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Dê uma pausa

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Dê uma pausa. Pra acelerar, ou descansar. Você sabe qual a sua necessidade. Sabe? Aliás, você sabe quem é mesmo você?

Campos da ciência que cuidam das propriedades nutricionais de cada alimento afirmam, de maneiras diferentes, que “Você é o que você come”.

A mitologia transpassa a ideia de que Você é de onde vem, você é a sua origem”.

Fé é a partícula criadora dos milagres da sua vida, segundo a religião. Nesse sentido, “Você é o que você acredita”.

Para a antropologia “Você também é vertebrado, mamífero, capaz de linguagem articulada, com entidade moral e social”. Opa, ‘moral’!

Existe um conselho ‘moral’ ainda em uso: “Diga com quem andas, que direi quem tú és”. Aqui, “Você é as pessoas com quem convive”.

No universo virtual, a wikipédia define “Você como um animal de ordem dos primatas, pertencente à espécie Homo sapiens”.

A turma da economia pensa que “Você é o que você investe e o que você poupa”.

Esportistas diriam “Você é o exercício que pratica”. 

Teorias místicas voltadas à energia como campo de criação da matéria proclamam que Você é a energia que capta e que emana”.

A história da filosofia não segue uma única diretriz, obviamente. Mas, existe uma semente que germina nessa ciência: o pensamento e a capacidade de expandi-lo. “Você é o que você pensa de si e do mundo”.

A voz da literatura bem pode contar que “Você é o que você lê”.

Se você for da indústria da moda, “Você é o que você veste”.  Se for um dentista, “Você é o seu sorriso”. Se for arquiteto, “Você é o seu projeto” Será? E todo o resto, de você? Afinal, quem é mesmo você? As pessoas ao seu redor, a falta de comida no mundo, a violência que estanca a liberdade de escolha, todos os livros que leu, as pessoas que perdeu, todas as invenções malucas da humanidade, o descaso das políticas públicas, as xícaras de café que toma, as horas de estudo, os amigos dos amigos, os olhares que atravessam sua vista, quem veio antes e quem ainda virá, seu saldo bancário, o tempo que espera na fila, as estrelas e os buracos negros, as boas risadas, taças de vinho, os longos abraços, os frios apertos de mãos, os pensamentos, a ansiedade, o choro, a buzinada. Você é o doce que devora e a música que canta. Você é as pessoas com quem esbarra, as que odeia e as que ama. Você é o tiro no escuro, o vírus imortal, as chagas do mundo. Você é os personagens que cria, todos eles. Você é um pedaço da terra e os gases do efeito estufa. Você é o medo que sente e a raiva que provoca. O sonho que imagina e a rotina que cria. As datas que não comemora, os brindes não feitos. A agenda que lota e a corrida perdida. Você é as letras do alfabeto, os pontos, as vírgulas e os verbos. Conjugados ou só concordados. Cada escolha diária, cada decisão adiada. O triunfo, o cansaço e o último lugar. O mar, você é o sal do mundo. As células espalhadas na rua. Tudo que respira. Você é as palavras que diz, as mentiras que conta, as ideias que acredita, as ofensas e o elogios. Você é a vida que avança. Você é a festa mais doida do planeta. Você é tudo que existe. A história da humanidade inteira, condensada e escrita numa única palavra: você.

Você não é só você. Você é o mundo e o mundo é você.

Fora de órbita? Conjugue essa ideia: REPAGINE-SE! 

Texto: Irmãs de Palavra

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Entre muros, cortes e costuras

Apertando as mãos de Juan, antes mesmo de dizer prazer em conhecê-lo, Katherine flagra aqueles bonitos olhos puxados encarando o muro que os acompanha. Ela nunca tinha reparado direito naquele concreto. Era apenas sua Lima ‘mais protegida’, ‘menos feia’. Juan Diego, acostumado a observar todos os dias aqueles tijolos do outro lado de Lima, não disfarça a surpresa em não ver diferença de um cimento pro outro.

