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Dê uma pausa – a história hoje é um grande prazer

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A história hoje é um grande prazer

“Quinta-feira, dez da noite. A água quente do chuveiro lava tudo o que fizemos durante o dia sem muita convicção. Não temos um motivo especial para brindar, mas nos servimos de vinho mesmo assim. No aparador, um vaso vermelho. Vazio. Amanhã traremos flores. Nós mesmas faremos isso. Flores sem cartão, dadas a si, por si mesma.  Calçamos nossos velhos chinelos. Amor antigo. Com eles, seguimos confortáveis. Rimos, nos lembrando do scarpin novinho em folha, ainda na caixa. Com ele, seguimos mais bonitas. Alegres, foi paixão à primeira vista. Talvez um livro ou um filme antigo, não decidimos ainda, só precisamos disso, uma trégua da marcha do dia a dia. Até que sentimos o aroma da cebola caramelando na cozinha. Hoje, alguém cozinha para nós. Pensando melhor, temos bons motivos para comemorar. E vamos brindar! Perdoem nossos pequenos prazeres, mas as Irmãs de Palavra merecem. E você, mais do que ninguém, também devia experimentar.”

Os prazeres da vida. Pequenos, tímidos, aqueles que quase passam despercebidos. Grandes, exuberantes, aqueles que quase arrasam com você. É disso que fala o livro ‘Perdoem Nossos Pequenos Prazeres’, de Sandra Russo (jornalista, escritora e editora argentina). E já começa assim, chamando as mulheres para um conversa entre amigas, deixando os homens um pouco de lado. Os filhos, o trabalho, as lutas, as amarguras, as contas, gavetas desarrumadas, dietas; tantos combates – todos de lado. Daqui a pouco teremos tudo de volta! Mas só por um momento, precisamos de uma pausa. DÊ UMA PAUSA. As mulheres merecem prazer. Bem, na verdade, todos merecem prazer. Crianças, homens, adolescentes, velhos. O mundo todo. Não importa muito quem seja você, seu sexo, idade, RG, nacionalidade; você sempre pode dar um trago de prazer no seu dia.

Sandra Russo fala especialmente dos prazeres femininos. Talvez porque nós, mulheres, nos coloquemos tanto no último lugar da fila: primeiro a família, o trabalho, os amigos, os pratos lavados e guardados, depois, só depois… daí o dia acabou. Quem sabe amanhã. Quem sabe Sandra Russo queira chamar a atenção das mulheres para um detalhe importante: só quem dá prazer a si mesmo é que pode oferecer ao outro o prazer verdadeiro. Ou Sandra Russo seja uma mulher cansada de tantas lutas alheias, e agora tenha tido um insight:  não se pode desperdiçar o tiquinho de prazer que o dia te dá, é gota de ouro. Sandra Russo pode ainda ser uma feminista e queira defender a bandeira do prazer feminino. Talvez não seja nada disso. Sandra Russo só tenha escolhido uma, entre tantas pautas importantes. De qualquer forma, agora é quinta-feira, meio do dia. E o que você já fez que te deu prazer, hoje? Mordeu um pão crocante? Rolou na cama com alguém? Deu uma gargalhada? Mergulhou de cabeça em algum romance? Tomou seu banho quente? Terminou um trabalho importante? Tem um happy hour divertido pela frente? Não importa qual seja o prazer, ele tem que servir pra você e pra mais ninguém. O que interessa é que ele tenha espaço na sua rotina entre as obrigações e os horários marcados e remarcados. Porque o prazer é o escudo que nos defende de uma vida desperdiçada e chata. Deus nos livre! Pensando bem, não nos perdoem por nossos pequenos prazeres. Vamos aplaudi-los! O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Dê uma pausa, é Paris!

de uma pausaÉ Paris!

