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Entre muros, cortes e costuras

Apertando as mãos de Juan, antes mesmo de dizer prazer em conhecê-lo, Katherine flagra aqueles bonitos olhos puxados encarando o muro que os acompanha. Ela nunca tinha reparado direito naquele concreto. Era apenas sua Lima ‘mais protegida’, ‘menos feia’. Juan Diego, acostumado a observar todos os dias aqueles tijolos do outro lado de Lima, não disfarça a surpresa em não ver diferença de um cimento pro outro.

Katherine e Juan Diego são personagens ficcionais inspirados em uma história real que eu conheci essa semana. Mas na Venezuela de hoje pode existir muitos Juans e um bando de Katherine, todos espalhados ao redor do inacreditável muro construído com recursos particulares dos próprios moradores (do bairro de quem tem grana, é claro!). Para separar, segregar, diferenciar, isolar, ‘guardar’ pobres e ricos. De quem? Do quê? Perplexa com o surrealismo da realidade, a gente fica ainda mais embasbacada quando se dá conta que também tem Katherines e Juans nos rondando. Pior, nos personificando. Porque o ridículo para o muro do Peru também serve para as cercas que erguemos ao redor do nosso umbigo, cegando nosso pensamento.

y valeOs romances também são feitos para a gente pensar. Autor. Personagem(ns). Leitores. Caminhando por um ponto central, um eixo vermelho como diria Márcia Tiburi. Teorização e ação internas acompanhando a narrativa. Por isso é tão parecida com a vida. Sempre é  uma ficção! Temas, protagonistas, aventuras que percorrem a experiência do autor. Sua consciência cortando o mundo, olhando pra imaginação, construindo um real. Uma alternativa possível.

Um recorte da vida em tantas páginas. Literatura é um bom lugar pra você guardar suas dores e encantamentos. Não porque é seguro. Mas porque é um lugar construído sem muros. Remendado por múltiplos olhares. É corte. E costura. Não é mesmo Karen Debértolis? Mulher das Palavras.

Aristóteles bem roteirizou a arte da imitação pra se criar uma realidade, quem sabe a sua realidade ‘fantástica’. A palavra é meu corte-costura. Meu muro abaixo, abrindo caminhos. E qual é o seu? Já parou pra ‘olhar’?

Texto: Dany Fran

Fotos by Valentina Favoreto Rosa (Calhes de Maringá e Biblioteca Muncipal Pioneiro Manoel Pereira Camacho Filho)

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Senso de admirar, ou não

Cultos místicos falam do maravilhamento infantil como um estágio esplêndido a ser alcançado: a mente iluminada. Olhar o mundo com olhos de criança. Curiosos, famintos, espantados. Uma espécie de nirvana da consciência.
A literatura usa o termo “sense of wonder” principalmente para determinados gêneros, como ficção científica, fantasia, terror. Referindo-se ao ENCANTAMENTO que algumas histórias provocam no leitor, criando um clima de sedução. Uma espécie de magia, que gruda o leitor nas páginas.
A ideologia capitalista vende a sensação de maravilhamento como objeto de consumo. Neste sentido, você alcança a epifania desejada comprando, comprando, comprando. E assim, vendem carros mais caros, casas maiores, computadores mais potentes. Cada vez mais, mais, mais. Drogas prometem o “sense of wonder”. Sexo maluco convida ao “sense of wonder”. Mentes perturbadas e doentes buscam o “sense of wonder” em crimes, abusos e outras atrocidades. Esportes radicais exageram na adrenalina, sedentos pelo “sense of wonder”. Rejuvenescimento eterno oferece o “sense of wonder”.
Porque é como uma necessidade primitiva nossa. Um instinto inconsciente e voraz. Queremos sempre ser o herói da história, podendo então, gozar dos poucos – mas fabulosos – instantes de glória.
Depois, o que será que sobra?
Essa épica glória não precisa (e cá entre nós, nem pode) restringir-se ao momento espetacular que esperamos ‘vidas’ pra chegar. Mas ganha fôlego, é arrebatada por um momento ímpar, que nos tira do trilho, grita e bate na cara do nosso cotidiano porque é tudo, menos ele! E como admirar esse instante, essa ‘coisa grande’ que desejamos e até praguejamos, é plural! Pra sinhá de Graciliano Ramos, em Vidas Secas, o sonho ‘grande’ era uma cama. Estranho pra você que é ‘de berço’ ? A cadela Baleia morreria de admiração por um ‘grande’ osso! Ok, ela é um bicho! Mas, vamos lá… em pleno sertão ela é, pelo menos, um animal danado de humanizado! E você, humano? O que diria do Papa Francisco, entre tantos problemas e necessidades pra se preocupar, criar uma lavanderia do Papa! Pequeno? Sabão e roupa limpa para os sem tetos!  Grandioso! Talvez não pra você com sua própria máquina cinco passos do seu nariz. Mas pra quem vive na rua, ao redor do Vaticano, o papa Francisco resgatou o gosto de estar entre ‘pares’, limpo! Putz, que baita ‘sense of wonder’!
Isabelle, personagem de O Rouxinol, de Kristin Hannah; arrisca, com furor, seus passos destemidos pela França sitiada pelos nazistas, para proteger desconhecidos e vencer  não apenas as misérias da maldita segunda Guerra Mundial. Mas a maldição de sua vulnerabilidade ao abandono. Acabar com sua suposta invisibilidade, isso sim, seria alcançar algo esplêndido. Nem que isso signifique se afastar, de vez, de quem ama. Já para sua irmã, Vianne, menos intempestiva e mais medrosa, o encantamento admirável é, ainda que aterrorizada, enfrentar a fome e qualquer outra escuridão da guerra, até mesmo colaborar com invasores nazistas, para proteger e continuar perto de quem ama.
As irmãs, você e nós. Todos com seu próprio, distinto, ‘sense of wonder’. E com eles, heróis ou não, quem ‘diabos’ estamos nos tornando? Famintos de quê? Espantados com o quê? Curiosos pra quê?
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Como arruinar a sua vida – 13 passos

