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DÊ UMA PAUSA SOB O SOL DA TOSCANA. NÃO HÁ COMO RESISTIR.

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SOB O SOL DA TOSCANA. NÃO HÁ COMO RESISTIR.

A placa indicava Roma. Mas não iríamos para lá, não naquela tarde. Precisávamos pegar sentido contrário, sentido Arezzo. Uma mísera distração entre oliveiras e a autoestrada italiana e pronto! Nossa aventura ganhou alguns quilômetros a mais. Ok, foram também risos a mais. Até que, enfim, acertamos o caminho. Caímos da ficção para uma realidade fantástica. Tem coisa melhor?

Há muitos e muitos anos, vimos o filme “Sob o sol da Toscana” (lançado  no Brasil em 2004) e, depois disso, nunca mais as Irmãs de Palavra pararam de repetir: Toscana-Toscana-Toscana. Seria nosso destino. Mais dia, menos dia. Se você já assistiu, vai entender o porquê. Depois lemos o livro que deu origem ao filme, escrito pela americana Frances Mayes (publicado no Brasil pela editora Rocco, em 2002) e não restaram mais dúvidas: Toscana-Toscana-Toscana. E do desejo nasceu o sonho. E depois, a palavra exata tomou o mundo: vamos! A palavra exata criou oportunidade e abriu espaço: a nossa ‘viagem de palavra’.

Há pouco mais de um mês, estivemos lá. E, como acontece com muitas das nossas experiências, não foi bem como esperávamos. Foi muito melhor! A paisagem – uma pintura por todos os lados – deixa você cheio de vida (Frances Mayes estava certa). As uvas são uma experiência à parte. Chupamos algumas ali, direto da parreira e não houve palavra. Só rimos, sorrimos, ah, esse sol da Toscana… A Vila de Filicaja, uma vinícola, teve Sofia – a típica italiana charmosa e sorridente – a nos oferecer vinhos, todos Chiantis. Frances Mayes acertou novamente. Os vinhos de lá têm magia. E, como no filme, em nossos dias na Toscana, aconteceu um casamento (e foi num castelo!). Casamento de um primo. Claro que Frances Mayes não errou desta vez. O amor na Toscana é todo iluminado. Culpa do bendito sol da Toscana. Não deve existir  crepúsculo mais bonito. Não, não deve.

Então, pisamos no acelerador novamente e, entre idas e vindas, paramos em Cortona. Da autoestrada para ruelas apertadas e tão íngremes que, por alguns instantes, paramos de sorrir. Mas novamente foram míseros instantes, porque é impossível não abrir sorrisos na cidadezinha italiana que fissurou a autora americana, a ponto dela comprar uma casa lá: na Villa Bramasole. Do alto das montanhas você fica maior. Não, é a batida do seu coração que cresce. Nem se importa em não poder entrar com o carro na rua principal, aberta apenas para os carros dos moradores. É a cada passo, devagar, que novos raios iluminam a sua vista e te convidam para uma taça de vinho rosé diante das escadarias da Igreja matriz – literalmente cenário de filme. Até que, de mais ruelas, surge a imensa, coral e florida, casa de Frances Mayes. E ali, diante de um silêncio quente, é impossível  não querer ficar mais um pouco.

Sob o sol da Toscana é um livro. Não, é um filme. Não, é uma experiência que muda você. Talvez nem seja o sol. Ou a uva, o azeite, a paisagem, o vinho, a alegria da “la nostra gente“. Talvez não seja nada disso. Talvez seja você, que num cenário daquele, não pode negar: a vida é mesmo muito boa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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DÊ UMA PAUSA, é uma boa história!

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É uma boa história!

Uma boa história é a sua! Não tenha dúvidas disso, nunca. É a melhor de todas, porque é a única em que você é o protagonista (ou A protagonista). E não importa em que ponto você esteja da sua jornada. Se vive (ou não) a grande aventura que deseja. Se no turbilhão de tantas ocupações está (ou não) difícil encontrar a paz. Se no dia a dia sabe (ou não) o que realmente quer. Não importa como você está, o tempo é este! E é neste exato momento que você pode jogar a cartada decisiva: a virada da sua história.

Mãos à obra. A escrita é uma arte criativa que requer mais do que imaginação; exige empenho, foco, engenhosidade, paciência para inúmeras correções e mudanças no enredo. Além, é claro, de estudo e uma verdadeira vocação para suportar a si mesmo. É preciso horas de solidão para se escrever uma boa história. Por um simples motivo, escrever de forma verdadeira, como diria o escritor Hemingway, é inventar a partir do que está dentro do seu coração. Vale para os livros, e, principalmente, para a sua vida.