Katherine e Juan Diego são personagens ficcionais inspirados em uma história real que eu conheci essa semana. Mas na Venezuela de hoje pode existir muitos Juans e um bando de Katherine, todos espalhados ao redor do inacreditável muro construído com recursos particulares dos próprios moradores (do bairro de quem tem grana, é claro!). Para separar, segregar, diferenciar, isolar, ‘guardar’ pobres e ricos. De quem? Do quê? Perplexa com o surrealismo da realidade, a gente fica ainda mais embasbacada quando se dá conta que também tem Katherines e Juans nos rondando. Pior, nos personificando. Porque o ridículo para o muro do Peru também serve para as cercas que erguemos ao redor do nosso umbigo, cegando nosso pensamento.

y valeOs romances também são feitos para a gente pensar. Autor. Personagem(ns). Leitores. Caminhando por um ponto central, um eixo vermelho como diria Márcia Tiburi. Teorização e ação internas acompanhando a narrativa. Por isso é tão parecida com a vida. Sempre é  uma ficção! Temas, protagonistas, aventuras que percorrem a experiência do autor. Sua consciência cortando o mundo, olhando pra imaginação, construindo um real. Uma alternativa possível.

Um recorte da vida em tantas páginas. Literatura é um bom lugar pra você guardar suas dores e encantamentos. Não porque é seguro. Mas porque é um lugar construído sem muros. Remendado por múltiplos olhares. É corte. E costura. Não é mesmo Karen Debértolis? Mulher das Palavras.

Aristóteles bem roteirizou a arte da imitação pra se criar uma realidade, quem sabe a sua realidade ‘fantástica’. A palavra é meu corte-costura. Meu muro abaixo, abrindo caminhos. E qual é o seu? Já parou pra ‘olhar’?

Texto: Dany Fran

Fotos by Valentina Favoreto Rosa (Calhes de Maringá e Biblioteca Muncipal Pioneiro Manoel Pereira Camacho Filho)

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Devaneios – por Dany Fran

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Devaneio I

Ele amaldiçoa a semana. Disputa com os ponteiros.

Às vezes não sabe o que quer. Mas sempre sabe o que não quer.

Será que um dia vai dar ouvidos à Frida? E não demorar onde não amar?

 

Devaneio II

Um mergulho no escuro. Viver não vem com garantias. Jogue os manuais. Cace seus próprios rituais. Siga. Os pulsos. Ouça. Os instintos. E solte. A voz que berra no teu coração.

 

Devaneio III

Café. Barulho na sala. Histórias na parede. Imagens na porta. Escancarada. Para os risos passarem. E o silêncio deitar. Se acomodar. Com o batuque dos corações. Aos quatro. Lendo. Um ao outro. Assim. Quando a noite cai o sol levanta. Todo dia. Neste movimento a gente faz um lar.

 

Devaneio IV

Tudo de pior eu abominava nele. Quanta ânsia por ganhar dele!

O pior de tudo eu enxergava nele. Quanto era parecido com ele.

 

Devaneio V

– Por que não me pediu pra ficar?

– Oras! Não se pode contar pra alguém que ela te ama!

 

Devaneio VI

Se começar a transformação depende de você, a sua permanência necessita do outro. Porque aqui, ou aí, o que não muda é que estamos, alienavelmente, todos conectados.

 

Devaneio 7 (MEU NÚMERO SAGRADO)

O problema não é, definitivamente, tornar-se um adulto. Mas crescer e esquecer, do essencial! De que quando somos cativados corremos risco de chorar! De que ainda que sua rosa desidrate, perca todas as suas pétalas, morra; ela continua única pra você! De que partir em busca de respostas pode ser o caminho mais curto para voltar ao que te é precioso! De que o medo não é rastro de fracasso, mas quem sabe um impulso pra morder… suas conquistas!

 

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À CAMINHO

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Eles estavam apertados. Dentro do velho e confortável espaço.

Acostumados a carregar tantas vontades, ali, passavam imunes aos desejos.

Seguiam. Corriam. Tropeçavam. E, às vezes, chegavam.

Mas também foi ali, que eles deixaram de servir.

E ela continuou a ir, sem largar pra trás os rastros. De nenhuma história. Não contata!

O abandono foi alegre. Toda carga encheu, sem pesar, o novo lugar que quanto mais vontades recebia, maior parecia!  

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SIM! Pela abertura das (minhas) cartas

Há 24 anos, guardo na memória uma janela à frente de uma carteira onde eu, uma garotinha com sardas, vi um bando de gente com cara pintada berrar gritos de ordem e levantar a bandeira do Brasil. Eu não sabia o que acontecia (como acho que muita gente naquela rua não fazia ideia), mas lembro que eu quis sair da sala de aula e me juntar aquela galera. Agora, acompanhei a votação de um possível novo impeachment, guardando uma consciência mais esclarecida pelo tempo e pelas escolhas. SIM! Talvez meus filhos também conservem a lembrança de um bando de gente votando, querendo (ou não) mudar o país que chamamos de lar. Eu espero que eles não apenas conservem, mas sejam um ‘bando’ que de fato mude o seu lar.