Baleia Azul. 13 reasons why. As Irmãs de Palavra também estão de olho nessas histórias. E nessa loucura, de pensamentos acelerados – sentimentos amarrados e caminhos perturbados, chegamos aos 13 PASSOS PRA ARRUINAR A SUA VIDA.

Passo 1 – Guarde segredo sobre seus problemas. NUNCA fale sobre eles com ninguém, nem mesmo um sussurro, NUNCA. (nem com amigo, com nenhum profissional, muito menos com a sua família) Jamais procure ajuda. Tranque todos na sua cabeça e deixe que eles façam uma festa na sua mente. Vai ficar cada vez mais quente!!

Passo 2 – Estenda um tapete vermelho para TODAS as opiniões que as pessoas tenham a seu respeito. São leis para você, de agora em diante. Todas as coisas ruins que dizem sobre você, É VERDADE. Todas as vezes que te fizeram desistir de um sonho, eles estavam certo. Você não iria conseguir mesmo!!

Passo 3 – Você PRECISA alcançar TODAS as expectativas. Das mais exageradas até as impossíveis. Você TEM que conseguir chegar até lá. Você DEVE suprir TODAS as expectativas que os outros têm de você. Se esforce, se esforce MUITO, o tempo todo. E se, mesmo assim, não conseguir, é porque você ainda não tentou o suficiente!!

Passo 4 – Viva de ilusões. Alimente suas mais loucas fantasias, dê linha para elas. O melhor de tudo, é quando sua cabeça começa a fundir realidade e fantasia. Aí as coisas começam a ficar boas pra você. Não se preocupe se tentarem te convencer a colocar o pés no chão ou usar a razão. Isso é para os otários. Ilusão é o melhor elixir, SEMPRE!!

Passo 5 – Sonhe os sonhos das outras pessoas. Não importa o que seja. Sonhe junto. Sonhe todos. E dê todos os dias da sua vida para correr atrás dos sonhos alheios. ISSO É O QUÊ MAIS IMPORTA pra você! Não perca tempo criando um sonho só seu, isso é BOBAGEM. Cole em alguém e vá atrás. O sonho do outro é SEMPRE MELHOR QUE O SEU. Nunca se esqueça!!

Passo 6 – Brigue com o relógio, o tempo todo. Um dia você vai vencer! Acorde e já pela manhã, comece a correr. Mais rápido, mais rápido, mais rápido! Não vai dar tempo!!!!! Tem muitas coisas para fazer! O dia devia ter 30 horas! Não, não relaxe, NÃO DESCANSE, não seja mole! Você pode muito mais! Nunca cancele um compromisso, arranje mais espaço na sua agenda, nunca faça uma pequena pausa. Você é uma MÁQUINA. Go ahead! Você consegue!!