Então, vamos começar falando do protagonista: VOCÊ!  Esse personagem merece muita atenção, nos mínimos detalhes. O que veste, o que come, o que pensa, o que sente, o que quer… Para onde está indo, como está fazendo seu caminho, com quem? Do que precisa se livrar, em que precisa melhorar? Detenha-se a que horas seu protagonista acorda, com quem vai pra cama? Ele tem medo de fantasmas? Quais? Você – o grande protagonista – anda satisfeito consigo mesmo? Em que momentos você é de fato você? Quais são seus temores, seus desejos, suas crenças, suas dúvidas, suas perdas… Em que tipo de encrenca está metido? Há sempre uma saída e é nela que você deve se concentrar. Pense a respeito. Ouça a voz deste personagem principal. Compreenda e aceite o que ele diz. Este será sempre o ponto central da sua história e merece SEMPRE ser tratado como tal.

Bem, agora vamos às etapas de uma narrativa.

O início. Tudo tem que começar de algum ponto. A sua vida também. O princípio é o berço que torna possível você existir. É importante entender as razões e motivações do começo de tudo (entender não é aceitar, é só entender). Elas indicam o vetor impulsionador da história e nos fornece dados para conhecer melhor o protagonista. Afinal, ninguém surge do nada. Esse é o material que sustenta a jornada e nos liga a uma família, um país, uma meta, um objetivo, um passado. É necessário compreender o início até mesmo para se livrar de suas algemas. Pois, o ponto onde tudo começa não determina aonde vamos chegar. Temos asas e podemos voar alto, voar longe. Mas o ponto onde tudo começa, nos liga para sempre à origem de quem, verdadeiramente, somos. É o pontapé criador.

A principal fase da sua história – o desenvolvimento. É aqui que você está. O caminho, o percurso, onde residem as escolhas, os desafios, os problemas, as vitórias, os sacrifícios. É onde acontece a vida. É o que mais interessa. É ação! É nele que você deve concentrar toda sua energia. O nome desta etapa é PRESENTE e aqui surgem as possibilidades de mudança, de avanço, de superação, de conquista. Como também de queda, de crise, de danos sem tamanho. É aqui que o protagonista pode se tornar um personagem secundário em sua própria história. Perder seu rumo, desinteressar-se de si mesmo, atar-se a uma vida sem progresso, submeter-se a outros personagens, não evoluir, desistir de uma história incrível. Porque este é o nosso destino: uma história incrível! Toda pessoa é o personagem principal. Este lugar não pode ser cedido. Você, e ninguém mais, deve ser o narrador da sua própria história.

E, sem escapatória, chegamos ao fim. E o final da sua história, bem, não se preocupe tanto assim. O final é o último dos capítulos e, geralmente, ele se resolve sozinho.

Existem histórias de todos os gêneros: romance, conto, fábula, comédias, histórias de terror, existem as fantasias, os dramas. Também há a pura ficção. Histórias para adultos, mais pesadas ou sexy. Outras baseadas em fatos reais. Não podemos nos esquecer da poesia, a prosa poética, as tragédias, biografias. Histórias policiais e de suspense. Os contos de fadas. Ainda tem as notícias, as crônicas, os artigos, textos didáticos e científicos. Tudo é história! E todas merecem ser contadas, todas formam o mundo em que vivemos e todas têm sua importância para o grande drama Universal. Também devemos destacar o tempo e o lugar, o ambiente da história que estamos escrevendo. Eles influenciam os acontecimentos e, muitas vezes, limitam o poder de ação do protagonista. Aqui, precisamos usar ainda mais a nossa imaginação. E como última dica das Irmãs de Palavra, temos um elemento-chave para uma boa história: nós nos divertimos imensamente nela! O resto é ‘história’ (e nós adoramos)!

Texto das Irmãs de Palavra

 “Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar” (Vincent Van Gogh)         

 “O fim de uma história é um convite. Você pode escrever outra” (Irmãs de Palavra)

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devaneio

DÊ UMA PAUSA e bata suas asas!

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E bata suas asas!

Existe um mundo incrível à sua espera. Pode acreditar! Você pode alcançá-lo, com as suas próprias mãos! Não precisa esperar nada para isso. O tempo é esse.  É claro que, às  vezes, terá que ajustá-lo para seguir seu destino, siga em frente. E a melhor parte: a pessoa certa para essa viagem é você! Sim, todos nós podemos bater as asas.

