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Dê uma pausa – a história hoje reivindica listas de desejos

de-uma-pausa-300x153A história hoje reivindica listas de desejos!

Agora não é o momento para lista de supermercado (produtos faltando, preços abusivos, filas!, etc, etc e tal). Nem para check list de qualquer viagem (a bomba voltou a encher de combustível, mas vai saber até quando, de qualquer forma tem mais  filas, preços abusivos e todo o alvoroço). Aí você pode dizer, tá, então é hora de cruzar os braços? Calma, temos uma surpresa pra você! O gênio da lâmpada apareceu  e deu seu poder mágico para as Irmãs de Palavra (afinal, hoje é feriado e o gênio anda esgotado, precisava de um dia de folga). Então, vamos lhe conceder três desejos! É só imaginar, pedir, que vai acontecer! Vamos logo com isso!

Pedido N. 1 – O topo da lista: Quem você quer ser? Opa, não responda tão rápido assim! Você até pode se arrepender. Melhor pensar sem olhar pro relógio, não se apresse. Quer ver? Faz de conta que você quer ser um grande escritor. Comece lendo muitos livros (muitos mesmo, não vale doze por ano, talvez seja essa cota por mês), depois, feche as portas, saiba ficar sozinho. Dedique longas horas a um único parágrafo. E no dia seguinte, delete tudo, recomece. Enfim, depois de meses ou anos, o livro está pronto! Ninguém quer publicar, e quando publica, vende pouco. Leia mais livros, escreva ainda mais, insista, persista, pesquise, use mídias, leia, escreva, reescreva. Segundo livro. Terceiro. Depois outro. Você está chegando perto. Pedido realizado! (Era isso mesmo o que você queria?)

Pedido N. 2 – Aonde você quer viver? – Neste momento, o brasileiro pode pensar em dar no pé. Outro país, outro continente, qualquer lugar menos aqui! PelAmordeDeus, desse jeito não dá! Mas como boas fadas’que somos, sabemos que não existe mágica fora de um lugar…  dentro de você! Na China, é você com você. No Brasil, é você com você. Na Europa toda, é você com você. Estados Unidos: você com você. Pode até mudar de nacionalidade; se não mudar a si mesmo, a paisagem, na real, não fará tanta diferença assim. Deseja um lugar melhor, comece por dentro.

Pedido N. 3 – Quanto dinheiro você quer ter? – Ah… esse talvez seja o desejo mais fácil de responder. Será mesmo? O que você faria se a oferta viesse de um esquema de contas fora da folha de pagamento? Uma mala, talvez? Claro que não! ‘Não sou desses aí’, diria você torcendo o nariz. Mas e se a oferta$ fosse uma pequena economia mensal de TV por assinatura com uma antena ‘pirata’? Vai pegar ou largar?

E o que você faria se comprasse um bilhete premiado e ganhasse 18 milhões de euros? A Jo, personagem do livro ‘A lista dos meus desejos’ (Grégoire Delacourt, Alfaguara, 2013), – pasmem – titubeou e não soube o que fazer. Essa história entrou por acaso na vida das Irmãs de Palavra, as bibliotecárias Márcia Muller e Alessa Laureano Suave nos indicaram. A capa é singela, quase um filme de sessão da tarde. Poderíamos ter desistido aí, mas não, não somos julgadoras tão artificiais assim. Demos crédito à palavra das amigas bibliotecárias. E, pare tudo, vá atrás desse livro, porque ele pode não conceder todos os seus pedidos ou lhe tornar a pessoa mais sortuda do mundo, mas vai lhe fazer repensar os seus próprios desejos. Não é um papo místico, não é segredo, não vamos falar aqui do Universo se curvando ao seu bel prazer. Não é nada disso. Não acreditamos que o Universo é um serviço de entrega online. O Universo não é deliverie. Não somos pequenos deuses, potencialmente tiranos. Queremos fugir de ditadores, “Deus nos livre!” A lista dos meus desejos é uma ficção que nos apresenta alguém que questiona essa noção exata do que desejamos. Às vezes, nossos desejos não passam de equívocos. Desejamos justiça e cometamos delitos. Desejamos um país melhor e não estamos nem aí para a situação de ninguém, só para a nossa. Para o nosso tanque de combustível, nossa viagem, nossa ‘mala’.

