DICAS DE CABECEIRA – # 12 Livros para 2015

Bem, dizem que o ano no Brasil começa só depois do Carnaval. Não acreditamos nisso, mesmo assim lá vão nossos livros para 2015. Só que como as Irmãs de Palavra somam sempre, ao invés de 12, são 24 livros pra 2015!

12 LIVROS PARA 2015 – DANY FRAN

12 dany

O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS – Charles Bukowski – L&PM Pocket, 2010. 303 páginas

(Aprendi a gostar, de verdade, de poesia com as poesias da minha irmã de Palavra, Kelly Shimohiro. Desde então, passei a não devorar apenas romances, contos e crônicas; mas também me deliciar com os poemas. Folhei este livro na livraria e não consegui deixá-lo mais longe de mim)

A MENINA QUEBRADA E OUTRAS COLUNAS DE ELIANE BRUM – Eliane Brum- Arquipélogo Editorial, 2013. 431 páginas

(Sou fã e acompanho, semanalmente, esta jornalista pela web como correspondendo para EL País. Suas palavras despertam meus ‘poros’. E confesso que este livro está no fim faz tempo, mas é como conta gotas. Porque não quero ficar sem ter que lê-lo! Todas as crônicas estão perturbadoramente incríveis.)

CLARICE LISPECTOR NA CABECEIRA – romances – Clarice Lispector – organização José Castello – ROCCO, 2011. 268 páginas

(Ler Clarice vai sempre estar na minha lista. Quando tive minha primeira filha, ganhei Minhas queridas – livro que reúne cartas de Clarice às suas irmãs. Nenhuma leitura poderia combinar mais com aqueles meus dias carinhosos com a Valen no meu colo. E se depois disso ainda me perguntar porque ler Clarice, vou copiar a resposta que ela deu quando lhe questionaram por que escrevia… Oras, por que bebe água, hein) (mais…)

Leia Mais

img-20161104-wa0004

DÊ UMA PAUSA – Baniram os livros do mundo!

arte IRMÃS DE PALAVRA 1

E preste atenção: Baniram os livros do mundo!

Era tanta confusão no mundo, uma barulheira geral, tanta coisa para ver, tanto tempo gasto online que, sem que percebêssemos, os livros caíram fora de fininho.

Das casas, eles fugiram rapidinho. Já não havia espaço para guardá-los. Foram todos enxotados, doados, descartados. As estantes logo foram ocupadas: bibelôs, tabletes, smartphones, smart TVs, playstations assumiram o comando.

Empresas foram as primeiras a se livrarem dos livros. Sem demora! Porque tempo é dinheiro e o recado estava dado: Sejamos rápidos, colaboradores! Livros não!

Cafés, pubs, padarias, restaurantes, todo local onde as pessoas se reuniam também retiram os livros de circulação. Usuários e clientes nem notaram. Livros eram – quase – só objetos de decoração.

Representantes de todas as religiões assinaram um acordo contra os livros. Exceto a Sagrada Escritura, livros passaram a ser indesejados desde então.

As escolas e universidades tentaram resistir. Mas com tanta pressão, até o ambiente acadêmico se desfez do livro sem muita hesitação.

A situação só beirou ao caos nas bibliotecas. As paredes pareciam defender como soldados bem armados. Mas o povo invadiu, saqueou, depredou e pôs fogo em tudo.

Assim, quase com a mesma rapidez que se consome e deleta uma história pelo mobile, o livro sumiu do mundo. E como uma maldição, as mentes humanas se esqueceram de seu valor, distraídas por séries de TV, tantos filmes em cartaz,  snaps, faces, whatsapp, instagran e coisas assim.

