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DÊ UMA PAUSA, está na hora da aula!

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Está na hora da aula!

Não importa se não leu todo o texto, não fez a lição nem mesmo se chegou atrasado. Tem aula que te tira dos eixos. Aplausos a todas elas! ‘Aulas de Literatura’ (de Júlio Cortázar, Civilização Brasileira, 2015) é assim, dessas aulas que valem à pena! Se você estivesse vivo, Júlio, te encheríamos de beijos e abraços! (ah, se não!) Bem… Seus livros estão. Não vamos beijá-los nem abraçá-los, mas não conseguimos mais parar de lê-los. Nada de esquemas prontos, dicas infalíveis para se fabricar “best sellers”. Não, não é isso que encontramos em Aulas de Literatura. Não é assim que se aprende a escrever de verdade. A literatura que interessa, a aula que interessa, tira qualquer um dos eixos. Quando dá o sinal e o professor fecha a porta, ou quando o livro termina, não são as respostas que mais importam. Estamos cheios delas. Nós precisamos de perguntas que desafiem a mente, a vida , a ordem. Perguntas são chaves mágicas, criam um novo mundo. Cortázar, se você estivesse vivo, iríamos agarrar você! O resto é história (e nós adoramos!)

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DÊ UMA PAUSA, afinal é Harry Potter!

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Afinal, é Harry Potter (e ele merece!)

Nós não vamos falar do talento de J. K. Rowling. Não, o mundo já está cansado de saber disso. Nós também não vamos falar desse garotinho, o Harry Potter. Não, o mundo inteiro conhece esse bruxo desajeitado e poderoso. Nós – de jeito nenhum – vamos falar do famoso trio de amigos: Hermione, Rony e Harry. Não, o mundo já entendeu a grande mágica: uma amizade de verdade. Nós, em hipótese alguma, vamos falar dos milhões de fãs dessa saga. Não, o mundo foi infestado por eles. Nós, nem sob tortura, vamos falar do sucesso de Harry Potter nos cinemas. Não, o mundo todo enfrentou filas demais para assistir essa história. Nós, como único consolo do escritor que não encontra um novo viés sobre um tema, vamos bater numa velha teclinha conhecida: o mundo vai sempre precisar de uma boa história Uma história com aventura e diversão. Uma história em que os personagens avancem e tenham êxito. Uma história de respeito e solidariedade. Uma história de líderes sérios e comprometidos. Uma história de coragem e liberdade.  J. K. Rowling inventou uma. O mundo precisa criar uma também!

(texto das Irmãs de Palavra)

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DÊ UMA PAUSA – Chegou O Sorriso das Mulheres

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Chegou a nossa vez de sorrir

“Nós sorrimos em Paris. Sorrimos porque Paris não é deste mundo. Não, não é. Pertence a outra galáxia, ninguém sabe, mas é verdade. Tem que ser verdade. Todo mundo volta diferente de Paris, sem conseguir explicar muito bem o porquê. Inventam todas aquelas desculpas: o Sena, o Louvre, os cafés e os croassants (ah, estes sem dúvida despertam sorrisos neste mundo), as igrejas, o Arco do Triunfo, a Champse-Elysée, as ruelas, as pequenas livrarias, a culinária francesa, os jardins, os castelos, os cabarés, o vinho, a moda, a Torre, as luzes; e acabam se convencendo que Paris é a cidade mais charmosa do mundo todo. Mais romântica. Boêmia. Retrô. A cidade LUZ. Bem… Nós sorrimos em Paris, na verdade, não apenas por todas essas coisas; mas porque descobrimos seu segredo. Paris não existe! É um sonho deslumbrante. E quando você vai pra lá, você descobre que sonhos são muito parecidos com a realidade, chegamos mesmo a confundir tudo. Mas sonhos são muito melhores, muito, muito melhores (nem se comparam!). Paris é uma prova. E sabe, se você quiser, você pode ser uma prova também. O resto é história (e nós adoramos)!”

Texto das Irmãs de Palavra

Livro da Semana: O sorriso das mulheres, Nicolas Barreau. Verus, 2013. «No ano passado, em novembro, houve um livro que me salvou a vida.» Assim como ‘coincidências não existem’ para os personagens Aurélie Bredin e Robert Miller, acasos não fazem parte da história das Irmãs de Palavra. Nós lemos este livro em 2017 no clube do livro Amigos de Palavra de Maringá. E depois, este ano neste mês, ele veio pra nós mais uma vez no book secreto dos Amigos de Palavra de Londrina. (!!)  E quando a sorte bate duas vezes, nós sorrimos de novo! Porque não pode ser verdade, trata-se de um sonho. (e as Irmãs de Palavra adoram sonhos!)