A música é boa, a comida é um acontecimento à parte, a vista é bela e você pode tomar uma taça de vinho ou champanhe e simplesmente se divertir! Porque, afinal, é Paris! E, mon chéri, você nem precisa sair do lugar para entrar na festa. Basta começar por aqui:

O sorriso das mulheres (Nicolas Barreau, 2011 – Verus editora). Uma história de amor que se desenrola na capital francesa. Nada mais clichê! Bobagem, nada mais charmant. Com enredo consistente e brindado com humor europeu, O sorriso das mulheres é um daqueles momentos que você não pode deixar escapar. Sabe por quê? Porque vai fazer você sorrir e sorrir e sorrir muitas vezes! Isso não é encantador? Dar algumas gargalhadas entre uma página e outra, também pode acontecer. E ainda vai fazer você se aventurar pelas trapaças da paixão. Seguir planos e se surpreender quando eles saírem todos ao contrário. Mas tudo bem, você vai perceber que o que importa mesmo não são os anos mas o que colocamos dentro deles. E que, às vezes, é preciso se distanciar um pouco dos próprios problemas para tudo se descomplicar. É aí que as páginas vão conduzir você por cafés e restaurantes com todo sabor gourment, que o resto do mundo inveja e copia. Essa história vai brindar você com momentos de amizade profunda e revitalizante. E depois, você vai desejar mais vida, mais amor, mais refeições deliciosas e muitos, muitos, muitíssimos livros. Como Aurélie Bredin (heroína da livro), diz: “Em novembro do ano passado, um livro salvou minha vida…” E não é que isso pode  acontecer?

Minha vida na França (Julia Child com Alex Prud´homme, 2009 – editora Pensamento Cultrix, selo Seoman). Uma autobiografia fantastique. Puro vigor! Essa mulher, de uma energia irrefreável, foi uma revolução na culinária americana, por ser a pioneira a levar aos Estados Unidos o que há de melhor na cozinha francesa (e deixar isso à mão de quem quiser se aventurar entre ovos, patos e muita – muita – manteiga). A trajetória de Julia Child tem um capítulo principal (na verdade, vários!) em Paris, como ela mesma afirmava: “A França é meu lar espiritual”. Porque foi lá que ela, beirando seus 40 anos, descobriu sua verdadeira paixão – a comida, é claro. E dedicou-se com tal afinco, surpreendendo a todos, com um feito original e épico. Além de receitas aqui e ali, viagens por lugares pitorescos e imperdíveis, Child despeja nas palavras, um bocado da alegria e energia contagiosa – sua marca registrada. “Aprenda com seus erros, não tenha medo e, acima de tudo, divirta-se!” Inspiração em todos os sentidos. Afinal, “precisamos nos colocar em primeiro lugar porque ninguém vai fazer isso por nós”! E quando for fazer, que seja com prazer! “Eles não compreendiam como eu poderia achar prazer em fazer todas aquelas compras, cozinhar e servir, tudo sozinha. Mas acontece que eu achava!” E com vigorosa persistência (se você sentir que quer, de verdade)! “diante do silêncio bocejante fiquei decepcionada, mas não me deixei abater, continuei minha pesquisa”.

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Joie de vivre, alegria de viver. Isso pode ser Paris. Isso pode ser você. Então, só resta às Irmãs de Palavra lhe desejar Bon appétit! Na arte de comer, viver e inventar-se, diariamente.

Au revoir!! 

 

Texto: Irmãs de Palavra

Fotos abaixo Nelson Boulangerie

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Os mistérios da sua história…

“Pra quem já sabe, reinventa.

Pra quem ainda não descobriu, desvenda.”

 

Dos becos escuros nasceu o mundo. Das terras submersas sobreveio a humanidade. Do átomo invisível a matéria emergiu. Das perguntas sem respostas o cérebro se alimenta. Dos conflitos criamos histórias. Do real inventamos outras realidades.

A pausa, a festa, a vitória… o mistério desvendado é um raio sem sombras e sem herança. A resposta final é a morte, enquanto as perguntas que buscam solução são o plasma de tudo.

A potência de uma história (a sua história ou a de um livro) se expande no limite do abismo.

Toda escrita é a tentativa de solucionar algum mistério.

Para nós, Irmãs de Palavra, a escrita é um mistério. Que não precisa ter sentido, mas ser sentido.

Como uma corrida que quanto mais você corre, mais o caminho se bifurca, e mais você acelera. E você segue mesmo sem saber o que procura, porque quando bater os olhos vai descobrir, naquela página, naquela palavra que era aquela aventura que desbravaria uma nova busca. Porque…

“Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós” (Franz Kafka)

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se a DESCOBRIR e a descobrir-se com lucidez” (Pablo Picasso)

texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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‘Agora’ é que são elas!

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Pra vestir uma calça, encher uma mesa, nutrir uma casa, alimentar uma carreira, acender uma família ou um lar particular, exige-se mais do que força ou vontade. É preciso uma constante busca. A busca por um jeito próprio de se expressar, estar, dizer e se formular. No tempo. No mundo.

