Dê uma pausa – é hora do livro!

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é hora do livro!

Gerações e gerações percorreram o mundo para você chegar até aqui. Antes e depois de você, a vida está sendo criada, desejada, amada. As mães do mundo fizeram tudo. A terra, o ventre, a gente. Imaculadas, abusadas, profanas, educadas, tristes, despreparadas. Mães. Críticas, famintas, sonhadoras, inovadoras, barulhentas. Mães. Permissivas, machucadas, carentes, guerreiras. Mães. Lindas, festeiras, trabalhadeiras, esquecidas, mal-amadas. Mães. Mortas, invisíveis, ideais, fantasiadas, infantis. Mães. Pequenas, gordas, cheias de verruga, maquiadas, exuberantes, capas de revista. Mães. Pretas, amarelas, vermelhas, rosadas. Mães. Sem dentes, sem pentes, sem sementes, sem vergonha. Mães. Resistentes, cheias de amor, doces, azedas, às vezes, felizes. Mães. Sem elas, nós não. O mundo não.

Chegar não é mais precioso que o caminho. Manuela, personagem de Bárbara Lia, no livro As filhas de  Manuela (editora Trunfal, 2017), sabia disso mesmo sem se dar conta. Ela saiu em busca. Da filha na barriga. Das suas tantas descendentes. Mas principalmente, de si mesma. A mãe. Ilha do Mel. Paranaguá. Com um tanto de brasilidade, ‘As filhas de Manuela’ nos leva a uma longa estrada de busca. E durante todo o percurso, os encontros (e desencontros) de filhas e mães, nos contam a verdade: estamos todos, no mundo todo, querendo um colo de mãe. O resto é história (e nós adoramos!).

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Dê uma pausa – hoje a história é filha da MÃE!

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A história hoje é ‘filha da MÃE’!

Algum dia nos disseram que se cria filho pro mundo. Bobagem, se cria filho porque sim… Amor não se explica e nem se aplica. Existe. Fim.

Algum dia suas horas de sono são todas picotadas, sua agenda fica lotada e o tempo, bem, o tempo não tem importância. O nome desses dias é dedicação. Ponto. É assim ou não?

Algum dia suas festanças mudam para o meio da tarde, e a adrenalina vai parar no parquinho da esquina. Você ri das palavras que o filho soletra errado. Quem ia imaginar que sua alegria podia vir daí? Quem?

Algum dia seu filho cresce e você logo volta a ficar sozinha. Tudo bem, mãe. Ainda bem, mãe.

Algum dia os cabelos penteados, ingressos comprados, as mochilas pesadas e cadernos encapados ficam todos para trás. Algum dia a importância disso vira coragem nos olhos do filho, vira audácia quando seu filho reage e não se submete, vira amor quando seu filho se lança feliz na vida dele.

Algum dia sentiremos saudades das tardes com cheiro de bolo e filmes bobos na TV, das marcas de crescimento que rabiscamos na parede, das bolas espalhadas, dos laços perdidos, de tê-los bem pertinho. Saudades de mãe. Tudo bem. Estamos bem.

Algum dia seu filho entra pela porta tão adulto, tão bonito, tão cheio de ideias, tão diferente. Nesse dia, todos os outros farão sentido.

Algum dia uma das Irmãs de Palavra comprou o livro Algum dia (Alison Mcghee e Peter. H. Reynods, 2007), despretensiosamente para a filha do meio. E esse livro tão delicado e bonito, foi passando por toda família. Algum dia virou até leitura de mãe para os filhos. Porque algum dia desses, a gente precisa parar tudo que estiver fazendo pra dizer: Mãe, obrigada por todos os seus dias. Algum dia fomos felizes. E esse dia, só pode ser hoje! O resto é história (e a gente adora)!

texto das mães, Irmãs de Palavra

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De uma pausa para MÃE!

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e vá assistir Mãe!

Isso mesmo, é um convite. Dê uma pausa, vá ao cinema e veja esse filme.

Se Mãe! fosse um ponto turístico, as Irmãs de Palavra diriam que você precisa ir até lá. Você precisa pisar neste lugar por alguns momentos, porque essa experiência fará alguma coisa com você. Talvez te desperte. Vale a pena a viagem. Mas como Mãe! não é um roteiro no mapa, vamos falar do filme.

O nome é uma das palavras mais usadas no mundo – Mãe – e como o diretor e roteirista do longo, Darren Aronofsky, disse em entrevista para o Jovem Nerd (blog brasileiro de humor e notícia), mãe foi o princípio de tudo. Foi a inspiração para toda a criação. A Mãe Natureza: “Não para a sua mãe ou a minha, mas para a nossa mãe. Dar voz para essa mãe que criou toda essa vida. Eu comecei por aí…”. E o resultado são 121 minutos intensos, estrelados por Jennifer Lawence (a mãe), Javier Barden (Ele, o escritor, poeta, o criador), Michele Pfeiffer (a mulher, esposa) e Ed Harris (o homem, médico) – o núcleo principal da trama.

