AS IRMÃS DE PALAVRA INDICAM “MAR E GIL”

 As IRMÃS DE PALAVRA tem o  prazer de trazer até vocês, nossos queridos litores, uma dupla bela em imagem e palavra. MAR E GIL é um daqueles encontros de sucesso! Visite o blog http://maregil.blogspot.com.br/
E tenha momentos de  boas palavras e belas paisagens. VALE MUITO!
Duas amigas que desde pequenas compartilham gostos, sonhos, momentos. A paixão pela música, pelas artes, pelas letras. A paixão pelo céu azul que nasce lá fora, ou a chuva torrencial que cai na madrugada. Duas amigas que decidiram, enfim, juntar suas tantas paixões e transformá-las em uma só: Mar e Gil. Os sentimentos de duas pseudo-mulheres transformados em desenho e poesia. Uma é cor, a outra letra. Uma é mar, a outra é gil.

 UMA POESIA DAS MENINAS PRA VOCÊ:

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Dê uma pausa, somos muito importantes!

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Olavo Bilac e nós, somos muito importantes!

Não somos nome de rua nem de prédio algum, mas não se engane, nós somos muito importantes. Não convém confessar nosso segredo para tal proeza, só que vamos falar mesmo assim (não ligamos, nós queremos te contar). É que todos os dias, tomamos goles bem grandes de um tônico secreto. Dizem mesmo que ele devia ser proibido. Porque contamina seu sangue e então tudo está perdido. Você começa a ouvir as estrelas e a sonhar. E quem é capaz de sonhar, é sempre muito, muito, muito importante.

Olavo Bilac sabia disso.

“Ouvir estrelas! Certo, Perdeste o senso! (…)

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.” (Olavo Bilac)

(amor é o nome do tônico, mas para funcionar, é prescrito doses diárias, NÃO SE ESQUEÇA)

O aspirante ao bisturi e aos juris, que se apaixonou mesmo pela pena capaz de expressar sua habilidade com as palavras; o príncipe dos poetas brasileiros, rigoroso com a estética dos seus sonetos que virou cronista militante e cheio de humor, transitou – e se esbaldou – pelas contradições da vida. Olavo Bilac – nome de rua, prédio, conteúdo do Enem – contrariou a lógica do seu tempo. Amou muito as palavras e as espalhou com tanto afinco, que deu no que deu. Foi aclamado e amado em vida. Gente muito importante! Hoje comemoramos o centenário de sua morte e reconhecemos seu legado: feito com amor, todos somos muito, muito importantes. O resto é história (e nós adoramos!).

Livro da semana: Contos para velhos, Olavo Bilac.

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa, vamos decifrar o mistério do papai noel


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Vamos decifrar o mistério do Natal

Ninguém precisa acreditar, mas o papai noel existe de verdade. As Irmãs de Palavra já viram, há muitos e muitos anos. Aconteceu numa noite de dezembro, éramos pequenas e ainda dividíamos o  quarto com os nossos brinquedos preferidos: a pantera cor-de-rosa e o fusca amarelo. O papai noel usava as famosas botas pretas e deixava pegadas por onde passava. Não sabemos por onde ele entrou, nem como escapou. Mas deixou um bilhetinho, que nós guardamos até hoje, escondido numa caixinha antiga, bem no fundo do armário. Está escrito assim: “Meninas, para cada pessoa no mundo, existe uma palavra mágica que torna todo sonho possível. Um dia, vocês descobrirão a de vocês. E então, a vida será uma grande diversão”. Nós ficamos anos tentando. Procuramos em todos os dicionários que encontramos. Em todas as línguas que conhecemos. Só depois de muitas histórias, finalmente, descobrimos a nossa palavra mágica. Estava ali, o tempo todo. Ninguém precisa acreditar, mas o papai noel deixou esse bilhetinho para as Irmãs de Palavra. E nós duas, bem, nós sabemos que é verdade. O resto é história (e nós adoramos!).

Livro da semana: Mistério de Natal, do mesmo autor de O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder – Companhia das Letrinhas, 1998. Já ouviu falar em calendário de Natal?  Joaquim, protagonista desta história, ganhou um e a cada dia do mês de dezembro que abria uma portinha do seu calendário, vivia uma nova peregrinação no tempo e espaço. É uma grande diversão! Neste livro, a gente passeia com Joaquim por histórias mágicas, que fazem a nossa renascer.

