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Dê uma pausa e livre-se

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Liberdade é natural. Afirmação um tanto estranha em tempos de ex-presidente respondendo à sentença de 9 anos e 6 meses de prisão em liberdade. De trabalhador escravo estranhando a fiscalização do Ministério Público do Trabalho, temeroso de perder seu ‘único’ emprego à vista. 21 milhões de pessoas ainda vivem no mundo, em pleno 2017, sob condições de trabalho escravo. E uma assinatura pode libertar. Pode? #AssinaBrasil. Você pode, pelo menos, conhecer. Esse e outros projetos. E quem sabe, se quiser, engajar-se. A essa, ou outra causa. Desde que seja (de alguma forma) sua. Livre escolha pra errar. Voltar. Parar.

E nesse vai e vem, o homem contemporâneo se considera livre, sente-se em voo descampado, mas não passa de um passarinho engaiolado. 

Claro que não! – diz você. – Faço o que quero, quando quero, do jeito que quero! Sou dono do meu nariz, quem manda em mim sou eu! (É mesmo?!)

É livre quem não dá desculpas. Assume-se.

É livre quem não justifica. Aceita os próprios erros e progride.

É livre quem não tem a necessidade de ter sempre razão. Sabe que as razões têm muitos donos e a verdade não é via de mão única.

É livre quem não precisa mandar sempre. Entende que a vez também é do outro, ele também pode assumir o papel principal. É livre quem sabe ceder. E não se tortura por isso.

É livre quem muda de opinião. Pois fadar-se ao mesmo raciocínio e moral é prender a mente ao passado e repetir. E repetir. E repetir.

É livre quem troca os discos e também ouve música em aplicativos. Dança com o tempo e evolui. Não está preso ao refrão: “No meu tempo é que era bom!”

É livre quem não repete jargões e nem nome de clássicos e nem rótulos refinados porque acha bonito e inteligente. Conceitos são variações aceitas em determinados momentos. Quem aceita, via de regra, é a maioria encarcerada à opinião alheia.

É livre quem não humilha. Porque não precisa magoar o outro para sentir-se maior e melhor.

É livre quem perdoa, solta o nó que o aprisionava a fatos doloridos. Vira borboleta e habita outros mundos.

É livre quem livra. Quem não exige que o outro seja aquilo que não é. Aceita e fica. Ou aceita e vai embora. Mas não deforma o mundo em vista de seus caprichos.

É livre quem liberta o outro. Sabe bem que asas não são para fugir, mas são pra viver. Sem isso, pena-se. O que é uma pena, porque uma vida escrava custa ao mundo sonhos, esperança e alegria. Todos pagam. Todos perdem. “Deus me livre!”

  • texto: Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa, é Paris!

de uma pausaÉ Paris!

A música é boa, a comida é um acontecimento à parte, a vista é bela e você pode tomar uma taça de vinho ou champanhe e simplesmente se divertir! Porque, afinal, é Paris! E, mon chéri, você nem precisa sair do lugar para entrar na festa. Basta começar por aqui:

O sorriso das mulheres (Nicolas Barreau, 2011 – Verus editora). Uma história de amor que se desenrola na capital francesa. Nada mais clichê! Bobagem, nada mais charmant. Com enredo consistente e brindado com humor europeu, O sorriso das mulheres é um daqueles momentos que você não pode deixar escapar. Sabe por quê? Porque vai fazer você sorrir e sorrir e sorrir muitas vezes! Isso não é encantador? Dar algumas gargalhadas entre uma página e outra, também pode acontecer. E ainda vai fazer você se aventurar pelas trapaças da paixão. Seguir planos e se surpreender quando eles saírem todos ao contrário. Mas tudo bem, você vai perceber que o que importa mesmo não são os anos mas o que colocamos dentro deles. E que, às vezes, é preciso se distanciar um pouco dos próprios problemas para tudo se descomplicar. É aí que as páginas vão conduzir você por cafés e restaurantes com todo sabor gourment, que o resto do mundo inveja e copia. Essa história vai brindar você com momentos de amizade profunda e revitalizante. E depois, você vai desejar mais vida, mais amor, mais refeições deliciosas e muitos, muitos, muitíssimos livros. Como Aurélie Bredin (heroína da livro), diz: “Em novembro do ano passado, um livro salvou minha vida…” E não é que isso pode  acontecer?

