irresistíveis que te salvam do ‘sono’ profundo ou príncipes encantados que estupram a bela enquanto ela dorme? Reis benevolentes ou tiranos insanos?

‘ERA UMA VEZ’… Karin Hueck tinha razão em ‘O lado sombrio dos contos de fadas’ – As origens sangrentas das histórias infantis (Super Interessante, 2016), basta estalar essa frase nos seus ouvidos para que o leitor passe a habitar um mundo fantástico. E a acreditar nele e a defendê-lo com unhas e garras. É assim que acontece. O ser humano tem uma propensa queda pela imaginação criativa desde o começo do mundo. O que é maravilhoso, histórias inacreditáveis nos enche de potência, de coragem, de força e de vontade. De fé. Seremos os mais bravos guerreiros! Mas como dizem por aí – e talvez seja até verdade – tudo tem o tal lado “B”. Nos contos de fadas, são os monstros de duas cabeças, feras sanguinolentas, o lobo mau, buracos que não têm fim, bruxas que comem criancinhas. Na vida real, temos as contas que não têm fim, fake news, ditadores, assassinos, gente sem escrúpulo espalhando o medo, o preconceito e o terror pelo mundo. Karin Hueck defende a utilidade disso nos contos de fadas: “Quando uma criança ouve ou conta uma história sombria, ela mergulha no mundo da fantasia. Os enredos violentos seriam, então, um treino para a vida futura. Em vez de ir para a floresta enfrentar lobos e bruxas, a criança simula o perigo dentro da sua cabeça, mas ainda em segurança. Segundo essas teorias, seria algo parecido com o simulador de voo usado pelos pilotos: em vez de correr o risco de se espatifar no chão, a aula é feita em um ambiente seguro”.  O problema é quando o perigo foge das páginas e assume o mundo real.

Ainda que o faz de conta seja mais sombrio que sua realidade; você é tentado e até gosta de imaginá-lo e, às vezes, de habitá-lo. Porque as versões mais obscuras das histórias nos colocam mais próximos de nossa própria humanidade, que sempre foi e sempre será, cercada de perigos por todos os lados.

E foram felizes para sempre”, como as histórias podem insistir nessa bobagem? Talvez seja só uma brincadeirinha, um jogo de palavras. Eles não foram felizes para sempre, foram fortes para sempre. Eles lutaram. Para sempre. Sem fraquejar. Para sempre. Resistiram. Para sempre. Não há brincadeirinha alguma nisso, nem jogo de palavras. O resto é história (e nós adoramos!)

Texto das Irmãs de Palavra

Nos despedimos com um “continho” inocente dos lendários  Irmãos Grimm, em ‘O pé de zimbro’.  Coisa de criança: “ERA UMA VEZ… um casal que queria muito ter filhos. Quando eles finalmente conseguiram gerar um menino, a mãe morreu. Logo o pai se casou novamente e teve uma filha com a nova mulher, que odiava o enteado. Um belo dia, quando o menininho voltou da escola, a madrasta perguntou se ele não queria uma maçã, e o mandou buscar a fruta de dentro de um pesado baú. O menino se ajoelhou, abriu o baú e – pimba! a madrasta fechou a tampa sobre sua cabeça, que saiu rolando pela casa. Desesperada, a mulher botou o corpinho do menino sobre uma cadeira, equilibrou a cabeça por cima e enrolou um cachecol ao redor do pescoço para disfarçar. Então ela chamou a filha. ‘Marlene, seu irmão não quer dividir a maçã com você. Dê-lhe um tapa na orelha’, disse. A menina obedeceu, e a cabecinha do irmão rolou pelo chão. ‘Marlene, o que foi que você fez?’, gritou a mulher. Então, a madrasta picou o corpo do filho e fez um cozido com ele. Quando o pai chegou, ela serviu o ensopado. ‘Mulher a comida está deliciosa’. “

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DÊ UMA PAUSA – Precisamos de Paz e Tolerância, acima de qualquer coisa.

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Precisamos de paz e tolerância, acima de qualquer coisa.

Domingo, 11 de julho de 1943 : “Querida Kitty, deixe-me dizer que estou fazendo ao máximo para ser útil, amável e gentil, e para fazer todo o possível na tentativa de transformar a chuva de censuras numa simples garoa. Não é fácil tentar se comportar como um modelo de criança com pessoas que a gente não suporta.”

Terça-feira, 8 de fevereiro de 1944 : “Não posso contar como me sinto. Num minuto desejo paz e silêncio, e no outro quero um pouco de diversão. Nós nos esquecemos de como se ri – falo de rir tanto a ponto de não conseguir parar. Hoje de manhã dei risinhos, você sabe, do tipo que dávamos na escola.”

Sábado, 25 de março : ” ‘Um dia vazio, mesmo claro e puro. Como qualquer noite, é escuro’. (escrevi isso há algumas semanas, e não acho que seja mais verdade, mas incluí porque meus poemas são poucos e espaçados)”

Terça-feira, 13 de junho de 1944 : “Será que me tornei tão encantada pela natureza porque estou trancada há tanto tempo? (…) uma das muitas perguntas que me incomodam é porque as mulheres eram vistas, e ainda são, como inferiores aos homens. (…) Acredito que, no correr, do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas!”