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Senso de admirar, ou não

Cultos místicos falam do maravilhamento infantil como um estágio esplêndido a ser alcançado: a mente iluminada. Olhar o mundo com olhos de criança. Curiosos, famintos, espantados. Uma espécie de nirvana da consciência.
A literatura usa o termo “sense of wonder” principalmente para determinados gêneros, como ficção científica, fantasia, terror. Referindo-se ao ENCANTAMENTO que algumas histórias provocam no leitor, criando um clima de sedução. Uma espécie de magia, que gruda o leitor nas páginas.
A ideologia capitalista vende a sensação de maravilhamento como objeto de consumo. Neste sentido, você alcança a epifania desejada comprando, comprando, comprando. E assim, vendem carros mais caros, casas maiores, computadores mais potentes. Cada vez mais, mais, mais. Drogas prometem o “sense of wonder”. Sexo maluco convida ao “sense of wonder”. Mentes perturbadas e doentes buscam o “sense of wonder” em crimes, abusos e outras atrocidades. Esportes radicais exageram na adrenalina, sedentos pelo “sense of wonder”. Rejuvenescimento eterno oferece o “sense of wonder”.
Porque é como uma necessidade primitiva nossa. Um instinto inconsciente e voraz. Queremos sempre ser o herói da história, podendo então, gozar dos poucos – mas fabulosos – instantes de glória.
Depois, o que será que sobra?
Essa épica glória não precisa (e cá entre nós, nem pode) restringir-se ao momento espetacular que esperamos ‘vidas’ pra chegar. Mas ganha fôlego, é arrebatada por um momento ímpar, que nos tira do trilho, grita e bate na cara do nosso cotidiano porque é tudo, menos ele! E como admirar esse instante, essa ‘coisa grande’ que desejamos e até praguejamos, é plural! Pra sinhá de Graciliano Ramos, em Vidas Secas, o sonho ‘grande’ era uma cama. Estranho pra você que é ‘de berço’ ? A cadela Baleia morreria de admiração por um ‘grande’ osso! Ok, ela é um bicho! Mas, vamos lá… em pleno sertão ela é, pelo menos, um animal danado de humanizado! E você, humano? O que diria do Papa Francisco, entre tantos problemas e necessidades pra se preocupar, criar uma lavanderia do Papa! Pequeno? Sabão e roupa limpa para os sem tetos!  Grandioso! Talvez não pra você com sua própria máquina cinco passos do seu nariz. Mas pra quem vive na rua, ao redor do Vaticano, o papa Francisco resgatou o gosto de estar entre ‘pares’, limpo! Putz, que baita ‘sense of wonder’!
Isabelle, personagem de O Rouxinol, de Kristin Hannah; arrisca, com furor, seus passos destemidos pela França sitiada pelos nazistas, para proteger desconhecidos e vencer  não apenas as misérias da maldita segunda Guerra Mundial. Mas a maldição de sua vulnerabilidade ao abandono. Acabar com sua suposta invisibilidade, isso sim, seria alcançar algo esplêndido. Nem que isso signifique se afastar, de vez, de quem ama. Já para sua irmã, Vianne, menos intempestiva e mais medrosa, o encantamento admirável é, ainda que aterrorizada, enfrentar a fome e qualquer outra escuridão da guerra, até mesmo colaborar com invasores nazistas, para proteger e continuar perto de quem ama.
As irmãs, você e nós. Todos com seu próprio, distinto, ‘sense of wonder’. E com eles, heróis ou não, quem ‘diabos’ estamos nos tornando? Famintos de quê? Espantados com o quê? Curiosos pra quê?
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Quem é o vilão da história?

“Do inferno

Sr. Lusk,

Envio para o senhor metade do rim que tirei de uma *mulier *gardei para o *sinhor pois a outra parte eu fritei e comi estava muito *gostozo. Posso li mandar a faca suja de *sange com que tirei ele se o *sinhor esperar um pouquinho mais.

Mi prenda quando puder, Mister Lusk ” (De Jack, o estripador, para George Lusk – Cartas Extraordinárias – *a grafia foi conservada exatamente como na carta original)

Das ruas de Londres para as páginas literárias, um dos seriais killers mais misterioso da história é um vilão épico. Como uma profecia maldita, não mediu brutalidade, nem fantasias mórbidas, para matar pelo menos cinco mulheres com mutilações e remoção de órgãos. Sempre na sombra da noite, o mesmo alvo: prostitutas, como a Mary Jane Kelly. Sem nunca ter sido pego, aguçou teorias e até inspirou a criação de outros vilões, inclusive na  literatura. Com poderes sobrenaturais (Drácula), ou desumanos (Big Brother – 1984) eles enganam, nos manipulam e provocam do fascínio ao ódio. Porque, no fundo, gostamos de torcer contra eles  e quando nem percebemos, estamos acompanhando seus passos até o golpe fatal. Que pode acabar com a aventura ou estraçalhar seu dia. Do Angulimala (fábula do assassino colecionador de mil dedos descrita nos milenares sutras da tradição budista Teravada – Coleção Mundo Estranho) aos brasileiros que recentemente mataram um argentino em uma briga de bar, ou a ‘guerra santa’ que transformou a Síria em um campo de batalha, inclusive com ataque químico; o extremismo, o abuso ideológico ou a prática de injustiças cegam pela raiva. A escolha planejada, ou não, imortaliza um vilão. Até que o parem.  E aí, já era, coloca-se um ponto final na história. Nem que seja de interrogação, ou exclamação! “(Dany Fran)