Como técnica narrativa, Aronofksy empresta os olhos da protagonista para o público enxergar a história, como se a câmara estivesse grudada nela. E isso é um jeito de narrar que, no mínimo, nos coloca no centro de tudo o que acontece. Ou seja, cada telespectador é como se assumisse o papel da própria Mãe Natureza e sofresse todas as suas tormentas até atingir sua fúria fatal (que não cede aos apelos do perdão, já que em algumas situações a segunda chance simplesmente não existe). Se bem que no filme, a sugestão é que nosso papel seja o dos intrusos – aqueles que invadem a casa, abusam de sua hospitalidade, roubam seus recursos, depredam sua estrutura e terminam por destruí-la. Não é nada agradável se ver nesse papel – o da humanidade. Mas claro que somos bem diferentes do que o diretor coloca. Como disse alguém ao sair da sala de cinema: “Sujeitinho pretensioso esse roteirista”. A humanidade não faz isso com sua grande casa, a natureza. Nós não fazemos isso, não é mesmo?

Mãe – (Ruim. Ou bom. Inovador. Ou uma repetição de tensões. Um pouco disso. Ou nada disso! ah… Isso aqui não se trata de uma crítica, ok!) agarra a nossa ‘mão’ e nos leva para lugares onde, às vezes, o ‘sol’ não entra. E isto, querendo ou não, mexe com a gente. Porque MÃE é também um lar!

Com um mosaico de metáforas,  Aronofsky (que já colocou no ar filmes como Cisne Negro e Noé), gruda o público na tela com a sua história. Seu jeito de contar. Como é seu hábito, Aronofky traz ao mundo  polêmicas, e com Mãe! não é diferente. O que faz tanta gente sentir vontade de sair da sala de cinema antes do filme acabar. O mesmo desconforto provocado por esta narrativa, também faz parte do público ficar presa à cadeira, tensa até os créditos surgirem na telona.

A camada mais óbvia do filme (e a mais discutida e comentada também) é a alegoria bíblica presente. Deus, o grande criador. A Mãe Natureza. Eva e Adão. Caim e Abel. A Terra sendo criada. Jesus entregue à humanidade pelo pai, que na película, é encarnado por um bebê, que tem literalmente seu sangue bebido e sua carne devorada pela humanidade.

Outra metáfora, dentre tantas, possível é da nossa civilização atual. Se imaginarmos a personagem mãe como uma pessoa comum, você, por exemplo, quantas vezes não se viu na mesma situação dela, tendo sua privacidade invadida? Por desconhecidos, amigos, família, mídias, redes sociais. No filme, Lawerence grita para proteger seu espaço pessoal, manda as pessoas embora, até que explode numa raiva impossível de ser contida. E nós, o que fazemos? E se pensarmos na personagem do médico fã do escritor como alguém real, que por interesse de aceitação, cobiça, idolatrismo ou outra conveniência se deixa levar; quantas vezes em nome de qualquer um desses interesses a gente não permite que nos arranquem ‘pedaços’, partes importantes de quem somos, da nossa história, da nossa própria vontade? O personagem do escritor se encaixa como uma luva no cidadão comum dos dias atuais: egocentrismo, busca de fama a qualquer preço, vender-se por sucesso, esquecendo-se até mesmo de proteger seu próprio filho e relacionamentos em nome desse poder. Sujeitinho pretensioso mesmo esse roteirista, não é que ele faz cesta! Javier Barden representa alguém que usurpa da alegria e vigor alheio para manter sua vida abundante. Existe, no mundo real, gente assim. Toma tudo o que é seu, seu entusiasmo, sua autoestima, sua alegria, seu coração e depois sai ileso e você, sucumbe num canto, totalmente arrasado. São como sangues-sugas emocionais.

Numa altura da trama, a personagem de Michele Pfeiffer diz: “Filhos são assim. Você dá e dá e dá e eles nunca estão satisfeitos”. Quem nunca?

No fim, há um  recomeço. No filme, mais um ciclo amaldiçoado se inicia. Porque o criador não aprendeu nada, não se transformou nem se humanizou. Ainda precisa do coração alheio para criar vida para si mesmo. Mas não precisa ser sempre assim. Você, por exemplo, pode fazer diferente. Não pode?

Pensar sobre essas coisas pode mesmo incomodar. Mesmo assim, fazemos o convite uma outra vez: Dê uma pausa e vá assistir Mãe! A viagem vale a pena.

  • texto: Irmãs de Palavra

 

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