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DÊ UMA PAUSA – amanhã é tarde demais

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Amanhã é tarde demais.

Amanhã é tarde demais pra você. Você que brindou um novo ano, cheio de entusiasmo e planos. Você que fez promessas com uma determinação verdadeira desta vez. Você que varreu o desânimo e o cansaço, típicos de final de ano. Você que se encheu de esperança e disse SIM, é agora ou nunca, então é AGORA! Amanhã é tarde demais pra você.

Amanhã é o dia que se repete para sempre. É o dia que nunca chega. Amanhã é o dia ideal para cumprir promessas. É o dia perfeito para começar a reforma, a dieta, a economizar. Amanhã é o dia para pedir desculpa. É o dia para faxinar a casa e jogar fora tantas quinquilharias. É o dia que você vai começar a meditar, a parar de fumar. Amanhã, você jura, é o dia em vai se posicionar de verdade, falar tudo que precisa. É o dia para revelar-se. É o dia de tirar as vendas e ver a escuridão que se aproxima. É o dia que você vai enfrentar os grandes problemas da vida. Amanhã é o dia para mudar tudo que não deu certo, você repete mentalmente. Mesmo sabendo que amanhã é o dia que nunca chega. SIM, amanhã é tarde demais pra você.

Livro da semana: O livro do amanhã, Cecília Ahren (mesma autora de P.S Eu te amo), Novo Conceito, 2009. ‘Startamos’ 2019 com fantasia na veia. Na companhia de Tamara, uma adolescente que não precisava pensar no amanhã mas de repente perde tanta coisa (e pessoas) que se vê perturbada com o que pode (ou não) ser o seu amanhã. E aí uma biblioteca itinerante vira mais que diversão. Basta um livro para se ganhar muitos mistérios e ter diferentes futuros pela frente.

Texto das Irmãs de Palavra

amanhã

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Dê uma pausa – sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

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Sim, queremos castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro.

“O pai queria os dias da mulher e dos filhos sem muros. Livres. A filha, pequena, queria o conforto de um endereço fixo. Ele queria que os filhos aprendessem vivendo aventuras na estrada. Os filhos queriam ir para uma sala de aula com roupas limpas. O pai sabia, e gostava, de não ser como todo mundo. Os filhos tinham vergonha de viver tão diferente do resto.  A mãe sonhava com o pai. Sobravam livros. Faltava comida. Tinham muitos risos e todas as estrelas do céu. Mas dívidas também. E perigos reais. Enquanto ele sonhou com um castelo de vidro, os filhos acordaram para outra vida. E foram embora. A mãe ficou. E depois, sobrou.”

O Castelo de Vidro,  Jeannette Walls, editora Nova Fronteira, 2007. Um livro de memórias (também tem o filme baseado na história da família da jornalista e escritora norte-americana Jeannette Walls) fala do perigo de uma história ‘só’. A história nunca é mesmo uma só. Nem a direção certa. Nem a da Jeannette nem a sua. Esse é um livro que acorda você, te faz desejar criar um lugar no mundo. O seu lugar. Não o do seu pai ou da sua mãe, não o dos filhos ou irmãos. Nem dos amigos, vizinhos, príncipes ou princesas. O seu lugar. Seu.

Sim, sonhamos com castelos. O problema é que, quase sempre, eles são feitos de vidro. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

(Ah, sobre a nossa foto, é que estivemos num castelo este ano e, bem, é mesmo encantador. Mas não, obrigada. Foi só de passagem!)

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Dê uma pausa, você pode criar mundos.

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Você pode criar mundos.

