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DÊ UMA PAUSA, é hora do livro!

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é hora do livro!

Existe um gênero literário que não caiu nas graças da grande massa, mas bem que podia! (achamos mesmo que devia) A POESIA.  Uma nota alegre e cheia de vida. Com ela, o carnê vira viagem dos sonhos. A fome, cachorro louco que devora o mundo (por dentro). A dor de amor, lamento sem fim. Porque poeta é assim, vê tudo com olhos furiosos e escreve com a voz de quem quer mais. Mais da vida, mais de si! Maria Eugênia, nossa amiga de palavra de Maringá, nos empresta ‘Sua Loucura’ em Poetize 2019, antologia poética – organizada pela Isaac Almeida Ramos – e nos convida àquela pausa do dia: precisamos gritar agora e não morrer calada, nem seguir na multidão sem dizer nada. O resto é história (e nós adoramos!).

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Dê uma pausa – dá um mergulho, vai!

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 Dá um mergulho, vai!

Lemos notícias. Falamos sobre tantos assuntos. Discorremos tratados, que depois são derrubados, refutados, rechaçados. Defendemos pontos de vista a ferro e fogo. Ouvimos sermões. Falamos palavrões. Ensinamos regras de etiqueta. Cumprimos protocolos. Assinamos contratos. Contamos casos. Nos calamos. Gritamos bobagens. Cantamos letras que nem entendemos. Damos lições de moral. Fofocamos. Fazemos juras de maldição. Promessas que nunca cumpriremos. Concordamos, discordamos. Temos tantos pontos de vista. Acumulamos artigos, resenhas de todo tipo. Escolhemos menus, é tanta coisa pra comer. Estudamos leis, biologia, matemática, até mesmo xadrez. Formamos e deformamos. Consumimos, produzimos conteúdos. Mandamos mensagens, e-mails, fotos, stories, selfies… Sorrindo, indo e vindo. Criamos manifestos, movimentos. Recebemos cartas. Sim, ainda existe carta, people! Sugerimos, concluímos. Gostamos de romances, thrillers, biografias, livros de fantasia. Teorizamos o mundo, a vida, a morte, as relações. Engolimos explicações. Desejamos tantas respostas.

Então, temos a poesia. Despretensioso pássaro da mente. Só quer voar, ser livre. Sentir, people! E atende apenas uma missão:  LIBERTAR!

“O rio está sob nosso passo (…) São nossos olhos que desenham sentido”.  

“Nascente,

Da terra que brota por veneráveis bolhas de ar, suave vulcão extinto.

Desço absoluto, riscando pedras. “

Maria Helena de Moura Arias é escritora, é poeta, é nossa amiga de palavra. É uma artista tão profunda quanto os rios que a inspiraram em  Palavrio (Scortecci Editora, 2014). De alagados escuros, caminhos encharcados, a leitos tranquilos ou fluxos nervosos; a história segue sem retornar, uma vez sequer, ao mesmo ponto de partida. Mergulhar nas poesias de Moura, lubrifica o olhar  da gente. Que passa a percorrer também por ‘terras mais moles’, caminhos não descobertos.

“Junto o passado em minhas profundezas. Refaço caminhos perdidos. Perco-me do horizonte estático.”

 Se até as águas turvas não fogem de si, como é que ‘eu’, correnteza limpa, vou escapar de mim? A vida merece poesia. O mundo precisa do poeta. Somos todos poemas. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

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Devaneios – por Dany Fran

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Devaneio I

Ele amaldiçoa a semana. Disputa com os ponteiros.

Às vezes não sabe o que quer. Mas sempre sabe o que não quer.

Será que um dia vai dar ouvidos à Frida? E não demorar onde não amar?

 

Devaneio II

Um mergulho no escuro. Viver não vem com garantias. Jogue os manuais. Cace seus próprios rituais. Siga. Os pulsos. Ouça. Os instintos. E solte. A voz que berra no teu coração.

 

Devaneio III

Café. Barulho na sala. Histórias na parede. Imagens na porta. Escancarada. Para os risos passarem. E o silêncio deitar. Se acomodar. Com o batuque dos corações. Aos quatro. Lendo. Um ao outro. Assim. Quando a noite cai o sol levanta. Todo dia. Neste movimento a gente faz um lar.

 

Devaneio IV

Tudo de pior eu abominava nele. Quanta ânsia por ganhar dele!

O pior de tudo eu enxergava nele. Quanto era parecido com ele.

 

Devaneio V

– Por que não me pediu pra ficar?