(trechos do Diário de Anne Frank)

Por trás da história, há sempre outra história. Em qualquer tempo, a tolerância existe porque resiste. Poder conversar, falar e ouvir, expressar o que pensa, mostrar o que sente é um ato político. Uma necessidade primária. A grande necessidade. Aquela que sustenta todas as outras. Universal e atemporal. A necessidade de ser LIVRE.

Como muitas adolescentes, Anne Frank (que era alemã e judia) descobriu cedo como sofre quem não tem essa necessidade atendida. Quem é impedido, por sua nacionalidade, religião, descendência, cor ou gênero; de exercer o mais humano de todos os direitos: viver em liberdade na sociedade. Anne, por causa da perseguição nazista, teve que se esconder com sua família e outras pessoas, em um cômodo secreto de um edifício comercial no centro de Amsterdã. Aos 13 anos começou a escrever em seu diário. Foi com ele, ou melhor, com sua amiga imaginária, Kitty (para quem ela contava tudo o que ocupava o seu coração) que encontrou um instrumento de liberdade para vivenciar suas histórias: a escrita. Nas primeiras páginas, ocupações de escola, coisas sobre amigos. Mas isso em meses mudou. Tempos de guerra. O diário ganhou relatos de sobrevivência de quem resistiu o silêncio e a opressão no Anexo Secreto.

O final da história desta talentosa garota, o mundo todo conhece. Morreu de tifo em um campo de concentração, poucos dias antes de ser decretado o fim da Segunda Guerra Mundial. Alguns anos depois, seu pai, Otto Frank (o único sobrevivente da família) editou e publicou o diário da filha: O diário de Anne Frank. Livro que já vendeu mais de 30 milhões de cópias.

É triste. É muito triste. Perseguições de todo tipo. Diferenças pela cor, pelo sexo. A crença absurda e medíocre de que uns sejam melhores que outros. Anne Frank é uma figura imortalizada por deixar ao mundo uma grande mensagem: Precisamos de Paz e Tolerância, acima de qualquer coisa.

O edifício onde a família Frank e outros judeus viveram escondidos é um museu, o museu Anne Frank. As Irmãs de Palavra estiveram recentemente lá. Milhares de pessoas, vindas dos mais diferentes países, visitam o local e se compadecem com a história dessa garotinha. Que toda essa empatia nos sirva não só para lamentações, mas – principalmente – para sermos no mundo a mensagem viva de Anne Frank: PRECISAMOS DE PAZ E TOLERÂNCIA, ACIMA DE QUALQUER COISA. O resto é história (e nós adoramos!).

texto Irmãs de Palavra

museu anne frank

 

 

 

 

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Dê uma pausa, é Paris, Shakespeare, livraria, tudo junto!

 

de-uma-pausa-300x153é Paris, Shakespeare, livraria, tudo junto!

 

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Não, não estamos na Inglaterra.

“Há mais perigo em seus olhos do que em vinte espadas”. (William Shakespeare)

O que você vê é um canto épico (para os amantes literários), em homenagem ao poeta, ator e dramaturgo inglês. Essa é uma livraria famosa em Paris, fica numa ruazinha charmosa, bem pertinho da Notre Dame – a “Shakespeare and Company”. As Irmãs de Palavra não podiam deixar de ir! Cheia de livros e de gente envenenada por um amor que não mata. Cria histórias! Logo de cara, quando você ultrapassa o verde da porta, um colorido pastel de obras por todas as paredes, que sobem e descem num frenesi sem fim – de livros (livros e mais livros e mais livros). A poltrona larga de veludo é um convite para você chegar. Mas aí, ao lado, uma pequena e apertada escadaria de madeira te invoca à subir e encontrar ainda mais livros e, por fim, a réplica do quarto de Shakespeare, com sua cama e todo um cenário fascinante. Foi nesta ‘livraria mágica de Paris’ que as Irmãs de Palavra deixaram mais do que marcas (para falar a verdade, deixamos nossos marcadores!), esquecemos o cansaço de um dia todo ziguezagueando pela ‘cidade luz’ e seguimos com olhar revigorado.