Texto das Irmãs de Palavra

 


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DÊ UMA PAUSA – Vamos falar do livro da semana – é sobre amizade

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Vamos falar do livro da semana – é sobre amizade

A autora é nossa amiga desde o século passado (sim, isso é possível!). Nos conhecemos num mundo mais ou menos parecido ao da série Stranger Things, bem anos 80. Cidade pequena, all star colorido, Madonna, festinhas de garagem, Top Gun, a  série Vagalume e a melhor descoberta de todas: tínhamos amigos que faziam qualquer coisa valer a pena. Qualquer dia ser uma aventura. Qualquer problema ser derrotado. Qualquer sonho virar realidade. Éramos todos importantes!

Aquela época passou. A amizade não. E nem a certeza de que a velha descoberta continua sendo a melhor de todas: amigos fazem qualquer coisa valer a pena.

“Ela encheu a única taça da mesa e brindou. ‘Aos vínculos que perduram o tempo, aos novos encontros e qualquer outra mudança que se meta em nossa frente’.”

O dicionário diz que vínculo é aquilo que ata, liga, vincula (duas ou mais coisas). As Irmãs de Palavra preferem sua própria definição: vínculo liga duas ou mais histórias. Lendo Fragmentos de Pensamentos (Madrepérola, 2018), de Tryssia Carmo, você não vai compreender a etimologia de vínculo, mas pode sentir (o que é muito melhor!) a importância dessa palavra. A importância da família, da cidade em que você nasceu, a importância dos amigos de infância, dos sonhos que guardamos desde criança. Não importa que a vida mudou, que você se decepcionou e que agora saiba que é um pouco mais difícil do que imaginava. Dentro de nós, sabemos a verdade: amigos fazem qualquer coisa valer a pena! Qualquer dia ser uma aventura. Qualquer problema ser derrotado. Qualquer sonho virar realidade. Isso acontecia nos anos 80. E continuará assim até o FIM. O resto é história (e nós adoramos!)

Texto das Irmãs de Palavra

Tryssia

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Dê uma Pausa – O mundo acabou. Não o seu nem o nosso. Mas acabou.

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O mundo acabou. Não o sou nem o nosso. Mas acabou.

“Aline abriu os olhos antes do despertador tocar. Pegou o Iphone de cima de ‘Minha vida fora de série’, em seu criado mudo, e encarou o visor sem nenhum retorno do Dani. Apenas o registro 06:57, sexta-feira, 30 de novembro de 2018.  Hesitou alguns segundos. Jogou o celular no edredom macio e pulou da cama. Com a boca cheia de espuma da pasta de dente sorriu pro espelho ao ver sua barriga, ainda esbelta. Três bochechos. E ducha ligada. Enquanto o banheiro virava sauna, Aline pensou novamente em Dani antes da descarga. Meu Deus, como ela precisava falar com ele! Quando foi jogar o papel higiênico, e encarou a fitinha com as duas listas absurdamente vermelha no fundo do lixo, deu outro pulo. Vestiu seu jeans (sem tomar banho) e a primeira blusinha branca na pilha de muitas outras. Passou pela sala de visita, de estar, de TV, pela cozinha, até chegar ao hall despercebida. O pai falava ao celular na mesa do café. A mãe também. Em quinze minutos Aline estava, sozinha, na estação. Apesar dos 15 anos recém completados; loira, de olhos verdes, com dinheiro na carteira e peitos grandes, ninguém barrou Aline, que embarcou às 8h55 pra Barbacena. Ao sentar na poltrona 7, sorriu para o homem que estava ao lado enquanto tentou mais uma vez falar com Dani, antes de bater na porta da casa do pai do filho que esperava.  

“Rafael acionou a soneca do maldito despertador que o chamava pro inferno do trabalho que pagava seu aluguel. Mais cinco minutos antes de levantar o esqueleto. Toda sexta-feira o mesmo dia, em Barbacena. Toda vez o mesmo desejo, não ir. Rafael se arrastou bocejando pra estação. Bilhete seis. Tanto faz, obrigado! Os olhos baixos não notaram o sorriso da loira que sentou bem ao seu lado. Calado virou pra janela, fitou o cerrado mas não enxergou nenhuma Magnolia bem diante do seu nariz”.

Aline, uma adolescente grávida, e Rafael, um quarentão depressivo; são personagens fictícios e atuais. Mas se fossem reais e vivessem em um passado recente, poderiam – de verdade – serem embarcados no trem para Barbacena, com parada no Colônia. E nunca mais voltarem para suas casas. Colônia foi um hospital criado pelo Governo mineiro no início do século passado para atender pessoas que sofriam com doença mental. Acabou como depósito de gente. Jovens solteiras grávidas. Depressivos. Viciados. Crianças portadoras de síndromes. Mendigos. Os desviados do padrão de excelência de uma cultura excludente e cruel. Muitos que incomodaram, foram condenados a uma vida desumana.