Tenho tanta alma quanto você!“, escreveu, séculos atrás, Charlotte Brontë. Lembrar de nossa humanidade (e fazê-la aparecer ainda mais) é uma das coisas que os livros fazem por nós. A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (filme de 2018) apaixona o espectador  quando mostra o poder dos livros. E você só pode ter um livro em mãos, se antes o autor fizer o trabalho dele. Então é sobre eles que vamos falar, os escritores. Conversas entre Escritores – as entrevistas da Believer ( Edição Vendela Vida, Arte&Letra, 2009) é uma obra que partilha histórias de quem nos oferece histórias. As Irmãs de Palavra compraram este livro no metrô de São Paulo, pelo preço exorbitante de R$2,00 (sim, acredite! bastou enfiar o dinheiro na máquina). Íamos nos encontrar justamente com um escritor, que editou nossos primeiros romances. Coincidências à parte, este livro nos fez parar tudo por um tempo. Como, cada autor, cria sua história? Às vezes, nos esquecemos do trabalho duro e árduo que é escrever. Enloquente e solitário. O escritor não é um médico, metido em plantões e que salva vidas. Ele não é um professor,  que ensina todos os que, um dia, serão os profissionais espalhando-se pelo mundo. Ele não é um político, chefe de estado, presidente, nem um monarca. Ele não é um padeiro, um executivo, um maquiador, um pastor, um produtor rural, um blogueiro, um jogador de futebol, um cientista, um entregador de pizza ou um dentista. Ele não é nada disso. Ele é apenas um contador de histórias. Que, humildemente, favorece a imaginação de seus leitores. E, talvez, nada no mundo seja tão ousado e transformador quanto uma pessoa criativa. Os livros podem fazer isso por você.  Sim, você tem o poder de criar mundos, se quiser. O resto é história (e nós adoramos!).

“O romance é realmente um dos poucos lugares no mundo onde dois estranhos podem se encontrar em uma intimidade absoluta”. (Paul Auster) “Para mim escrever é como respirar”. (Haruki Murakami)  O estilo de um escritor, se essa é a palavra – tom, assinatura, o que seja – é o motivo para lê-l0“. (Tom Stoppard) Se eu puder causar no leitor o mesmo sentimento que esse escritor causou em mim, então serei bem-sucedido. E essa é, provavelmente, a maior influência“. (Ian Mcewan) “Uma das coisas que sempre tentamos fazer na condição de escritores: ajudar as pessoas a entender a humanidade dos outros, a importância de outras vidas. Não acho que temos responsabilidades especiais como escritores. Tudo o que você pode fazer é tentar humanizar as imaginações das pessoas. Eu não conheço  nenhuma forma melhor de fazer isso, a não ser continuar a escrever.” (Tobias Wolff)

texto Irmãs de Palavras

irmãs de palavra - escritores

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Dê uma pausa – a história hoje é sobre eles, os seres das sombras

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A história hoje é sobre eles, os seres das sombras

“As sombras estão chegando. Não pude evitar. Estão vindo rápido, cada vez mais rápido. Talvez ninguém possa escapar.” (O Sombrio Chamado)

Eles estão entre nós. Você não consegue vê-los; mas não se engane, eles sabem tudo sobre você.

Eles estão famintos. Você alimenta a todos. Com seu ódio, seus medos, toda sua inveja, ganância, sede por vingança e intolerância.

Eles são silenciosos. Mas furiosos. Perturbam sua mente, confundem seus sentidos. Não se pode fraquejar! Eles pressentem os reprimidos, os coitadinhos, os de pouca fé, os que cultuam os próprios complexos, velhas mágoas, os preguiçosos e também os que querem dominar o mundo, todos os donos de egos inflamados.

Eles são impiedosos. Não perdoam falsas intenções, as digressões, a falta de atitude perante a vida, a mesmice sem alegria, as fofocas e as difamações.

Eles estão aqui, agora. Não adianta fugir, nem se esconder. Vai ter que enfrentá-los. Vai ter que desafiá-los. Eles temem os corajosos. Fogem dos apaixonados. Evitam os que sofrem por inteiro, que são sensíveis à poesia e têm compaixão pelos defeitos alheios. E caem de quatro, derrotados, perante risos e pessoas divertidas. Não suportam alegria.

Só que eles não desistem. Nunca. Vieram antes e continuarão na Terra até o fim. Não é possível despistá-los, ou enganá-los. Eles sabem quem você é e onde podem te encontrar. Não vivem nas profundezas da Terra, nem se escondem na escuridão do mar. Eles moram em espelhos, estão espalhados pelo mundo inteiro.

Demônios. As piores sombras que tememos. Mil nomes que nos atormentam. Ou o inominável. Fome que seca a boca do estômago. Mata à pauladas. Forças que nos perturbam, nos levam à loucura, à depressão. A dizer não à vida. A sua e a do outro.

O Demonologista, sexto romance de Andrew Pyper, publicado no Brasil em 2015, pela editora Dark Side Books é assim. Sombrio, insistente assustador de mentes. Você se vê perdido num mundo em que humanos são possuídos por seres obscuros, que espalham o medo e a morte; enquanto o protagonista – David – corre contra o tempo para decifrar pistas e salvar sua filha do inferno. Pyper é uma assombração. Seduziu as Irmãs de Palavra, com sua história de terror psicológico e sobrenatural.