Feito o romance “A livraria mágica de Paris” (Nina Georgi, 2013 – publicado no Brasil pela editora Record em 2016), a “Shakespeare and Company”, quer revelar ao mundo uma verdade universal: o poder dos livros. Mais precisamente, o poder das histórias. Na obra em questão, que lemos no clube do livro AMIGOS DE PALAVRA de Maringá, um livreiro amalucado, navega num barco-livraria pelo rio Sena até desembocar no mar, oferecendo histórias como se prescreve remédios, afim de curar as pessoas. Isto é, dependendo de qual mal você sofre, terá que ler um determinado livro para se livrar da doença (mal de amor, um belo e esperançoso romance, por exemplo). Essa é uma metáfora preciosa – e talvez a grande responsável pelo sucesso do livro – histórias têm poder de cura. Curam o tédio, a ignorância, a prepotência, a falta de criatividade e de ânimo. Depois de uma leitura incrível, você pode até ficar mais corajoso, mais amoroso, mais romântico. Pode inclusive se tornar um amante mais vigoroso. Lendo um livro cheio de aventuras, você quer sair por aí e conhecer novos mundos. Quer desafios. Ou pode ter vontade de aprender uma outra língua, fazer um curso, comprar uma moto ou uma casa na Toscana – que maravilha! É assim que os livros curam, as histórias pulam das páginas e tomam sua cabeça, fazendo um reboliço barulhento. Aí, quando você volta para o seu dia a dia, ah, já não é mais o mesmo! Quer mais beijos, mais conversas regadas a vinhos e risadas, quer andar a cavalo, esquiar, quer um salário melhor, quer justiça, quer dar sua opinião. Quer dar vazão. Porque no fundo, todo mundo é um personagem inesquecível. E os livros vão sempre te lembrar disso. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

“– Os livros podem fazer muitas coisas, mas não tudo. Às coisas mais importantes a gente deve viver”. (Nina Geoefi). 


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DÊ UMA PAUSA, mande tudo à merda e vá para Paris

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mande tudo à merda e vá para Paris!

Sim, é isso mesmo que você acabou de ler, tudo à merda. As restrições de uma vida adulta correta, direita e limpinha – à merda. Traumas infantis, desajustes, rejeições, tapeações – à merda. Papéis sociais impostos goela abaixo por tantos séculos – à merda. Obediência cega, julgamentos alheios – à merda. Desejo por agradar sempre, ser aceito, admirado, ter certeza, dar a última palavra – à merda. Todos os ‘deverias’ (os que você direciona a si mesmo e às outras pessoas) – à merda. Porque nada disso cria uma história pessoal emocionante. E é só essa a nossa tarefa: que a nossa história desperte e ilumine a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor. Inspire vidas!

E pra começo de conversa, sua história tem que ter estrutura, vocabulário, argumentação, caracterização, enredo, tudo diferente do que já foi feito (não temos mais paciência para plágios) – você pode mandar tudo à merda e inventar sua própria assinatura – coragem! Quem sabe uma vida com estilo francês (menos jornada de trabalho, mais atenção à saúde e aos prazeres, mais leitura e muitas caminhadas) te inspire! Dizemos ‘inspire’ porque, na real, a jornada do herói (sua jornada) tem mesmo que seguir os seus desafios e não os dos personagens de ‘outros livros’ – à merda com a necessidade de fazer tudo igual, seguir o velho caminho. A (sua) vida merece um desfecho surpreendente. Só que pra isso, mon cher, não tem jeito; você precisa enfrentar seus medos e todas as ânsias que lhe colocaram num prato à mesa e você, bobinha, engoliu, porque se deixou ser levada a essa vidinha que está, agora, querendo mandar à merda. Que bom! E o final dessa história, bem, não se preocupe, o final é o último dos capítulos (e geralmente ele se resolve sozinho).

Preocupar-se menos com o que se espera da nossa história e deixar-se em paz com o presente é um desafio. Desafio que o filósofo francês e especialista em meditação, Fabrice Midal, nos faz com o seu livro ‘A arte francesa de mandar tudo à merda – chega de bobagens e viva a sua vida’ (Planeta, 2018). Sabe… Você está exatamente aonde se colocou. Então se pergunte: Você está vivendo uma grande aventura, agora? O que te faz perder tempo (de verdade)? Qual é o seu tempo? Por que se autocriticar, compreender tudo o tempo todo? Qual a sua maneira de abraçar a vida, de ser no mundo? Midal, com suas reflexões, em um texto leve capaz de rasgar risos e franzir sua testa, nos puxa para o grande salto que é viver mais amistoso conosco mesmo. Até a medicação ele descomplica. Frouxos do controle sufocante, do saber absoluto. E enlaçados a intuição e a criatividade. Para, então, deixar-nos em paz!

Se deixe em paz e vá para Paris, peça um vinho rose da Provence, uma bela salada com froisgras e admire o movimento parisiense através de uma cadeira de um bistrô na Boulevard Saint German, porque as garotas de Palavra são rivegouche girls. Se coloque na faixa da abundância, se coloque aonde quer estar e diga adeus aquele velho ‘eu’ e se reconstrua. É… Vá mesmo para Paris! Não deve ter melhor lugar no mundo do que a cidade Luz pra se reinventar. Já reparou que pensadores, artistas, músicos, escritores e a própria moda, todos tomam fôlego quando passam por essa cidade? Pura provocação. Total à merda com o mundo retrógrado.

Vá à merda toda essa cafonice de determinismo genético, ancestral e de gênero. Vá, seja feliz, ouvimos dizer que Paris é uma Festa! Aqui também pode ser. Afinal, escrever a sua própria história e querer que seja um sucesso, bem, precisa de muita ousadia e sonhos próprios aqui ou lá (em Paris). O resto é história (e nós adoramos!)

Direto de Paris, bem aqui, Irmãs de Palavra e Amiga de Palavra … (texto a seis mãos só pra VOCÊ).

merda vale

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