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Dê uma pausa – Temos uma história (boa) pra você.

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Temos uma história (boa) pra você.

A coisa toda não funciona do jeito que imaginamos. Não é linear, nem segue um roteiro universal. Para uma história ser ‘boa’, você precisa de mais. Muito mais! Não adianta ter informação ou conhecimento de sobra (isso é efeito colateral, é quase sem querer que aprendemos lendo, apurando, ouvindo, fuçando ‘boas’ histórias). Também não importa se o autor se serviu dessa ou daquela técnica narrativa (você, leitor, no calor da história, não quer nem saber de técnica). O uso correto das trezentas mil regras gramaticais, mesmo que bem-vindo, ainda não é a chave que separa uma história ‘boa’ daquela que te dá vontade de perder o livro e nunca mais encontrar. O assunto pode até ser importante, mas também não é a tal cereja do bolo. A preocupação estilista… está bem, é vascular num texto, mas não garante que a história seja boa. É que uma história de ficção (baseada ou não em fatos reais) é viva! E como tudo que é vivo, precisa surpreender, arrebatar. E isso não marca hora! Não segue uma linha cronológica do tipo, nascer, crescer, amadurecer e morrer.

Palavras bem amarradas numa história dançam na sua cabeça e te provocam, te fazem rir, ficar “pé da vida”, ter ódio mortal, um pavor petrificante, ficar arrasado, morrer de dó, se sentir esmagado, com uma tristeza sem fim, louco de tesão, com uma vontade insana de conhecer o mundo inteiro, de ter uma família, de nunca mais namorar ninguém parecido com aquele personagem idiota, com terror delirante de sair na rua ou apagar a luz do abajur e encontrar o psicopata do livro, com desejo de vingança, perder a cabeça, sonhar acordada ou, deliciosamente, confabular estratégias para terminar logo sua agenda e voltar desesperada às páginas. Agora, palavras inodoras, insonsas, polidas, cheias de explicaçõezinhas, educadinhas, um amontoado de linhas bem organizadinhas e didáticas até criam mensagens com sentidos, mas não dão conta de narrar uma ‘boa’ história.

Queremos muito mais do que significados ordenados e esteticamente bem diagramados. Queremos brilho radiante, ideias subversivas, rebeldes, inovadoras, queremos confusão! Precisamos sentir o sangue escorrer, ouvir a casa gemer, dar de cara com fantasmas, gargalhar e nos apaixonar. Queremos lágrimas, sim senhor! História ‘boa’ tem fome, é uma queda livre da mente. Emoção, leitor, emoção, por favor! E não precisa esperar. Quando a história é BOA, de repente é tarde demais. Ela abocanhou você, arrancou seu coração, não há mais o que fazer. Temos que ir até o fim. Essa história ganhou você! E a vida, bem… também é pra ser assim.

texto das Irmãs de Palavra

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Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".