Ninguém sentiu falta de levar um livro para relaxar numa praia. Ninguém mais leu uma história antes de se deitar. Ninguém mais passou o tempo em transportes e espaços públicos com um livro na mão. Ninguém mais pegou uma criança no colo e viu seus olhos sorrirem ao virar as páginas. Ninguém mais recorreu a livros para pesquisas. Ninguém mais deu livro de presente. Ninguém mais ganhou livro de presente. Ninguém mais teve contato com uma história longa e cheia de detalhes. Acabaram os clubes de leitura, as horas à sós rodeado pela multidão escrita nas páginas, as viagens por lugares incríveis sem tirar o pé da rede. Tudo isso acabou.

E depois de um tempo, que nem foi tão longo assim, as flores murcharam nos jardins, porque as pessoas se esqueceram de aguá-las. As panelas enferrujaram nos armários das cozinhas, já não eram mais usadas. As cidades ficaram cinzas, sem criatividade nem cor. A ciência estagnou e a medicina não avançou. A memória humana atrofiou e a imaginação definhou. E nenhuma pesquisa encontrou um novo antídoto para uma ou outra coisa. As famílias desistiram de se reunir, as conversas tinham ficado vazias e as pessoas não se interessavam mais umas pelas outras. As igrejas e templos foram deixados de lado, as pregações já não convenciam e os fiéis sumiram. As escolas e universidades entraram em colapso, os estudantes pararam de aprender até que nunca mais pisaram em  salas de aula. Empresas faliram e os campos ao redor da Terra secaram, todos improdutivos. Acesas, somente as fogueiras no meio das praças. Nunca se soube o que alimentava as chamas. Os homens ziguezagueavam à esmo, as mulheres perderam o viço e a profundidade, as crianças envelheceram rapidamente. E assim, quase sem ninguém notar, quando o mundo baniu os livros, a Terra sem as histórias, recusou-se a continuar. E foi perdendo a luz, perdendo, perdendo… Até, enfim, apagar.

  • texto: Irmãs de Palavra

dany

 

Leia Mais

bienal 1

Dê uma pausa ao lobo mau

de uma pausa

ao lobo mau

Uma alcateia foge de caçadores (2017). Bebês salvos por loba fundam Roma (753 a.C.). Famintos pelas frutas, lobos-guará ficam embaixo de árvores e estão ameaçados de extinção no Brasil (2017). Lobos na pele de cordeiros, segundo dito popular. Lobos que não são lobos nem cordeiros ocupam a Assembleia Legislativa nacional (hoje). Em documentários, lendas, livros, notícias ou crônicas; vamos falar dos lobos.

Presentes no inconsciente popular como feras sanguinolentas e selvagens, os lobos podem ter muito a nos ensinar. Vamos “refletinar”. Lobos são selvagens, sim. E ainda bem! Não domesticados, mantêm os instintos à prova da deformação causada pelo excesso de domesticação (não abanam o rabo feito cachorrinhos adestrados, não abaixam a cabeça feito gente que aprende que a  subserviência é o caminho para existência). Lobos não se dobram às regras que pretendem torná-los aquilo que não são, distanciá-los de sua própria natureza selvagem. Mas sanguinolentos, não! Lobos atacam por dois motivos básicos à sobrevivência: segurança e alimentação. Não se agrupam em bandos saqueadores de patrimônio alheio, nem se ajuntam em facções de extermínio. Tampouco formam quadrilhas que matam à esmo ou se alinham à trupes cheias de preconceitos, que detonam em bullying todos que são diferentes. Lobos não são assim.

Ana Maria Machado, destaque em literatura infanto-juvenil, em “Procura-se Lobo” (2005) expandiu uma ideia que começou décadas atrás. Quando, certo dia flagrou seus filhos emocionados (e talvez um tanto assustados) assistindo um documentário em que caçadores corriam atrás de lobos, nunca mais abandonou a imagem dos lobos. Essa história ficou perambulando por sua cuca e muito tempo depois, inspirou uma ficção que emocionou filhos das Irmãs de Palavra. Crianças que chamam a atenção dos pais sobre a necessidade que alguns bichos têm de proteção. Contra outros ‘bichos’. Mas não se engane. A principal inversão aqui, não é de idade. Trata-se de quem tem medo de quem.

