de uma pausa

Dê uma pausa e leia – uma história de romance

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e leia – uma história de romance

“Ela gosta do abajur ligado e a casa em silêncio para escutar o vinho caindo na taça, acomodada junto à pilha de livros. Alguns são devorados bem rápido, sem a menor cerimônia. Outros, demoram pra ser tocados. Platonicamente desejados. Alguns são substituídos por novos. Capa dura. Um luxo. Outros, edição de bolso. Menores. Mas tão gostosos quanto.

Ele acostumou a viver cercado. Por todos. Não liga. Com a roupa jogada. A comida esquentada. A página virada. (por anos). Mas quando ela é tocada. E duas taças são secadas. Ainda hoje, eles gostam do que os mantêm ligados. Conectados. Não precisam de morte que os unam, nem o ‘acaso’ de uma praia deserta, ou uma trama complexa que dificulte a jornada dos dois. Só da mesma cama. Que os esquente. Dos mesmos sedentos olhares, sem substituição, em dias ensolarados. Ou nublados. Precisam da mesma imaginação divertida dentro das quatro paredes. Reais. Do mesmo silêncio. Surreal. Que os tornam cúmplices. De um acordo. Sem tratado. Mas selado. E renovado. a dois. “

Você para tudo e se entrega a um bom romance. De cem páginas ou mil. Pode ser estrangeiro, brasileiro, ingênuo, quente, sofisticado, real ou fantástico. Talvez acabe trágico, no estilo shakespeariano. Talvez derrube barreiras morais, como Dona Flor e seus dois Maridos. O cenário pode ser urbano tendo Paris como fundo, conquistando fácil O Sorriso das Mulheres. Ou se desenrolar nos campos áridos de Vidas Secas. Romances podem ser densos, cheios de Orgulho e Preconceito. Ou leves, com pitadas de humor pueris: Cinderela Pop. Eles podem acabar mal, feito um Sono ruim, ou esperançosos e felizes Sob o sol da Toscana.  Podem até mexer com seus preconceitos, abrir outras possibilidades e lhe presentear com uma  Rosa da Meia-noite. Podem tanta coisa, menos uma. Quando você começa um bom romance, não dá mais pra parar. Páginas são devoradas num fôlego ardente. Vírgulas transformam-se em suspiros. Novos capítulos na ansiedade da espera, a paixonite formigando. O fim em vazio, dias cheios de espaço, tudo é chato até que… na curva de uma estante qualquer, você tope com uma lombada atraente e pronto, a química de novo. E depois das primeiras palavras, você está lá, caindo de amores. O que um bom romance não faz, não é mesmo?

Texto das Irmãs de Palavra

paris 7

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Por um bom romance

Um romance é alguma coisa do tipo:

  • INCONTROLÁVEL

“Pra quem acha que eu estou sendo o consolo. Saiba que está sendo meu melhor caminho e meu maior desejo. Eu quero você. Sempre quis. E vou continuar querendo. Feliz primeiro de todos os outros aniversários que passaremos juntos!” Ler aquilo foi tão inspirador quanto estava sendo passar meus dias nublados ao lado daquele homem. Coloquei  o CD que tinha acabado de ganhar com aquela dedicatória para tocar em seu carro e o beijei. Na entrada do bar, uma fila com vários rostos conhecidos. Ignoramos a todos. Paolo chegou bem perto do meu pescoço. Ficou quase insuportável não me jogar em cima dele bem ali.” (trecho do livro Dias Nublados)

 

  • PERIGOSA:

“O casamento mata.” (Garota Exemplar)

 

  • LIBERTADORA: 

“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.” (Clarice Lispector)

 

  • AZARADA:

“Tu me amavas… que direito tinhas então de me deixar?”(O Morro dos Ventos Uivantes)

 

  • HIPNOTIZANTE:

“Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância luminosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também.”(Clarissa Pinkola Éstes)

  • POLÊMICA:

““Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo o céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li.Ta.” (Vladimir Nabokov)

  • GOLPISTA:

“Precisa de quarenta minutos para me explicar que o que está acontecendo representa uma bênção e um infortúnio. Sou rica. Poderei comprar o que quiser. Poderei dar presentes. Mas atenção. Devo desconfiar. Porque, quando temos dinheiro, passamos a ser amadas de uma hora para outra. Desconhecidos apaixonam-se subitamente. Vão pedi-la em casamento. Enviar-lhe poemas. Cartas de amor.”(A lista dos meus desejos)

 

  • CLICHÊ:

“O Dia dos Namorados para mim é todo dia. Não tenho dias marcados para te amar noite e dia.”  (Carlos Drumomond de Andrade)

 

  • SOBRENATURAL:

“Um coração morto, gelado, podia bater de novo? Parecia que o meu podia.” (Crepúsculo)

 

  • QUASE UMA DROGA:

“O verdadeiro Amor como qualquer outra droga forte que cause dependência, não tem graça. Assim que a fase do encontro e descoberta se encerra, os beijos se tornam surrados e as carícias cansativas… exceto, é claro, para aqueles que compartilham os beijos, que dão e recebem as carícias enquanto cada som e cada cor do mundo parecem se aprofundar e brilhar em volta deles.
Como acontece com qualquer outra droga forte, o primeiro amor verdadeiro só é realmente interessante para aqueles que se tornam seus prisioneiros. E como acontece com qualquer outra droga forte que cause dependência, o primeiro amor verdadeiro é perigoso. Os que estão sob o domínio de uma droga forte – heroína, erva-do-diabo, verdadeiro amor – frequentemente se veem tentando manter um precário equilíbrio entre discrição e êxtase, enquanto avançam na corda bamba de suas vidas. Manter o equilíbrio numa corda bamba é difícil até mesmo no estado mais sóbrio; fazer isso num estado de delírio é praticamente impossível. A longo prazo, é completamente impossível.” (Stephen King)

 

  • NUTRITIVA:

“Dias de mel, dias de cebolas.”Provérbio árabe (Dias de Mel)

 

  • DUVIDOSA

“Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me”. (Bentinho sobre Capitu, Dom Casmurro, Machado de Assis)

Impossível é não querer experimentar alguma dessas sensações, assim como tantos personagens ficcionais: Amy Dunne, Izadora, Bentinho, Bela (e muitos outros). Um romance pode até não bater na sua porta, como fez Paolo (Dias Nublados); ou deixar você doente de ciúmes, assim como o Bentinho ( Dom Casmurro). Mas quem alguma vez, não sonhou com uma cena de romance?  Na literatura, ele amarra desde um trilher à uma trama fantástica, dos clássicos ao contemporâneos. Em nossa realidade, ele pode arrebatar seu coração.

 “Vem, noite! Vem, Romeu! tu, noite e dia, pois vais ficar nas asas desta noite mais branco do que neve sobre um corvo. Vem, gentil noite! vem, noite amorosa de escuras sobrancelhas! Restitui-me o meu Romeu, e quando, mais adiante, ele vier a morrer, em pedacinhos o corta, como estrelas bem pequenas, e ele a face do céu fará tão bela que apaixonado o mundo vai mostrar-se da morte, sem que o sol esplendoroso continue a cultuar”.

(William Shakeasper)

* texto: Irmãs de Palavra

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