harry potter e as irmãs de palavra

Dê uma pausa para o tic-tac-tic-tac-tic-tac

de uma pausa

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O tempo parou. A história acabou.

A sua. A nossa. A dos livros. A do mundo todo.

O tempo é uma navalha afiada que decepa as mentes desavisadas. Deadline. Perdeu o prazo. Acabou a festa. Passou o ônibus. O supermercado fechou. A validade acabou. O queijo mofou. O filho já apresentou quando você chegou. O soro não foi aplicado a tempo e o veneno se espalhou. Um segundo, e o prazo de inscrição se esgotou. Se em 24 horas ela não reagir, todo esforço terá sido em vão e o pior pode acontecer.

O nome disso é ticking clock – o tic-tac que atravessa as tramas, introduzindo tensão nas histórias. A vida tem time pra acontecer. Você se vê ansioso para pagar a multa, já que o prazo vence hoje. Entregar o trabalho amanhã te faz enforcar outros compromissos até lá. Devolver o livro, mas antes devorar o último capítulo. Renovar o passaporte, na próxima semana a taxa terá nova tarifa, mais caro que o valor da atual. Buscar o exame quase seis horas e o semáforo fechar em toda esquina. Chegar até as cinco horas no posto de saúde, seu filho portador de diabetes precisa de insulina, para HOJE!

Como técnica narrativa, o ticking clock é o botão que liga – de imediato – o leitor à trama.  Produz adrenalina, não deixa a ansiedade escapar nem a história ficar frouxa. Ficamos doidos para saber se o herói vai conseguir pegar o trem a tempo de salvar a garota das mãos sórdidas da própria família. Se com as badaladas da meia-noite a princesa vai chegar a tempo da carruagem não virar abóbora. Se o inspetor vai descobrir o crime antes de mais um boneco de neve aparecer e outra vítima a gente conhecer. Se a heroína vai conseguir atravessar a ponte, faltam poucos segundos para a coisa toda desabar. Ou se o coração que salvará seu filho conseguirá cruzar o Atlântico em menos de 10 horas.

No filme 72 horas (EUA, 2010), o personagem estrelado por Russel Crowe tem as exatas 72 horas para executar o plano de fuga para tirar a esposa da prisão, condenada há cumprir pena por mais vinte anos. Caso não consigam, ambos ficarão presos. Ou serão mortos. Você senta para assistir a esse filme e não tem sossego até os minutos finais. Suas células todas ficam agitadas: você precisa saber o que vai acontecer. Eles vão conseguir fugir do país?

A obra clássica de terror O Bebê de Rosemary (Iran Levin, 1969), costura a trama de horror psicológico com  os nove meses da gravidez de Rosemary. O tempo todo você sabe do limite da história e conforme os nove meses vão chegando ao fim, a ansiedade e agonia do leitor crescem em disparada.Você TEM que saber como as coisas vão acontecer. Por pior que seja o desfecho.

Vai sempre existir um limite, um fim (figurativo ou não) a ser alcançado em um determinado prazo. Que você vai aguardar, querer alcançar, às vezes, desesperadamente. O que dizer da saga de Harry Potter, onde os três amigos, que nós amamos, precisam crescer desvendando enigmas contra o tempo para destruir horcruxes e matar Voldemort, antes que eles morram? É um embate frenético. Uma adrenalina que gruda você em cada capítulo. Cada palavra.

E quando o tempo se encerra e a última página é lida, o leitor ainda carrega a tensão da história por alguns momentos, ou horas, talvez até por dias. É o poder de Cronos, deus temerário, escravizando  todos nós às suas leis e caprichos.

Se você não tem tempo, você não tem história. Se não tem história, não tem vida nenhuma.

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Texto Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa e deixe assim, página em branco.

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e deixe assim, página em branco

Esforços cansam o planeta todo.

– ‘Estão loucas, Irmãs de Palavra?  

Loucas, sim. Bobas, não! E a gente repete: esforços cansam o planeta todo. Cansam todo mundo a sua volta. Cansam mentes criativas. Cansam pássaros novos, que perigam nem voar. Recolhidos e assustados, não têm espaço num céu superpovoado pelo mesmo chilreado.

Estamos falando de esforços cegos, repetitivos. Enfadonhos. Esforços idiotas. Que não abençoam o mundo com a alegria da novidade.

