devaneio

Dê uma pausa, as Irmãs de Palavra viram uma bruxa!

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As Irmãs de Palavra viram uma bruxa!

 

Que bruxas existem, todos nós estamos cansados de saber. Queimávamos elas vivas ou as enforcávamos, por isso, agora elas andam disfarçadas. Essas mulheres estranhas, inusitadas, que botam medo porque sabem de coisas que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, têm atitudes que quase todo mundo nunca teria a coragem. Você já viu uma de verdade? Assim, ao vivo, bem de pertinho? Já conversou com alguma? As Irmãs de Palavra, sim! E foi este fim de semana na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty, que aconteceu de 25 à 29 de julho). Estamos falando da escritora russa Liudmila Petruchévskaia. De vestido preto esvoaçante e chapéu glamoroso (preto também), Liudmila hipnotizou uma plateia embasbacada pelo seu vigor contagiante. Um assombro de mulher! Não apenas pelo vigor de, aos 80 anos, cruzar o mundo chacoalhando a literatura, ou aos 69  descobrir em si novos talentos, começando a cantar em francês e alemão. Nem somente por botar fé na escuta atenta e na mente coletiva para, a partir daí, contar suas histórias. “Eu só escuto, as histórias já existem”, diz ela. Tampouco por sua fala divertida e ao mesmo tempo seca e direta, revelando uma alma audaciosa e cheia de vida. Liudmila, que um dia foi uma criança solta e selvagem que sofreu com o regime socialista da União Soviética, não se apoia em dramas para comover o leitor. Não faz da dor seu amuleto. Não se importa em responder aos padrões. Não se vangloria de qualquer tipo de estrelismo. “Meu sucesso? Não tem nada a ver comigo”. Por isso mesmo, é uma presença literária fenomenal e cativante. Invade a mente do leitor com magia e mistério. Quebra paradigmas e falsos conceitos do pragmatismo esnobe literário. Ela inspira que você tire suas próprias máscaras e se jogue na vida. Essa foi nossa experiência na Flip com Liudmila. Um contato de outro mundo, com certeza que sim. Mas tudo começou antes, em maio deste ano no Clube de Palavra AMIGOS DE PALAVRA de Londrina, quando lemos seu livro “Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha”. O único título da autora traduzido no Brasil, pela Companhia das Letras, 2018 – originalmente publicado em 2013. É um livro de contos que mesclam o terror, o cômico, o sombrio e o grotesco. Que nosso grupo leu por acaso, por indicação da mãe de uma de nossas amigas de palavra, Marina Elisa Castro (fofa e selvagem como só ela consegue ser). Nosso grupo se espantou com o título e depois, se entusiasmou com a leitura. Parecia que estávamos numa roda antiga, escutando velhas história assombradas. Está aí o poder de uma boa história: encantar para tocar. A magia de Liudmila está nos elementos místicos e alegóricos de sua escrita, também no subconsciente dark que se revela a cada linha. Encontramos ressonância na escuridão que nos rodeia. Autora antes censurada, hoje premida, mais conhecida ainda por suas peças de teatro. Nós, Irmãs de Palavra, junto com uma turma do Clube do Livro AMIGOS DE PALAVRA de Maringá, assistimos Liudmila, que de pé respondeu às perguntas e depois cantou. A vontade que nos deu foi de descobrir  que tipo de magia nós escondemos dentro da gente. Toda a gente. Vai que somos todas bruxas (e bruxos). O resto é história (e nós adoramos!).

texto das Irmãs de Palavra

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Dany Fran

Dany Fran

Autora de "Dias Nublados", jornalista.