Tal como David, nós  – e nem você – temos como nos esconder. Teremos que encarar os próprios demônios. Sobrenaturais ou não, reais ou produtos de surtos de loucura, os demônios têm poder. Eles podem acabar com você. A não ser que você mantenha o vigor de quando foi criado, resista aos vendavais da vida, faça barulho com suas gargalhadas e espalhe no mundo o melhor que carrega em seu coração. Nenhum demônio resiste à alguém assim. Não precisa olhar embaixo da cama enquanto lê Pyper, nem ter medo do escuro. O vilão da história pode estar por perto, ele pode ser você. O resto é história (e nós adoramos!)

“A guerra contra o paraíso nunca foi travada no Inferno ou na Terra, o campo de batalha está em todas as mentes humanas.” (Andrew Pyper, O Demonologista)

Texto das Irmãs de Palavra

o demonologista

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DÊ UMA PAUSA – Baniram os livros do mundo!

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E preste atenção: Baniram os livros do mundo!

Era tanta confusão no mundo, uma barulheira geral, tanta coisa para ver, tanto tempo gasto online que, sem que percebêssemos, os livros caíram fora de fininho.

Das casas, eles fugiram rapidinho. Já não havia espaço para guardá-los. Foram todos enxotados, doados, descartados. As estantes logo foram ocupadas: bibelôs, tabletes, smartphones, smart TVs, playstations assumiram o comando.

Empresas foram as primeiras a se livrarem dos livros. Sem demora! Porque tempo é dinheiro e o recado estava dado: Sejamos rápidos, colaboradores! Livros não!

Cafés, pubs, padarias, restaurantes, todo local onde as pessoas se reuniam também retiram os livros de circulação. Usuários e clientes nem notaram. Livros eram – quase – só objetos de decoração.

Representantes de todas as religiões assinaram um acordo contra os livros. Exceto a Sagrada Escritura, livros passaram a ser indesejados desde então.

As escolas e universidades tentaram resistir. Mas com tanta pressão, até o ambiente acadêmico se desfez do livro sem muita hesitação.

A situação só beirou ao caos nas bibliotecas. As paredes pareciam defender como soldados bem armados. Mas o povo invadiu, saqueou, depredou e pôs fogo em tudo.

Assim, quase com a mesma rapidez que se consome e deleta uma história pelo mobile, o livro sumiu do mundo. E como uma maldição, as mentes humanas se esqueceram de seu valor, distraídas por séries de TV, tantos filmes em cartaz,  snaps, faces, whatsapp, instagran e coisas assim.

Ninguém sentiu falta de levar um livro para relaxar numa praia. Ninguém mais leu uma história antes de se deitar. Ninguém mais passou o tempo em transportes e espaços públicos com um livro na mão. Ninguém mais pegou uma criança no colo e viu seus olhos sorrirem ao virar as páginas. Ninguém mais recorreu a livros para pesquisas. Ninguém mais deu livro de presente. Ninguém mais ganhou livro de presente. Ninguém mais teve contato com uma história longa e cheia de detalhes. Acabaram os clubes de leitura, as horas à sós rodeado pela multidão escrita nas páginas, as viagens por lugares incríveis sem tirar o pé da rede. Tudo isso acabou.

E depois de um tempo, que nem foi tão longo assim, as flores murcharam nos jardins, porque as pessoas se esqueceram de aguá-las. As panelas enferrujaram nos armários das cozinhas, já não eram mais usadas. As cidades ficaram cinzas, sem criatividade nem cor. A ciência estagnou e a medicina não avançou. A memória humana atrofiou e a imaginação definhou. E nenhuma pesquisa encontrou um novo antídoto para uma ou outra coisa. As famílias desistiram de se reunir, as conversas tinham ficado vazias e as pessoas não se interessavam mais umas pelas outras. As igrejas e templos foram deixados de lado, as pregações já não convenciam e os fiéis sumiram. As escolas e universidades entraram em colapso, os estudantes pararam de aprender até que nunca mais pisaram em  salas de aula. Empresas faliram e os campos ao redor da Terra secaram, todos improdutivos. Acesas, somente as fogueiras no meio das praças. Nunca se soube o que alimentava as chamas. Os homens ziguezagueavam à esmo, as mulheres perderam o viço e a profundidade, as crianças envelheceram rapidamente. E assim, quase sem ninguém notar, quando o mundo baniu os livros, a Terra sem as histórias, recusou-se a continuar. E foi perdendo a luz, perdendo, perdendo… Até, enfim, apagar.