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E pra isso as histórias servem de pão, que alimenta a força de quem nos tornamos. Por isso leio com eles. Escrevo pra eles. Desde que meu caçula, Pedro, nasceu e aos 3 meses nos deu um susto danado com a possibilidade da pior das interrupções, narro aventuras de amor que não para de berrar SIM pelo meu caminho. ‘Cartas para meu Pequeno Príncipe’ e ‘Cartas para minha Rainha’ é um projeto literário particular. Sem data marcada, ou compromisso lavrado, escrevo um livro só para minha filha, Valentina; e outro só para o Pedro. Eles vão ganhar essas obras (em construção) quando crescidos, assim como eu, tiverem consciência do valor das lembranças. E também da importância da vida no agora. Pelo menos é o que eu desejo, ‘agora’.

Mas hoje, 18 de abril de 2016, dia Nacional do Livro Infantil quis abrir aqui pequenas páginas deste enredo que pode acordar, ou pelo menos acariciar, as nossas memórias.

(fragmentos de Cartas para minha Rainha)livro infantil 2

13 de junho de 2014

– Mãe, vó já foi criança?

– Claro, filha. Todo mundo um dia nasce. Todo mundo um dia é criança. Até Hitler, um dia foi criança. Buda foi criança. Eu fui criança. Só que aí, todo mundo, um dia, cresce e envelhece.

– A tia Mary não envelheceu.

Pequena pausa.

– É… nem todo mundo vira avó. Mas todo mundo que cresce um dia já foi criança.

– Não parece que avó um dia já foi criança!

Risos. E enquanto você pinta na mesa da sacada, eu volto os olhos para mais um capítulo de Mulheres que Correm com Lobo, e penso: “nem tudo que parece é. E nem tudo que é ‘aparece’!”

 

(fragmentos de Cartas para meu Pequeno Príncipe)livro infantil 3

17 de junho de 2013

Após o almoço, você, Pedro, e a mamãe conversamos enquanto escovamos os dentes no banheiro, apressados para irmos à escola e ao trabalho.

– Mãe, cadê o papai?

– Tá trabalhando, filho.

– Por que?

– Pra ganhar dinheiro?

– Por que?

– Pra comprar papá?

– Por que?

– Pra você comer.

– Mas, eu já comi!

E de tanto eu rir, você, um garotinho de 2 anos também cai na gargalhada. Você vai pra escola ainda sem saber porque diabos o pai não tava em casa! E eu, no trabalho, sei bem o que está sempre por perto!

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o muro

O MURO

o muroUm gramado. Uma Esplanada. E dois metros de ferro. Nem de longe uma muralha, mas uma barreira foi armada entre a insatisfação coletiva bem no ‘coração’ do Brasil. De um lado quem acredita no impeachment, mas não quer Temer. Do outro, quem apoia Dilma; ainda crê nas ideologias do partido ou, talvez, até não bote mais tanta fé no PT. Não depois das pedaladas, das escorregadas e de toda essa papagaiada! Mas continua do mesmo lado. Ainda tem por trás, quem luta pelo afastamento e cassação do mandato de Eduardo Cunha, na presidência da Câmara.

Em uma era de incertezas, quem vai ficar depois do muro cair, em um futuro próximo com hora marcada (às 14h deste domingo), não se sabe. Por ora. Mas insensatez de caminhos insanos à parte, estar em cima do muro nunca foi mesmo um bom lugar. Não acha?

O que as IRMÃS DE PALAVRA acham é …

… que política não são cargos, é atitude no mundo;

… que não se aprende a amar escrevendo teses, mas dando as mãos;
… que bandeira não é símbolo, é suor;
… que discurso não tem ouvidos, só tem desejo: o poder;
… que consciência não faz barulho, causa transformação;
… que quem manda no mundo é o dinheiro, só se as pessoas deixarem;
… que seguir exemplos é tolice, eles são apenas ilustração;
… que o erro não é o outro, somos nós… se vivemos sem noção, sem participação, seguindo o sermão;
… que o Brasil precisa ser defendido, não só agora, não só assim;
… e por fim, nós entendemos que o muro que, de fato, separa é construído nas mentes!
* texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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