É o que fizemos – as Irmãs de Palavra e a mãe. Não literalmente, óbvio! As asas foram do avião (e elas nem batem de verdade). Mas chegamos longe. Comune di Nervesa Della Battaglia. Uma cidadezinha “piccola” e adorável da Itália, província de Treviso, pertinho de Veneza, com cerca de 6.600 habitantes; que vivem naquelas ruas pacíficas, enfeitadas por oliveiras, pinheiros, flores e casas atemporais e majestosas. Tudo banhado por um lindo canal. Foi lá nosso destino, o encontro com  o passado – a origem dos Favoretos do Brasil – a família dos Favoritos. Na verdade, o nome era outro: Favaretto. A grafia mudou nos cartórios brasileiros, mas isso não importa tanto assim. Mexemos em nosso relógio e chegamos a um ponto de origem.

Três de setembro de 1896. Às oito e meia  da manhã, veio ao mundo o filho de Luigi Favaretto e Onesta Dinale. Poucos meses depois que seu bebê, Antônio Benjamin Favaretto (o “nono” das Irmãs de Palavra) nasceu, o jovem casal se aventurou para uma terra distante. As famílias Dinale e Favaretto não aprovavam a união dos dois, então Luigi e Onesta decidiram deixar tudo para trás e viver esse amor, mesmo que isso significasse romper com todo o resto para sempre. A avó materna sofreu muito quando Onesta resolveu levar junto o pequeno Antônio, a princípio o casal deixaria o bebê na Itália. Mas não foi assim que fizeram, partiram os três numa longa viagem de navio, rumo às terras desconhecidas. A Itália ficou no passado. Os parentes nunca mais voltaram a se encontrar. No Brasil, o bebê cresceu pelo interior de São Paulo, vendo os pais trabalharem nas lavouras de café. Nasceram outros filhos de Luigi e Onesta:  Maria, Adolfo, mais um Antônio (o tio Nico), Ângelo, Bepe, Cipriano e João.  Todos aprenderam a cultivar a terra brasileira. E amá-la. Antônio, o filho mais velho, amou também Rita Lopes, com quem se casou. Foram 16 gestações, oito filhos sobreviveram: Aurélio, José, Maria, Estina, Irene, Mário, Irineu e Lúcia. A nona Rita guardou até morrer, com quase cem anos de idade, a foto do “Dorfinho”, o filho que faleceu aos quatro anos. Ela dizia que de todos, ele era o mais bonzinho. Quando os primeiros filhos de Antônio e Rita começaram a nascer, uma nova promessa de dias melhores. A família se mudou para o interior do Paraná, fincando raízes na cidade de Sertanópolis, na área rural, o sítio chamado Sete Ilhas. A caçula, Lúcia Lopes Favoreto (mãe das Irmãs de Palavra), nasceu nesta propriedade, no meio do cafezal. Cresceu ganhando doce do pai, Antônio (que todos chamavam de Toni), ganhando colo do pai, ganhando serenos sorrisos do pai, que falava em italiano e em português (também lia neste idioma, mesmo nunca tendo frequentado a escola). Um dia, quando a caçula já era professora e escrevia um trabalho, ele se aproximou e, preocupado, disse à filha que não conseguia mais ler. Lúcia riu e tranquilizou Toni, porque ela escrevia em gótico. Uma noite, o pai chamou Lúcia para que ela aprendesse a ajustar as horas no relógio da casa – o velho relógio de corda, pendurado na parede da sala. Nesta época já haviam se mudado das Sete Ilhas para a Vila Favoreto, em Sertanópolis. Era só o pai que mexia nesse ‘tempo’, então Lúcia respondeu aflita: “– Não, pai, pra quê? O senhor tá aqui!”  “– Porque você precisa aprender.”, foi sua resposta e também a última vez que Antônio mexeu naquele relógio. Na manhã seguinte, Toni foi trabalhar. Voltou porque tinha esquecido a enxada. E do outro lado da rua, gritou para a filha: “- Lúcia, traz a enxada pro pai não ter que atravessar”. Ele não atravessou mais. Neste dia, aos 68 anos, Antônio infartou e morreu no Brasil, sem nunca mais voltar para Nervesa Della Battaglia.