Clarissa Pinkola Estés, no aclamado “Mulheres que correm com os lobos” (1992), compara a mulher restituída de toda sua psiquê selvagem aos lobos. Pois ambos têm em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão, devoção; são gregários, curiosos, resistentes, fortes, intuitivos, adaptáveis ao novo; providos de determinação feroz, extrema coragem, comprometimento com os filhotes; são parceiros e agrupadores. Não parece o melhor tipo de gente?

Os três porquinhos que nos perdoem, além de trabalhar ‘duro’, é preciso, sim, explorar a própria intuição. Dançar com o batuque do seu coração. Estar próximo de sua própria natureza. Que o homem tem se afastado de si mesmo e se tornado cada vez mais um espectro robotizado da figura humana, não é novidade. Que ele cindiu natureza e humanos, é fato sabido pelo mundo. Quando a literatura, séries e afins ressaltam características lupinas, talvez estejam chamando nossa atenção para um caminho: o resgate da nossa própria ‘natureza’, nossa humanidade. E quando homens e mulheres ficam distantes de quem naturalmente são, o consumismo impera, a distância nas relações se torna um tabu intransponível, doenças e males da “alma”(como depressão, pânico, apatia) são cada vez mais frequentes, a imaginação e criatividade ficam restritas e entediadas, o progresso do mundo estagna. Não somos virtuais. Não somos seres embotados e pragmáticos. Somos feito lobos, exuberantes e selvagens.

Ah, vamos falar dos ‘lobos’. Vamos, sim!

Texto Irmãs de Palavra

vavápelobo

Leia Mais

post-mulheres-vale

Dê uma pausa e conecte-se!

de uma pausa

 e conecte-se!

Brasileiros já são quase os primeiros! EUA já eram. Estamos em segundo lugar no ranking de países que passam mais tempo ‘conectados’ aos apps. Baixando aplicativos. Perdemos apenas para Índia. É, deixamos o ‘tio Sam’ para trás, em terceiro posto. Pelo menos na pesquisa da App Annie, que analisa dados do Google Play.

E aí…

E aí que tudo bem se plugar aos aplicativos que facilitam sua rotina, que abrem fronteiras e expandem sua vida. Aliás, tudo MUITO bom até aí! Só não dá pra deixar à margem outras conexões. E o ponto disso, qual é?  Offline, uma vez ou outra. Isso, dê uma pausa e desligue o plug. Seu cérebro precisa de atenção. E da voz do irmão. E do som da rua. E da noite nua. E da conversa à toa. E das palavras todas, risadas soltas. E da parada crua. Do feijão e da oração. E do barulho do mundo. Tic-tac dos relógios em marcha. E dos pés descalços. E dos filhos em trânsito. E dos parentes distantes. Dos mortos e dos que vão vir. E das saudades, do choro e do silêncio. E das manchetes. Dos hits, dos fits, dos memes. E do contrário. E de todos os elementos, confusos. E dos fusos. Parafusos. Dos nomes, das perguntas, das respostas nunca obtidas. Incógnitas perdidas. E de poesia,  trama. O suspense do dia a dia. Dê uma pausa e conecte-se! Desligue o plug. Seu cérebro precisa de atenção. E de todas as mãos. Que juntas, formam uma só nação: você.

Offline ou online, as conexões nunca param, nunca terminam. Sabe aquele lance de pensar em alguém, pegar seu mobile e receber mensagem dessa pessoa quando começa escrever pra ela? Ficar atônita com o que aconteceu com a personagem principal no último capítulo e no mesmo dia vivenciar uma situação muito parecida, bem no meio da sua vida? Voltar a mexer em uma rede de contatos e do ‘além’ receber retorno de quem já não esperava mais? Coincidências para uns, sinergia para outros, milagres para poucos. Talvez não importe o nome que damos, o fato é que estamos sempre conectados, mesmo que não nos demos conta. Redes invisíveis atravessam você, basta ‘olhar’. Está aí o que talvez mais importe, você vê as conexões em volta de você?

