devaneio

Dê uma pausa – a história hoje é sobre expressividade e força. A sua força.

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A história hoje é sobre expressividade e força. A sua força.

No quadro da parede. Na almofada da poltrona. No descanso da taça. No livro em cima da mesa. Frida Kahlo. Só alguém cheio de vitalidade e expressão, poderia, mesmo depois de mais de meio século longe daqui, estar por nossos cantos mais queridos, ainda nos inspirando. Talvez não seja pelas pinturas. Somente. Ou pelas cores. Simplesmente. Nem mesmo, apenas, pelas palavras transgressoras. Toda intensidade de Frida Kahlo continua rasgando ideias prontas, empacotadas, amarradinhas, bonitinhas e ordinárias. A historiadora de arte Heyden Herrera nos apresenta em ‘Frida – a biografia’ (Globo, 2011), a original e por que não, espetacular, vida ‘real’ dessa pintora mexicana.

“Não sou surrealista. Não pinto sonhos. Pinto minha realidade”

Avessa a rótulos, Frida não se rendia à pomposidade de estar na moda ou no grupo proeminente. Na verdade, detestava colecionadores de arte. Ela só queria tudo que fosse de verdade. Gostava da arte mundana, da rua, chamava de arte pura. Detestava aquela-gente-chata-intelectualizada-cheia-de-teorias-mas-que-nunca-fazia-realmente-nada! Nada que arrepiasse o corpo. Ou  pelo menos entusiasmasse.

Poliomielite. Acidentada. 35 cirurgias. A perna de pau viu beleza na desgraceira toda de sua saúde que minguava a cada dia.  Amou descontroladamente. Todos. Talvez mais Diego Rivieira. Mulheres. Homens. Amou a si mesmo. A vida. O mundo inteiro. “Ninguém nunca vai saber como eu amo Diego. Diego. Início. Diego. Construtor. Diego. Meu bebê. Diego. Meu namorado. Diego. Pintor. Diego. Meu amante. Diego. “Meu Marido”. Diego. Meu amigo. Diego. Minha mãe. Diego. Universo. Diversidade na unidade. Por que eu o chamo de meu Diego? Ele nunca foi nem nunca será meu. Ele pertence a si mesmo. “

Atravessou 3 mortes. Suportou o insuportável. “A pintura tem preenchido a minha vida. Perdi 3 crianças e uma série de coisas que poderiam ter preenchido esta vida miserável. A pintura substituiu tudo”. “Onde não puderes amar não te demores”.

Morreu cedo. Viveu muito! Aos 47 anos, na madrugada de 13 de julho de 1954 foi encontrada morta. Em seu diário, últimas palavras. “Espero alegre a minha partida e espero não retornar nunca mais”. É, para que mesmo novos ‘pés, pra quem tem asas’!

Só não podemos andar por aí com a camiseta estampada de Frida Kahlo e esquecer de viver a própria vida. Do seu jeito mesmo. Porque a sua vida não é sua até que você a preencha com olhos sagazes e cheios de vontade, com coragem  de simplesmente dizer a que veio. A sua vida não é sua até que você vença os padrões, corte cordões, jogue fora os exemplos e siga um caminho inventado por si mesmo. Frida Kahlo não deve ser idolatrada, maculada ou adorada. Ela é uma trovoada que pode acordar você da lenga-lenga de uma vida dissimulada. Para pessoas assim, dissimuladas, boazinhas e empapadas, ela tinha uma boa frase: “Para resumir, uma pura e total porcalhada”.  

E para acabar com nosso papo de hoje, vamos de conselho Frida Kahlo (numa das cartas que enviava a amigos) “um pouco de diversão, não podemos abandonar esse mundo sem nos divertimos um pouco nele”. O resto é história (é nós adoramos!).

Texto Irmãs de Palavra

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.