 

Um lado sombrio cresce, tomando conta do Vilão. Qualquer esforço para controlá-lo é em vão: “As sombras estão me devorando, eu sei. Deixei que isso acontecesse. Eu simplesmente não pude evitarTalvez seja impossível lutar contra as próprias tendências. Dê o nome que quiser a elas: genética, doença, herança, carma, história familiar, perturbação mental, obsessão espiritual… Prefiro chamá-las de tendências. Isso eu posso compreender. Elas revelam você, quem é você de verdade. Eu não gosto  nada do que está acontecendo comigo. Eu não gosto de quem estou me tornando, só não consegui me desviar. Pra onde eu iria?” (Agatha Guiller em O Sombrio Chamado) 

O Vilão se vê como herói: “Eu sei de todas as justificativas deles. Eu sei que uma guerra não é um acordo diplomático. Eu sei que heróis condecorados são assassinos em série. Eu sei que um exército de defesa é tão cruel quanto seu inimigo. Às vezes até mais. Eu sei que quando a guerra é vencida, ninguém se importa com isso. Só com a paz imposta com o sangue alheio. Mas agora eu sou o outro lado. O lado escuro da guerra. O lado que não tem direito à defesa. O lado que não recebe perdão pelas atrocidades que cometeu. O lado ao qual não é concedido a benção do esquecimento de seus pecados. O lado que tem que pagar para sempre. Para sempre… Agora eu sou esse lado e eu sei que ele também é pisoteado.” “Não há heróis em uma guerra. Só existe o lado dos vencedores e o lado dos vencidos. A única diferença entre exércitos inimigos é essa.”(Ágatha Guiller em O Sombrio Chamado)

O Vilão , em algum ponto de sua história, foi abandonado e maltratado. Ele para sua vida nesse ponto. Para sempre abandonado e maltratado. Ele vive para a vingança, só para a vingança: “Eu sabia que  ninguém voltaria para me salvar. Eu estava sozinha, eu não tinha nada, não sobrou ninguém, todos foram embora… Só eu fiquei para trás. Eu passei fome, eu andei sem rumo por tanto tempo… Mas eu nunca vacilei, eu nunca duvidei. Eu sou a Grande Líder Invasora. Eu sempre soube disso. E agora, o meu tempo chegou. E todos eles vão morrer.” (Dan Goy em O Sombrio Chamado)” – Kelly Shimohiro

 

“O vilão da história pode estar mais perto do que você imagina. Ele poode ser você.”

                                                                             (Irmãs de Palavra) 

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Manadas, histórias e o tempo

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“Não é, exatamente, sobre tecnologia. Sim, ela ‘galopa’ com uma rapidez meteórica, nos abarrota de informação e rompe fronteiras. Agora, transformar conhecimento e não criar barreiras é com você, meu bem!

Nem se trata de avanços épicos. O jeito de ‘viver’ histórias, desde sempre, molda-se a roupagem atual, ainda que em uma esfera coletiva. A propósito, aldeia global e comunicação de massa não foram ‘proclamadas’ hoje.

Refere-se sobretudo à ‘gente’. Que segue, mas também cria – suas verdades. Se assim aprofundar sua leitura de mundo. Consome, mas também produz – ideias. Porque apesar das opiniões contrárias, à frente (ou onde você quiser) dos avanços tecnológicos, é gente que ‘escreve’ a história”. Moderna. Retrógrada. Desajustada. Padronizada. Bestializada. Crítica. Copiada. Autêntica. Ou ainda, nenhuma dessas. Até mesmo a que está por vir, é gente que vai vivenciá-la”.  (Dany Fran)

“Nós lemos histórias alheias. Desde sempre. Nos ouvimos histórias alheias. Desde o início. Mas há um mundo oculto de histórias sendo contadas dentro de você, na sua mente. Um mundo escuro, que nunca tocamos. Um mundo submerso, que nunca enxergamos. Um mundo de sussurros, que nunca escutamos claramente. Como se existisse um narrador invisível dentro da sua mente. E escondido do resto do mundo, ele inventasse personagens, criasse enredos, concebesse aventuras, escrevesse conquistas, produzisse perdas, tecesse tramas, arquitetasse planos, fabricasse uma vida paralela. De sonhos e fantasias. Um outro eu de você. Como se esse narrador invisível pudesse, às vezes, confundir sua mente. E fizesse você habitar um mundo, que só existe ali, dentro de você. E se você conseguir se desprender dessa história, viria pra cá, para o mundo de todos, muito mais criativo e intenso. Mas se não, cairia no abismo de viver achando que o mundo de todos nunca é o bastante.” (Kelly Shimohiro) 

 

“Somos todos loucos por histórias, porque todos nós somos história”

                                                                                           (Irmãs de Palavra)

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