Pessoas em ziguezague  frenético poluem o clima com suas certezas e ideais cristalizados. Todos ultrapassados, copiados, decorados. Exército (re)produtor, consumidor, nunca inovador. Escreve-se em todas as páginas, planeja-se todas as horas, distrai-se todos os dias. Ausenta-se a vida (toda). Ocupa-se de hábitos e agendas ocupa-o.

– ‘Tá bonito o discurso! Mas pra onde eu vou, criar sem me esforçar, sem ziguezaguear?’

Faz ziguezague, se quiser. Esforce-se, o quanto precisar. E o mundo precisa! Mas feliz é a pausa! Ficar um pouco sem ação. Perder a mão. Esquecer o passo. Descansar o teclado e permitir a página em branco. Por um momento, só de vez em quando. O espaço vazio que ecoa – Vozes. Tantas que só no silêncio dialogam com o seu desejo. Pausa é um momento divino, que conecta em sinapses, pensamento, ação, desejo, sentimento, reflexão. E mostra, enfim, que o papel em branco, no intervalo de um instante, é sim criação. Uma janela aberta que deixa o mundo respirar. E acabar com a pobreza da vida em série. Em série. Em série. Em série.

‘… (silêncio)’

E hoje, página em branco, por favor!

texto Irmãs de Palavra

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post-mulheres-vale

Dê uma pausa e conecte-se!

de uma pausa

 e conecte-se!

Brasileiros já são quase os primeiros! EUA já eram. Estamos em segundo lugar no ranking de países que passam mais tempo ‘conectados’ aos apps. Baixando aplicativos. Perdemos apenas para Índia. É, deixamos o ‘tio Sam’ para trás, em terceiro posto. Pelo menos na pesquisa da App Annie, que analisa dados do Google Play.

E aí…

E aí que tudo bem se plugar aos aplicativos que facilitam sua rotina, que abrem fronteiras e expandem sua vida. Aliás, tudo MUITO bom até aí! Só não dá pra deixar à margem outras conexões. E o ponto disso, qual é?  Offline, uma vez ou outra. Isso, dê uma pausa e desligue o plug. Seu cérebro precisa de atenção. E da voz do irmão. E do som da rua. E da noite nua. E da conversa à toa. E das palavras todas, risadas soltas. E da parada crua. Do feijão e da oração. E do barulho do mundo. Tic-tac dos relógios em marcha. E dos pés descalços. E dos filhos em trânsito. E dos parentes distantes. Dos mortos e dos que vão vir. E das saudades, do choro e do silêncio. E das manchetes. Dos hits, dos fits, dos memes. E do contrário. E de todos os elementos, confusos. E dos fusos. Parafusos. Dos nomes, das perguntas, das respostas nunca obtidas. Incógnitas perdidas. E de poesia,  trama. O suspense do dia a dia. Dê uma pausa e conecte-se! Desligue o plug. Seu cérebro precisa de atenção. E de todas as mãos. Que juntas, formam uma só nação: você.

Offline ou online, as conexões nunca param, nunca terminam. Sabe aquele lance de pensar em alguém, pegar seu mobile e receber mensagem dessa pessoa quando começa escrever pra ela? Ficar atônita com o que aconteceu com a personagem principal no último capítulo e no mesmo dia vivenciar uma situação muito parecida, bem no meio da sua vida? Voltar a mexer em uma rede de contatos e do ‘além’ receber retorno de quem já não esperava mais? Coincidências para uns, sinergia para outros, milagres para poucos. Talvez não importe o nome que damos, o fato é que estamos sempre conectados, mesmo que não nos demos conta. Redes invisíveis atravessam você, basta ‘olhar’. Está aí o que talvez mais importe, você vê as conexões em volta de você?

 

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texto: Irmãs de Palavra

foto: André Shimohiro

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bienal 1

Dê uma pausa e movimente-se

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e movimente-se!

É claro que é importante parar. E decidir qual movimento você quer adotar ou criar. Esta é uma etapa da coisa toda.

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A outra, é o próprio movimento. É lançar-se  no mundo e se dedicar à uma causa, uma tarefa, um objetivo, um sonho, uma meta ou sei lá em que você possa se meter. Mas que seja um lugar em que a vida que existe em você se expanda por todos os lados (dentro também).

