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Dê uma pausa – a história hoje tá salgada

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A história hoje tá salgada.

Ninguém resiste a um salgadinho ou outro. Pode confessar, vai! Até quem tira um dia para o ‘no carbo‘, ou vive de olho na dieta, tem uma hora que acaba se rendendo aos famosos petiscos: os salgadinhos. Temos os básicos: coxinha, risoles, bolinho de milho, pastel de vento; os intermediários: empadas, pizza frita, tortas de todo tipo; e, por fim, os gourment: quirches, canapés, folhados, até o finger food. Mas temos também, SEBASTIÃO SALGADO. Que num só click capta e tempera tudo: o básico da vida, as estações intermediárias e a mais fina sensibilidade para a natureza e para o humano. Olhar em trânsito, que não apenas informa, mas descortina a imensidão numa só imagem. “Mas será que estar informado basta? Será que estamos condenados a ser meros espectadores? Será que temos como interferir no curso dos acontecimento?” (Sebastião Salgado, Êxodo, 1999)

Mineiro, graduado em economia, com doutorado em Paris, Sebastião Salgado transformou um hobby, a fotografia, em uma arma letal para a apatia diante da realidade social e a beleza natural. Não apenas de sua cidade, seu estado e país. Mas do mundo! Ele criou uma linguagem própria, as famosas fotografias em preto e branco, que investigam a luta do homem e da natureza pela vida. Em livros mais antigos – e tão atuais – como ‘Outras Américas’, ‘Terra’ ou ‘Êxodo’, ele estampa  as fragilidades humanas, aparentemente tão distantes, de camponeses,  refugiados, exilados ou sem terras. A desgastada migração humana. Em ‘Gênesis’ (2011), último grande projeto do fotógrafo, as imagens capturam porções de terras ‘intocadas’, pedaços limpos de nossos corações. “Ver e mostrar a riqueza deste planeta, a personalidade, dignidade de muitas paisagens e pessoas.”

Um lado sombrio, cruel e triste. O reverso, cheio de luz e possibilidades. Você. Nós. A Terra. O mundo todo. Somos todos capazes do pior. Somos todos dotados do melhor. A desconfiança, a matança, a inveja, traições em diferentes focos. A chance, o riso, o rio, a bonança, a cor, dar as mãos para amar o planeta, o outro e a si mesmo. Você escolhe a que dar vazão. Você responde sim ou não. Preto no branco. Uma nova vida ou apenas aquele velho e desgastado bordão: Não tem mais jeito, não tem mais jeito. Pra política, para o Brasil, para seus sonhos, para o amor, para a literatura nacional, a educação, o efeito estufa ou qualquer outro tipo de miséria humana. Sebastião Salgado escolheu o amor à Terra, em cada imagem que bota no mundo. Preto no branco. Você e nós, bem, escolhemos o quê?

De qualquer jeito, sempre haverá todo tipo de salgadinho. Os básicos, os intermediários, os mais elaborados e, ainda, aqueles que já não servem mais, estão estragados. Você escolhe. Preto no branco. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

 

 

 

 

sebastião salgado

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Dê uma pausa – a história hoje é sobre expressividade e força. A sua força.

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A história hoje é sobre expressividade e força. A sua força.

No quadro da parede. Na almofada da poltrona. No descanso da taça. No livro em cima da mesa. Frida Kahlo. Só alguém cheio de vitalidade e expressão, poderia, mesmo depois de mais de meio século longe daqui, estar por nossos cantos mais queridos, ainda nos inspirando. Talvez não seja pelas pinturas. Somente. Ou pelas cores. Simplesmente. Nem mesmo, apenas, pelas palavras transgressoras. Toda intensidade de Frida Kahlo continua rasgando ideias prontas, empacotadas, amarradinhas, bonitinhas e ordinárias. A historiadora de arte Heyden Herrera nos apresenta em ‘Frida – a biografia’ (Globo, 2011), a original e por que não, espetacular, vida ‘real’ dessa pintora mexicana.