Minha vida na França (Julia Child com Alex Prud´homme, 2009 – editora Pensamento Cultrix, selo Seoman). Uma autobiografia fantastique. Puro vigor! Essa mulher, de uma energia irrefreável, foi uma revolução na culinária americana, por ser a pioneira a levar aos Estados Unidos o que há de melhor na cozinha francesa (e deixar isso à mão de quem quiser se aventurar entre ovos, patos e muita – muita – manteiga). A trajetória de Julia Child tem um capítulo principal (na verdade, vários!) em Paris, como ela mesma afirmava: “A França é meu lar espiritual”. Porque foi lá que ela, beirando seus 40 anos, descobriu sua verdadeira paixão – a comida, é claro. E dedicou-se com tal afinco, surpreendendo a todos, com um feito original e épico. Além de receitas aqui e ali, viagens por lugares pitorescos e imperdíveis, Child despeja nas palavras, um bocado da alegria e energia contagiosa – sua marca registrada. “Aprenda com seus erros, não tenha medo e, acima de tudo, divirta-se!” Inspiração em todos os sentidos. Afinal, “precisamos nos colocar em primeiro lugar porque ninguém vai fazer isso por nós”! E quando for fazer, que seja com prazer! “Eles não compreendiam como eu poderia achar prazer em fazer todas aquelas compras, cozinhar e servir, tudo sozinha. Mas acontece que eu achava!” E com vigorosa persistência (se você sentir que quer, de verdade)! “diante do silêncio bocejante fiquei decepcionada, mas não me deixei abater, continuei minha pesquisa”.

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Joie de vivre, alegria de viver. Isso pode ser Paris. Isso pode ser você. Então, só resta às Irmãs de Palavra lhe desejar Bon appétit! Na arte de comer, viver e inventar-se, diariamente.

Au revoir!! 

 

Texto: Irmãs de Palavra

Fotos abaixo Nelson Boulangerie

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Dê uma pausa

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Dê uma pausa. Pra acelerar, ou descansar. Você sabe qual a sua necessidade. Sabe? Aliás, você sabe quem é mesmo você?

Campos da ciência que cuidam das propriedades nutricionais de cada alimento afirmam, de maneiras diferentes, que “Você é o que você come”.

A mitologia transpassa a ideia de que Você é de onde vem, você é a sua origem”.

Fé é a partícula criadora dos milagres da sua vida, segundo a religião. Nesse sentido, “Você é o que você acredita”.

Para a antropologia “Você também é vertebrado, mamífero, capaz de linguagem articulada, com entidade moral e social”. Opa, ‘moral’!

Existe um conselho ‘moral’ ainda em uso: “Diga com quem andas, que direi quem tú és”. Aqui, “Você é as pessoas com quem convive”.

No universo virtual, a wikipédia define “Você como um animal de ordem dos primatas, pertencente à espécie Homo sapiens”.

A turma da economia pensa que “Você é o que você investe e o que você poupa”.

Esportistas diriam “Você é o exercício que pratica”. 

Teorias místicas voltadas à energia como campo de criação da matéria proclamam que Você é a energia que capta e que emana”.

A história da filosofia não segue uma única diretriz, obviamente. Mas, existe uma semente que germina nessa ciência: o pensamento e a capacidade de expandi-lo. “Você é o que você pensa de si e do mundo”.

A voz da literatura bem pode contar que “Você é o que você lê”.

Se você for da indústria da moda, “Você é o que você veste”.  Se for um dentista, “Você é o seu sorriso”. Se for arquiteto, “Você é o seu projeto” Será? E todo o resto, de você? Afinal, quem é mesmo você? As pessoas ao seu redor, a falta de comida no mundo, a violência que estanca a liberdade de escolha, todos os livros que leu, as pessoas que perdeu, todas as invenções malucas da humanidade, o descaso das políticas públicas, as xícaras de café que toma, as horas de estudo, os amigos dos amigos, os olhares que atravessam sua vista, quem veio antes e quem ainda virá, seu saldo bancário, o tempo que espera na fila, as estrelas e os buracos negros, as boas risadas, taças de vinho, os longos abraços, os frios apertos de mãos, os pensamentos, a ansiedade, o choro, a buzinada. Você é o doce que devora e a música que canta. Você é as pessoas com quem esbarra, as que odeia e as que ama. Você é o tiro no escuro, o vírus imortal, as chagas do mundo. Você é os personagens que cria, todos eles. Você é um pedaço da terra e os gases do efeito estufa. Você é o medo que sente e a raiva que provoca. O sonho que imagina e a rotina que cria. As datas que não comemora, os brindes não feitos. A agenda que lota e a corrida perdida. Você é as letras do alfabeto, os pontos, as vírgulas e os verbos. Conjugados ou só concordados. Cada escolha diária, cada decisão adiada. O triunfo, o cansaço e o último lugar. O mar, você é o sal do mundo. As células espalhadas na rua. Tudo que respira. Você é as palavras que diz, as mentiras que conta, as ideias que acredita, as ofensas e o elogios. Você é a vida que avança. Você é a festa mais doida do planeta. Você é tudo que existe. A história da humanidade inteira, condensada e escrita numa única palavra: você.