Passo 7 – Seja IMPLACÁVEL com você sempre. Mantenha nas mãos um chicotinho imaginário e nem pense duas vezes! Um pequeno deslize, chibatada! Não admita erros, fraquezas, dificuldades, NEM PENSAR! Sua frase de cabeceira: NUNCA É O SUFICIENTE. Use o mesmo critério para todos a sua volta.

Passo 8 – Diga SIM a todos. Se te pedem um favor, ATENDA. Se te convidam para o cinema, VÁ. Se abusam da sua boa vontade, SORRIA. Se oferecem para você comprar, COMPRE DOIS. Se perguntam se você pode, responda sempre: CLARO. Você quer? SIM, SIM, SIM. Não vai te atrapalhar fazer esse favor? CLARO QUE NÃO, NÃO É TRABALHO NENHUM. Seu mantra: SIM, SIM, SIM.

Passo 9 – Na dúvida, escolha o CAMINHO MAIS FÁCIL. Essa é a sua melhor opção! É uma lei da física: o menor esforço, sempre!

Passo 10 – Coma tudo o que tem vontade! Gaste com tudo o que deseja! Durma muitas horas a mais! Siga todas as tendências de moda e de dieta. Saiba de tudo que está acontecendo no mundo. Mantenha-se plugado full time.

Passo 11APEGUE-SE ao passado. Não deixe nada para trás. Mantenha sua memória ativa: todas as decepções, brigas, fracassos, traições, insucessos PRECISAM ficar na sua cabeça. Não deixe nada escapar e jamais perdoe (nem a você, nem a ninguém). Cobre da vida, do outro e de você mesmo tostão por tostão de tudo o que deu errado. E lembre-se: NUNCA PAGARAM O SUFICIENTE.

Passo 12 – Seja o QUERIDO da turma. Na firma. No bairro. Em casa. AGRADE tudo e a todos. Mas se esforce pra valer, dê todo seu sangue pra ser o ‘cara’ mais legal do pedaço. Afinal, que máximo deve ser para o outro que pode ter um ‘fantoche’ que satisfaça a sua vontade!!!

Passo 13PERFEITO. Pra sentença final, claro, nunca, NEVER, em hipótese alguma, ERRE. Tenha todas as RESPOSTAS e JAMAIS mude de opinião. Cristalize conhecimentos, resguarde certezas. Afinal, você se esforça tanto pra ser tão COMPETENTE; como o outro pode te afetar?

(Irmãs de Palavra) – vire ao contrário!

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Quem é o vilão da história?

“Do inferno

Sr. Lusk,

Envio para o senhor metade do rim que tirei de uma *mulier *gardei para o *sinhor pois a outra parte eu fritei e comi estava muito *gostozo. Posso li mandar a faca suja de *sange com que tirei ele se o *sinhor esperar um pouquinho mais.

Mi prenda quando puder, Mister Lusk ” (De Jack, o estripador, para George Lusk – Cartas Extraordinárias – *a grafia foi conservada exatamente como na carta original)

Das ruas de Londres para as páginas literárias, um dos seriais killers mais misterioso da história é um vilão épico. Como uma profecia maldita, não mediu brutalidade, nem fantasias mórbidas, para matar pelo menos cinco mulheres com mutilações e remoção de órgãos. Sempre na sombra da noite, o mesmo alvo: prostitutas, como a Mary Jane Kelly. Sem nunca ter sido pego, aguçou teorias e até inspirou a criação de outros vilões, inclusive na  literatura. Com poderes sobrenaturais (Drácula), ou desumanos (Big Brother – 1984) eles enganam, nos manipulam e provocam do fascínio ao ódio. Porque, no fundo, gostamos de torcer contra eles  e quando nem percebemos, estamos acompanhando seus passos até o golpe fatal. Que pode acabar com a aventura ou estraçalhar seu dia. Do Angulimala (fábula do assassino colecionador de mil dedos descrita nos milenares sutras da tradição budista Teravada – Coleção Mundo Estranho) aos brasileiros que recentemente mataram um argentino em uma briga de bar, ou a ‘guerra santa’ que transformou a Síria em um campo de batalha, inclusive com ataque químico; o extremismo, o abuso ideológico ou a prática de injustiças cegam pela raiva. A escolha planejada, ou não, imortaliza um vilão. Até que o parem.  E aí, já era, coloca-se um ponto final na história. Nem que seja de interrogação, ou exclamação! “(Dany Fran)

 