Sem aderir a um movimento, somos fitas soltas no mundo. E como fitas soltas, o vento nos leva de um lado para o outro. Aquele momento em que você fica sem saber pra onde, sem saber para quê. E não é isso o que se espera de uma vida, não é?

Às vezes, você, de cara, acerta o alvo; e o resultado te atinge na hora. Boa!  Mas não ligue se os reflexos forem mais lentos. Talvez você tenha que insistir. E tentar muitos movimentos ou caminhos diferentes até achar qual é o seu lugar preferido para se criar, todos os dias. Existem movimentos que continuam como uma onda te levando por um tempo sem fim. Como a Flip que tá rolando em Paraty – RJ. Esse ano as Irmãs de Palavra não vão (fisicamente, porque muita atividade é transmitida aqui pela web). Mas o movimento de ter participado de forma presencial desta Festa Literária no ano passado, não parou de nos influenciar. Tanto que depois dela, veio a Bienal de São Paulo, a Flim (Festa Literária de Maringá), Londrix (Festival Literário de Londrina) e saraus. Também tem os clubes AMIGOS DE PALAVRA (Londrina e Maringá), contatos com booktubers, escritores, leitores e todo esse universo ligado às histórias. É uma corrente que, literalmente, não tem fim.  Mas pode ter tantos recomeços! Essa semana, a campanha nacional ESQUEÇA UM LIVRO foi uma bomba de energia, que contagiou não apenas as Irmãs de Palavra, mas uma galera louca por livros. Uau pra todo esse movimento! Uau para as pausas que nos fazem acordar para qual movimento desejamos estar.

Relato Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa, é Paris!

de uma pausaÉ Paris!

A música é boa, a comida é um acontecimento à parte, a vista é bela e você pode tomar uma taça de vinho ou champanhe e simplesmente se divertir! Porque, afinal, é Paris! E, mon chéri, você nem precisa sair do lugar para entrar na festa. Basta começar por aqui:

O sorriso das mulheres (Nicolas Barreau, 2011 – Verus editora). Uma história de amor que se desenrola na capital francesa. Nada mais clichê! Bobagem, nada mais charmant. Com enredo consistente e brindado com humor europeu, O sorriso das mulheres é um daqueles momentos que você não pode deixar escapar. Sabe por quê? Porque vai fazer você sorrir e sorrir e sorrir muitas vezes! Isso não é encantador? Dar algumas gargalhadas entre uma página e outra, também pode acontecer. E ainda vai fazer você se aventurar pelas trapaças da paixão. Seguir planos e se surpreender quando eles saírem todos ao contrário. Mas tudo bem, você vai perceber que o que importa mesmo não são os anos mas o que colocamos dentro deles. E que, às vezes, é preciso se distanciar um pouco dos próprios problemas para tudo se descomplicar. É aí que as páginas vão conduzir você por cafés e restaurantes com todo sabor gourment, que o resto do mundo inveja e copia. Essa história vai brindar você com momentos de amizade profunda e revitalizante. E depois, você vai desejar mais vida, mais amor, mais refeições deliciosas e muitos, muitos, muitíssimos livros. Como Aurélie Bredin (heroína da livro), diz: “Em novembro do ano passado, um livro salvou minha vida…” E não é que isso pode  acontecer?

Minha vida na França (Julia Child com Alex Prud´homme, 2009 – editora Pensamento Cultrix, selo Seoman). Uma autobiografia fantastique. Puro vigor! Essa mulher, de uma energia irrefreável, foi uma revolução na culinária americana, por ser a pioneira a levar aos Estados Unidos o que há de melhor na cozinha francesa (e deixar isso à mão de quem quiser se aventurar entre ovos, patos e muita – muita – manteiga). A trajetória de Julia Child tem um capítulo principal (na verdade, vários!) em Paris, como ela mesma afirmava: “A França é meu lar espiritual”. Porque foi lá que ela, beirando seus 40 anos, descobriu sua verdadeira paixão – a comida, é claro. E dedicou-se com tal afinco, surpreendendo a todos, com um feito original e épico. Além de receitas aqui e ali, viagens por lugares pitorescos e imperdíveis, Child despeja nas palavras, um bocado da alegria e energia contagiosa – sua marca registrada. “Aprenda com seus erros, não tenha medo e, acima de tudo, divirta-se!” Inspiração em todos os sentidos. Afinal, “precisamos nos colocar em primeiro lugar porque ninguém vai fazer isso por nós”! E quando for fazer, que seja com prazer! “Eles não compreendiam como eu poderia achar prazer em fazer todas aquelas compras, cozinhar e servir, tudo sozinha. Mas acontece que eu achava!” E com vigorosa persistência (se você sentir que quer, de verdade)! “diante do silêncio bocejante fiquei decepcionada, mas não me deixei abater, continuei minha pesquisa”.