“Não sou surrealista. Não pinto sonhos. Pinto minha realidade”

Avessa a rótulos, Frida não se rendia à pomposidade de estar na moda ou no grupo proeminente. Na verdade, detestava colecionadores de arte. Ela só queria tudo que fosse de verdade. Gostava da arte mundana, da rua, chamava de arte pura. Detestava aquela-gente-chata-intelectualizada-cheia-de-teorias-mas-que-nunca-fazia-realmente-nada! Nada que arrepiasse o corpo. Ou  pelo menos entusiasmasse.

Poliomielite. Acidentada. 35 cirurgias. A perna de pau viu beleza na desgraceira toda de sua saúde que minguava a cada dia.  Amou descontroladamente. Todos. Talvez mais Diego Rivieira. Mulheres. Homens. Amou a si mesmo. A vida. O mundo inteiro. “Ninguém nunca vai saber como eu amo Diego. Diego. Início. Diego. Construtor. Diego. Meu bebê. Diego. Meu namorado. Diego. Pintor. Diego. Meu amante. Diego. “Meu Marido”. Diego. Meu amigo. Diego. Minha mãe. Diego. Universo. Diversidade na unidade. Por que eu o chamo de meu Diego? Ele nunca foi nem nunca será meu. Ele pertence a si mesmo. “

Atravessou 3 mortes. Suportou o insuportável. “A pintura tem preenchido a minha vida. Perdi 3 crianças e uma série de coisas que poderiam ter preenchido esta vida miserável. A pintura substituiu tudo”. “Onde não puderes amar não te demores”.

Morreu cedo. Viveu muito! Aos 47 anos, na madrugada de 13 de julho de 1954 foi encontrada morta. Em seu diário, últimas palavras. “Espero alegre a minha partida e espero não retornar nunca mais”. É, para que mesmo novos ‘pés, pra quem tem asas’!

Só não podemos andar por aí com a camiseta estampada de Frida Kahlo e esquecer de viver a própria vida. Do seu jeito mesmo. Porque a sua vida não é sua até que você a preencha com olhos sagazes e cheios de vontade, com coragem  de simplesmente dizer a que veio. A sua vida não é sua até que você vença os padrões, corte cordões, jogue fora os exemplos e siga um caminho inventado por si mesmo. Frida Kahlo não deve ser idolatrada, maculada ou adorada. Ela é uma trovoada que pode acordar você da lenga-lenga de uma vida dissimulada. Para pessoas assim, dissimuladas, boazinhas e empapadas, ela tinha uma boa frase: “Para resumir, uma pura e total porcalhada”.  

E para acabar com nosso papo de hoje, vamos de conselho Frida Kahlo (numa das cartas que enviava a amigos) “um pouco de diversão, não podemos abandonar esse mundo sem nos divertimos um pouco nele”. O resto é história (é nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

frida irmãs de palavra

 

 

 

 

 

 

 

 

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Dê uma pausa – a história de hoje é sobre girafas

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a história de hoje é sobre girafas

Mais precisamente sobre o pescoço das girafas. Pescoços gigantes. Dois metros e meio só de pescoço, 270 quilos de puro pescoço, 20 anos de muito pescoço. 20 minutos apenas de sono diário. Na verdade, vamos falar do pescoço humano. Bem menor. Quase ínfimo se comparado. Esse pescocinho que no final da vida – quando já se está velho, gasto e murcho – é mesmo um horror!

Humor é o que não falta à escritora, roteirista e diretora de cinema, Nora Ephron, no livro ‘Meu pescoço é um horror’ (2007). Pra começar: esquece essa ladainha de que envelhecer é só bom. Existem os percalços e você deve prestar MUITA atenção. Tudo bem, avançamos a geração das mulheres de cinquenta com rostinho de quarenta. Hoje, muitas de sessenta estão com tudo em cima, exceto por um gigante detalhe. O pescoço! Maldito delator. Por isso, não duvide de Nora quando ela revela o que tem valor nessa vida. Não deixem de cuidar também de seu ‘pescoço’. E com ele, cuide de tudo que fica meio escondido. Seus desejos secretos, seus sonhos mirabolantes, seu amor pela vida, os pensamentos diários, as amizades mais íntimas. Tudo também envelhece com você. Mas, no final, não precisa ficar um horror, como o seu pescoço inegavelmente irá ficar.