Um lado sombrio cresce, tomando conta do Vilão. Qualquer esforço para controlá-lo é em vão: “As sombras estão me devorando, eu sei. Deixei que isso acontecesse. Eu simplesmente não pude evitarTalvez seja impossível lutar contra as próprias tendências. Dê o nome que quiser a elas: genética, doença, herança, carma, história familiar, perturbação mental, obsessão espiritual… Prefiro chamá-las de tendências. Isso eu posso compreender. Elas revelam você, quem é você de verdade. Eu não gosto  nada do que está acontecendo comigo. Eu não gosto de quem estou me tornando, só não consegui me desviar. Pra onde eu iria?” (Agatha Guiller em O Sombrio Chamado) 

O Vilão se vê como herói: “Eu sei de todas as justificativas deles. Eu sei que uma guerra não é um acordo diplomático. Eu sei que heróis condecorados são assassinos em série. Eu sei que um exército de defesa é tão cruel quanto seu inimigo. Às vezes até mais. Eu sei que quando a guerra é vencida, ninguém se importa com isso. Só com a paz imposta com o sangue alheio. Mas agora eu sou o outro lado. O lado escuro da guerra. O lado que não tem direito à defesa. O lado que não recebe perdão pelas atrocidades que cometeu. O lado ao qual não é concedido a benção do esquecimento de seus pecados. O lado que tem que pagar para sempre. Para sempre… Agora eu sou esse lado e eu sei que ele também é pisoteado.” “Não há heróis em uma guerra. Só existe o lado dos vencedores e o lado dos vencidos. A única diferença entre exércitos inimigos é essa.”(Ágatha Guiller em O Sombrio Chamado)

O Vilão , em algum ponto de sua história, foi abandonado e maltratado. Ele para sua vida nesse ponto. Para sempre abandonado e maltratado. Ele vive para a vingança, só para a vingança: “Eu sabia que  ninguém voltaria para me salvar. Eu estava sozinha, eu não tinha nada, não sobrou ninguém, todos foram embora… Só eu fiquei para trás. Eu passei fome, eu andei sem rumo por tanto tempo… Mas eu nunca vacilei, eu nunca duvidei. Eu sou a Grande Líder Invasora. Eu sempre soube disso. E agora, o meu tempo chegou. E todos eles vão morrer.” (Dan Goy em O Sombrio Chamado)” – Kelly Shimohiro

 

“O vilão da história pode estar mais perto do que você imagina. Ele poode ser você.”

                                                                             (Irmãs de Palavra) 

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harry potter e as irmãs de palavra

E quem disse que a vida não é um conto de fadas

‘- Espelho, espelho, meu, há no mundo alguém mais bela do que eu?

O espelho respondeu:

– Sois a mais bela aqui, reafirmo, mas a jovem rainha é mil vezes mais bela.

Então, a malvada soltou uma praga e ficou tão horrivelmente assustada que não soube o que fazer. Contudo não descansou: sentiu-se obrigada a ir ver a jovem rainha. E quando entrou e reconheceu Branca de Neve, ficou paralisada de apreensão e terror. Mas o príncipe mandou esquentar sapatos de ferro ao fogo, apanhá-los com pinças na brasa e colocá-los diante dela. A rainha foi obrigada a calçá-los e dançar até cair morta.”

Essa versão do conto de fadas, ‘A Branca de Neve’, recontada pelos irmãos  Grimm, pode não ser exatamente a versão que você conhece. Pode não ter o final ‘e viveram felizes para sempre’ da Diney. Afinal, castigar quem te castigou, e com tamanha brutalidade, não é lá um final ‘feliz’! Mas se saltarmos dos contos de fadas para os contos reais, que final feliz encontramos? Ficar satisfeito por pagar uma merreca mais barata pela carne enquanto funcionários de frigoríficos estão perdendo empregos, famílias ficando sem renda, criadores apreensivos em acumular prejuízos com redução de abates, importadores voltando a negociar mas ainda duvidosos em levar uma ‘carne fraca’; é um final feliz para o jogo de propina no agronegócio brasileiro? Na verdade, virar um capítulo, encerrar ou começar uma história – na literatura e também na vida real –  é pra gente que imagina um mundo, um conto seu. É pra quem já teve derrotas ou ainda vai sofrer fracassos. Também é pra quem se dá bem e encontra um amor. Ou pra quem encara um espelho e se depara com alguém que não admira. Pra quem rala, cansa, desiste, volta atrás. Pra quem abandona expectativas e adota a ‘prontidão’. É pra quem SENTE. Porque, meu bem, como diria Clarissa Pinkola Estés, “a emoção não é uma mercadoria de plástico”. Por isso as batidas da tua história não podem ser descartadas, e ainda que a sua vida esteja mais pra um conto de fadas dos Grimm que da Disney, a sua magia pode ser real!’ (Dany Fran)