Você não é só você. Você é o mundo e o mundo é você.

Fora de órbita? Conjugue essa ideia: REPAGINE-SE! 

Texto: Irmãs de Palavra

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Os grandes momentos (só os melhores)

Somos seres triviais, mas nem tanto. Gostamos de uma farra bem maluca, de vez em quando.

Somos pessoas pragmáticas, às vezes não. Mudamos as regras em surtos de revolução.

Somos cérebros racionais, “but” sacudimos tudo por um looping de emoção. Nosso Santo Graal pessoal.

“Ainda que o dia siga com o movimento dos nossos pés, é quando eles escorregam que o coração pula!”

Quer ver só…

Caféescolatrabalhokidsalmoçoreunião+trabalhofutebolGRtreinojantalivrorisosboanoite+históriasono.

Agora…

CaféatrasoGRITARIANOCARROescolachuvacorreriagaragemQUASEATROPELAOFILHOolhosabertoscoraçãosorrialmoçomaisdemoradoconversatrabalhojudôinglêsPASSAEMFRENTEDECASAENÃOPARAporqueamúsicaqueestãocantandoaindanãoacabou!

A grandeza dos momentos mais esquisitos já são notados muito antes de Cristo, por quê será que a gente insiste tanto em encaixotar as histórias? Aristóteles, na sua genialidade escrita na obra Poética, desenvolveu diálogos e enxergou história na ação dos personagens, alertando que o frenesi da narrativa estava mesmo na imitação das partes ridículas. O nó e o desenlace ganham nossa atenção quando pulam para o surpreendente.

Alice é mais uma garotinha bonita de cabelos loiros quando está rodeada de gente em uma festa. Mas ganha nosso foco quando despenca em um buraco que parece não ter fim e conversa com um coelho que usa relógios ou troca ideias com um chapeleiro maluco. Harry é mais um garotinho de óculos tristonho que não tem pais enquanto vive com os tios chatos. Mas rouba toda nossa atenção assim que ultrapassa uma parede e pega o trem pra uma viagem fantástica.

Falamos do cotidiano, lemos sobre o cotidiano, produzimos o cotidiano; mas o que interessa mesmo na história são OS GRANDES MOMENTOS – só os melhores. Porque criam o novo, jogam música no mundo, arrancam os sapatos dos seus pés e te faz agarrar a vida, todo entusiasmado.
Sartre foi o um grande momento. Trouxe novidade para o jeito de pensar a existiência.
Jesus foi um grande momento. Fez novidade em si mesmo. E espalhou.
Uma professora chamada Rita foi um grande momento. Botou novidade no coração de uma aluna.
Eliane Brum foi um grande momento. Deu voz pra quem ninguém enxergava. Narrou novas perspectivas à cuca de uma leitora.
Você é um grande momento. Tá esperando o quê?
“Quem nos ensinou novas maneiras de pensar?” (Gilles Deleuze)
Texto das Irmãs de Palavra

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Retalhos da voz feminina

“Eva sussurrou para Afrodite que o mundo estava perdido. Afrodite clamou que Iemanjá intervisse. Iemanjá convidou as mulheres-focas para resolverem a situação. As mulheres-focas recorreram às bruxas, que voavam alto, muito ocupadas. As bruxas mergulharam nas camadas mais profundas da Terra e resgataram as almas femininas, que vagavam sem rumo. As almas femininas se puseram em marcha e espalharam-se nos quatro cantos da Terra, permitindo que as vozes femininas se desprendessem delas. E as vozes femininas, todas juntas, cantaram e rogaram. E flores brotaram. E crianças nasceram. E cores inundaram tudo. E o amor tocou a todos. E a dança nunca mais parou. E o trabalho vingou. E a esperança deu frutos. E a luta toda da criação recomeçou, costurando os buracos que encontravam no caminho.  E desde então, as vozes femininas nunca mais se calaram, na tentativa abençoada de dar um jeito no mundo. ” (Kelly Shimohiro)

“Tecidos novos, usados, sobras. Cresci aquecida pelas colchas de retalhos feitas por minha nona. Já gostei. Já desejei cobertas peludas. Já troquei, guardei e até reutilizei, quase todas. Das que ainda restam, apenas uma não está em uso. A última costurada pela dona Rita (minha nona) e dada pra sua afilhada. Mantenho protegida (do tempo? do uso? do quê?) no maleiro. Talvez, ela precise ser vista. Desprotegida. E hoje, mesmo no verão, quem sabe  minha cama ganhe um novo colorido.