Já parou pra pensar que assim como ‘ela’ um dia não votava e não exercia cargos públicos, também não se publicava? As primeiras mulheres, dentro e fora do Brasil, que se lançaram na aventura da escrita rasgaram títulos como ‘monstros rebeldes’ e fugiram de terrenos seguros pelo preço de legitimar e compartilhar através de suas palavras, as preocupações e angústias do seu tempo. Porque quando se escreve é isso que se abre, caminhos por onde não se anda mais só.

Desde Maria Firmina dos Reis e Narcisa Amália, nunca mais paramos. Desde antes delas, na verdade. (Muito antes). Mas o mérito dessas escritoras precisa ser reconhecido. O romance Úrsula (de Maria Firmina) é tido como o primeiro livro de autoria feminina no Brasil. Já Narcisa Amália é considerada a primeira poetisa brasileira.

E então, o país virou terra fértil para as palavras das mulheres. O abolicionismo, as injustiças sociais, a profissão, a sexualidade. Cada tema ganhou mais que o olhar, mas também a alma feminina. Júlia Lopes de Almeida.  Lisboa dos Guimarães Peixoto Bastos. Raquel de Queiroz. Cecília Meireles. Lígia Fagundes Telles. Márcia Tiburi. Ana Cristina do Reis. Talita Rebouças. Karen Debértolis. Craolina Maria de Jesus. Conceição Evaristo. Ana Miranda. Carolina Munhoz. Mel Duarte. Hilda Hilst. Cláudia Sobreira Lemes. Maria Angélica Constantino. Anita Costa Prado. Adélia Prado. Mary del Priore. Helena Kolody. Alice Ruiz. Lígia A. Sharank Araújo. Daniela Arbex. Martha Medeiros. Adriana Falcão. Paula Pimenta. Maria Helena de Moura Arias. Camila Kaihatsu. Vera Lúcia de Oliveira. Letícia Wierzchowski. E as Irmãs de Palavra (claro!). E tantas, e tantas e tantas!

Todas em marcha. Em suas palavras, o grito  sobre a vida e sobre si mesmas. Oferecendo descobertas. Partilhando dores. Lapidando criatividade. Denunciando violência. Incitando lutas. Reivindicando espaços. Relatando amores. Despertando paixões. Escancarando mazelas, mas também as belezas do dia a dia. E assim, cavando novos postos em seu tempo, influenciam gerações e modificam culturas. Um danado de um legado! Só que no meio disso tudo tem outro poder, tão ou mais assombroso quanto mudar a história dos outros. Ao descortinarmos novas visões com as próprias palavras, nós, mulheres, desmascaramos mais que uma única possibilidade de seguir, desenformamos a nossa própria ‘forma’!

Agora é que são elas! Escritoras do Brasil, virilizando esta ação.

  • texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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A morte nas histórias

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Rastros da FLIP, pelas Irmãs de Palavra

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Às vezes é preciso planejar. Outras, decidir de uma só vez, sem pestanejar. Seguir. E seguir na vida é o mesmo que mudar-superar-progredir-aguentar-descobrir-realizar-sonhar-rever-acreditar-buscar. Bem… sair da zona de conforto, sempre. Transgredir o discurso em passos é o salto em queda livre que toda vida merece exercer. Porque valioso é o seu tempo, seu destino e tudo o que você faz entre uma coisa e outra. Agora.

flip 2Paraty e sua festa literária foi o destino das Irmãs de Palavra neste último fim de semana. Uma noite de viagem. Madrugada fria. Lugar desconhecido. Gentilezas pelo caminho.  É, o novo pode dar certo! Dia claro. Morros. Maré tranquila. Movimento em terra. Sapatilhas em compasso. Paisagens e sorrisos registrados. Filas. Souvenirs.

A conversa ocupou todos os espaços. E se tem mar que segue, então, o melhor é mergulhar. Fundo. Tanta gente! Grande, pequena, família, casais, amigos… IRMÃS! Leitores, autores, admiradores. Aí fica fácil… redimir-se ao amor vermelho ‘shakespereano’ ajoelhado na ‘casa sagrada’. Desacelerar os passos para ouvir um poeta cantar encantos no fim do beco ou dobrar a esquina pra se juntar à muvuca embalada ao ritmo de um violino eletrônico. Ou até voar sentado ouvindo as incríveis maluquices suicidas sobre Santos Dumond. Um mundo de amor às palavras.