‘Contos de fadas são frestas criadas para movimentar nosso imaginário. E nós sabemos que somente um imaginário ativo e afiado é capaz de criar uma vida real intensa. Não uma mesmice boçal sem fim em sua repetição tediosa. Nas versões antigas (originais?) dos contos de fadas não encontramos a “pílula dourada”. As histórias são brutais, escandalosas, mal cheirosas, exageradas e deliciosas. Um fascínio de fantasia. Um treinamento seguro para as armadilhas da vida. Ouvindo histórias assim, podemos ficar mais alertas ao que nos cerca. Podemos deixar nossas mentes escaparem pelos terrenos sobrenaturais e alimentar nossa criatividade. Vamos alargando a dimensão do nosso poder inovador. Mas, quando nos fartamos de contos de fadas em suas versões modernas e educadinhas, modernas e recatadas, modernas e cheias de moral, trancafiamos a assombrosa aventura de uma história. E o que sobra? A cartilha dos bons costumes para ser seguida. Não há nenhum problema em histórias que existam para divertir (a diversão é o pão sagrado do espírito). Não há nenhum problema em histórias inverossímeis (a fantasia é a vitamina da criatividade). Não há nenhum problema em histórias brutais (a violência de uma história pode ser o escudo para perigos reais). No entanto, há muitos problemas em histórias criadas, ou editadas, para suprimir nosso ímpeto questionador e nos acomodar em versões patéticas de nós mesmos. Contos de fadas, sim!! Contos de fadas, cada vez mais! Só, talvez, tenhamos que ter o trabalho de garimpar os tesouros entre tantas maçãs envenenadas que nos oferecem.’ (Kelly Shimohiro)

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“Contos de fadas são o brigadeiro do dia. Sempre queremos mais um!”

(Irmãs de Palavra)

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Manadas, histórias e o tempo

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“Não é, exatamente, sobre tecnologia. Sim, ela ‘galopa’ com uma rapidez meteórica, nos abarrota de informação e rompe fronteiras. Agora, transformar conhecimento e não criar barreiras é com você, meu bem!

Nem se trata de avanços épicos. O jeito de ‘viver’ histórias, desde sempre, molda-se a roupagem atual, ainda que em uma esfera coletiva. A propósito, aldeia global e comunicação de massa não foram ‘proclamadas’ hoje.

Refere-se sobretudo à ‘gente’. Que segue, mas também cria – suas verdades. Se assim aprofundar sua leitura de mundo. Consome, mas também produz – ideias. Porque apesar das opiniões contrárias, à frente (ou onde você quiser) dos avanços tecnológicos, é gente que ‘escreve’ a história”. Moderna. Retrógrada. Desajustada. Padronizada. Bestializada. Crítica. Copiada. Autêntica. Ou ainda, nenhuma dessas. Até mesmo a que está por vir, é gente que vai vivenciá-la”.  (Dany Fran)

“Nós lemos histórias alheias. Desde sempre. Nos ouvimos histórias alheias. Desde o início. Mas há um mundo oculto de histórias sendo contadas dentro de você, na sua mente. Um mundo escuro, que nunca tocamos. Um mundo submerso, que nunca enxergamos. Um mundo de sussurros, que nunca escutamos claramente. Como se existisse um narrador invisível dentro da sua mente. E escondido do resto do mundo, ele inventasse personagens, criasse enredos, concebesse aventuras, escrevesse conquistas, produzisse perdas, tecesse tramas, arquitetasse planos, fabricasse uma vida paralela. De sonhos e fantasias. Um outro eu de você. Como se esse narrador invisível pudesse, às vezes, confundir sua mente. E fizesse você habitar um mundo, que só existe ali, dentro de você. E se você conseguir se desprender dessa história, viria pra cá, para o mundo de todos, muito mais criativo e intenso. Mas se não, cairia no abismo de viver achando que o mundo de todos nunca é o bastante.” (Kelly Shimohiro) 

 

“Somos todos loucos por histórias, porque todos nós somos história”

                                                                                           (Irmãs de Palavra)

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