– Oras! Não se pode contar pra alguém que ela te ama!

 

Devaneio VI

Se começar a transformação depende de você, a sua permanência necessita do outro. Porque aqui, ou aí, o que não muda é que estamos, alienavelmente, todos conectados.

 

Devaneio 7 (MEU NÚMERO SAGRADO)

O problema não é, definitivamente, tornar-se um adulto. Mas crescer e esquecer, do essencial! De que quando somos cativados corremos risco de chorar! De que ainda que sua rosa desidrate, perca todas as suas pétalas, morra; ela continua única pra você! De que partir em busca de respostas pode ser o caminho mais curto para voltar ao que te é precioso! De que o medo não é rastro de fracasso, mas quem sabe um impulso pra morder… suas conquistas!

 

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SURREAL

Corpo(s)

A vida sempre em plural. Muito plural! E isso não é uma frase de efeito. É só constatação. Ingênuo, leviano e egoísta o pensamento de um caminho único. Um tipo de gente. Um perfil de felicidade. Uma aparência de corpo. Uma só palavra.
As IRMÃS DE PALAVRA felizes em dobro. Ganharam de presente. Dois livros. Da artista, fotógrafa, performática, professora e belíssima pessoa, Fernanda Magalhães. Que conhecemos através de outra pessoa plural como Fernanda, a Mulher das Palavras: Karen Debértolis. É, realmente, o mundo é cheio de surpresas das boas. De encontros viscerais.

corpo 2Que somos ‘corpos’ em mutação constante e obra pra sempre inacabada, não é o novo. Mas o princípio para seu conceito ampliar e suas fronteiras se expandirem depois de ler Corpo Re-construção – ação ritual performance, livro tese de doutorado da Fernanda Magalhães. Dona de uma percepção sensivelmente aguçada, contestadora e livre. “… tão eu, cruamente. O amor e a arte me salvam a cada dia.”

Foi um mergulho poético ver alguém se colocar, interagir com a realidade atravessando distâncias, estranhamentos. Inclusive os seus, particulares. E tão subjetivos!
As marcas do outro, moldadas em nosso corpo, reconstroem o nosso próprio corpo. Enquanto história. Quem somos. Estamos. E podemos ser! A andança e as trocas contínuas de Fernanda acenderam a crença de múltiplas possibilidades para uma formação contínua. Gostamos muito disso!
Fabuloso também é ler, reler e rever a fotografia não como um registro técnico da realidade. Mas possibilidade de criação, captação artística da vida. Olhar entrecortado. Quebra de imposições e conceitos fechados. E assim, cravar ruptura em uma cegueira coletiva causada pela repetição das mesmas e insistentes imagens.
Para Corpo Re-construção, as IRMÃS DE PALAVRA dizem: “Fernanda, seu corpo reconstruiu outros, outros tantos, os nossos nesses tantos. Abriu narrativas recriadas. Trabalho que soma o mundo, porque revela verdades submersas ao paisagismo grotesco estampado no dia a dia. Avanço poético, político e pessoal. Essa leitura faz isto!”
As IRMÃS DE PALAVRA receberam outro livro: o Eulália Neutra, que nas palavras de Fernanda Magalhães: “Pequeno livro, fino mas lindo, eu amava, era o livro de meu pai…”. Livro publicado pelo pai de Fernanda – Antonio Vilela Magalhães – em parceria com um amigo, Arnaldo Magalhães, e com ilustrações de outro amigo, Darcy Penteado, no começo dos anos 1950 em São Paulo.
Eulália Neutra (edição fac-similar comentada), Fernanda Magalhães (org.), Londrina: Travessa dos Editores,2011; é uma obra rica em resgate cultural. Traz para o mundo hoje trajetórias e movimentos artísticos de Londrina, que não podem, não devem serem esquecidos ou relegados. Memória cultural é identidade do agora! Os avanços que desfrutamos hoje foram trilhados por outros pés, ou neste caso, outras mãos escrevendo poesia. A filha resgatando a história do pai e da memória cultural de uma cidade, um povo. O livro é um poema estendido. Bonito que é, saltam algumas frases: “… Há mil e uma razões, nenhuma só verdadeira…” “Veio a vida. E depois?…”
Fernanda Magalhães debruça no mundo as impressões ocultas. Revela no outro, as possibilidades infinitas. Tem coragem. Tem ousadia. Demais, porque isso é como vírus, vai se espalhando. Ao invés de doença, lança consciência. Pensa bem! É mesmo demais!!
AS MULHERES TENDO ENCONTRADO SUAS VOZES TÊM ALGO A DIZER. (Virgínia Woolf – 1997)
* texto: Kelly Shimohiro e Dany Fran
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a PALAVRA que transpõe

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Um dia Eliane Brum nos encorajou, em sua dedicatória de Uma Duas, que a palavra é labirinto. Lugares múltiplos. Sentidos Ímpares.  Lendo a prosa poética e as poesias de Marcele Aires, a gente entende isso. É como percorrer sentimentos crus (ou nus?) tocados pela palavra, criada  com sutileza e, ao mesmo tempo, uma força visceral.