 

IMG_6959 - Cópia

 

texto: Irmãs de Palavra

foto: André Shimohiro

Leia Mais

bienal 2

Dê uma pausa – ‘MARAVILHOSA’ PAUSA

de uma pausa

‘MARAVILHOSA’ PAUSA

O mundo inteiro deu uma pausa pra ela.  MULHER MARAVILHA. E claro, nós também!

Dos quadrinhos para a telona, nascida da mitologia grega das Amazonas, ela agora impera nas salas de cinema do mundo todo (também nos posts pela internet afora). E vamos aos montes assisti-la e amá-la. Porque ela arrebata a ideia de uma mulher poderosa, instintiva,  guerreira, nascida para defender seu planeta e capaz de amar e deixar-se amar. Quem de nós não se vê nessa heroína?

Linda, porque a beleza atrai. Não um tipo de beleza fabricada, copiada, vendida e desfilada. Não. Uma beleza que começa nos olhos e entrega ali a força indistinta que carrega. Uma beleza que assume o corpo que possui e o utiliza da forma mais prazerosa, útil e corajosa que consegue. Uma beleza que espelha o mundo interior. Beleza que inspira outras mulheres a darem o melhor de si. Somos todas beleza que espanta o tédio e as convenções. Somos todas forças da natureza e viemos para sacudir nosso espaço, gerando mais graça, mais criatividade e mais vontade de viver.

Forte e corajosa,  porque bota fé no seu ideal. A Mulher Maravilha segue explorando seu destino, enfrentando difíceis decisões, sem perder a esperança de alcançar um mundo melhor. Ela quer ir à luta, mesmo que isto implique abandonar a segurança e as certezas do mundo que cresceu amando. Mesmo que isso signifique encontrar a incompreensão dos entes que cresceu amando.  Ela desafia a todos terem coragem de avançar na vida. Porque ela precisa lutar, ela precisa deixar que sua potência se espalhe pelo mundo. Ela não pode esconder seus talentos, sua magia, sua força, seu poder atrás do medo da morte, da derrota, do fracasso, do julgamento, do abandono e das perdas. Essa não é a decisão que toda mulher enfrenta? Que toda pessoa enfrenta? Esse não é o superpoder que cada mulher carrega pelo mundo afora? Destemidas, heroínas em suas lutas diárias, mudam o mundo, um pouquinho de cada vez.

Arrojada, ela balança as certezas do mundo. Porque não se dobra às convenções, introduz o novo à sua volta e desafia as pessoas a questionarem os velhos caminhos. Feminista, mostra a todos do que uma mulher é capaz. Essa é nossa luta. Diferentes, sim. Menos, nunca!

O que teria sido da Mulher Maravilha  se ela não tivesse saído do santuário mágico das Amazonas? Você já se fez essa pergunta? O que teria sido de você se não ousasse desafiar o mundo com seus sonhos? Que brilho seus olhos teriam? Que paixão suas palavras propagariam? Para uma vida extraordinária, o medo precisa ser encarado e vencido.

A Mulher Maravilha não hesita. Aliás, pra seguir esta inspiração, as amazonas da mitologia grega, ou as índias brasileiras icamiabas, provavelmente também não.  Lenda ou realidade, diz a história que ambas viviam isoladas, sem homens diariamente, lutavam com arco e flexo e iam fundo pra se tornarem grandes guerreiras. Até se mutilavam, retirando o seio para ficarem melhores arqueiras. Quem elas seriam se não lutassem tão destemidas? 

ESCOLHAS.

