DÊ UMA PAUSA. É claro que você não é obrigado, mas…

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É claro que você não é obrigado, mas…

Não somos obrigadas, mas as Irmãs de Palavra aceitaram o convite de Clarissa Pinkola Estés,  em seu livro “Mulheres que correm com os lobos” (Rocco, 1992) e, a partir de mitos, contos de fadas e lendas, visitamos os terrenos profundos dos arquétipos femininos. E isso nos abriu janelas, olhamos e era tanta imensidão! Não notamos, mas não era o mundo que víamos, era a nós mesmas.

Não somos obrigadas, mas as Irmãs de Palavra desejaram conhecer mais, ouvir mais a respeito do papel do feminino na vida da mulher, na vida dos homens, na vida do mundo. Nós queremos exercer a nossa presença autêntica, cheias de vigor.

Não somos obrigadas, mas as Irmãs de Palavra gostam de quem corre livremente, de quem sapateia no escuro, de quem junta ossos no deserto do passado, de quem perambula pelo mundo, de quem dá atenção às velhas e suas histórias malucas, de quem canta para amenizar a dor e permitir a vida-morte-vida. Nós queremos mais alma e menos ego no comando dos dias.

Não somos obrigadas, mas as Irmãs de Palavra não aceitam a vida assim: amordaçadas, contidas, educadinhas, domesticadas. Nós gostamos de uma boa dose de diversão e, talvez, até de um bom palavrão.

Não somos obrigadas, mas as Irmãs de Palavra correram com os lobos. E como os lobos, nós sabemos que nós – mulheres – somos fortes, gregárias, parceiras, curiosas, intuitivas, devotas, perceptivas, vorazes, corajosas, criativas, determinadas, brincalhonas, capazes. Nós não temos medo do trabalho duro, de recomeçar mil vezes, de andar sob o sol e com sede até alcançar a verdadeira fonte da nossa vida. Nessa fonte, toda mulher pode descansar, curar-se, remendar-se, abandonar velhas crenças que lhe rouba a vitalidade e confunde os instintos.

Não somos obrigadas, mas as Irmãs de Palavra sabem que toda mulher não pode andar de cabeça abaixada, curvada, diminuída, envergonhada, agredida. Clarissa fala da mulher selvagem, o espírito de mais de dois bilhões de anos, que habita dentro de nós. As Irmãs de Palavra chamam isso de natureza da mulher: olhos aguçados, mente afiada, coração aceso e pés fortes. Se você parar para ouvi-los, vai saber para aonde ir. E vai ter a audácia de ser exatamente quem você é. Nesse instante, você muda o mundo. O resto é história (e a gente adora!).

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Dê uma pausa ao lobo mau

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ao lobo mau

Uma alcateia foge de caçadores (2017). Bebês salvos por loba fundam Roma (753 a.C.). Famintos pelas frutas, lobos-guará ficam embaixo de árvores e estão ameaçados de extinção no Brasil (2017). Lobos na pele de cordeiros, segundo dito popular. Lobos que não são lobos nem cordeiros ocupam a Assembleia Legislativa nacional (hoje). Em documentários, lendas, livros, notícias ou crônicas; vamos falar dos lobos.

Presentes no inconsciente popular como feras sanguinolentas e selvagens, os lobos podem ter muito a nos ensinar. Vamos “refletinar”. Lobos são selvagens, sim. E ainda bem! Não domesticados, mantêm os instintos à prova da deformação causada pelo excesso de domesticação (não abanam o rabo feito cachorrinhos adestrados, não abaixam a cabeça feito gente que aprende que a  subserviência é o caminho para existência). Lobos não se dobram às regras que pretendem torná-los aquilo que não são, distanciá-los de sua própria natureza selvagem. Mas sanguinolentos, não! Lobos atacam por dois motivos básicos à sobrevivência: segurança e alimentação. Não se agrupam em bandos saqueadores de patrimônio alheio, nem se ajuntam em facções de extermínio. Tampouco formam quadrilhas que matam à esmo ou se alinham à trupes cheias de preconceitos, que detonam em bullying todos que são diferentes. Lobos não são assim.

Ana Maria Machado, destaque em literatura infanto-juvenil, em “Procura-se Lobo” (2005) expandiu uma ideia que começou décadas atrás. Quando, certo dia flagrou seus filhos emocionados (e talvez um tanto assustados) assistindo um documentário em que caçadores corriam atrás de lobos, nunca mais abandonou a imagem dos lobos. Essa história ficou perambulando por sua cuca e muito tempo depois, inspirou uma ficção que emocionou filhos das Irmãs de Palavra. Crianças que chamam a atenção dos pais sobre a necessidade que alguns bichos têm de proteção. Contra outros ‘bichos’. Mas não se engane. A principal inversão aqui, não é de idade. Trata-se de quem tem medo de quem.

Clarissa Pinkola Estés, no aclamado “Mulheres que correm com os lobos” (1992), compara a mulher restituída de toda sua psiquê selvagem aos lobos. Pois ambos têm em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão, devoção; são gregários, curiosos, resistentes, fortes, intuitivos, adaptáveis ao novo; providos de determinação feroz, extrema coragem, comprometimento com os filhotes; são parceiros e agrupadores. Não parece o melhor tipo de gente?

Os três porquinhos que nos perdoem, além de trabalhar ‘duro’, é preciso, sim, explorar a própria intuição. Dançar com o batuque do seu coração. Estar próximo de sua própria natureza. Que o homem tem se afastado de si mesmo e se tornado cada vez mais um espectro robotizado da figura humana, não é novidade. Que ele cindiu natureza e humanos, é fato sabido pelo mundo. Quando a literatura, séries e afins ressaltam características lupinas, talvez estejam chamando nossa atenção para um caminho: o resgate da nossa própria ‘natureza’, nossa humanidade. E quando homens e mulheres ficam distantes de quem naturalmente são, o consumismo impera, a distância nas relações se torna um tabu intransponível, doenças e males da “alma”(como depressão, pânico, apatia) são cada vez mais frequentes, a imaginação e criatividade ficam restritas e entediadas, o progresso do mundo estagna. Não somos virtuais. Não somos seres embotados e pragmáticos. Somos feito lobos, exuberantes e selvagens.

Ah, vamos falar dos ‘lobos’. Vamos, sim!

Texto Irmãs de Palavra

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