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Joie de vivre, alegria de viver. Isso pode ser Paris. Isso pode ser você. Então, só resta às Irmãs de Palavra lhe desejar Bon appétit! Na arte de comer, viver e inventar-se, diariamente.

Au revoir!! 

 

Texto: Irmãs de Palavra

Fotos abaixo Nelson Boulangerie

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bienal 2

Dê uma pausa

de uma pausa

Dê uma pausa. Pra acelerar, ou descansar. Você sabe qual a sua necessidade. Sabe? Aliás, você sabe quem é mesmo você?

Campos da ciência que cuidam das propriedades nutricionais de cada alimento afirmam, de maneiras diferentes, que “Você é o que você come”.

A mitologia transpassa a ideia de que Você é de onde vem, você é a sua origem”.

Fé é a partícula criadora dos milagres da sua vida, segundo a religião. Nesse sentido, “Você é o que você acredita”.

Para a antropologia “Você também é vertebrado, mamífero, capaz de linguagem articulada, com entidade moral e social”. Opa, ‘moral’!

Existe um conselho ‘moral’ ainda em uso: “Diga com quem andas, que direi quem tú és”. Aqui, “Você é as pessoas com quem convive”.

No universo virtual, a wikipédia define “Você como um animal de ordem dos primatas, pertencente à espécie Homo sapiens”.

A turma da economia pensa que “Você é o que você investe e o que você poupa”.

Esportistas diriam “Você é o exercício que pratica”. 

Teorias místicas voltadas à energia como campo de criação da matéria proclamam que Você é a energia que capta e que emana”.

A história da filosofia não segue uma única diretriz, obviamente. Mas, existe uma semente que germina nessa ciência: o pensamento e a capacidade de expandi-lo. “Você é o que você pensa de si e do mundo”.

A voz da literatura bem pode contar que “Você é o que você lê”.

Se você for da indústria da moda, “Você é o que você veste”.  Se for um dentista, “Você é o seu sorriso”. Se for arquiteto, “Você é o seu projeto” Será? E todo o resto, de você? Afinal, quem é mesmo você? As pessoas ao seu redor, a falta de comida no mundo, a violência que estanca a liberdade de escolha, todos os livros que leu, as pessoas que perdeu, todas as invenções malucas da humanidade, o descaso das políticas públicas, as xícaras de café que toma, as horas de estudo, os amigos dos amigos, os olhares que atravessam sua vista, quem veio antes e quem ainda virá, seu saldo bancário, o tempo que espera na fila, as estrelas e os buracos negros, as boas risadas, taças de vinho, os longos abraços, os frios apertos de mãos, os pensamentos, a ansiedade, o choro, a buzinada. Você é o doce que devora e a música que canta. Você é as pessoas com quem esbarra, as que odeia e as que ama. Você é o tiro no escuro, o vírus imortal, as chagas do mundo. Você é os personagens que cria, todos eles. Você é um pedaço da terra e os gases do efeito estufa. Você é o medo que sente e a raiva que provoca. O sonho que imagina e a rotina que cria. As datas que não comemora, os brindes não feitos. A agenda que lota e a corrida perdida. Você é as letras do alfabeto, os pontos, as vírgulas e os verbos. Conjugados ou só concordados. Cada escolha diária, cada decisão adiada. O triunfo, o cansaço e o último lugar. O mar, você é o sal do mundo. As células espalhadas na rua. Tudo que respira. Você é as palavras que diz, as mentiras que conta, as ideias que acredita, as ofensas e o elogios. Você é a vida que avança. Você é a festa mais doida do planeta. Você é tudo que existe. A história da humanidade inteira, condensada e escrita numa única palavra: você.

Você não é só você. Você é o mundo e o mundo é você.

Fora de órbita? Conjugue essa ideia: REPAGINE-SE! 

Texto: Irmãs de Palavra

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