As histórias das mulheres (e pra mim dos homens também) são como ‘colchas de retalhos’. Remendadas pra desnudarem nossas diferenças. E não escondidas pra cobrirem nossas desigualdades. Enquanto garotinhas aprendem na Síria matemática somando nos livros 3 bombas com 5 mísseis, não posso me contentar com o caderno da minha menina que soma bonecas com bolas. Enquanto o Ipea divulga que as mulheres trabalham pelo menos 7 horas e meia a mais que o sexo oposto pela dupla jornada, não dá pra ficar felizinha só lendo ou ouvindo sobre reivindicações femininas bem sucedidas.

Costurar hoje, e todo dia, palavras febris e férteis que vistam (ou pelo menos olhem) nossos verdadeiros desejos – de luta, sim! – de recriação, também! – podem não acabar com a devastação de muita injustiça; mas esfria o desnecessário e aquece o essencial!” (Dany Fran)

A voz feminina, retalhada e costurada, é a canção da criação. (Irmãs de Palavra)

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Fotos de Dany Fran, Biblioteca Pública Municipal Pioneiro Manoel Pereira Camacho Filho (Maringá-Pr)

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Quando você ainda não está pronto

“Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson não esperaram. A história delas foi resgatada no filme Estrelas Além do Tempo, EUA, 2016. Mulheres negras no cenário Americano da década de 60, não viveram no espaço ou no tempo ideal (e você vive?). Bem diferente disso, essas três mulheres estavam cercadas pela falta de oportunidade, pelo preconceito e pela humilhação. Um tempo sem chances. O mundo não estava pronto para elas e nem elas estavam prontas para lutarem por seus desejos. Mesmo assim fizeram. Não se desviaram. Puseram um pé diante do outro e continuaram. E realmente mudaram muitas coisas em torno delas por causa dessas atitudes-combinadas: coragem e ação. O mundo se move assim. São como habilidades mágicas, que fazem o impossível acontecer à luz do dia. São como mundos fantásticos criados em telas ou páginas, onde ao invés de dragões voadores, sonhos ganham asas e se realizam. Ousadia é nossa varinha mágica. É com ela que conjuramos os feitiços que podem transformar o mundo e, claro, a nós mesmos!” (Kelly Shimohiro)

 

– Está uma droga! Está uma droga! – Ela já quase não escreve mais e insiste na voz que repete. Ecoa. – Tudo uma droga!

– Quase todo mundo ouve essa voz, uma hora ou outra. Toda hora! – ele a rebate. – Mas muita gente continua. Escrevendo. E também ouvindo a voz dos personagens.

Esse diálogo do filme A Garota do Livro, poderia muito bem estar fora de um roteiro de ficção e dentro de uma conversa real entre duas pessoas. Uma, que tenta escrever e acha sua produção ruim e outra, que busca mostrar que continuar é o caminho para quem quer realizar. Quem não fantasia? Não se questiona? Não se ouve? Mas enquanto uns arrastam os dias, cada vez mais curtos, e se agarram aos fantasmas. Outros seguem, ainda que assombrados. E fazem. Refazem. Porque ao contrário do que se rumina por aí, a vida é longa. E, às vezes, pode ser reescrita.

A vó de uma amiga tomou gosto pela leitura após os 60 anos. Nyagonga Machul abraçou seus filhos em um acampamento da ONU no Sudão do Sul, após 3 anos de separação por causa da guerra civil que o país africano enfrenta. A minha mãe quis voltar a morar sozinha aos 73 anos após um tratamento de Guillan Barré. Minha irmã mais velha sonhava em cuidar de crianças e antes dos 30 anos salvava bebês em uma UTI Neonatal.

Putz, a vida pode ser longa em uma breve página. Plural.  Escrita. Uma palavra atrás da outra. Sendo uma droga, ou não! Quem está mesmo pronto pra isso?” (por Dany Fran)

Nós, IRMÃS DE PALAVRA não estamos prontas. Pra quê? Para nos autonominarmos como experts na escrita, na literatura, nas histórias. Será que um dia estaremos? E isso realmente importa? As IRMÃS DE PALAVRA continuam. Aprendendo, se reeditando, buscando, sonhando…  e, claro, escrevendo.

“Prolongue-se. Distribua-se. Reescreva-se. Edite-se. Transforme-se. Só não espere estar pronto para escrever sua história. Já não estamos no primeiro capítulo. Afinal, na real, o fantástico é ousar seguindo, ainda que, às vezes, sem ter sentido, mas sentindo. Uma batida atrás da outro. Sem parar! ” (IRMÃS DE PALAVRA)

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