Mas a sua caçula, Lúcia, voltou com as filhas. Nós acabamos de conhecer, andar e tocar – com nossas próprias mãos – o mundo onde a história de nosso nono surgiu. Hoje, os descentes de Luigi e Onesta são muitos e estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo, tornaram-se tantos. O ponto onde tudo começa não determina aonde vamos chegar. Temos asas e podemos voar alto, voar longe. Mas o ponto onde tudo começa, nos liga para sempre à origem de quem, verdadeiramente, somos. E, na verdade, somos todos favoritos. Capite?!” O resto é história (e nós adoramos!).

Texto: Irmãs de Palavra

Obs.: O livro da foto – SeTenta – levamos junto nesta viagem, porque foi escrito em comemoração aos setenta anos da mãe das Irmãs de Palavra (o que já aconteceu há alguns anos), e o que está escrito nele, os pedaços da vida de nossa mãe, foram todos transformados quando Lúcia chegou lá, na origem de si mesma.

 cittá

SeTenta

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DÊ UMA PAUSA, afinal, todo mundo quer uma boa vida

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Afinal, todo mundo quer uma boa vida.

A boa vida, segundo tratados ortodoxos escritos há milhares de anos, é um festim sem fim, regado a bons vinhos, comida abundante e sexo mais que satisfatório (mentira, não existe tratado nenhum). A boa vida, segundo as Irmãs de Palavra, é um livro bem longo, cheio de aventuras e que termina com a sentença “e viveram felizes para sempre” (bem, essa é só mais uma alegoria para a história de mil faces). A boa vida, segundo você aí que está lendo, é o quê? Normalmente, a primeira palavra que vem à cabeça é reveladora. Mas essa é mesmo uma perguntinha esquisita, o que é uma boa vida… Bem, segundo Hemingway, a boa vida é Paris, caçadas na África, mulheres, doses de martínis e taças de champagne, amigos, bons livros (lidos e escritos) e… Paris de novo!

Escrever e viajar, se não alargam os seus horizontes, alargam o tamanho de sua bunda. É por isso que gosto de escrever em pé“. Hilário! Esse e outros relatos, tão espirituosos quanto o seu autor, o escritor Ernest Hemingway, estão no livro ‘A Boa Vida Segundo Hemingway‘, editado pelo seu amigo e companheiro (de viagens, é claro), e também escritor, A. E. Hotchner. Não tem com não rir, ou não se contagiar com a vitalidade das palavras de Hemingway, e com seu tom excessivo e exorbitante. Reunida em uma coleção de fotos e conversas, falas, anotações em guardanapos e pequenos textos, a vida de um romancista que escreveu de forma verdadeira – sua grande contribuição ao mundo. Escreveu sobre o que buscava em seu coração. Nunca parou de procurar a própria verdade. Por isso, teve uma boa vida. “O problema do escritor jamais muda. Trata-se sempre de escrever de forma verdadeira. Encontrar meu próprio caminho, tanto na vida, quanto nos textos”. Palavras precisas, exatas. Atitudes maciças.

O livro é emprestado, do marido de uma amiga (tem que devolver né, Maria Danielle?!). A obra a gente devolve, mas o vigor de cada linha. Ah… esse fica. As Irmãs de Palavra foram fisgadas, contagiadas. Afinal, não é só Hemingway, todo mundo quer uma boa vida! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

hemingway

 

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neil gaiman

Dê uma pausa, e entre na roda


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Deixe todo o resto de lado, vamos abrir essa ciranda e conversar um pouco.

Palavras são dotadas de espírito, pode acreditar no que estamos dizendo. Vigor, perspicácia, entusiasmo, obstinação, renovação, inspiração têm energias desde a raiz semântica mais profunda. São como forças subterrâneas, capazes de impulsionar arroubos em quem as usa. Agora: perda, insossa, soberba, humilhação, desconfiança, avareza, inveja, lamúria, reclamação, ciúmes guardam um mundo de escuridão dentro delas. Podem arrastar seus pés feito bolas de chumbo. “Com que intensidade escolhemos ‘escrever’ nossas vidas e por quantas ninharias de qualquer importância nos deixamos como páginas fechadas?”

Pessoas também são assim; vigorosas ou apáticas,  inovadoras ou entediadas. Com as histórias acontece a mesma coisa. Elas derrubam você do lugarzinho comum e sem graça em que você se encontrava, um verdadeiro banho de energia; ou te empurram para um quarto solitário e vazio dentro da sua própria mente. ‘Ciranda das mulheres sábias’, de Clarissa Pinkola Estés (Ed. Rocco, 2007) traz o tipo de palavra que acende, invocando mais vida em quem as lê. Um livro que desafia ordens e te puxa para o meio da roda.  “… para que você se lembre de quem é, e  faça bom uso da magnitude que nasceu embutida no seu eu precioso e indomável”.

