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As boas lembranças

Nem todas as lembranças que você carrega são boas. Talvez a maioria delas não seja, digamos, um “sucesso Hollywood”! Não importa, algumas valem a pena. Às vezes é uma música, que te faz viajar e suspirar com a paixonite do primeiro namoradinho da escola. Ou uma foto antiga de um Natal, com sabor de peru, alegria e esperança. Não curte peru…. tudo bem, vamos pra frente. Tem gente que quando sente um perfume, já volta lá atrás, para o melhor encontro que teve na vida. Uma comida preparada pela mãe que já morreu (ah que gostinho bom que tinha), o pedaço de uma fita do vestido mais lindo que você usou. Tem homem barbado que quando ouve as palavras “carrinho de rolemã”, abre um sorriso, que saudades das tardes de aventura. Até parece que, naquela época, podíamos tudo. Lembranças, as boas, têm um poder mágico em você. O riso espontâneo que elas provocam, renova a nossa fé no bem, nas coisas boas da vida.

E é sobre uma – em especial – que queremos falar com você. Uma lembrança cheia de amor que as Irmãs de Palavra guardam como um tesouro. Tem a ver com livros: “Um dia, muitos anos atrás, uma de nós duas chorou pela primeira em frente um livro (bem, pode não ter sido a primeira vez, mas é a primeira que ela se lembra!). O fato é que neste dia, não foram os estilingues dos garotos que mataram inhambus ou a surra de vara que o Zezinho da Porquinha Preta levou, que comoveu uma de nós. Foi a coragem do garotinho, capaz de fazer qualquer coisa – qualquer mesmo – pra não deixar que o pai vendesse a Maninha, a porquinha preta.” Toda essa aventura estava dentro do livro “Zezinho, o dono da porquinha preta”, de Jair Vitória. Só de lembrar nele, a gente sente a mesma emoção, a vontade de chorar e de sair por aí pelo mundo, defendendo com toda garra aquilo que se acredita. Zezinho, no livro, defendeu a porquinha. Hoje, queremos proteger nossos filhos, nossos livros, nossa democracia, nosso país.

Quem viveu a adolescência e pré-adolescência nos anos 70/80 e 90, deve se lembrar da coleção Vaga-lume. Era impossível um garoto ou uma garota daquele tempo, em algum momento na escola, não ter pegado um livro desses na mão. A coleção Vaga-Lume revolucionou uma geração de leitores infantojuvenis, encantou os leitores mirins com suas histórias simples, cheias de imaginação e aventuras. Se você é dessa época, deve estar se lembrando agora. E se você não é, pergunta pra alguém que é e ouve as lembranças que ele tem pra te contar. Não vai se arrepender! Em 2015, algumas obras da coleção Vaga-Lume foram relançadas, ganhando um visual mais moderno. Até o mascotinho da série, o Luminoso, ganhou uma roupagem nova. O que continua igual, é o barato de ler todos esses escritores nacionais publicados pela Vaga-Lume. Barato para as Irmãs de Palavra vai ser nesta quarta-feira, dia 06 de novembro, na Festa Literária de Maringá (FLIM), quando nós estaremos mediando a mesa –Série Vaga-Lume: literatura que ilumina, com o editor e poeta Fabio Weintraub e a escritora Jô Duarte. Vamos voltar na nossa infância e adolescência e de lá trazer lembranças cheias de alegria. Porque nós precisamos lembrar das coisas boas, elas estão dentro da gente, em algum lugar. E a gente não pode esquecer que uma lembrança boa tem mesmo um poder mágico: ela acorda você!

 

 

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".