A Jo, personagem do livro, caiu numa grande armadilha. Não era nada daquilo que ela queria. Mas aí, já era tarde, seus desejos já haviam sido satisfeitos. E sua história toda ruiu. Assim, pode acontecer com você, pode acontecer com o Brasil, pode acontecer com qualquer um. Ou não! Desejo é sonho. Mas sonhos, de uma hora pra outra, podem se tornar um pesadelo. O resto é história (e nós adoramos!)

Texto das Irmãs de Palavra

a lista de desejos

 

 

 

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Dê uma pausa – desligue o GPS, a história de hoje já tem destino

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Desligue o GPS. A história de hoje já tem destino!

Podemos ir pra Paris, para as Ilhas Maldivas, quem sabe Santorini ou ainda esquiar nas montanhas do Chile. Podemos nos embrenhar no velho mundo, tomando vinho e grandes goles de história e arte. Podemos surfar, se esticar em areias paradisíacas. Podemos sair de jipe, de moto ou num motorhome bem bacana e vasculhar nosso próprio país. Podemos ser peregrinos em Santiago de Compostela. Podemos andar de bicicleta e conhecer nosso bairro. Podemos atravessar o globo e ir parar do outro lado do mundo, lá no Japão. Podemos ir longe, muito longe e ter experiências magníficas. Mas existe um mapa, um mapa sutil, que não está desenhado em nenhum lugar. Cartografia secreta. Esse mapa esconde um tesouro e você terá que ter coragem para partir nessa viagem. Precisa desligar o GPS e qualquer aplicativo que mande virar à esquerda ou à direita, não dar atenção às placas que indicam o melhor caminho, o mais curto, o mais bonito ou mais certeiro. Nenhum roteiro pronto poderá levá-lo até lá.  A viagem dos seus sonhos conduz até um ponto minúsculo do globo terrestre, quase nem dá para ver. Não se engane, não adianta procurar por um país, uma cidade, nem uma ilha fantástica. O ponto minúsculo do seu bilhete premiado leva até você, onde quer que esteja. Essa é a viagem da sua vida, inteira! Em trânsito, desorientando sentidos, entrando e saindo da terra firme. Você pode ir para qualquer lugar do mundo (e pode se divertir muito!), mas se não embarcar no destino que leva a si mesmo, não passará de um ‘turista’ observando vidas alheias.

O mais recente livro da poeta, escritora, jornalista e amiga de palavra, Karen Debértolis, ‘Mapas Sutis’ (2018) injeta combustível pra um fluxo assim.

Sinaliza o que um ‘viajante’ precisa levar consigo.

‘um caderno em branco com capa de cor neutra, um coração, um chapéu para os dias frios, um chinelo para os dias de sol… um tanto de coragem, menos de si, espaços vazios entre as dobras do cérebro’

Desembrulha emoções.

‘Dilatar as pupilas, parar diante da pilha de pratos sujos e malvados, desarrumar a sala da grande janela indiscreta, rasgar papéis da caixa de memória, riscar os discos de vinil (…) silenciar a voz de Nina que ecoa melodiosa no antigo toca-discos, apagar os poemas de Ana C.,  sentar na velha poltrona de couro e esperar as flores secas recobrarem os sentidos’

Carimba histórias repetidas, rotas perdidas em um tempo circular.

‘novamente palavras brancas, quase invisíveis, em pedaços flutuando no cérebro eletrônico, repatriadas, desatinadas pelo universo inteiro’

E retrata paradas.

‘todo dia teus olhos castanhos, todo dia tua face serena (…) todo dia a tua presença, na tua ausência’

Até que marca (outros) enredos.

‘Homem cinza, olha apenas para seus passos e seus sapatos, dá de ombro para as noites de lua. (…) o céu não é mais aqui, transportou-se com seus elementos, mudou de casa, mudaram os roteiros (…) big bang.’