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“Mas o meu tempo foi despertado, mesmo, neste dia épico, pelas vozes femininas. Um deslocamento a galope atravessado por uma nova referência, pra minha andança. Ler Ana Christina Cesar, poeta homenageada da Flip, foi como embaralhar confissão e ficção. Poemas, cartas… sim eu gostei de dialogar com sua voz. “é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço”. E, agora, bem, agora eu quero mais Ana. Mais Cora. Assistir à pré-estreia de Cora Coralina foi tomar um gole da vontade poderosa dessa grande mulher de, literalmente, fazer ‘história’. Com doces. Com os filhos. Com as palavras. Com o que se tem pela frente. “Penso no que faço com fé. Faço o que tenho que fazer com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor. Pois bondade também se aprende”. E se escolhe! E que bela escolha o encontro com Svetlana Aleksiévich, jornalista e escritora bielorussa que graças a tradução simultânea do seu dialeto eu pude ouvir relatos de quem escreve a história da alma. Uma conversa sobre vida que reforçou a minha vontade de ouvir e contar histórias. “A humanidade tomou lugares errados contra a natureza. Mas o ser humano tem a tendência de sobreviver. E no meio de uma guerra, quando uma mãe tem o ato corajosamente amoroso de afundar na água seu bebe cadáver desnutrido que chora em seu peito seco e desperta atenção de soldados para seu grupo de 30 sobreviventes, até o choro cessar, impossível não vislumbrar que a única saída é o amor”.  Thank you! Foi só o que pronunciei à Svetlana ao receber o livro “A guerra não tem rosto de mulher’, autografado, que é claro que eu já comecei a ler no caminho de volta. Pra casa. Para meus filhos bem nutridos. E meu amor, que é minha (melhor) entrada.

Caminhar por todos esses espaços, ao lado de minha irmã de Palavra, trazendo e levando café preto foi definitivamente uma escolha fabulosa. Assim como espalhar nosso projeto literário. E alimentar nosso desejo pelas histórias, com outras e pulsantes histórias. E quer saber, isso tudo não é, definitivamente, apenas sair na zona de conforto pra ir a um outro lugar. Porque no fundo, mesmo, não importa onde se chega. Mas o percurso que se faz. Já diria Ana Cristina César. E a Flip 2016, a primeira que eu espero de muitas das Irmãs de Palavra, foi um percurso de largas e ‘lindas’ passadas!”Dany Fran

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“Sair da minha zona de conforto. Aquele jeito emplastado que se vive sem querer. Bem, talvez não fosse assim tão boring… até que não. Mas faltava… faltava o chão. A terra de onde tudo que importa nasce e viceja e dá frutos e se embrenha na vida. Sem desculpas, sem mais pra depois, sem um dia quando tudo encaixar a coisa vai. Porque tudo – provavelmente – nunca se encaixa. Sair da minha zona de conforto é abandonar as desculpas, o viver para mostrar pra não-sei-quem-não-sei-o-que. Tem gente demais fazendo isso, por que mais eu, mais você? A Festa Literária de Paraty é como um retrato bonito, de muita gente diferente e maluca (as coisas boas são sempre malucas, ou quase sempre), que tem nas palmas das mãos não as linhas do destino, mas as palavras do destino. Sim. Plasma, oxigênio e dúzias e dúzias e dúzias de palavras. Pra toda essa tribo, tem que ter. Mundo bonito, Paraty. Cidade, mar, história, tradição, cultura, um óde à diversificação e inovação. E nós ali, as Irmãs de Palavra – loucura das melhores! Parceria de vida e de sonhos. De projeto. Sistema de apoio. Janelas que dão para o mar. E aí está, Kelly, dando pra si e para o mundo o que pode fazer com mais dedicação. Como diz a Prêmio Nobel Literatura 2015, “em qualquer situação, é o amor que me interessa”. O amor nas histórias, nas palavras, nas linhas escritas que criam o mundo. Todos eles. Todos eu.” – Kelly Shimohiro

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E cada um, à sua maneira tão sua, cumpre o que nosso querido leitor indica ser uma necessidade urgente: sair da zona de conforto. Porque só fora dela você pode descobrir do que realmente é capaz. E é pra isso todos os nossos dias, não é mesmo? Descobrir o que se quer ser capaz. Descobrir-se. Em Paraty. Aqui mesmo. Ou aí, bem onde você está. Agora.

  • texto e fotos: Kelly Shimohiro e Dany Fran

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