As verdades do caminho. A tecnologia é uma merda. Na hora H, pode falhar. Faça back-up de seus arquivos. Os filhos vão embora. A carreira por mais bem-sucedida, vai ter grandes ou pequenos erros. Não existem segredos. Anote tudo. Aos quarenta e pouco terá saudade do corpo que achou ruim aos trinta e poucos.  Se você tem vinte aninhos, vá de biquíni à padaria (ou de sunga). Não se arrependa depois. Como pode esperar tanto tempo pra ler aquele livro que faz você avançar as quatro paredes do quotidiano? Os amores, os apartamentos, os cachorros, trate tudo com esmero. Tudo é você. Suas férias, a taça de vinho diária. As idas ao cabeleireiro, não desmereça esse tempo nem duvide do poder de uma tesoura eficiente. Seu pescoço vai dobrar-se e marcar-se a cada fracasso seu. A vida que você carrega vai minguar-se – gota a gota – toda vez que você não se importar mais, toda vez que você esquecer de sorrir, toda vez que você desistir de si mesmo, toda vez que você não se reinventar.

“Que falta de imaginação me fizeram esquecer que a vida era cheia de outras possibilidades, inclusive a de tornar a me apaixonar?”

Tudo é ‘história’. Menos essa de você cuidar melhor do seu ‘pescoço’. Palavras da Nora Ephron. Uma gigante. Pra falar a verdade, as Irmãs de Palavra discordam um pouquinho. Você até pode dar um jeito no pescoço horroroso e usar uma echarpe ou uma camisetinha de gola rule, só não se esqueça que a alegria-maluca-da-vida não pode murchar quando você envelhecer. O resto é mesmo história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa – nós temos uma história de irmandade pra você

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Nós temos uma história de IRMANDADE pra você.

O substantivo feminino irmandade, define mais do que está no dicionário: relação de parentesco entre irmãos. Ele fala das mãos que se dão, dos objetivos que se encontram, de talentos páreos, paixões compartilhadas, ajuda mútua, e disputa que estimula. Etimologicamente, a palavra irmandade surgiu a partir do latim germanitāte. E vem se moldando como uma comunhão, confraria que desenvolve os pares. Talvez seja um bom jeito de enfrentar o mundo – juntos. Feito uma rede de apoio. Você, com certeza, exibe suas associações, suas lutas em comum na vida. Pode ser entre amigos, conhecidos, sócios, família, casal ou entre irmãos de fato.  Em algum momento, a irmandade acontece e espanta a solidão que nos ronda (continuamos unos, mas não tão sozinhos).

Clarice Lispector trocava mais do que cartas (Minhas Queridas) com as irmãs. Elas compartilhavam a vida em palavras (e sentimentos e sensações e declarações e conselhos e, claro, segredos…). Selton e Dalton Mello cresceram juntos em casa e o no set. Partilham a arte da vida nos palcos e nas telas. Simone e Simaria comungam histórias cantando. Juntas. Não é curioso como a irmandade ultrapassa o DNA? Os exemplos não acabam nunca mais: Stranger Things é obra de quatros mãos nervosas no teclado, dos irmãos roteiristas Duffer; os Gêmeos, dupla de irmãos grafiteiros do Brasil, exporta o talento para o mundo; os irmãos Grimm povoam milhões de mentes com seus contos de fadas; as irmãs Moriarty abraçam o romance e espalham suas histórias; Paula e Bruna Vieira são as irmãs responsáveis pela franquia Café du Centre (dez lojas no Brasil e agora em Londres); Kelly e Dany Fran- Irmãs de Palavra;  e a lista seria interminável. Irmandade é uma aliança sem fim.

É uma química produtiva, essa de unir-se ao outro. Consanguíneos ou não. E, no final da história, se estivermos realmente dispostos a desenrolar o novelo do mundo, descobriremos a verdade: tudo é irmão de tudo. Como uma imensa e complicada teia que conecta todos. A dupla. O trio, o quarteto, a família, o grupo,  a comunidade, a sociedade,  os amigos e inimigos, a fauna, a flora, os rios, os mares, os ares, a terra, o mundo, o cosmo, o universo. Tudo. Tudo é irmão de tudo.