E no fim da viagem, nós sabemos que o mundo todo mora aqui. Aqui nesse ponto minúsculo bem dentro da gente. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

 

mapas sutis

 

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Dê uma pausa – a história hoje é um grande prazer

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A história hoje é um grande prazer

“Quinta-feira, dez da noite. A água quente do chuveiro lava tudo o que fizemos durante o dia sem muita convicção. Não temos um motivo especial para brindar, mas nos servimos de vinho mesmo assim. No aparador, um vaso vermelho. Vazio. Amanhã traremos flores. Nós mesmas faremos isso. Flores sem cartão, dadas a si, por si mesma.  Calçamos nossos velhos chinelos. Amor antigo. Com eles, seguimos confortáveis. Rimos, nos lembrando do scarpin novinho em folha, ainda na caixa. Com ele, seguimos mais bonitas. Alegres, foi paixão à primeira vista. Talvez um livro ou um filme antigo, não decidimos ainda, só precisamos disso, uma trégua da marcha do dia a dia. Até que sentimos o aroma da cebola caramelando na cozinha. Hoje, alguém cozinha para nós. Pensando melhor, temos bons motivos para comemorar. E vamos brindar! Perdoem nossos pequenos prazeres, mas as Irmãs de Palavra merecem. E você, mais do que ninguém, também devia experimentar.”

Os prazeres da vida. Pequenos, tímidos, aqueles que quase passam despercebidos. Grandes, exuberantes, aqueles que quase arrasam com você. É disso que fala o livro ‘Perdoem Nossos Pequenos Prazeres’, de Sandra Russo (jornalista, escritora e editora argentina). E já começa assim, chamando as mulheres para um conversa entre amigas, deixando os homens um pouco de lado. Os filhos, o trabalho, as lutas, as amarguras, as contas, gavetas desarrumadas, dietas; tantos combates – todos de lado. Daqui a pouco teremos tudo de volta! Mas só por um momento, precisamos de uma pausa. DÊ UMA PAUSA. As mulheres merecem prazer. Bem, na verdade, todos merecem prazer. Crianças, homens, adolescentes, velhos. O mundo todo. Não importa muito quem seja você, seu sexo, idade, RG, nacionalidade; você sempre pode dar um trago de prazer no seu dia.

Sandra Russo fala especialmente dos prazeres femininos. Talvez porque nós, mulheres, nos coloquemos tanto no último lugar da fila: primeiro a família, o trabalho, os amigos, os pratos lavados e guardados, depois, só depois… daí o dia acabou. Quem sabe amanhã. Quem sabe Sandra Russo queira chamar a atenção das mulheres para um detalhe importante: só quem dá prazer a si mesmo é que pode oferecer ao outro o prazer verdadeiro. Ou Sandra Russo seja uma mulher cansada de tantas lutas alheias, e agora tenha tido um insight:  não se pode desperdiçar o tiquinho de prazer que o dia te dá, é gota de ouro. Sandra Russo pode ainda ser uma feminista e queira defender a bandeira do prazer feminino. Talvez não seja nada disso. Sandra Russo só tenha escolhido uma, entre tantas pautas importantes. De qualquer forma, agora é quinta-feira, meio do dia. E o que você já fez que te deu prazer, hoje? Mordeu um pão crocante? Rolou na cama com alguém? Deu uma gargalhada? Mergulhou de cabeça em algum romance? Tomou seu banho quente? Terminou um trabalho importante? Tem um happy hour divertido pela frente? Não importa qual seja o prazer, ele tem que servir pra você e pra mais ninguém. O que interessa é que ele tenha espaço na sua rotina entre as obrigações e os horários marcados e remarcados. Porque o prazer é o escudo que nos defende de uma vida desperdiçada e chata. Deus nos livre! Pensando bem, não nos perdoem por nossos pequenos prazeres. Vamos aplaudi-los! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

prazer

 

 

 

 

 

 

 

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Dê uma pausa – hoje a história é filha da MÃE!

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A história hoje é ‘filha da MÃE’!

Algum dia nos disseram que se cria filho pro mundo. Bobagem, se cria filho porque sim… Amor não se explica e nem se aplica. Existe. Fim.