A história do mundo é recheada de mulheres que romperam a barreira do medo e arriscaram um mundo diferente para si mesmas. E depois, nos encheram de entusiasmo e vontade de fazermos a mesma coisa com nossas próprias vidas. Como Julia Child, famosa culinarista americana que depois dos 40 anos aprendeu a arte da culinária francesa e foi precursora dessa gastronomia nos Estados Unidos. Quem teria sido Julia se não fosse embora atrás do que lhe dava alegria? “Diante do silêncio bocejante. Fiquei decepcionada, mas não me deixei abater. Continuei a pesquisa. (…) Eles não compreendiam como eu poderia achar prazer em fazer todas aquelas compras, cozinhar e servir, tudo sozinha. Mas acontece que eu achava! E Paul me incentivou a não lhe dar ouvidos e a perseguir minha paixão”(Minha vida na França – Julia Child com Alex Purd´Homme).

Heroínas. Todas estamos em busca da nossa vez. A Mulher Maravilha fez isso com vigor em seu mundo mágico. Você também pode. Afinal, quem será você se não for atrás do que de fato vale a pena lutar? As coisas que a  fazem ‘dançar’ plena pelo mundo. Conjugue essa ideia! A Mulher Maravilha pode. Nós todas também.

texto: Irmãs de Palavra

IMG-20170608-WA0050

Leia Mais

20150924_174712

Senso de admirar, ou não

Cultos místicos falam do maravilhamento infantil como um estágio esplêndido a ser alcançado: a mente iluminada. Olhar o mundo com olhos de criança. Curiosos, famintos, espantados. Uma espécie de nirvana da consciência.
A literatura usa o termo “sense of wonder” principalmente para determinados gêneros, como ficção científica, fantasia, terror. Referindo-se ao ENCANTAMENTO que algumas histórias provocam no leitor, criando um clima de sedução. Uma espécie de magia, que gruda o leitor nas páginas.
A ideologia capitalista vende a sensação de maravilhamento como objeto de consumo. Neste sentido, você alcança a epifania desejada comprando, comprando, comprando. E assim, vendem carros mais caros, casas maiores, computadores mais potentes. Cada vez mais, mais, mais. Drogas prometem o “sense of wonder”. Sexo maluco convida ao “sense of wonder”. Mentes perturbadas e doentes buscam o “sense of wonder” em crimes, abusos e outras atrocidades. Esportes radicais exageram na adrenalina, sedentos pelo “sense of wonder”. Rejuvenescimento eterno oferece o “sense of wonder”.
Porque é como uma necessidade primitiva nossa. Um instinto inconsciente e voraz. Queremos sempre ser o herói da história, podendo então, gozar dos poucos – mas fabulosos – instantes de glória.
Depois, o que será que sobra?
Essa épica glória não precisa (e cá entre nós, nem pode) restringir-se ao momento espetacular que esperamos ‘vidas’ pra chegar. Mas ganha fôlego, é arrebatada por um momento ímpar, que nos tira do trilho, grita e bate na cara do nosso cotidiano porque é tudo, menos ele! E como admirar esse instante, essa ‘coisa grande’ que desejamos e até praguejamos, é plural! Pra sinhá de Graciliano Ramos, em Vidas Secas, o sonho ‘grande’ era uma cama. Estranho pra você que é ‘de berço’ ? A cadela Baleia morreria de admiração por um ‘grande’ osso! Ok, ela é um bicho! Mas, vamos lá… em pleno sertão ela é, pelo menos, um animal danado de humanizado! E você, humano? O que diria do Papa Francisco, entre tantos problemas e necessidades pra se preocupar, criar uma lavanderia do Papa! Pequeno? Sabão e roupa limpa para os sem tetos!  Grandioso! Talvez não pra você com sua própria máquina cinco passos do seu nariz. Mas pra quem vive na rua, ao redor do Vaticano, o papa Francisco resgatou o gosto de estar entre ‘pares’, limpo! Putz, que baita ‘sense of wonder’!
Isabelle, personagem de O Rouxinol, de Kristin Hannah; arrisca, com furor, seus passos destemidos pela França sitiada pelos nazistas, para proteger desconhecidos e vencer  não apenas as misérias da maldita segunda Guerra Mundial. Mas a maldição de sua vulnerabilidade ao abandono. Acabar com sua suposta invisibilidade, isso sim, seria alcançar algo esplêndido. Nem que isso signifique se afastar, de vez, de quem ama. Já para sua irmã, Vianne, menos intempestiva e mais medrosa, o encantamento admirável é, ainda que aterrorizada, enfrentar a fome e qualquer outra escuridão da guerra, até mesmo colaborar com invasores nazistas, para proteger e continuar perto de quem ama.
As irmãs, você e nós. Todos com seu próprio, distinto, ‘sense of wonder’. E com eles, heróis ou não, quem ‘diabos’ estamos nos tornando? Famintos de quê? Espantados com o quê? Curiosos pra quê?
w3 w1