É um ensaio que ressalta a sabedoria que nasce nas cirandas das mulheres. As trocas antigas e revigorantes entre as iguais, receitas que passamos há gerações, unguentos que ensinamos umas às outras e perfumamos os caminhos, gargalhadas que compartilhamos, suspiros e incertezas que podemos confessar, para depois sairmos renascidas, abastecidas, fortalecidas, repletas de vontade de retornar ao próprio mundo e fazer dele a nossa grande aventura. As Irmãs de Palavra têm a benção de poder fazer parte de muitas rodas dessas. Uma delas aconteceu em 2016, quando lemos este livro no clube do livro AMIGOS DE PALAVRA de Londrina, e outra, em 2017, o mesmo livro no clube AMIGOS DE PALAVRA de Maringá. A ciranda que estamos na foto é bem recente, foi quase ontem, e nos encheu de alegria e intensidade, e depois, continuou contagiando cada palavra que passamos a escrever. Porque benção é assim, passa de um para o outro, sem você perceber. É um pequeno presente que oferecemos ao outro (e também recebemos). O resto é história (e nós adoramos!).

“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem.”

                                                                                                    (Clarissa Pinkola Estés)

Texto das Irmãs de Palavra


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DÊ UMA PAUSA e saia correndo de quartos amarelos!

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e saia correndo de quartos amarelos!

Nosso argumento é simples: toda mulher pode cuidar de si mesma. Toda pessoa pode cuidar de si mesma. A não ser que tenha necessidades especiais limitantes, seja portadora de alguma síndrome ou doença incapacitante, ou seja ainda uma criança. Caso contrário, toda pessoa deve ter o direito de fazer suas próprias escolhas.

Nossa ideia não é nova: feminismo é uma luta necessária. Vozes de tantas mulheres foram amordaçadas. Caladas à força por hábito, pela tradição, pela ignorância, pela tirania, pelas pressões e hierarquias sociais… Tantas algemas, muros, que poderíamos nos ‘prender’ aqui por séculos! Ora, é claro que precisávamos mesmo sair às praças e gritar. Precisávamos romper com centenas e centenas de anos de violência e opressão. E ainda hoje, precisamos lutar contra mais violência. Explícita ou disfarçada. Muitas mulheres, em todos os tempos, desenharam, pintaram, esfregaram, capinaram, escreveram, discursaram, costuraram, ensinaram, dirigiram, cantaram, noticiaram, criaram filhos e filhas, inspiradas por uma força: construir um mundo mais igual entre homens e mulheres. Um mundo de vida e não de morte. Todos queremos o sol. Todos precisamos voar. Nunca mais vamos parar. Porque essa é uma luta de todos, mulheres e homens.

Nossa indignação nasceu na primeira geração de mulheres. Não à subjugação, à humilhação, ao desrespeito, à injustiça, à alienação, ao abuso. Não à falta de noção. Nem por brincadeira, podemos tolerar o poder de quem se sente superior. Gente é gente. Ponto final e acabou a história.

Nosso livro da semana, “O papel de parede amarelo”, acende com voracidade esse nosso papo. Um conto publicado em 1892, da escritora feminista americana Charlotte Perkins Gilman. Ele fala da vida de uma mulher que adoece sem saber exatamente o porquê. Ela é levada, pelo seu ‘zeloso’ marido John, para passar uns dias em uma casa de campo, afim de se recuperar de um “mal passageiro”. Médico, homem da ciência, acredita que em novos ares, afastada de tudo e todos que podem inquietar sua imaginação, sua tristeza se vá e ela fique calma (como se calma fosse uma boa forma de viver). E acaba enfiando a mulher, contra seu gosto, em um quarto de papel de parede amarelo que ela, a propósito, detesta. Ela ainda resiste e tenta não se enquadrar às medidas padronizadas que não são suas, escreve quando o marido ou a cunhada não estão por perto, pensa no filho que não vê. Até que faz sua escolha. Qual é? Bem, se fôssemos você escolheríamos ler essa história! Que além de não ter envelhecido, serviu – e ainda cabe – como um baita símbolo feminista.

Nosso encerra é um alerta:  saia correndo de ‘quartos amarelos’, mas não antes de rasgar todo o papel de parede. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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