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Bienal do Livro – Rio de Janeiro 2019

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça“. Se Vinicius de Moraes estivesse na Bienal do Rio deste ano, teria juntado João Gilberto e Tom Jobim para cantarem com gosto Garota de Ipanema. Vinícius teria se enchido de esperança ao ver zilhões de pessoas tão diferentes se esbarrando e rindo entre estandes lindos, lotados de histórias. Ele ficaria empolgado ao ouvir grandes talentos discutindo literatura.  Tanta gente lendo, escrevendo, criando mundos novos, seria – com certeza – fonte de inspiração para o aclamado poeta. Que teria aberto o coração ao ver a cidade maravilhosa recebendo escritores e leitores de todos os cantos de seu país. Vinicius acharia graça de tudo isso. E falaria do amor, seu grande tema. O amor pelas histórias.

Só que o cantor, sempre atento e preocupado com os problemas políticos e sociais, ficaria sério e convicto, pra compor o coro que inundou a Bienal no início da noite de sábado:

– Não vai ter censura! Não vai ter censura! Não vai ter censura!

Vinícius ficaria feliz com a vitória da democracia e da liberdade. Mas continuaria sério, pois ele saberia que viria mais luta pela frente.

E então, escreveria e cantaria versos para acordar toda essa gente brasileira de que a beleza que não é só nossa, morre nos dias tristes e frios da censura.

Ah, Vinícius, se a gente soubesse, que quando a gente passa unido e livre, o mundo inteirinho se enche de graça. Ah, se a gente soubesse…

Moraes encerraria a Bienal, declamando ao mundo inteiro:

“Brasil

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida eu vou te amar

Por isso te quero livre, forte e destemido”

 

Bienal do Livro – Rio de Janeiro 2019

 

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".