Algum dia suas horas de sono são todas picotadas, sua agenda fica lotada e o tempo, bem, o tempo não tem importância. O nome desses dias é dedicação. Ponto. É assim ou não?

Algum dia suas festanças mudam para o meio da tarde, e a adrenalina vai parar no parquinho da esquina. Você ri das palavras que o filho soletra errado. Quem ia imaginar que sua alegria podia vir daí? Quem?

Algum dia seu filho cresce e você logo volta a ficar sozinha. Tudo bem, mãe. Ainda bem, mãe.

Algum dia os cabelos penteados, ingressos comprados, as mochilas pesadas e cadernos encapados ficam todos para trás. Algum dia a importância disso vira coragem nos olhos do filho, vira audácia quando seu filho reage e não se submete, vira amor quando seu filho se lança feliz na vida dele.

Algum dia sentiremos saudades das tardes com cheiro de bolo e filmes bobos na TV, das marcas de crescimento que rabiscamos na parede, das bolas espalhadas, dos laços perdidos, de tê-los bem pertinho. Saudades de mãe. Tudo bem. Estamos bem.

Algum dia seu filho entra pela porta tão adulto, tão bonito, tão cheio de ideias, tão diferente. Nesse dia, todos os outros farão sentido.

Algum dia uma das Irmãs de Palavra comprou o livro Algum dia (Alison Mcghee e Peter. H. Reynods, 2007), despretensiosamente para a filha do meio. E esse livro tão delicado e bonito, foi passando por toda família. Algum dia virou até leitura de mãe para os filhos. Porque algum dia desses, a gente precisa parar tudo que estiver fazendo pra dizer: Mãe, obrigada por todos os seus dias. Algum dia fomos felizes. E esse dia, só pode ser hoje! O resto é história (e a gente adora)!

texto das mães, Irmãs de Palavra

mãe

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Dê uma pausa – a história ‘hoje’ não é de hoje

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A história hoje é antiga.

Era uma vez uma garota que morreu de frio. A família não fez o que devia, cuidar da sua cria. A cidade não ofereceu o que podia, assistência pra quem pouco tinha. O mundo não deu o que prometeu, uma vida de alegria. E no fim, a garota que morreu não viveu como merecia: acabou petrificada em sonhos que nunca dariam em nada. Essa história não é de hoje, a de se perder em sonhos que nunca dão em nada. Em amores que não dão em nada. Em empregos que não dão em nada.

A pequena vendedora de fósforos é um conto antigo, escrito por Hans Christian Andersen. As Irmãs de Palavra gostavam de ler quando pequenas. Era o livro predileto da coleção de capa preta com gravura em alto relevo, vendida por livreiro, de porta em porta. A garotinha loira com lenço na cabeça, com o tempo, não se apagou da memória das Irmãs de Palavra. Mesmo sendo tão triste, nós ficávamos encantadas com a saga da pobre menininha solitária,  que no final, encontrava alívio na morte, levada pelos braços da avó tão amada, que havia morrido muito tempo atrás. Estávamos enganadas, nós, as Irmãs de Palavra. Nenhuma garota precisa encontrar alívio na morte. É a vida que deve dar conta disso. É a própria garota que precisa juntar suas tralhas e lutar. Vender os fósforos, ao invés de queima-los. Explorar todos os seus recursos, criar novos! Dar tudo de si. Bater em milhões de portas, até uma abrir. Defender-se. Saber buscar ajuda nas fontes de vida, e não nas da morte.

Você não pode se penalizar com um prédio ocupado que desabou e apagou vidas, e simplesmente continuar desviando seu olhar das ruas cheias de gente, de famílias que não têm onde morar. Você não pode querer outra história se ainda continua escrevendo com as mesmas palavras. Você não pode procurar amor aonde há descaso. Não pode fazer seu talento florescer aonde há cobiça e inveja. Não pode esperar amizade aonde há egoísmo e maldade. Não pode apostar todas suas fichas em fantasias. Não pode encolher-se diante da grandeza do mundo. Você tem que insistir, tomar fôlego e prosseguir.

