neil gaiman

Dê uma pausa, e entre na roda


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Deixe todo o resto de lado, vamos abrir essa ciranda e conversar um pouco.

Palavras são dotadas de espírito, pode acreditar no que estamos dizendo. Vigor, perspicácia, entusiasmo, obstinação, renovação, inspiração têm energias desde a raiz semântica mais profunda. São como forças subterrâneas, capazes de impulsionar arroubos em quem as usa. Agora: perda, insossa, soberba, humilhação, desconfiança, avareza, inveja, lamúria, reclamação, ciúmes guardam um mundo de escuridão dentro delas. Podem arrastar seus pés feito bolas de chumbo. “Com que intensidade escolhemos ‘escrever’ nossas vidas e por quantas ninharias de qualquer importância nos deixamos como páginas fechadas?”

Pessoas também são assim; vigorosas ou apáticas,  inovadoras ou entediadas. Com as histórias acontece a mesma coisa. Elas derrubam você do lugarzinho comum e sem graça em que você se encontrava, um verdadeiro banho de energia; ou te empurram para um quarto solitário e vazio dentro da sua própria mente. ‘Ciranda das mulheres sábias’, de Clarissa Pinkola Estés (Ed. Rocco, 2007) traz o tipo de palavra que acende, invocando mais vida em quem as lê. Um livro que desafia ordens e te puxa para o meio da roda.  “… para que você se lembre de quem é, e  faça bom uso da magnitude que nasceu embutida no seu eu precioso e indomável”.

É um ensaio que ressalta a sabedoria que nasce nas cirandas das mulheres. As trocas antigas e revigorantes entre as iguais, receitas que passamos há gerações, unguentos que ensinamos umas às outras e perfumamos os caminhos, gargalhadas que compartilhamos, suspiros e incertezas que podemos confessar, para depois sairmos renascidas, abastecidas, fortalecidas, repletas de vontade de retornar ao próprio mundo e fazer dele a nossa grande aventura. As Irmãs de Palavra têm a benção de poder fazer parte de muitas rodas dessas. Uma delas aconteceu em 2016, quando lemos este livro no clube do livro AMIGOS DE PALAVRA de Londrina, e outra, em 2017, o mesmo livro no clube AMIGOS DE PALAVRA de Maringá. A ciranda que estamos na foto é bem recente, foi quase ontem, e nos encheu de alegria e intensidade, e depois, continuou contagiando cada palavra que passamos a escrever. Porque benção é assim, passa de um para o outro, sem você perceber. É um pequeno presente que oferecemos ao outro (e também recebemos). O resto é história (e nós adoramos!).

“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem.”

                                                                                                    (Clarissa Pinkola Estés)

Texto das Irmãs de Palavra


a ciranda

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".