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Dê uma pausa – desligue o GPS, a história de hoje já tem destino

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Desligue o GPS. A história de hoje já tem destino!

Podemos ir pra Paris, para as Ilhas Maldivas, quem sabe Santorini ou ainda esquiar nas montanhas do Chile. Podemos nos embrenhar no velho mundo, tomando vinho e grandes goles de história e arte. Podemos surfar, se esticar em areias paradisíacas. Podemos sair de jipe, de moto ou num motorhome bem bacana e vasculhar nosso próprio país. Podemos ser peregrinos em Santiago de Compostela. Podemos andar de bicicleta e conhecer nosso bairro. Podemos atravessar o globo e ir parar do outro lado do mundo, lá no Japão. Podemos ir longe, muito longe e ter experiências magníficas. Mas existe um mapa, um mapa sutil, que não está desenhado em nenhum lugar. Cartografia secreta. Esse mapa esconde um tesouro e você terá que ter coragem para partir nessa viagem. Precisa desligar o GPS e qualquer aplicativo que mande virar à esquerda ou à direita, não dar atenção às placas que indicam o melhor caminho, o mais curto, o mais bonito ou mais certeiro. Nenhum roteiro pronto poderá levá-lo até lá.  A viagem dos seus sonhos conduz até um ponto minúsculo do globo terrestre, quase nem dá para ver. Não se engane, não adianta procurar por um país, uma cidade, nem uma ilha fantástica. O ponto minúsculo do seu bilhete premiado leva até você, onde quer que esteja. Essa é a viagem da sua vida, inteira! Em trânsito, desorientando sentidos, entrando e saindo da terra firme. Você pode ir para qualquer lugar do mundo (e pode se divertir muito!), mas se não embarcar no destino que leva a si mesmo, não passará de um ‘turista’ observando vidas alheias.

O mais recente livro da poeta, escritora, jornalista e amiga de palavra, Karen Debértolis, ‘Mapas Sutis’ (2018) injeta combustível pra um fluxo assim.

Sinaliza o que um ‘viajante’ precisa levar consigo.

‘um caderno em branco com capa de cor neutra, um coração, um chapéu para os dias frios, um chinelo para os dias de sol… um tanto de coragem, menos de si, espaços vazios entre as dobras do cérebro’

Desembrulha emoções.

‘Dilatar as pupilas, parar diante da pilha de pratos sujos e malvados, desarrumar a sala da grande janela indiscreta, rasgar papéis da caixa de memória, riscar os discos de vinil (…) silenciar a voz de Nina que ecoa melodiosa no antigo toca-discos, apagar os poemas de Ana C.,  sentar na velha poltrona de couro e esperar as flores secas recobrarem os sentidos’

Carimba histórias repetidas, rotas perdidas em um tempo circular.

‘novamente palavras brancas, quase invisíveis, em pedaços flutuando no cérebro eletrônico, repatriadas, desatinadas pelo universo inteiro’

E retrata paradas.

‘todo dia teus olhos castanhos, todo dia tua face serena (…) todo dia a tua presença, na tua ausência’

Até que marca (outros) enredos.

‘Homem cinza, olha apenas para seus passos e seus sapatos, dá de ombro para as noites de lua. (…) o céu não é mais aqui, transportou-se com seus elementos, mudou de casa, mudaram os roteiros (…) big bang.’

E no fim da viagem, nós sabemos que o mundo todo mora aqui. Aqui nesse ponto minúsculo bem dentro da gente. O resto é história (e nós adoramos!).

Texto das Irmãs de Palavra

 

mapas sutis

 

Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.