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa e… vá ler! – Uma história dos ‘pratos da casa’

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E vá… ler! – Uma história dos pratos da casa

Pode parar, chega dessa ladainha de que os clássicos britânicos ou best sellers amerianos e não sei mais da onde são os únicos queridinhos dos leitores. Não é nada disso. Ou melhor, não é só isso. Temos pratos da casa divinos. Temos para todos os gostos e não paramos mais de inventar novas receitas. Ou melhor, novos livros.

O Chico Bento cresceu, virou agrônomo e os HQ´s de Maurício de Souza nunca venderam tanto. A turma da Mônica Jovem chega a vender mais de 300 mil exemplares por mês. Mas não se trata apenas de cifras, mas de vidas lendolendolendo AUTOR NACIONAL. A imortal Clarice Lispector continua dialogando sua brasilidade com amantes de uma história visceral, ou quem sabe com atuais pré-vestibulandos dê olho em ‘Laços de Família’. Ernani Ssó é um autor refinado, que produz literatura de gente grande.  Chacal, Ben Oliveira, Carolina Maria de Jesus, Maria Firmina dos Reis, Martha Medeiros, Cláudia Lemes, Cora Coralina, Eduardo Spohr, André Vianco, Camila Kaihatsu, Thalita Rebouças. Pra não deixar de falar, é claro, dos bichos do Paraná, Dalton Trevisan, Leminske, Karen Debértolis, Rodrigo Garcia, Nailor Marques Jr.,Oscar Nakasato, Domingues Pellegrini, Marcos Peres, Helena Kolody, e a lista não acaba mais! Brasil, terra gigante, de gente gigante.

Os pratos da casa são mesmo variados. Tem livros para todos os gostos e sabores. Sem dúvida que no nosso  menu existem pratos estrangeiros (ah, muitos! Deliciosos, consistentes, saborosos até você derreter de prazer). Não gostamos de uma cozinha estritamente regionalista.  Tudo fica melhor numa mistura. É óbvio que costelinhas australianas são famosas e suculentas (leia Liane Moriarty) , mas é que no mundo inteiro ninguém faz acarajé como o nosso (leia Jorge Amado). Pense bem, uma cozinha cosmopolita é bem mais divertida.  Você começa tímido, dá uma garfadinha, um belisco bobo. Quando encerra a ceia, ainda se vê debruçado na mesa, lambendo as travessas e sugando os dedos. Dê uma pausa, e vá… LER!

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Dê uma pausa e leia uma história sobre ‘movimentAMOs’

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e leia uma história de “MovimentAMOs”

Os gramáticos que nos perdoem, mas o escritor, um gigolô das palavras como bem intitulou Luis Fernando Verissimo, pode abusar de códigos e criar novas relações entre termos. Portanto, hoje vamos falar de “MovimentAMOs”.

Marcio Attala (BemStar & Movimento) já definiu: movimento é bem-estar. Saia do sofá, circule pela casa, estique-se: uma leve onda de bem-estar. Desça as escadas do trabalho, suba as do prédio, encontre uma atividade física que tenha a ver com você e faça como hábito: uma grande onda de bem-estar. Sem modismos, exageros ou grandes sacrifícios: movimente-se, orienta Atalla, afinal, procuramos o bem-estar, não é mesmo?

Na outra ponta do iceberg, está a antítese do movimento, a inércia (uma força física poderosa que pede imobilidade). Aquela pasmaceira de não sair do lugar. Parado, lacrado, cercado, fixo, apático, estático, quieto, imóvel, molenga, mole, morto.

Uma vírgula na oração. É pausa, é suspiro. Movimento. Trocar uma palavra por outra, mexer no texto. É fluxo, é busca, é refluxo. Movimento. Outro fôlego na entonação. Uma releitura. Descobertas, novos sentidos. Movimento.

O seu dia a dia pode ser preenchido por passos minúsculos. Receios de movimento: para onde ir? que palavra usar? por onde começar? “MovimentAMOs”

A sua vida pode ser exigida em grandes saltos. Guinadas radicais. Mudanças monumentais. Rumos estratosféricos. “MovimentAMOs”

Marcio Atalla sabe que corpo parado não alcança bem-estar (“MovimentAMOs” ele!). As Irmãs de Palavra sabem que palavras fixas não criam uma boa história (“MovimentAMOs” elas!). E todos nós sabemos, sabemos o quê? Que o verbo é esse, movimentAMOs.

Texto das Irmãs de Palavra

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