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Sejamos todos feministas

“Sejamos todos feministas”

Nosso argumento é simples: toda mulher pode cuidar de si mesma. Toda pessoa pode cuidar de si mesma. A não ser que tenha necessidades especiais limitantes, seja portadora de alguma síndrome ou doença incapacitante, ou seja ainda uma criança. Caso contrário, toda pessoa deve ter o direito de fazer suas próprias escolhas.

Nossa ideia não é nova: feminismo é uma luta necessária. Vozes de tantas mulheres foram amordaçadas. Caladas à força por hábito, pela tradição, pela ignorância, pela tirania, por pressões patriarcais e hierarquias sociais… Tantas algemas, muros, que poderiam nos ‘prender’ aqui por séculos! Ora, é claro que precisávamos mesmo sair às praças e gritar. Precisávamos romper com centenas e centenas de anos de violência e opressão. E hoje, ainda precisamos lutar contra violência. Explícita. Disfarçada. Muitas mulheres, em todos os tempos, desenharam, pintaram, esfregaram, capinaram, escreveram, discursaram, costuraram, ensinaram, dirigiram, cantaram, noticiaram, criaram filhos e filhas, inspiradas por uma força: construir um mundo mais igual entre homens e mulheres. Um mundo de vida e não de morte. Todos queremos o sol. Todos precisamos voar. Nunca mais vamos parar. Porque o feminismo é uma luta de todos, mulheres e homens.

Nossa indignação nasceu na primeira geração de mulheres. Não à subjugação, à humilhação, ao desrespeito, à injustiça, à alienação, ao abuso. Não à falta de noção. Nem por brincadeira, podemos tolerar o poder de quem se sente superior. Gente é gente. Ponto final e acabou a história!

Nosso livro da semana, “O papel de parede amarelo”, acende com voracidade esse nosso papo. Um conto publicado em 1892 (veja bem há quanto tempo e ainda tão atual!), da escritora feminista americana Charlotte Perkins Gilman. Ele fala da vida de uma mulher que adoece sem saber exatamente o porquê. Ela é levada, por seu ‘zeloso’ marido John, para passar uns dias em uma casa de campo, afim de se recuperar de um “mal passageiro”. Médico, homem da ciência, acredita que em novos ares, afastada de tudo e todos que podem inquietar sua imaginação, sua tristeza se vá e ela fique calma (como se calma fosse uma boa forma de viver). E acaba enfiando a mulher, contra seu gosto, em um quarto de papel de parede amarelo que ela, a propósito, detesta. Ela ainda resiste e tenta não se enquadrar às medidas padronizadas que não são suas, escreve quando o marido ou a cunhada não estão por perto, pensa no filho que não vê. Até que faz sua escolha. Qual é? Bem, se fôssemos você escolheríamos ler essa história. Que além de não ter envelhecido, serviu – e ainda cabe – como um alerta feminista: saia correndo de ‘quartos amarelos’! A mulher, o homem, não podem ser controlados, amordaçados, humilhados. Feminismo podia até se chamar humanismo. Como diz Márcia Tiburi: “Sejamos todos feministas”.

Beijo das Irmãs de Palavra

 

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".