Mais de 60 mil pessoas morreram neste hospício. Mais de 1800 corpos foram negociados com faculdades de Medicina, por pelo menos 600 mil reais. Mais de 70% dos internos não tinha diagnóstico de doença mental. Mais que números, um verdadeiro holocausto, que a jornalista Daniela Arbex deu voz no livro-reportagem ‘Holocausto Brasileiro’ (Geração Editorial, 2013) e depois continuou dizendo em um filme da HBO e Vagalume Filmes (2016), baseado na obra.

Claro que o final do ano de 2018 está chegando e queremos falar das henas, de chaminés de onde caem presentes mágicos, do bom velhinho e das luzes nas cidades encantadas. Das compras de Natal e dos perus. Assuntos interessantíssimos! Mas o mundo acabou. Não o seu nem o meu. Mas acabou para os prisioneiros do Colônia, pelo menos para a maioria deles. E a gente sabe que as histórias gostam de se repetir, até que o mundo não precise mais delas. E talvez, só talvez, ainda sejamos os mesmos. Aqueles que jogam a “sujeira” para baixo do tapete, para ninguém ver. A casa arrumada, perfeita. A família tradicional e do bem, sagrada. Os cidadãos exemplares, em fila. Todos juntos cantando velhos hinos de Natal, mas que surpresa se abrirmos seus porões, mas que surpresa! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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DÊ UMA PAUSA – e vá encontrar essa tal de ‘verve’

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Pare tudo que está fazendo e leia Julia Child – Minha vida na França (Seoman, 2009)

Sem verve não há vida, divertida. Há crítica, resmungos, pessoas vivendo feito franguinhos de granja. Aquela ‘meia-vida’ regada à ração e água tomada aos golinhos. Com verve arrebenta-se a droga da porta do galinheiro. Bate-se as asas e cai-se no mundo.

– Verve é um substantivo feminino que indica: entusiasmo, inspiração, graça e vivacidade. –

Tem livro que nos injeta uma dose cavalar de verve. Julia Child, Minha vida na França é um deles. Uma espécie de biografia, onde o que menos importa são datas, nomes de lugares e coisas desse tipo. Depois de um ano ou dois (ou até menos que isso), todos esses detalhes – geralmente – são esquecidos. E o que fica, então?

A verve. A verve fica. A verve se espalha. A verve cresce feito praga que não pode ser contida. (Graças a Deus!) A verve é extraordinária! Pensando melhor, essa ‘danada’ de verve  é muito perigosa. Vai que ela toma o mundo, é loucura na certa! Pessoas gargalhando, cheias de novas ideias, se divertindo à beça, topando o trabalho duro e cheio de sentido, pessoas animando umas às outras e não podando umas às outras. Criaturas com verve deveriam ser proibidas, desafiam a ordem! Iam tirar tudo do prumo. Revolucionárias, entusiásticas, honestas, imperiosas feito Julia Child. Uma americana que depois dos 40 desafiou-se com novas aventuras, abandonando um trabalho burocrático para descobrir os prazeres da culinária francesa. (deu no que deu!)

Bem, as Irmãs de Palavra leram ‘Minha vida na França’ e agora são um caso perdido. Todo dia, uma boa dose de verve na vida, nada de água aos golinhos. O resto é história (e a gente adora!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa – sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

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Sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

“O pai queria os dias da mulher e dos filhos sem muros. Livres. A filha, pequena, queria o conforto de um endereço fixo. Ele queria que os filhos aprendessem vivendo aventuras na estrada. Os filhos queriam ir para uma sala de aula com roupas limpas. O pai sabia, e gostava, de não ser como todo mundo. Os filhos tinham vergonha de viver tão diferente do resto.  A mãe sonhava com o pai. Sobravam livros. Faltava comida. Tinham muitos risos e todas as estrelas do céu. Mas dívidas também. E perigos reais. Enquanto ele sonhou com um castelo de vidro, os filhos acordaram para outra vida. E foram embora. A mãe ficou. E depois, sobrou.”

O Castelo de Vidro,  Jeannette Walls, editora Nova Fronteira, 2007. Um livro de memórias (também tem o filme baseado na história da família da jornalista e escritora norte-americana Jeannette Walls) fala do perigo de uma história ‘só’. A história nunca é mesmo uma só. Nem a direção certa. Nem a da Jeannette nem a sua. Esse é um livro que acorda você, te faz desejar criar um lugar no mundo. O seu lugar. Não o do seu pai ou da sua mãe, não o dos filhos ou irmãos. Nem dos amigos, vizinhos, príncipes ou princesas. O seu lugar. Seu.

Sim, sonhamos com castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

(Ah, sobre a nossa foto, é que estivemos num castelo este ano e, bem, é mesmo encantador. Mas não, obrigada. Foi só de passagem!)

irmas castelo

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