 

Procuro a vida e ela me encontra

ali,

exatamente ali naquele azul, cheia de coragens e delírios, honras, desafetos, martírios, trípticas voragens.

Ali,

precisamente ali, ereta, apesar dos nãos, apesar dos desenganos, dos desencontros, dos afagos profanos, da falta de mirra e sal.

Toda essa coisa inebriante e que faz respirar o mundo a plenos pulmões, é como um livro de páginas abertas, onde vou escrevendo minha história. Vou me refazendo ininterruptamente.

 

marcele aires - irmãs de palavraSó alguém que percorre os caminhos do poder intuitivo falaria sobre ir ‘grávida de sonhos’, com os pés encardidos, criando ato de amor. Porque é preciso acender quem você é. De verdade. Pra você. Afinal, como diria, Marcele Aires, a maior coragem é viver. E despertar o que te acorda. E foi em um desses momentos, que chacoalham o seus dias, que as Irmãs de Palavra conheceram Marcele. Em um Sarau da Prosa, em Londrina. Jornalista de formação, ela arrebatou seu trajeto na literatura. Assim como arrebata quem cruza pelo seu caminho. Vibrante! É uma mulher que exala boas energias e, em um breve contato, é capaz de nos contagiar com a vontade de fazer a história acontecer!

 

Que Transpõe o Halo‘ é seu primeiro livro. Além de tecer poesias, Marcele Aires também é professora de teoria literária e literatura da Língua Portuguesa na UEM, em Maringá. Deste primeiro encontro, ficaram sorrisos iluminados e desejos de continuar ‘mirabolando’ novas prosas.

 

O amor brota,

O amor estapeia a cara,

traz nos punhos cerrados um soco no estômago,

quebra os vidros da calma,

cultiva cada célula como se a aurora

dependesse de um instante infindável

e de um cheiro tão leve

que o mundo poderia murchar a sua carne.

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Uma mulher de ‘PALAVRA’

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Viva! A palavra, escrita ou conjugada, pulsa o verbo. E da primeira pessoa do singular chegamos à terceira. Do plural. E isto é ‘vivo’! Não apenas porque vibra. Os sentidos. Mas porque os impulsiona. Pra frente. Pra outros. Novos. Sentidos!
E foi através dela, da palavra, que as IRMÃS DE PALAVRA encontraram os múltiplos e ensolarados enredos de Cláudia Vanessa Bergamini. Professora de Literatura que abre as portas da sala e, de mãos dadas com as histórias imaginadas ou retratadas, segue adiante nos acordando para mundos mais vigorosos. O melhor é que ela não para. Poesia. Contos. Pensamentos. Seja caminhando por Paisagens Literárias (http://dicasdeliteratura.blogspot.com.br/), reedições (Ceos Editora), ou até mesmo por devaneios em clubes de leitura; perambular pelos labirintos de Cláudia é um cativante caminho. Está esperando o quê? Vem também!!!!
E agora, menina?
(Por Cláudia Vanessa Bergamini)
E agora, menina?
Acabou-se o conceito,
Fechou-se a janela,
Perdeu-se do grupo,
E agora, menina?
E agora, você?
E agora, menina?
O que será de você?
Correrá para onde?
Chorará em que peito?
Segurará em qual mão?
E agora, menina?
E agora, você?
Discurso você tem,
Desejos também,
Vontades aos montes,
Coragem a vender,
Então, menina, e agora?
Mate a menina,
Que nasça a mulher,
Que floresça a vida,
Que brote o sorriso,
Que exale a alegria.
E quando a noite,
com sua mão fria,
vier lhe tocar,
só lembre, menina,
que você já é morta,
porque agora é mulher!
claudia
Não há resquícios
(Por Cláudia Vanessa Bergamini) 
Chame que eu te atendo.
Chames e eu te sigo.
Mas não ordenes que apague de mim os calores que senti,
os sonhos que criei,
os paladares que imaginei,
os toques que em devaneios concebi.

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