A pequena vendedora de fósforos era só uma criança. E crianças precisam ser protegidas. São almas desvairadas, não estão preparadas para enfrentar a dureza da vida. Mas nós não somos mais crianças. Se a casa do vizinho é tão grande e tão quentinha, não importa, beije o solo da sua. Se o trabalho do outro é brilhante, ótimo, mas faça o seu. Se alguém lhe ofende, não rumine, abra a boca depois de abrir a cuca. Se algum garoto idiota tirou sarro do seu sapato, mande-o caçar sapo! Se sua mãe e seu pai falharam, vá cuidar da sua própria vida. Se algum morto vier lhe oferecer ajuda, diga que não, agora não, ainda não.

A vida não é um mar de rosas. Porque mar é feito de água salgada, profunda, com poder de cura. Mas que também pode te levar para longe tão longe tão longe, e você pode se perder. A vida não é mesmo um mar de rosas, é um mar de água salgada. E tem coisa mais bonita que o mar? O resto é história (e nós adoramos!)

Texto Irmãs de Palavra

fósforo

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Dê uma pausa – a história hoje tá salgada

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A história hoje tá salgada.

Ninguém resiste a um salgadinho ou outro. Pode confessar, vai! Até quem tira um dia para o ‘no carbo‘, ou vive de olho na dieta, tem uma hora que acaba se rendendo aos famosos petiscos: os salgadinhos. Temos os básicos: coxinha, risoles, bolinho de milho, pastel de vento; os intermediários: empadas, pizza frita, tortas de todo tipo; e, por fim, os gourment: quirches, canapés, folhados, até o finger food. Mas temos também, SEBASTIÃO SALGADO. Que num só click capta e tempera tudo: o básico da vida, as estações intermediárias e a mais fina sensibilidade para a natureza e para o humano. Olhar em trânsito, que não apenas informa, mas descortina a imensidão numa só imagem. “Mas será que estar informado basta? Será que estamos condenados a ser meros espectadores? Será que temos como interferir no curso dos acontecimento?” (Sebastião Salgado, Êxodo, 1999)

Mineiro, graduado em economia, com doutorado em Paris, Sebastião Salgado transformou um hobby, a fotografia, em uma arma letal para a apatia diante da realidade social e a beleza natural. Não apenas de sua cidade, seu estado e país. Mas do mundo! Ele criou uma linguagem própria, as famosas fotografias em preto e branco, que investigam a luta do homem e da natureza pela vida. Em livros mais antigos – e tão atuais – como ‘Outras Américas’, ‘Terra’ ou ‘Êxodo’, ele estampa  as fragilidades humanas, aparentemente tão distantes, de camponeses,  refugiados, exilados ou sem terras. A desgastada migração humana. Em ‘Gênesis’ (2011), último grande projeto do fotógrafo, as imagens capturam porções de terras ‘intocadas’, pedaços limpos de nossos corações. “Ver e mostrar a riqueza deste planeta, a personalidade, dignidade de muitas paisagens e pessoas.”

Um lado sombrio, cruel e triste. O reverso, cheio de luz e possibilidades. Você. Nós. A Terra. O mundo todo. Somos todos capazes do pior. Somos todos dotados do melhor. A desconfiança, a matança, a inveja, traições em diferentes focos. A chance, o riso, o rio, a bonança, a cor, dar as mãos para amar o planeta, o outro e a si mesmo. Você escolhe a que dar vazão. Você responde sim ou não. Preto no branco. Uma nova vida ou apenas aquele velho e desgastado bordão: Não tem mais jeito, não tem mais jeito. Pra política, para o Brasil, para seus sonhos, para o amor, para a literatura nacional, a educação, o efeito estufa ou qualquer outro tipo de miséria humana. Sebastião Salgado escolheu o amor à Terra, em cada imagem que bota no mundo. Preto no branco. Você e nós, bem, escolhemos o quê?

De qualquer jeito, sempre haverá todo tipo de salgadinho. Os básicos, os intermediários, os mais elaborados e, ainda, aqueles que já não servem mais, estão estragados. Você escolhe. Preto no branco. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

 

 

 

 

sebastião salgado

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