Leia Mais

264

Os grandes momentos (só os melhores)

Somos seres triviais, mas nem tanto. Gostamos de uma farra bem maluca, de vez em quando.

Somos pessoas pragmáticas, às vezes não. Mudamos as regras em surtos de revolução.

Somos cérebros racionais, “but” sacudimos tudo por um looping de emoção. Nosso Santo Graal pessoal.

“Ainda que o dia siga com o movimento dos nossos pés, é quando eles escorregam que o coração pula!”

Quer ver só…

Caféescolatrabalhokidsalmoçoreunião+trabalhofutebolGRtreinojantalivrorisosboanoite+históriasono.

Agora…

CaféatrasoGRITARIANOCARROescolachuvacorreriagaragemQUASEATROPELAOFILHOolhosabertoscoraçãosorrialmoçomaisdemoradoconversatrabalhojudôinglêsPASSAEMFRENTEDECASAENÃOPARAporqueamúsicaqueestãocantandoaindanãoacabou!

A grandeza dos momentos mais esquisitos já são notados muito antes de Cristo, por quê será que a gente insiste tanto em encaixotar as histórias? Aristóteles, na sua genialidade escrita na obra Poética, desenvolveu diálogos e enxergou história na ação dos personagens, alertando que o frenesi da narrativa estava mesmo na imitação das partes ridículas. O nó e o desenlace ganham nossa atenção quando pulam para o surpreendente.

Alice é mais uma garotinha bonita de cabelos loiros quando está rodeada de gente em uma festa. Mas ganha nosso foco quando despenca em um buraco que parece não ter fim e conversa com um coelho que usa relógios ou troca ideias com um chapeleiro maluco. Harry é mais um garotinho de óculos tristonho que não tem pais enquanto vive com os tios chatos. Mas rouba toda nossa atenção assim que ultrapassa uma parede e pega o trem pra uma viagem fantástica.

Falamos do cotidiano, lemos sobre o cotidiano, produzimos o cotidiano; mas o que interessa mesmo na história são OS GRANDES MOMENTOS – só os melhores. Porque criam o novo, jogam música no mundo, arrancam os sapatos dos seus pés e te faz agarrar a vida, todo entusiasmado.
Sartre foi o um grande momento. Trouxe novidade para o jeito de pensar a existiência.
Jesus foi um grande momento. Fez novidade em si mesmo. E espalhou.
Uma professora chamada Rita foi um grande momento. Botou novidade no coração de uma aluna.
Eliane Brum foi um grande momento. Deu voz pra quem ninguém enxergava. Narrou novas perspectivas à cuca de uma leitora.
Você é um grande momento. Tá esperando o quê?
“Quem nos ensinou novas maneiras de pensar?” (Gilles Deleuze)
Texto das Irmãs de Palavra

IMG_20160711_201856

Leia Mais