  • texto: Irmãs de Palavra

dany

 

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Dê uma pausa para Haruki Murakami

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para Haruki Murakami

“Eu não tinha a intenção de ser escritor, não costumava escrever e, certo dia, de repente, comecei o primeiro romance (ou algo parecido com isso)”. Palavras de um romancista que, além de histórias de ficção, nos oferece um livro que nutre, despretensiosa e claramente, quem se interessa pela escrita. Haruki Murakami em ‘Romancista como Vocação’ (2015), relata um pouco de sua trajetória como escritor e nos empresta seus olhos e desejos sobre esse ofício. Para ler Murakami, abandone todas as ideias preconcebidas de como um romance tem que ser. Romancista como Vocação vai desconstruir você.

Escrever exige, nas palavras do autor, velocidade baixa e  marcha lenta. Um trabalho cheio de rodeios e que demanda mais do que tempo, você precisa sentir a força concreta das palavras. Elas não podem ser apenas corretas em gramática e técnica, elas precisam comunicar emoção. Emoção verdadeira e genuína. Marcha lenta para essa escalada de escrever, transcrever e reescrever, traduzindo seu mundo submerso para o leitor.

Logo de cara, o autor aborda um ponto controverso: qualquer um pode escrever um romance.  E por que não? Se tiver disposição para descer até as trevas do interior da sua mente, escrever o que sente, explorar novos e desconhecidos territórios, o sujeito pode se meter a escrever um romance. Por que diabos alguém que deseja, não pode criar uma história? Devemos repensar então a vocação. Ou melhor, dar à ela o status de democracia. Todos têm direito.

À medida que Murakami foi se dedicando aos seus romances – primeiro conciliando com outros trabalhos, escrevendo na mesa da cozinha, no hotel, onde quer que estivesse; começou a seguir um ritmo próprio e acreditar ferozmente no vigor (livre) da língua.  Quanto às críticas sobre suas obras, diz repousar no inevitável. “Então, vou escrever livremente o que eu sentir, o que vier à minha cabeça abandonando ideias preconcebidas de que romance tem que ser assim, de que literatura tem que ser assim”. Oferecer ao leitor o melhor que suas habilidades lhe permitem e aceitar as críticas em silêncio. Elas virão de qualquer maneira. O compromisso do escritor não é com os críticos, é com o leitor.

Se o escritor tem alguma obrigação, essa é de CONTINUAR escrevendo obras com cada vez mais qualidade e originalidade. Isso exige muita leitura (óbvio). Mas também, muita vida. Hábitos de observar os detalhes. De não tirar conclusões rápidas. De não julgar.  Somente debruçar-se ao material que o cotidiano lhe oferece. Mais que qualquer técnica, essa observação cuidadosa e não taxativa, é o plasma da escrita.

Já a imaginação – as gavetas que abrimos da nossa mente – essas devem ser usadas com abuso e regularidade. Surge a ideia. E a história progride quando personagens de diferentes tipos agem de formas variadas, pegam na mão do autor e o guia para lugares inesperados, seguindo, colidindo uns com os outros. Verossímeis, mas não previsíveis. Assim a narrativa se amplia de forma ‘natural’.

“Quando o escritor cria uma obra, em certo sentido, uma parte dele também está sendo simultaneamente criada.”

Sabiamente, Haruki insiste em dizer “Estou falando apenas do meu caso”. Talvez, o que ele queira dizer com isso é que cada escritor terá que debater-se em si mesmo até conseguir encontrar seu jeito genuíno de narrar. Se fôssemos mais pretensiosos, diríamos que na vida, cada pessoa também teria que debater-se em si mesmo até conseguir encontrar seu jeito genuíno de viver. Mas isso já é outra história. Por enquanto, ainda impera os manuais de como se escrever um livro perfeito e empolgante. Ou como você deve agir (onde ir, o que comprar, o que pensar) para ter uma vida “perfeita e empolgante!”

Ainda bem que existem alguns ‘Harukis’ por aí, ainda bem…

texto Irmãs de Palavra

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